Constelação Cruzeiro do Sul
Crux
O Cruzeiro do Sul é a menor constelação do céu e a mais carregada de significado para o hemisfério sul: aponta o polo sul celeste, guiou navegadores por séculos, está estampada na bandeira do Brasil e tem ao lado o Saco de Carvão, uma das nebulosas escuras visíveis a olho nu. Veja como encontrá-la no céu e o que ela guarda.
Sobre a constelacao Cruzeiro do Sul
Com apenas 68 graus quadrados, o Cruzeiro do Sul (Crux) é a menor das 88 constelações reconhecidas pela União Astronômica Internacional, mas também uma das mais densas em objetos notáveis e em significado cultural. Para os povos do hemisfério sul, ela desempenhou o papel que a Estrela Polar cumpre no norte: indicar o sul geográfico. Navegadores portugueses já a utilizavam no século XV para se orientar nas rotas ao redor do Cabo da Boa Esperança, e Américo Vespúcio a descreveu em detalhes em 1501.
No Brasil, o Cruzeiro é visível em qualquer noite do ano em todo o território nacional: nunca se põe abaixo do horizonte sul para quem está abaixo de aproximadamente 26 graus sul, e sobe alto no céu entre março e maio. Está estampada na bandeira brasileira, aparece no hino nacional e foi nome da moeda do país por décadas. O Saco de Carvão adjacente é a nebulosa escura mais proeminente do céu e parte da astronomia de vários povos indígenas sul-americanos e australianos.
Como encontrar no céu e achar o sul
No Brasil, o Cruzeiro do Sul está praticamente sempre visível no céu sul após o anoitecer. O melhor período é de março a junho, quando ela culmina (atinge o ponto mais alto) na direção sul pouco após o pôr do Sol. Em abril, ao redor das 21h, ela fica quase no zênite para quem está no Rio de Janeiro ou São Paulo.
Para identificar o Cruzeiro, procure os Ponteiros: as duas estrelas brilhantes Alfa e Beta Centauri (Rigil Kentaurus e Hadar), que ficam a cerca de 15 graus a leste da constelação. Uma linha traçada de Beta para Alfa Centauri, se prolongada, leva diretamente até o longo eixo da Cruz.
Método prático para achar o sul: prolongue o eixo maior (de Gacrux, no topo, até Acrux, na base) cerca de 4,5 vezes seu comprimento para além de Acrux. O ponto no céu onde essa linha termina é o Polo Sul Celeste, ao qual corresponde o sul geográfico no horizonte. Como não existe uma estrela brilhante nessa posição (ao contrário de Polaris no norte), o método depende de calcular a distância visualmente, mas com prática é preciso a poucos graus.
Atenção ao "Falso Cruzeiro": o asterismo formado por Kappa e Delta Velorum mais Iota e Epsilon Carinae pode ser confundido com o Cruzeiro do Sul por observadores iniciantes. O Falso Cruzeiro é maior, menos brilhante e não tem Ponteiros ao lado.
Estrelas principais
| Estrela | Designação | Magnitude | Distância (anos-luz) | Tipo espectral |
|---|---|---|---|---|
| Acrux | Alfa Crucis | 0,77 | 321 | B0.5 IV + B1 V (par azul) |
| Mimosa | Beta Crucis | 1,25 | 280 | B0.5 III (Be variável) |
| Gacrux | Gama Crucis | 1,59 | 88 | M3.5 III (gigante vermelha) |
| Delta Crucis | Delta Crucis | 2,79 | 364 | B2 IV (azul variável) |
| Epsilon Crucis | Epsilon Crucis | 3,59 | 228 | K3 III (gigante laranja) |
Acrux (Alfa Crucis), magnitude 0,77, é a estrela mais brilhante da constelação e a 13ª mais brilhante do céu inteiro. É um sistema múltiplo: Acrux A e B são duas estrelas azuis quentes separáveis em telescópios pequenos (separação de 4 segundos de arco), com uma terceira componente mais distante. Mimosa (Beta Crucis), magnitude 1,25, é uma estrela Be variável com pulsos de luminosidade. Gacrux (Gama Crucis), magnitude 1,59, é a estrela do topo da cruz: uma gigante vermelha de classe M em forte contraste visual com as azuis da base, a apenas 88 anos-luz. Epsilon Crucis, a quinta estrela, é visível a olho nu e aparece no interior do quadrilátero da Cruz na bandeira brasileira representando o estado do Pará.
Objetos de céu profundo
Apesar de pequena, Crux concentra objetos notáveis, com o Aglomerado Joia e o Saco de Carvão como os mais célebres.
| Objeto | Tipo | Magnitude | Distância | Característica |
|---|---|---|---|---|
| NGC 4755 (Caixa de Joias) | Aglomerado aberto | 4,2 | 6.500 a-l | Estrelas coloridas; descrito por Herschel |
| Nebulosa do Saco de Carvão | Nebulosa escura | (visível a olho nu) | 590 a-l | Mancha negra contra a Via Láctea |
| Acrux A/B | Par visual duplo | 0,77 / 1,3 | 321 a-l | Separável em telescópio pequeno |
O Aglomerado Joia (NGC 4755, Kappa Crucis) é um dos aglomerados abertos mais belamente coloridos do céu sul: contém estrelas azuis, brancas e uma supergigante laranja em forte contraste, visível em binóculos como uma nebulosa de magnitude 4,2 e esplêndido em telescópio. John Herschel o chamou de "Caixa de Joias" no século XIX, uma descrição que continua perfeita. A Nebulosa do Saco de Carvão é uma nebulosa escura espetacular visível a olho nu: uma mancha negra proeminente contra a Via Láctea, com cerca de 7 por 5 graus de extensão angular, a 590 anos-luz e com 65 anos-luz de diâmetro. É a nebulosa escura mais conspícua do céu inteiro.
