Horário de verão no Brasil

Não. O Brasil está sem horário de verão desde 2019, e não há horário de verão previsto para agora. A prática foi encerrada pelo Decreto 9.772, de 25 de abril de 2019, que revogou as regras que adiantavam os relógios em uma hora nos meses de verão. Desde então, o país fica o ano inteiro no horário padrão de cada fuso.

Situação em 2026: sem previsao de volta; o MME reavalia a cada ano.
Última verificação nas fontes oficiais: 06 de julho de 2026 (Ministério de Minas e Energia e Agência Brasil).

Como funcionava

Enquanto existiu, o horário de verão adiantava os relógios em uma hora durante os meses mais quentes, tipicamente do meio de outubro ou início de novembro até meados de fevereiro. A ideia era aproveitar melhor a luz natural do fim da tarde, quando os dias são mais longos, e assim reduzir o pico de consumo de energia no início da noite.

Na última fase da medida, ela não valia para o país inteiro. Adiantavam o relógio apenas os estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Nesse período, boa parte do Sudeste e do Sul passava a operar em UTC-2 (em vez do UTC-3 habitual de Brasília). As regiões Norte e Nordeste não entravam no horário de verão: perto da linha do equador, a duração do dia quase não muda entre as estações, então adiantar o relógio traria pouco ou nenhum ganho.

Na prática, o Brasil chegou a ter até quatro horários diferentes ao mesmo tempo durante o verão, o que gerava confusão em viagens, transmissões e sistemas.

Por que o horário de verão acabou

O motivo central foi que a medida deixou de gerar a economia de energia que justificava o transtorno. Estudos do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e do Ministério de Minas e Energia (MME) mostraram que o perfil de consumo do país mudou.

Décadas atrás, o maior pico de demanda por eletricidade acontecia no início da noite, quando as pessoas chegavam em casa e acendiam as luzes. Adiantar o relógio empurrava esse pico para um horário ainda com luz do dia, aliviando o sistema. Hoje o quadro é outro:

  • A iluminação pesa muito menos na conta: lâmpadas de LED consomem uma fração do que consumiam as antigas.
  • O ar-condicionado e os eletrodomésticos passaram a dominar a carga, e o pico de consumo migrou para o meio da tarde (por volta das 15h), quando faz mais calor, e não mais para o anoitecer.

Com o pico deslocado para a tarde, adiantar o relógio deixou de aliviar o sistema. Diante de estudos que apontaram economia irrelevante ou até nula, o governo revogou a medida em 2019.

Quem decide e como o horário de verão poderia voltar

O horário de verão no Brasil é instituído e revogado por decreto presidencial. Não depende de aprovação do Congresso: basta a Presidência publicar um novo decreto para o horário de verão voltar a valer, definindo as datas e as regiões abrangidas.

Na prática, essa decisão é orientada por critérios técnicos do Ministério de Minas e Energia (MME). Segundo o próprio MME, o tema continua sendo avaliado periodicamente no âmbito do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), "com vistas a garantir a segurança e a confiabilidade do suprimento eletroenergético no País".

O retorno tende a ser considerado apenas em cenário de forte pressão sobre o sistema elétrico, por exemplo uma seca prolongada que reduza os reservatórios das hidrelétricas e crie risco real de falta de energia. Nesse caso, o horário de verão poderia voltar como parte de um pacote emergencial, ao lado de outras medidas de contenção de consumo. Fora disso, a leitura oficial é de que a medida não é necessária.

Linha do tempo do horário de verão no Brasil

O horário de verão brasileiro não foi contínuo: teve idas e vindas ao longo de quase um século, até se firmar entre 1985 e 2019.

