Constelação Lira
Lyra
Lyra, a Lira, é uma das menores constelações do céu mas contém Vega, a quinta estrela mais brilhante do céu inteiro, e a Nebulosa do Anel M57, um dos objetos mais fotografados da astronomia amadora. Veja como encontrá-la no céu e o que ela guarda.
Sobre a constelacao Lira
Lyra é uma constelação pequena do hemisfério celeste norte, com apenas 286 graus quadrados, mas extraordinariamente rica em objetos notáveis para seu tamanho. Sua estrela principal, Vega, é a quinta mais brilhante do céu inteiro e domina o céu do verão boreal, formando parte do famoso Triângulo de Verão junto com Deneb (em Cygnus) e Altair (em Aquila). Para observadores do Brasil, Lyra é visível no horizonte norte entre maio e outubro.
Vega é a estrela de referência zero da escala moderna de magnitudes: ela foi usada como padrão de magnitude 0 no século XIX e ainda serve de calibração para muitos sistemas fotométricos. Além de Vega, a constelação abriga a Nebulosa do Anel (M57), uma nebulosa planetária que é o remanescente de uma estrela como o Sol, a Epsilon Lyrae (a Dupla-Dupla, um sistema quádruplo espetacular) e Sheliak (Beta Lyrae), protótipo de uma classe de estrelas variáveis de contato.
Como encontrar no céu
Vega é o elemento central para encontrar Lyra: ela é a estrela mais brilhante do céu norte no verão, imediatamente reconhecível por seu brilho azul-branco intenso. No hemisfério norte, ela fica quase no zênite nas noites de agosto e setembro.
Do Brasil, no outono austral (abril a agosto), Vega aparece no horizonte norte algumas horas após o anoitecer. Procure um ponto azul-branco muito brilhante, sem concorrentes próximos de mesma magnitude. Ao norte do Brasil, a visibilidade é melhor: Vega sobe acima de 40 graus de altitude em julho e agosto nas latitudes equatoriais.
Uma vez localizada Vega, o pequeno paralelogramo de Lyra fica imediatamente ao sul e leste dela. As quatro estrelas do paralelogramo (Sheliak, Sulafat, Delta e Zeta Lyrae) são de magnitude 3,5 a 4,3, visíveis a olho nu num céu razoavelmente escuro. A Nebulosa do Anel (M57) fica no centro do paralelogramo, visível como ponto difuso em telescópios a partir de 60 mm de abertura e revelada em toda sua magnificência em fotografias de longa exposição.
Estrelas principais
A tabela abaixo resume as estrelas mais importantes de Lyra, incluindo a clássica variável Beta Lyrae.
| Nome | Designação Bayer | Magnitude | Tipo espectral | Distância (anos-luz) |
|---|---|---|---|---|
| Vega | Alfa Lyr | 0,03 | A0 Va | 25 |
| Sheliak (variável) | Beta Lyr | 3,25 a 4,36 | B7 Ve (binária) | 960 |
| Sulafat | Gama Lyr | 3,24 | B9 III | 620 |
| Epsilon Lyrae (Dupla-Dupla) | Epsilon1+2 Lyr | 4,59 + 4,67 | A2 V + A4 V | 162 |
| Delta Lyrae | Delta Lyr | 4,22 + 5,58 | M4 III + B3 V | 1.100 |
Vega (Alfa Lyrae) é a quinta estrela mais brilhante do céu, magnitude 0,03, e a segunda mais brilhante do hemisfério celeste norte (depois de Arcturus). É uma estrela branco-azulada de classe A0Va, com temperatura superficial de cerca de 9.600 K, a apenas 25 anos-luz. Gira muito rápido (275 km/s no equador) e por isso está achatada nos polos. Há cerca de 14.000 anos, Vega era a Estrela Polar do hemisfério norte (o polo celeste norte apontava para ela, devido à precessão dos equinócios). Em aproximadamente 12.000 anos, ela voltará a esse papel.
