Altair
Estrela
Altair gira tão rápido em torno do próprio eixo que se achata visivelmente nos polos, tornando-se uma das estrelas mais achatadas já fotografadas diretamente, e ainda é um dos vértices do famoso Triângulo de Verão. Veja onde encontrá-la no céu e a história por trás dela.
Sobre Altair
A apenas 16,7 anos-luz da Terra, Altair é a estrela mais brilhante da constelação da Águia (Aquila) e a décima segunda mais brilhante do céu noturno. Sua característica mais extraordinária não é o brilho nem a proximidade, mas a velocidade de rotação absurda: ela completa uma volta em menos de 9 horas, enquanto o Sol leva cerca de 25 dias para girar uma vez no equador. Essa rotação vertiginosa faz com que Altair seja visivelmente achatada, com o diâmetro equatorial cerca de 20 a 22% maior que o diâmetro polar, um fato confirmado por imagens diretas obtidas com interferometria de longa base em 2006 e 2007.
Um estudo de 2024 baseado em dados do telescópio espacial TESS revisou a idade de Altair para aproximadamente 100 milhões de anos e sua massa para 1,86 massas solares, resultados que refinam modelos de evolução de estrelas em rotação rápida. A velocidade de rotação equatorial, corrigida pela inclinação do eixo, alcança cerca de 310 km/s, um dos valores mais altos conhecidos para estrelas próximas ao Sol.
Como encontrar no céu
Altair é um dos três vértices do Triângulo de Verão, asterismo visível no Hemisfério Norte durante o verão boreal e no Hemisfério Sul durante o inverno austral. Os outros dois vértices são Vega (em Lyra) e Deneb (em Cygnus). Para encontrar Altair, procure o Triângulo de Verão alto no céu: no Hemisfério Norte ele fica próximo ao zênite em julho-setembro; no Brasil, é visível no céu do norte durante os meses de junho a outubro. Altair é fácil de reconhecer porque é ladeada por duas estrelas mais fracas, Alshain e Tarazed, que formam uma fileira característica de três astros quase alinhados. Seu brilho é nitidamente branco-amarelado, distinguindo-a das estrelas ao redor.
Em noites limpas sem poluição luminosa, a Via Láctea passa entre Altair e Vega, criando um dos cenários mais bonitos do céu de verão ou inverno austral. Usar binóculo nessa região revela centenas de estrelas de fundo que ficam invisíveis a olho nu.
Características físicas
| Parâmetro | Valor |
|---|---|
| Designação Bayer | Alpha Aquilae |
| Tipo espectral | A7 V |
| Magnitude aparente | +0,77 |
| Distância | 16,7 anos-luz (5,13 parsecs) |
| Constelação | Águia (Aquila) |
| Massa | 1,86 massas solares |
| Raio equatorial | 2,03 raios solares |
| Raio polar | 1,63 raios solares |
| Temperatura (equador) | ~6.900 K |
| Temperatura (polos) | ~8.500 K |
| Velocidade de rotação equatorial | ~310 km/s |
Altair tem massa de cerca de 1,86 vezes a do Sol (revisada em 2024) e luminosidade aproximadamente 11 vezes maior. Sua temperatura superficial média é em torno de 7.550 kelvin, o que a coloca na classe espectral A7, com cor branca levemente amarelada. A rotação extrema cria um gradiente de temperatura na própria superfície: o equador é mais frio (cerca de 6.900 K) porque o material se afasta do centro de calor, enquanto os polos chegam a cerca de 8.500 K. Esse fenômeno chama-se escurecimento gravitacional (gravity darkening). O raio equatorial é de aproximadamente 2,03 raios solares, enquanto o raio polar é de apenas 1,63, uma diferença de quase 25% que faz Altair ter o formato de um esferóide achatado.
Sistema estelar e companheiras
Altair é considerada uma estrela solitária: não há companheira confirmada no sistema. Estudos de velocidade radial de longa duração não revelaram a assinatura de um companheiro estelar em órbita. No entanto, a própria estrela é objeto de pesquisa ativa por causa de suas pulsações não-radiais, detectadas espectroscopicamente em 2022, que revelam modos de oscilação no interior estelar que não haviam sido identificados antes.
A rotação extremamente rápida de Altair cria um campo centrífugo que, na prática, redistribui material no interior e na superfície da estrela, dificultando a comparação direta com estrelas de rotação lenta como o Sol. Modelos de estrutura interna de estrelas de rotação rápida (chamados modelos 2D ou quasi-2D) são necessários para descrever Altair com precisão, ao contrário dos modelos 1D usados para a maioria das estrelas.
