Canopus (alpha Car) - estrela | Atlas de Astronomia

Canopus

Estrela

Canopus é a segunda estrela mais brilhante do céu noturno, uma supergigante branco-amarelada tão luminosa que serve de referência de navegação para sondas espaciais até hoje. Veja onde encontrá-la no céu e a história por trás dela.


AO VIVOCanopusUTC
Altura no ceu
-13,31°
Abaixo do horizonte
Azimute
185,87°
S
Angulo horario
170,55°
Magnitude aparente
-0,74
Mais brilhante que as estrelas
Coordenadas (AR / Dec)
95,9880°
Dec -52,6957°
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Sobre Canopus

Alfa Carinae, batizada Canopus pelos gregos, brilha com magnitude aparente de -0,74 no extremo sul do céu, tornando-se a segunda estrela mais brilhante da noite, bem atrás de Sirius mas a distância confortável de qualquer outra concorrente. Ao contrário de Sirius, que impressiona pelo brilho de estrela próxima, Canopus é genuinamente extraordinária: situa-se a cerca de 310 anos-luz de distância e ainda assim ofusca quase tudo o que existe no céu, com luminosidade absoluta estimada em cerca de 15.000 vezes a do Sol.

Classificada como supergigante F de tipo espectral F0 Ib, Canopus está em estágio evolutivo avançado: já esgotou o hidrogênio no núcleo e agora queima hélio no interior. Com raio estimado em 71 vezes o solar e massa de cerca de 9 massas solares, é um dos objetos intrinsecamente mais luminosos dentro de 500 anos-luz do Sol. A distância foi por décadas controversa, com medidas terrestres imprecisas; o satélite Hipparcos fixou a paralaxe em 10,43 milissegundos de arco, correspondendo a aproximadamente 310 anos-luz (96 parsecs).

Como encontrar no céu

Canopus é um privilégio do hemisfério sul: para observadores em todo o Brasil, a estrela transita em altitudes que vão de moderadas a elevadas, sendo circumpolar ao sul do paralelo 37 S. Nas latitudes tropicais e subtropicais do país, Canopus fica visível do outono ao início da primavera austral, com melhor posicionamento entre agosto e outubro, quando cruza o meridiano à meia-noite.

O método mais simples de localização é encontrar Sirius e prosseguir para o sudeste; outra opção é estender a linha que liga as duas estrelas do Cinto de Órion para o sul. Canopus é inconfundível: é o único objeto brilhante naquela região meridional do céu, isolada sem outras estrelas de primeira magnitude por perto. Do Brasil, quem mora no Nordeste a vê quase no zênite em certas noites de inverno. Em São Paulo já sobe bem acima do horizonte sul. Para quem mora na Europa central ou no norte dos Estados Unidos, Canopus é invisível por conta de sua declinação de -52,7 graus.

Características físicas

Ficha de Canopus
ParâmetroValor
Magnitude aparente-0,74
Distânciaaprox. 310 anos-luz (96 parsecs)
Tipo espectralF0 Ib
ConstelaçãoQuilha (Carina)
Designação BayerAlfa Carinae
Temperatura superficialaprox. 7.400-7.500 K
Massaaprox. 9 massas solares
Raioaprox. 71 raios solares
Luminosidadeaprox. 15.000 luminosidades solares

A temperatura superficial de Canopus gira em torno de 7.400 a 7.500 K, levemente mais fria que Sirius, mas seu raio colossal de cerca de 71 vezes o solar compensa amplamente. A luminosidade absoluta, estimada em torno de 15.000 luminosidades solares nas fontes mais recentes, coloca Canopus entre as supergigantes mais luminosas do bairro galáctico. A estrela tem rotação muito lenta, com velocidade projetada de apenas 8 km/s, contrastando com a rotação rápida de estrelas jovens de sequência principal de temperatura similar.

Sistema estelar e companheiras

Canopus parece ser uma estrela solitária: não há companheiras confirmadas detectadas em órbita ao redor dela. Buscas por exoplanetas e estrelas companheiras com técnicas de imagem direta e velocidade radial não revelaram nenhum objeto orbitante significativo até o momento.

Isso contrasta com muitas outras estrelas brilhantes de primeira magnitude, que frequentemente pertencem a sistemas múltiplos. A ausência de companheira confirma que o brilho excepcional de Canopus no céu se deve inteiramente às suas propriedades intrínsecas, e não a algum efeito de sistema binário ou excentricidade orbital. A estrela está em estágio pós-sequência principal, provavelmente realizando fusão de hélio no núcleo e podendo, em dezenas de milhões de anos, tornar-se uma supernova de tipo II, embora a distância de 310 anos-luz a tornaria inofensiva para a Terra.

