Constelação Cão Maior
Canis Major
Canis Major, o Cão Maior, contém Sirius, a estrela mais brilhante de todo o céu noturno: quase duas magnitudes acima da segunda colocada e visível mesmo em cidades com muita poluição luminosa. Veja como encontrá-la no céu e o que ela guarda.
Sobre a constelacao Cão Maior
Canis Major, o Cão Maior, é uma constelação do hemisfério celeste sul que se destaca no céu de verão austral pela presença de Sirius, a estrela mais brilhante do céu noturno com magnitude aparente de -1,46. Ela supera a segunda mais brilhante, Canopus em Carina, por quase uma magnitude inteira. Tanto brilho num único ponto do céu torna Canis Major inconfundível mesmo para quem nunca prestou atenção nas estrelas.
A constelação fica a sudeste de Orion, separada do equador celeste pela pequena constelação Lepus (a Lebre). Ocupa 380 graus quadrados e contém várias outras estrelas brilhantes além de Sirius, tornando-a uma das mais ricas do céu de verão-outono do hemisfério sul. No Brasil, ela é visível de novembro a abril, com o pico de observabilidade em janeiro e fevereiro, quando Sirius domina o céu a sudeste logo após o anoitecer.
Como encontrar no céu
Encontrar Canis Major é provavelmente a tarefa mais simples de toda a astronomia observacional: basta procurar o ponto mais brilhante do céu noturno. Sirius é absolutamente dominante e não pode ser confundida com nenhuma outra estrela. Nas noites de verão austral (dezembro a fevereiro), ela sobe no leste logo após o anoitecer e domina o céu ao sul nas primeiras horas da madrugada.
Para confirmar que você está olhando para Canis Major, use Orion como referência: as três estrelas do Cinturão de Orion (Mintaka, Alnilam e Alnitak) formam uma linha que, prolongada para sudeste, aponta diretamente para Sirius. Esse é um dos recursos de orientação estelar mais confiáveis para iniciantes no mundo inteiro.
No Brasil, Sirius e Canis Major ficam próximo do zênite em janeiro e fevereiro para observadores nas latitudes do Sul e do Sudeste. Para quem está em Recife ou Fortaleza, ela passa levemente ao norte do zênite. A constelação é visível de todo o território nacional sem exceção.
Estrelas principais
A tabela abaixo resume as estrelas mais importantes de Canis Major visíveis a olho nu.
| Nome | Designação Bayer | Magnitude | Tipo espectral | Distância (anos-luz) |
|---|---|---|---|---|
| Sirius | Alfa CMa | -1,46 | A1V | 8,6 |
| Adhara | Epsilon CMa | 1,50 | B2 Iab | 430 |
| Wezen | Delta CMa | 1,83 | F8 Ia | 1.600 |
| Mirzam | Beta CMa | 1,98 | B1 II-III | 500 |
| Aludra | Eta CMa | 2,45 | A2 Ia | 3.200 |
Sirius (Alfa Canis Majoris) tem magnitude aparente -1,46 e magnitude absoluta 1,42. Fica a apenas 8,6 anos-luz de distância, sendo uma das estrelas mais próximas do Sol. É uma estrela branca de classe A1V com temperatura superficial de cerca de 9.940 Kelvin, quase o dobro da temperatura solar. Possui uma companheira, Sirius B, uma anã branca que completa uma órbita em cerca de 50 anos. Sirius B, com magnitude 8,4 (invisível a olho nu), tem massa ligeiramente superior à do Sol comprimida num volume menor que a Terra.
Adhara (Epsilon CMa) é a segunda estrela mais brilhante da constelação, magnitude 1,50, uma supergigante azul-branca de classe B2 a 430 anos-luz. Sua luminosidade absoluta é cerca de 38.700 vezes a do Sol. Em ultravioleta, ela é a estrela mais brilhante do céu visível para detectores nessa faixa.
Wezen (Delta CMa) é uma supergigante amarela-branca de magnitude 1,83, a cerca de 1.600 anos-luz, com luminosidade absoluta de aproximadamente 82.000 vezes a solar: uma das estrelas mais luminosas visíveis a olho nu.
Objetos de céu profundo
Canis Major contém objetos de céu profundo notáveis, com destaque para o único objeto Messier da constelação.
| Objeto | Tipo | Magnitude | Distância (anos-luz) | Tamanho aparente |
|---|---|---|---|---|
| M41 (NGC 2287) | Aglomerado aberto | 4,5 | 2.300 | 38 minutos de arco |
| NGC 2362 | Aglomerado aberto | 4,1 | 5.000 | 8 minutos de arco |
| NGC 2359 | Nebulosa de emissão | 11,5 | 15.000 | 8 minutos de arco |
M41 (NGC 2287) é um aglomerado aberto localizado cerca de 4 graus ao sul de Sirius, visível a olho nu em noites escuras com magnitude 4,5. Contém cerca de 100 estrelas, tem 25 a 26 anos-luz de diâmetro físico e fica a 2.300 anos-luz. Tem uma supergigante laranja proeminente perto do centro e estima-se que tenha 190 milhões de anos de idade. Aristóteles já o havia registrado por volta de 325 a.C., o que o torna um dos objetos difusos mais antigos catalogados na história da astronomia.
NGC 2362 é um aglomerado muito jovem (cerca de 5 milhões de anos) com a supergigante azul Tau Canis Majoris no centro rodeada de estrelas recentemente formadas: um laboratório vivo de formação estelar.
NGC 2359 (Capacete de Thor) é uma nebulosa de emissão criada pelos ventos de uma estrela Wolf-Rayet massiva. Sua forma lembra um elmo com "asas" laterais, daí o apelido popular.