Sheliak (Beta Lyrae) é uma das estrelas variáveis mais estudadas: um sistema binário em contato onde as duas estrelas transferem massa entre si, causando variação de magnitude entre 3,25 e 4,36 num período de 12,9 dias. É o protótipo de sua classe (binárias Beta Lyrae).
Epsilon Lyrae (a Dupla-Dupla) é um sistema estelar quádruplo espetacular: a olho nu parece uma estrela dupla, em binóculos separa-se em duas estrelas, e num telescópio com 8 cm de abertura cada uma das duas se revela ela mesma uma dupla, dando quatro estrelas totais. As separações internas são de 2,3 e 2,6 segundos de arco.
Objetos de céu profundo
Lyra tem apenas um objeto Messier, mas é um dos mais fotografados do céu: a Nebulosa do Anel.
| Objeto | Tipo | Magnitude | Distância (anos-luz) | Nota |
|---|---|---|---|---|
| M57 (NGC 6720) | Nebulosa planetária | 8,8 | 2.570 | Nebulosa do Anel, visível em telescópios 60mm |
| NGC 6745 | Galáxia em interação | 13,3 | 206 milhões de anos-luz | Colisão de galáxias, exige telescópio de 20cm |
| Stephenson 1 | Aglomerado aberto | 3,8 | 1.100 | Contém Delta Lyrae, visível a olho nu |
Nebulosa do Anel (M57, NGC 6720) é uma nebulosa planetária a cerca de 2.570 anos-luz (distância derivada do paralaxe Gaia da estrela central). Tem diâmetro físico de aproximadamente 1 ano-luz e é o remanescente de uma estrela que expeliu suas camadas externas ao final de sua vida. O anel de gás brilhante é visível como um óvulo difuso em telescópios pequenos. Observações do JWST publicadas em 2024 e 2025 revelaram detalhes nunca vistos antes: arcos concêntricos ao redor do anel principal, glóbulos de gás frio e até um disco de poeira ao redor da anã branca central, confirmando que o sistema é na verdade triplo.
Stephenson 1 é um aglomerado aberto que inclui as duas componentes de Delta Lyrae (uma gigante vermelha e uma estrela azul-branca), ambas visíveis a olho nu e em binóculos.
Mitologia
Na mitologia grega, a lira é o instrumento de Orfeu, músico e poeta cuja habilidade superava a de qualquer mortal. Filho da musa Calíope e do deus Apolo (ou, em outras versões, do rei trácio Eagro), Orfeu podia mover árvores, pedras e rios com sua música. Quando sua esposa Eurídice morreu picada por uma serpente, Orfeu desceu ao submundo e tocou sua lira para Hades e Perséfone, comovendo até os mortos e os demais condenados, que pararam seus sofrimentos para ouvir. Os deuses concordaram em devolver Eurídice à condição de que Orfeu não olhasse para trás durante a subida. No último momento, incapaz de resistir, ele olhou, e Eurídice desapareceu para sempre.
Após a tragédia, Orfeu vagou inconsolavelmente pelas florestas da Trácia até ser despedaçado pelas Mênades (seguidoras de Dionísio) por rejeitar sua companhia. Os deuses, condoídos, colocaram sua lira no céu como constelação, como homenagem ao mais sublime dos músicos. A lira de Orfeu também aparece na narrativa dos Argonautas: quando a nau Argo passou pelas Sereias, Orfeu tocou mais alto e mais belo que o canto fatal, salvando toda a tripulação.
Chuvas de meteoros e efemérides
Lyra é o radiante das Líridas, uma das mais antigas chuvas de meteoros conhecidas, produzida pelos detritos do cometa C/1861 G1 (Thatcher). A atividade ocorre anualmente entre 16 e 25 de abril, com pico típico em 21 e 22 de abril. Em 2026, o pico das Líridas foi amplamente observado no Brasil, com relatos do Observatório Nacional e do MCTI confirmando boas condições de visualização. A taxa média é de cerca de 18 meteoros por hora em céu escuro, com meteoros rápidos e frequentes rastros luminosos.