Mitologia e cultura

O nome Canopus é de origem grega e foi aplicado pelos astrônomos alexandrinos, possivelmente em referência ao piloto da frota de Menelau na guerra de Troia, segundo um relato mitológico tardio. Ptolomeu catalogou-a no Almagesto. Para os povos do Oriente Médio e norte da África, que a viam baixa no horizonte ou nem a viam por conta da latitude, a estrela tinha papel menor.

Já entre os povos australianos aborígenes, Canopus aparece em inúmeras tradições culturais: os Boorong da Vitória a chamavam de Waa, o corvo, figura central em narrativas sobre a origem do fogo. Para os árabes da Península Arábica, que a chamavam de Suhayl, era sinal de bom tempo e guia de caravanas no deserto. No Egito antigo, Canopus emprestou seu nome à cidade de Canopus, atual Abuqir, situada no delta do Nilo, que por sua vez nomeou os vasos canópicos usados para guardar órgãos internos nas mumificações. Na polinésia, Canopus integrava sistemas de navegação estelar de longo curso que permitiam viagens de milhares de quilômetros em alto mar.

Importância científica

Canopus ocupa uma posição singular na astronomia prática: é usada como estrela de referência de atitude por sondas espaciais, incluindo a Mars Odyssey e vários satélites militares e comerciais. Seu brilho intenso e posição isolada no céu austral fazem dela um farol confiável para sistemas de rastreamento óptico a bordo de espaçonaves, um papel que poucas estrelas no hemisfério sul conseguem desempenhar com eficácia similar.

Do ponto de vista astrophysico (astrofísico), Canopus representa um laboratório valioso para o estudo de supergigantes F em estágio pós-sequência principal. Sua distância, no entanto, torna difícil medir a paralaxe com precisão: o satélite Gaia, que forneceu paralaxes de alta precisão para centenas de milhões de estrelas, excluiu Canopus de suas observações padrão por ser luminosa demais para os detectores da missão, tornando a medida Hipparcos ainda a referência mais confiável disponível.

Curiosidades

  • Canopus é usada como estrela de referência de atitude por sondas espaciais como a Mars Odyssey: seu brilho intenso e posição isolada no céu a tornam um farol confiável para sistemas de rastreamento óptico.
  • Devido à sua declinação de cerca de -52,7 graus, Canopus é invisível ao norte do paralelo 37 N, excluindo a maior parte da Europa central e o norte dos EUA.
  • A estrela foi incluída na constelação da Quilha (Carina), criada quando Nicolas Louis de Lacaille desmembrou a antiga constelação do Navio Argo no século XVIII.
  • Em termos de magnitude absoluta, Canopus tem Mv de aproximadamente -5,7; colocada na distância padrão de 10 parsecs, projetaria sombra nítida na Terra durante a noite.
  • O satélite Gaia excluiu Canopus de suas observações padrão por ser luminosa demais para os detectores, tornando a medida Hipparcos a referência de distância mais confiável disponível.
  • Apesar de ser classificada como supergigante, há debate sobre se seria melhor descrita como gigante brilhante (classe II) ou supergigante (classe Ib); a fronteira entre essas categorias é tênue nessa região do diagrama HR.

Coordenadas J2000

Número Hipparcos:HIP 30438
Designação Bayer:alpha Car
Constelação:Quilha (Car)
Ascensão Reta (RA):95.987958° (06:23:57)
Declinação (Dec):-52.695661°
Magnitude visual:-0.74
Tipo espectral:A9II
Distância:310.0 anos-luz

Cor e pico de emissão (lei de Wien)

Pela classe espectral A9II, Canopus tem temperatura efetiva de cerca de 7,450 K. Pela lei de Wien a emissão dela tem pico perto de 389 nm (no ultravioleta), e por isso aparece branco-amarelada ao olho.

Temperatura efetiva (estimativa)7,450 K
Pico de emissão (Wien)389 nm
Cor típicabranco-amarelada

Estimativa. Temperatura inferida da classe espectral (escala MK padrão); pico pela lei do deslocamento de Wien, lambda_max = 2,898e6 nm.K / T.

Visível agora?

Em São Paulo (2026-07-26 21:33): altitude -13.3°, azimute 185.9°. Abaixo do horizonte ou muito próximo dele agora.

Em Rio de Janeiro: altitude -14.2°, azimute 183.7°.

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