Mitologia
Na mitologia grega, Canis Major representa um dos cães de Orion, o grande caçador. A imagem é a de um cão fiel correndo ao lado do mestre, com Sirius representando o olho ou o nariz do animal. Algumas versões o identificam com Laelaps, o cão mágico que jamais deixava escapar a presa, dado por Zeus à Europa, depois à Prócris e eventualmente a Céfalo. O paradoxo de Laelaps perseguindo eternamente a raposa Teumesiana (que nunca podia ser capturada) foi resolvido por Zeus transformando ambos em pedra e colocando-os no céu.
Em outras tradições, Canis Major é o cão de Actéon, o caçador transformado em cervo por Ártemis e devorado pelos próprios cães. A narrativa de um caçador seguido por cães fiéis perpassa várias culturas que conheceram Orion e Sirius.
Sirius sozinha tem uma história mitológica extraordinária. Para os antigos egípcios, o heliacal rising de Sirius (seu primeiro aparecimento antes do amanhecer após um período de invisibilidade) anunciava a cheia do Rio Nilo, evento vital para a agricultura. O início do calendário egípcio estava ligado a esse evento. Os gregos chamavam os dias de calor intenso no verão do hemisfério norte de "dias do cão" (Dog Days), expressão que sobrevive até hoje no vocabulário de vários idiomas.
Chuvas de meteoros e efemérides
Canis Major não é sede de grandes chuvas de meteoros ativas reconhecidas pela União Astronômica Internacional (UAI), mas o período de máxima visibilidade da constelação no Brasil coincide com um céu rico em eventos celestes.
O pico de observabilidade de Sirius e Canis Major no Brasil ocorre em janeiro e fevereiro, quando a estrela culmina perto da meia-noite e atinge sua máxima altitude no céu. Em termos práticos, para observadores no Sul do Brasil (latitude -30 graus), Sirius atinge cerca de 60 graus de altitude no meridiano, elevada o suficiente para observação confortável com binóculos ou telescópio. No Norte do país, ela passa quase no zênite.
O aglomerado M41, a 4 graus ao sul de Sirius, é visível a olho nu nas mesmas condições. Com binóculos 7x50 ou 10x50, o aglomerado se resolve em dezenas de estrelas individuais contra um fundo escuro. A melhor janela de observação para M41 é entre novembro e março, com pico em janeiro.
- Melhor período: janeiro e fevereiro (Sirius no meridiano a meia-noite)
- Visibilidade: todo o território brasileiro, sem restrição de latitude
- Instrumentos: Sirius a olho nu; M41 exige céu escuro para olho nu, fácil em binóculos
- Culminação em janeiro: Sirius atinge o meridiano por volta de meia-noite
Curiosidades
- Sirius não é a estrela mais luminosa em termos absolutos, apenas a que parece mais brilhante por causa da sua proximidade: a 8,6 anos-luz, é uma das 10 estrelas mais próximas do Sol.
- A companheira Sirius B, descoberta por Alvan Graham Clark em 1862, foi a primeira anã branca confirmada astronomicamente. Apesar de invisível a olho nu (magnitude 8,4), sua massa é quase igual à do Sol.
- Os antigos egípcios tinham um calendário de 365 dias baseado no ciclo de reaparecimento de Sirius (ciclo sothiaco), e o ano novo coincidiu com o heliacal rising da estrela durante séculos.
- O brilho de Sirius causa um efeito de cintilação colorida muito visível a olho nu quando ela está baixa no horizonte: os raios de luz atravessam mais atmosfera e são dispersos nas cores do arco-íris.
- Adhara (Epsilon CMa) seria a estrela mais brilhante do céu se estivesse à mesma distância de Sirius: sua luminosidade absoluta é cerca de 15 vezes maior.
- M41 foi mencionado por Aristóteles por volta de 325 a.C., tornando-o um dos objetos difusos mais antigos registrados na história da astronomia.
- Sirius foi a primeira estrela, além do Sol, a ter sua velocidade radial medida por efeito Doppler, por William Huggins, em 1868.
Estrelas brilhantes em Cão Maior
| Nome | Bayer | Magnitude | Tipo | Distância (al) |
|---|---|---|---|---|
| Sirius | alpha CMa | -1.46 | A1V | 8.6 |
| Adhara | epsilon CMa | 1.50 | B2II | 430.0 |
| Wezen | delta CMa | 1.83 | F8Ia | 1,800.0 |
| Mirzam | beta CMa | 1.98 | B1II | 500.0 |
| Furud | zeta CMa | 3.02 | B2.5V | 336.0 |
Sobre a constelação
A constelacao Cão Maior (do latim Canis Major) fica na metade sul do ceu. Ela passa mais alta por volta da meia-noite em janeiro, entao as semanas em torno dessa epoca sao as mais faceis para encontra-la. A estrela mais brilhante dela e Sirius, de magnitude -1.5, facil de notar mesmo numa cidade iluminada. Da maior parte do Brasil da para encontra-la em alguma epoca do ano. Os astronomos nomeiam as estrelas dela com a forma genitiva Canis Majoris, como em "Alfa Canis Majoris".
Outras constelações
And Ant Aps Aql Aqr Ara Ari Aur Boo Cae Cam Cnc CVn CMi Cap Car Cas Cen Cep Cet Cha Cir Col Com CrA CrB Crv Crt Cru Cyg Del Dor Dra Equ Eri For Gem Gru Her Hor Hya Hyi Ind Lac Leo LMi Lep Lib Lup Lyn Lyr Men Mic Mon Mus Nor Oct Oph Ori Pav Peg Per Phe Pic Psc PsA Pup Pyx Ret Sge Sgr Sco Scl Sct Ser Sex Tau Tel Tri TrA Tuc UMa UMi Vel Vir Vol Vul