Antares (alpha Sco) - estrela | Atlas de Astronomia

Antares

Estrela

Antares pulsa no coração do Escorpião com uma cor vermelha tão intensa que os gregos antigos a confundiam com o planeta Marte, e seu nome significa literalmente "rival de Ares": uma supergigante vermelha enorme destinada a explodir em supernova em escala de tempo geológica. Veja onde encontrá-la no céu e a história por trás dela.


AO VIVOAntaresUTC
Altura no ceu
3,50°
Acima do horizonte (visivel agora)
Azimute
117,38°
SE
Angulo horario
-98,19°
Magnitude aparente
1,06
Visivel a olho nu
Coordenadas (AR / Dec)
247,3519°
Dec -26,4320°
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Sobre Antares

Antares é uma supergigante vermelha que domina a constelação do Escorpião como uma brasa avermelhada inconfundível. É a décima sexta estrela mais brilhante do céu noturno e uma das maiores estrelas conhecidas na Via Láctea: estimativas recentes indicam raio entre 680 e 883 vezes o do Sol, valores que variam conforme o método de medição e o modelo estelar adotado. Se estivesse no lugar do Sol, sua superfície se estenderia para além da órbita de Marte. O nome "Antares" vem do grego e significa "rival de Ares (Marte)", uma referência direta a como sua cor avermelhada rivalizava com o brilho do planeta vermelho quando ambos apareciam próximos no céu.

Como Betelgeuse em Orion, Antares é uma estrela em estágio avançado de evolução, destinada, em algum momento geológico futuro, a explodir como supernova. Em 2017, o Very Large Telescope (VLT) obteve imagens diretas da superfície de Antares com resolução sem precedentes, revelando estruturas convectivas na atmosfera da estrela que são invisíveis com técnicas convencionais.

Como encontrar no céu

Antares é a estrela mais brilhante do Escorpião e marca o coração da constelação. No Brasil, ela é um dos melhores alvos do céu de inverno e outono austral: fica visível de abril a setembro, alta no céu do norte durante os meses de junho e julho, quando o Escorpião está em oposição ao Sol. Procure uma estrela vermelha-alaranjada muito brilhante na região central do Escorpião; ela se destaca facilmente pela cor. Perto dela ficam duas companheiras mais fracas que formam a "cabeça" e o "tórax" do escorpião.

A Via Láctea passa por essa região do céu, então Antares fica numa das zonas mais ricas e densas da galáxia. Em noites escuras, o campo ao redor de Antares revelado por binóculo é extraordinário: aglomerados globulares, nebulosas de emissão e campos estelares densos coexistem na mesma região. O próprio Antares tem ao redor uma nebulosa circunestelar difusa e avermelhada visível em fotografias de longa exposição.

Características físicas

Ficha de Antares A
ParâmetroValor
Designação BayerAlpha Scorpii
Tipo espectralM1.5 Iab
Magnitude aparente+0,6 a +1,6 (variável)
Distância~550 a 600 anos-luz
ConstelaçãoEscorpião (Scorpius)
Raio680 a 883 raios solares
Massa~11 a 14 massas solares
Temperatura superficial~3.570 K
Luminosidade visual~10.000 vezes a solar
Luminosidade total (bolométrica)~60.000 a 100.000 vezes a solar

Antares A tem raio estimado entre 680 e 883 vezes o do Sol; os valores variam conforme o método de medição e o modelo estelar usado. Sua massa é de aproximadamente 11 a 14 massas solares. A temperatura superficial média é de cerca de 3.570 kelvin, confirmando a classificação como supergigante de classe M. A luminosidade visual é de cerca de 10.000 vezes a do Sol, mas considerando também a emissão no infravermelho (luminosidade bolométrica), o valor sobe para 60.000 a 100.000 vezes a solar. Antares também ejeta material continuamente, formando uma nebulosa circunestelar difusa de gás e poeira ao seu redor.

Sistema estelar e companheiras

Antares é um sistema binário: a companheira, Antares B, é uma estrela quente de tipo espectral B2.5 V, com cerca de 5 massas solares, orbitando a uma distância de aproximadamente 550 unidades astronômicas da supergigante primária. Antares B é normalmente invisível por ficar imersa no brilho difuso da estrela principal. No entanto, durante ocultações lunares, quando a Lua passa à frente de Antares e bloqueia temporariamente sua luz, Antares B fica visível por alguns segundos, uma das poucas oportunidades de observá-la diretamente. O período orbital do par ainda é debatido, com estimativas que variam de alguns séculos a mais de um milênio.

A nebulosa circunestelar de Antares, resultado da perda de massa contínua pela supergigante, se estende por vários anos-luz ao redor do sistema. Essa nebulosa é detectável em imagens de longa exposição no infravermelho e em algumas bandas ópticas como uma nebulosidade difusa e avermelhada ao redor da estrela.