História e cultura
O Cruzeiro do Sul foi registrado pelos antigos gregos como parte de Centaurus. Com a precessão dos equinócios, a Cruz foi se afastando do horizonte norte europeu e deixou de ser visível na Europa por volta do século V d.C., o que explica por que não aparece nas tradições gregas como figura autônoma. Américo Vespúcio a descreveu em 1501. O nome Crux foi consolidado por Frederick de Houtman e Pieter Dirkszoon Keyser no final do século XVI, durante expedições holandesas ao oceano Índico.
Na bandeira brasileira, o céu foi fixado na posição vista do Rio de Janeiro em 15 de novembro de 1889, data da proclamação da República. Cada estrela representa um estado: Gacrux = Acre, Mimosa = Amazonas, Delta = Pará (há controvérsia na atribuição), Acrux = varia conforme versão, e Epsilon Crucis (a quinta estrela dentro da Cruz) representa o Pará na versão oficial. O Cruzeiro aparece na letra do Hino Nacional e é citado obliquamente como símbolo do Sul.
Para povos indígenas da Austrália e da América do Sul, a Cruz e o Saco de Carvão adjacente formavam figuras importantes no céu. Para os incas e vários povos andinos, o Saco de Carvão era uma ema (o animal), parte de uma astronomia de "constelações escuras" tão elaborada quanto a ocidental de estrelas brilhantes.
Chuvas de meteoros e efemérides
Crux não é radiante de nenhuma chuva de meteoros significativa, mas a região ao redor é relevante para observadores do hemisfério sul.
- A melhor época para observar Crux é de março a junho, com o pico de visibilidade em abril-maio, quando a constelação culmina quase no zênite para quem está em latitudes entre 20 e 35 graus sul (toda a faixa que inclui Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul).
- O período de maior elongação (maior separação angular do Sol) ocorre em maio, tornando abril e maio ideais para observações noturnas prolongadas.
- Chuvas que radiam de regiões próximas incluem as Eta Aquaridas de maio e as Delta Aquaridas de julho, que são vistas bem a partir do hemisfério sul e não têm relação com Crux, mas beneficiam observadores que já estão com os olhos voltados para o céu austral.
- Para o hemisfério sul brasileiro, o inverno de junho a agosto é o melhor período geral para astronomia: céus mais secos, noites mais longas nas regiões Sul e Sudeste, e Crux ainda visível nas primeiras horas da noite em junho.
Curiosidades
- O Cruzeiro do Sul é a menor constelação oficial do céu, com apenas 68 graus quadrados, mas contém três estrelas entre as 30 mais brilhantes do céu: Acrux (13ª), Mimosa (19ª) e Gacrux (25ª), uma densidade impressionante para uma área tão pequena.
- A diferença de cor entre as estrelas da Cruz é notável a olho nu: Gacrux (topo) é vermelha, enquanto Acrux, Mimosa e Delta são azuis ou branco-azuladas, criando um mosaico de cores visível sem instrumentos em céu escuro.
- O Saco de Carvão é tão proeminente que é um dos poucos objetos astronômicos de obscurecimento visível sem instrumentos em qualquer parte do céu.
- O Cruzeiro do Sul aparece nas bandeiras de cinco países: Brasil, Austrália, Nova Zelândia, Papua Nova Guiné e Samoa, refletindo sua importância cultural no hemisfério sul.
- Para um observador no Polo Sul geográfico, o Cruzeiro do Sul giraria perpetuamente ao redor do zênite sem nunca se pôr, como Polaris no Polo Norte.
- O Aglomerado Joia (NGC 4755) foi descoberto por Nicolas Louis de Lacaille em 1751 durante sua expedição ao Cabo da Boa Esperança. O nome "Caixa de Joias" foi dado por John Herschel em 1834, que ficou encantado com o contraste de cores em seu telescópio.
Estrelas brilhantes em Cruzeiro do Sul
| Nome | Bayer | Magnitude | Tipo | Distância (al) |
|---|---|---|---|---|
| Acrux | alpha Cru | 0.77 | B0.5IV | 320.0 |
| Mimosa | beta Cru | 1.25 | B0.5III | 280.0 |
| Mimosa-A | beta Cru | 1.30 | B0.5III | 280.0 |
Sobre a constelação
A constelacao Cruzeiro do Sul (do latim Crux) fica no extremo sul do ceu. Ela passa mais alta por volta da meia-noite em março, entao as semanas em torno dessa epoca sao as mais faceis para encontra-la. A estrela mais brilhante dela e Acrux, de magnitude 0.8, facil de notar mesmo numa cidade iluminada. Da maior parte do Brasil da para encontra-la em alguma epoca do ano. Os astronomos nomeiam as estrelas dela com a forma genitiva Crucis, como em "Alfa Crucis".
Outras constelações
And Ant Aps Aql Aqr Ara Ari Aur Boo Cae Cam Cnc CVn CMa CMi Cap Car Cas Cen Cep Cet Cha Cir Col Com CrA CrB Crv Crt Cyg Del Dor Dra Equ Eri For Gem Gru Her Hor Hya Hyi Ind Lac Leo LMi Lep Lib Lup Lyn Lyr Men Mic Mon Mus Nor Oct Oph Ori Pav Peg Per Phe Pic Psc PsA Pup Pyx Ret Sge Sgr Sco Scl Sct Ser Sex Tau Tel Tri TrA Tuc UMa UMi Vel Vir Vol Vul