Constelação Sagitário
Sagittarius
Sagitário aponta direto para o centro da Via Láctea, onde fica Sgr A*, o buraco negro supermassivo de 4 milhões de massas solares fotografado em 2022, e concentra 15 objetos do Catálogo Messier em seus limites, mais do que qualquer outra constelação. Veja como encontrá-la no céu e o que ela guarda.
Sobre a constelacao Sagitário
Sagitário, o Arqueiro, é uma constelação do zodíaco situada no hemisfério celeste sul, entre Escorpião a oeste e Capricórnio a leste. Para quem busca os objetos mais espetaculares do céu profundo, ela é o destino principal: a direção do centro galáctico da Via Láctea fica dentro de seus limites, o que significa que varrer Sagitário com um telescópio é como folhear um atlas de nebulosas. O Catálogo Messier tem 15 objetos em Sagitário, mais do que em qualquer outra constelação do céu.
No Brasil, Sagitário é uma constelação de inverno e primavera austrais, visível de junho a outubro. Durante as noites de agosto e setembro, ela culmina ao sul em torno da meia-noite, bem alta no céu para quem mora nas regiões Sul e Sudeste. Para observadores no hemisfério norte, Sagitário é uma constelação de verão que nunca sobe muito, o que coloca os brasileiros em vantagem para explorar a riqueza do centro galáctico. O buraco negro Sgr A* foi fotografado pela primeira vez em 2022 pelo Event Horizon Telescope, confirmando 50 anos de predições de observações de rádio e infravermelho.
Como encontrar no céu
A forma mais rápida de identificar Sagitário é procurar o asterismo do Bule de Chá (Teapot), formado por oito estrelas brilhantes que desenham uma chaleira com alça, corpo e bico. O bico aponta para oeste (na direção de Escorpião) e crucialmente aponta também para onde fica o centro galáctico. Em noites escuras, a "fumaça" saindo do bico do Bule é a própria Via Láctea, densa e repleta de poeira e estrelas.
Para encontrar Sagitário, procure primeiro a cauda de Escorpião, com sua curva característica de estrelas brilhantes. Sagitário fica diretamente a leste, com o Bule de Chá claramente visível algumas horas após o anoitecer nos meses de inverno e primavera austrais. No Brasil, julho e agosto são os melhores meses: Sagitário culmina bem acima do horizonte sul nas primeiras horas da noite, com o brilho difuso da Via Láctea visível mesmo em cidades médias com poluição luminosa moderada.
A "fumaça" do Bule (a Via Láctea densa) é mais brilhante entre o bico e Escorpião: essa região concentra as nebulosas mais brilhantes de todo o céu. Para observadores de binóculos, essa faixa é a mais recompensadora do céu austral.
Estrelas principais
| Estrela | Designação | Magnitude | Distância (anos-luz) | Tipo espectral |
|---|---|---|---|---|
| Kaus Australis | Epsilon Sgr | 1,79 | 143 | B9.5 III (subgigante azul-branca) |
| Nunki | Sigma Sgr | 2,05 | 228 | B2.5 V (estrela quente tipo B) |
| Ascella | Zeta Sgr | 2,59 | 89 | A2 IV + A4 V (par binário) |
| Kaus Media | Delta Sgr | 2,72 | 306 | K3 III (gigante laranja) |
| Kaus Borealis | Lambda Sgr | 2,82 | 77 | K1 IIIb (gigante laranja) |
Kaus Australis (Epsilon Sagittarii) é a estrela mais brilhante da constelação, magnitude 1,79, uma subgigante azul-branca a 143 anos-luz. O nome significa "ponta sul do arco". Nunki (Sigma Sagittarii) é a segunda mais brilhante, magnitude 2,05, uma estrela quente de classe B a 228 anos-luz, cujo nome deriva da astronomia babilônica e significa "estrela do mar sagrado". As estrelas Kaus (Borealis, Media, Australis) formam o arco da constelação, enquanto as estrelas da alça e corpo do Bule de Chá completam o asterismo familiar. Alnasl (Gama2 Sgr), magnitude 3,0, representa a ponta da flecha do arqueiro.