  • Companheira confirmada: Antares B (tipo B2.5 V, ~5 massas solares)
  • Separação: ~550 UA
  • Período orbital: estimado em séculos a milênios
  • Nebulosa circunestelar: visível em exposições longas

Mitologia e cultura

O Escorpião é uma das constelações mais antigas e reconhecidas da humanidade, com registros que remontam à Mesopotâmia de mais de 3.000 anos a.C. Antares, como coração do Escorpião, tinha papel central em vários calendários e mitos. Para os gregos, o Escorpião era a criatura enviada por Gaia para matar Órion, razão pela qual Órion e o Escorpião estão em lados opostos do céu e nunca aparecem simultaneamente no horizonte.

Na astronomia persa antiga, Antares era uma das quatro "estrelas reais" guardiãs do céu, junto com Aldebaran (no leste), Régulo (no norte) e Fomalhaut (no sul). Essas quatro estrelas marcavam os quatro pontos cardeais do céu em suas respectivas épocas. Povos polinésios usavam Antares e o Escorpião para navegação marítima, aproveitando a posição da constelação para orientação durante a noite. No Japão, Antares é conhecida como Nakago, o coração do escorpião, numa nomenclatura derivada de tradições astronômicas chinesas.

Importância científica

Antares é um dos laboratórios naturais mais importantes para o estudo de supergigantes vermelhas em estágio pré-supernova. As imagens diretas da superfície obtidas pelo VLT em 2017, usando interferometria espectroscópica, revelaram pela primeira vez a estrutura convectiva tridimensional da atmosfera da estrela, que difere significativamente da convecção solar em escala, violência e extensão. Esses dados desafiaram modelos de convecção estelar e abriram um novo campo de modelagem numérica para atmosferas de supergigantes vermelhas.

A taxa de perda de massa de Antares é uma das mais intensas conhecidas: a estrela ejeta dezenas de trilhões de toneladas de material por segundo, formando a nebulosa circunestelar que envolve o sistema. Entender esse processo é crucial para a modelagem da explosão final em supernova: a estrutura da nebulosa pré-existente determina como a onda de choque da supernova vai interagir com o meio circunestelar, afetando o brilho e o espectro do evento. Antares é também monitorada continuamente para detecção de neutrinos no momento da supernova futura, um evento que daria informações fundamentais sobre a física do núcleo colapsante.

Curiosidades

  • Antares B, a companheira azul de Antares, normalmente fica oculta no brilho da estrela principal. Em ocultações lunares, quando a Lua bloqueia a luz de Antares, Antares B fica visível por poucos segundos.
  • A nebulosa circunestelar de Antares se estende por vários anos-luz ao redor da estrela e é visível em fotografias de longa exposição como uma nebulosidade difusa e avermelhada.
  • Como Betelgeuse, Antares é candidata a supernova. Quando isso ocorrer, em escala de tempo de milhões de anos sem data previsível, ela será a supernova mais espetacular vista da Terra em milênios, potencialmente visível a olho nu até mesmo de dia.
  • O VLT obteve imagens diretas da superfície de Antares em 2017 com resolução sem precedentes, revelando estruturas convectivas na atmosfera que desafiam modelos teóricos.
  • Antares tem um dos ventos estelares mais intensos conhecidos, perdendo massa a uma taxa estimada em dezenas de trilhões de toneladas por segundo.
  • O nome "Antares" pode ter sido dado pelos astrônomos gregos por volta do século IV a.C., quando observaram que a estrela rivalizava em cor e brilho com o planeta Marte durante conjunções próximas no céu.

Coordenadas J2000

Número Hipparcos:HIP 80763
Designação Bayer:alpha Sco
Constelação:Escorpião (Sco)
Ascensão Reta (RA):247.351915° (16:29:24)
Declinação (Dec):-26.432003°
Magnitude visual:1.06
Tipo espectral:M1.5Iab
Distância:553.0 anos-luz

Cor e pico de emissão (lei de Wien)

Pela classe espectral M1.5IAB, Antares tem temperatura efetiva de cerca de 3,633 K. Pela lei de Wien a emissão dela tem pico perto de 798 nm (no infravermelho próximo), e por isso aparece avermelhada ao olho.

Temperatura efetiva (estimativa)3,633 K
Pico de emissão (Wien)798 nm
Cor típicaavermelhada

Estimativa. Temperatura inferida da classe espectral (escala MK padrão); pico pela lei do deslocamento de Wien, lambda_max = 2,898e6 nm.K / T.

Visível agora?

Em São Paulo (2026-07-16 14:24): altitude 3.5°, azimute 117.4°. Abaixo do horizonte ou muito próximo dele agora.

Em Rio de Janeiro: altitude 6.0°, azimute 116.2°.

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