- Companheiras confirmadas: nenhuma
- Pulsações não-radiais: detectadas espectroscopicamente (2022)
- Idade estimada (TESS, 2024): ~100 milhões de anos
- Rotação: uma das mais rápidas dentre estrelas próximas ao Sol
Mitologia e cultura
Na mitologia grega, Altair representava a águia de Zeus, a ave divina que foi transformada em constelação. Mas é na cultura asiática que Altair tem a história mais romântica: na lenda chinesa do Festival Qixi (o "Dia dos Namorados" chinês), Altair e Vega representam dois amantes separados pela Via Láctea, o pastor Niulang e a tecelã Zhinv. Eles só podem se encontrar uma vez por ano, quando uma ponte de pássaros migrantes se forma sobre o rio de estrelas celeste. Essa lenda tem mais de dois mil anos e ainda é celebrada anualmente.
No Japão, a mesma história é conhecida como Tanabata e comemorada com festivais em julho, quando pessoas escrevem desejos em tiras de papel coloridas e as pendunam em bambus decorados. Na astronomia árabe, o nome Altair vem de al-nasr al-tair, "a águia voante", em contraste com Vega, al-nasr al-waqi, "a águia pousada". A imagem de duas águias no céu, uma voando e a outra pousada, era parte da cosmologia poética árabe medieval.
Importância científica
Altair é uma estrela de importância científica singular por ser a estrela de rotação rápida mais próxima ao Sol em que a superfície pode ser imageada diretamente. Em 2007, ela se tornou a primeira estrela além do Sol a ter a superfície mapeada com resolução suficiente para mostrar o achatamento polar e as variações de temperatura entre polo e equador, por meio de interferometria de longa base com o CHARA Array e o VLTI.
Esses mapas de superfície confirmaram experimentalmente o fenômeno de escurecimento gravitacional previsto teoricamente por Hugo von Zeipel em 1924 para estrelas em rotação rápida. Além disso, Altair é usada como banco de testes para modelos de interior estelar com rotação diferencial, nos quais camadas internas giram a velocidades diferentes das externas. Dados do TESS (2024) sobre pulsações de Altair estão fornecendo novos vínculos para esses modelos, com implicações para a compreensão de toda uma classe de estrelas intermediárias em rotação rápida.
Curiosidades
- Em 2007, Altair se tornou a primeira estrela fora do Sol a ter sua superfície imageada com resolução suficiente para mostrar o achatamento polar e variações de temperatura entre polo e equador.
- A velocidade de rotação equatorial de Altair é de aproximadamente 310 km/s, corrigida pela inclinação do eixo, comparada a cerca de 2 km/s no equador do Sol.
- Se Altair girasse apenas um pouco mais rápido, as forças centrífugas começariam a arrancar material da estrela pelo equador, um fenômeno observado em outras estrelas de rotação extrema como Achernar.
- Um estudo publicado em 2024 com dados do TESS estimou a idade de Altair em cerca de 100 milhões de anos, tornando-a uma estrela relativamente jovem em comparação com o Sol (4,6 bilhões de anos).
- Na ficção científica, o sistema de Altair aparece em clássicos como Planeta Proibido (1956), onde o planeta fictício Altair IV é o cenário da história.
- Altair é uma das estrelas próximas ao Sol onde a missão de sonda interestelar Breakthrough Starshot, se bem-sucedida, poderia enviar microssondas em décadas, não séculos.
Coordenadas J2000
| Número Hipparcos: | HIP 97649 |
| Designação Bayer: | alpha Aql |
| Constelação: | Águia (Aql) |
| Ascensão Reta (RA): | 297.695827° (19:50:47) |
| Declinação (Dec): | 8.868321° |
| Magnitude visual: | 0.77 |
| Tipo espectral: | A7V |
| Distância: | 16.7 anos-luz |
Cor e pico de emissão (lei de Wien)
Pela classe espectral A7V, Altair tem temperatura efetiva de cerca de 7,950 K. Pela lei de Wien a emissão dela tem pico perto de 364 nm (no ultravioleta), e por isso aparece branca ao olho.
| Temperatura efetiva (estimativa) | 7,950 K |
| Pico de emissão (Wien) | 364 nm |
| Cor típica | branca |
Estimativa. Temperatura inferida da classe espectral (escala MK padrão); pico pela lei do deslocamento de Wien, lambda_max = 2,898e6 nm.K / T.
Visível agora?
Em São Paulo (2026-07-16 14:15): altitude -58.6°, azimute 113.0°. Abaixo do horizonte ou muito próximo dele agora.
Em Rio de Janeiro: altitude -55.8°, azimute 108.9°.