Objetos de céu profundo
Sagitário contém a maior concentração de objetos Messier de qualquer constelação: 15 no total, incluindo nebulosas de emissão, aglomerados globulares e abertos.
| Objeto | Tipo | Magnitude | Distância | Característica |
|---|---|---|---|---|
| M8 (Lagoa) | Nebulosa de emissão | 6,0 | 4.100 a-l | Visível a olho nu |
| M20 (Trífida) | Nebulosa de emissão/reflexão | 6,3 | 5.200 a-l | Três lobos divididos por poeira |
| M17 (Ômega / Cisne) | Nebulosa de emissão | 6,0 | 5.500 a-l | Região de formação estelar ativa |
| M22 | Aglomerado globular | 5,1 | 10.600 a-l | Visível a olho nu; nebulosa planetária interna |
| M24 (Nuvem Estelar) | Nuvem estelar | 4,6 | 10.000 a-l | Maior objeto Messier visível a olho nu |
| M28 | Aglomerado globular | 6,8 | 18.300 a-l | Pulsar de milissegundo descoberto em 1987 |
Sagittarius A* (Sgr A*) é o buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea, com massa de cerca de 4,1 milhões de massas solares, extremamente compacto (caberia dentro da órbita de Vênus). A primeira imagem de sua região foi publicada em maio de 2022 pelo Event Horizon Telescope, confirmando predições de 50 anos de observações em rádio e infravermelho. Sgr A* fica a cerca de 26.000 anos-luz de nós. A Nebulosa Lagoa (M8) é a maior nebulosa brilhante de Sagitário, visível a olho nu, com cerca de 110 por 50 anos-luz de extensão. A Nuvem Estelar de Sagitário (M24), com magnitude 4,6 e 2 graus de diâmetro, é o maior objeto do Catálogo Messier visível a olho nu: uma janela através da poeira da Via Láctea que revela estrelas até 26.000 anos-luz de distância.
Mitologia
Na tradição grega, Sagitário representa um centauro arqueiro: metade homem, metade cavalo, com arco apontado para o coração de Escorpião. Há debate sobre qual centauro seria: alguns textos antigos o identificam com Croto, filho de Pã e Eufeme (ama de leite das Musas), que teria inventado o arco e a arte de atirar. Outros associam a figura a Quíron, o centauro sábio, mas Quíron é representado pela constelação Centaurus.
A posição de Sagitário no zodíaco, ao lado de Escorpião, reforça a narrativa: o arqueiro aponta sua flecha para o escorpião que picou Orion, o grande caçador, criando uma história de vingança celestial. Nas representações mais antigas, o arqueiro é mostrado como um sátiro (meio homem, meio bode) e não um centauro, o que reflete a diversidade de interpretações regionais na Grécia antiga.
Na astronomia babilônica, a constelação era associada ao deus Nergal, senhor do submundo e dos campos de batalha, e já era representada como um ser arqueiro com corpo de centauro, mostrando que a iconografia precede a mitologia grega por séculos. Para os maias, a região do centro galáctico tinha profundo significado cosmológico: o ponto de cruzamento da Via Láctea com a eclíptica nessa direção era chamado de "Árvore do Mundo".
Chuvas de meteoros e efemérides
Sagitário é o radiante de algumas chuvas de meteoros menores e a constelação de fundo durante chuvas importantes do verão austral.
- Sagitaridas do Sul: ativas de 15 de abril a 15 de maio, pico por volta de 19 de abril, ZHR de até 5 meteoros por hora. Chuva discreta mas com meteoritos ocasionais de trajetórias prolongadas.
- Sagitaridas do Norte: ativas de julho a agosto, complementando a chuva do Sul com radiante deslocado.