Para observadores no Brasil, as Líridas são melhor vistas no Norte e Nordeste do país, onde o radiante em Lyra (próximo a Vega) sobe mais alto acima do horizonte norte. No Sul e Sudeste, o radiante fica mais baixo mas ainda é possível observar alguns meteoros. A melhor janela é entre as 3h e as 4h da manhã, horário de Brasília, quando o radiante atinge sua maior altitude no horizonte.
- Líridas: ativas de 16 a 25 de abril, pico em 21 e 22 de abril
- Taxa típica: 18 meteoros/hora em céu escuro sem Lua
- Cometa-mãe: C/1861 G1 (Thatcher), período orbital de 415 anos
- Registros históricos: observações chinesas datam de 687 a.C.
- Melhor horário no Brasil: 3h a 4h da manhã (horário de Brasília)
- Melhor visibilidade no Brasil: Norte e Nordeste (radiante mais alto)
- Pico de Vega no céu do Brasil: julho e agosto (Norte) / maio a setembro (Nordeste)
Curiosidades
- Vega foi a primeira estrela além do Sol a ser fotografada, em 1850, pelo daguerreotipista John Adams Whipple e pelo astrônomo George Phillips Bond, no Observatório Harvard.
- A chuva de meteoros das Líridas tem uma das mais longas histórias de observação conhecidas: registros astronômicos chineses datam de 687 a.C., tornando-a a chuva de meteoros com mais longa continuidade documental na história da humanidade.
- Vega é o destino imaginário da viagem na novela "Contato" de Carl Sagan (1985), adaptada para o cinema em 1997 com Jodie Foster. O nome Vega como destino estelar popularizou a estrela para além dos círculos astronômicos.
- A Nebulosa do Anel (M57) foi a segunda nebulosa planetária descoberta, em 1779, pelo astrônomo Antoine Darquier de Pellepoix. Messier a incluiu no catálogo poucos meses depois. Observações do JWST (2024-2025) revelaram um disco de poeira ao redor da anã branca central e confirmaram que o sistema é triplo.
- Epsilon Lyrae, a Dupla-Dupla, é um dos testes clássicos de qualidade de óptica e estabilidade atmosférica: separar os pares internos exige resolver 2,3 segundos de arco, o que requer boas condições de seeing.
- Vega será novamente a Estrela Polar do hemisfério norte em aproximadamente 12.000 anos, quando o eixo da Terra apontará de volta para ela por causa da precessão dos equinócios com período de 26.000 anos.
- Lyra é, em área, a 52ª menor constelação do céu (286 graus quadrados), mas concentra mais objetos notáveis por grau quadrado do que constelações muito maiores.
Estrelas brilhantes em Lira
| Nome | Bayer | Magnitude | Tipo | Distância (al) |
|---|---|---|---|---|
| Vega | alpha Lyr | 0.03 | A0V | 25.0 |
Sobre a constelação
A constelacao Lira (do latim Lyra) fica na metade norte do ceu. Ela passa mais alta por volta da meia-noite em julho, entao as semanas em torno dessa epoca sao as mais faceis para encontra-la. A estrela mais brilhante dela e Vega, de magnitude 0.0, facil de notar mesmo numa cidade iluminada. Da maior parte do Brasil da para encontra-la em alguma epoca do ano. Os astronomos nomeiam as estrelas dela com a forma genitiva Lyrae, como em "Alfa Lyrae".
Outras constelações
And Ant Aps Aql Aqr Ara Ari Aur Boo Cae Cam Cnc CVn CMa CMi Cap Car Cas Cen Cep Cet Cha Cir Col Com CrA CrB Crv Crt Cru Cyg Del Dor Dra Equ Eri For Gem Gru Her Hor Hya Hyi Ind Lac Leo LMi Lep Lib Lup Lyn Men Mic Mon Mus Nor Oct Oph Ori Pav Peg Per Phe Pic Psc PsA Pup Pyx Ret Sge Sgr Sco Scl Sct Ser Sex Tau Tel Tri TrA Tuc UMa UMi Vel Vir Vol Vul