- As principais oportunidades de observação da constelação coincidem com o inverno austral (junho a agosto), quando as noites são mais longas e secas nas regiões Sul e Sudeste do Brasil.
- O centro galáctico em Sagitário é a melhor direção para observar a Via Láctea máxima: em agosto, o Bule de Chá fica no sul e a faixa leitosa se estende do leste ao oeste passando pelo zênite, criando o espetáculo mais grandioso do céu noturno para quem está em um local escuro.
- M22, o aglomerado globular mais brilhante da constelação (magnitude 5,1), culmina ao sul em agosto a uma altitude boa para o Brasil, tornando-o um dos globulares mais acessíveis para observadores brasileiros ao lado de Ômega Centauri e 47 Tucanae.
Curiosidades
- O Catálogo Messier, criado pelo astrônomo francês Charles Messier no século XVIII para catalogar nebulosas que poderiam ser confundidas com cometas, tem 15 objetos em Sagitário, mais do que em qualquer outra constelação do céu.
- A Via Láctea é mais larga e brilhante na direção de Sagitário porque estamos olhando para o centro da galáxia: o núcleo galáctico fica a cerca de 26.000 anos-luz de nós.
- O buraco negro Sgr A*, no centro galáctico, foi fotografado pela primeira vez pelo Event Horizon Telescope em maio de 2022, sendo a segunda imagem de buraco negro da história (a primeira foi M87* em 2019). A imagem mostrou um anel de gás luminoso com sombra central de 52 microssegundos de arco.
- A maioria dos objetos Messier em Sagitário é acessível com binóculos 10x50 a partir de um sítio escuro, tornando a constelação o destino mais recompensador para iniciantes em astronomia no hemisfério sul.
- O asterismo do Bule de Chá não é uma constelação oficial, mas é um dos mais úteis do céu: localiza o centro galáctico com a precisão de apontar o dedo. A "fumaça" saindo do bico é a própria Via Láctea densa, visível a olho nu em céus escuros.
- O pulsar de milissegundo no aglomerado M28 (B1821-24) foi o primeiro pulsar de milissegundo descoberto em um aglomerado globular (1987), inaugurando uma classe de objetos ultrarrápidos reciclados por acreção de matéria de uma companheira.
Estrelas brilhantes em Sagitário
| Nome | Bayer | Magnitude | Tipo | Distância (al) |
|---|---|---|---|---|
| Kaus Australis | epsilon Sgr | 1.79 | B9.5III | 145.0 |
| Nunki | sigma Sgr | 2.05 | B2.5V | 224.0 |
| Kaus Media | delta Sgr | 2.72 | K3III | 305.0 |
Sobre a constelação
A constelacao Sagitário (do latim Sagittarius) fica na metade sul do ceu. Ela passa mais alta por volta da meia-noite em julho, entao as semanas em torno dessa epoca sao as mais faceis para encontra-la. A estrela mais brilhante dela e Kaus Australis, de magnitude 1.8, facil de notar mesmo numa cidade iluminada. Da maior parte do Brasil da para encontra-la em alguma epoca do ano. Os astronomos nomeiam as estrelas dela com a forma genitiva Sagittarii, como em "Alfa Sagittarii".
Outras constelações
And Ant Aps Aql Aqr Ara Ari Aur Boo Cae Cam Cnc CVn CMa CMi Cap Car Cas Cen Cep Cet Cha Cir Col Com CrA CrB Crv Crt Cru Cyg Del Dor Dra Equ Eri For Gem Gru Her Hor Hya Hyi Ind Lac Leo LMi Lep Lib Lup Lyn Lyr Men Mic Mon Mus Nor Oct Oph Ori Pav Peg Per Phe Pic Psc PsA Pup Pyx Ret Sge Sco Scl Sct Ser Sex Tau Tel Tri TrA Tuc UMa UMi Vel Vir Vol Vul