PeríodoO que aconteceu
1931Primeira adoção do horário de verão no Brasil, no governo Getúlio Vargas.
Anos 1930 a 1960Uso intermitente, ligado a contextos específicos como a Segunda Guerra Mundial. Vários anos sem a medida.
Anos 1960 a 1980Novas idas e vindas, com aplicação irregular e nem sempre em todo o país.
1985 a 2019Fase contínua: o horário de verão passou a ser adotado todos os anos, com ajustes nas datas e nas regiões incluídas ao longo do tempo.
2019Fim. O Decreto 9.772, de 25 de abril de 2019, revoga a medida. O último horário de verão foi o do início de 2019.
2020 em dianteNenhum horário de verão. O MME segue reavaliando o tema a cada ano, sem retomá-lo.

Efeitos práticos que existiam quando o horário de verão valia

Como só parte do país adiantava o relógio, o horário de verão exigia atenção redobrada em qualquer coisa que dependesse de horário:

  • Voos: companhias aéreas e passageiros precisavam conferir se origem e destino estavam ou não em horário de verão, já que a diferença entre regiões mudava por alguns meses.
  • Ônibus interestadual: viagens entre uma região que adiantava o relógio e outra que não adiantava mudavam de duração aparente, e os horários de embarque precisavam ser lidos com cuidado.
  • Mercado financeiro: a diferença de fuso entre São Paulo e Nova York varia conforme os dois países entram e saem do horário de verão em datas diferentes (o hemisfério norte adianta o relógio no nosso inverno). Isso alterava o horário em que os pregões abriam em relação a Wall Street.
  • Sistemas e agendas: softwares, servidores e aparelhos precisavam ter a regra do horário de verão atualizada para não errarem o relógio nas trocas.

Sem o horário de verão, esse tipo de ajuste sazonal deixou de existir dentro do Brasil: cada fuso fica no mesmo horário o ano inteiro.

O dado que o horário de verão ajudava a resolver

No fundo, o que muita gente quer saber é uma coisa simples: a que horas vai amanhecer e escurecer. O horário de verão era uma forma indireta de deslocar a luz do dia no relógio. Sem ele, a melhor resposta é olhar direto os horários reais do sol na sua cidade, que mudam todo dia ao longo do ano.

Veja a que horas o sol nasce e se põe na sua cidade em nascer e pôr do sol, e entenda por que os dias ficam mais longos ou mais curtos ao longo do ano em estações do ano.

Perguntas frequentes

O horário de verão volta em 2026 ou 2027?

Não há horário de verão previsto. A medida foi revogada em 2019 e, desde então, o MME reavalia o tema a cada ano sem retomá-lo. Para o horário de verão voltar, seria preciso um novo decreto presidencial, orientado por critérios técnicos do Ministério de Minas e Energia. A leitura oficial hoje é de que a medida não é necessária, e um retorno só seria cogitado em cenário de forte estresse no sistema elétrico, como uma seca severa. Confira a linha de status no topo desta página para a situação mais recente.

Qual era a regra dos estados no horário de verão?

Na última fase, o horário de verão valia apenas para os estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Esses estados adiantavam o relógio em uma hora durante o verão. As regiões Norte e Nordeste não entravam na medida.

Por que só algumas regiões adiantavam o relógio?

Porque o ganho do horário de verão depende de quanto a duração do dia muda entre as estações. Isso é forte no Sul e no Sudeste, mais distantes do equador, onde os dias de verão são bem mais longos que os de inverno. Perto da linha do equador, no Norte e no Nordeste, o dia e a noite têm quase sempre a mesma duração o ano inteiro, então adiantar o relógio traria pouco ou nenhum benefício.

Por que meu celular não muda mais de horário sozinho?

Porque não há mais horário de verão para aplicar. Enquanto a medida existia, os aparelhos ajustavam o relógio automaticamente nas datas de entrada e saída. Desde 2019, cada fuso do Brasil fica no mesmo horário o ano inteiro, então não há troca a ser feita.

Fontes

  • Ministério de Minas e Energia (MME), página oficial "Horário de Verão": gov.br/mme (revogação pelo Decreto 9.772/2019 e reavaliação periódica pelo CMSE).
  • Decreto nº 9.772, de 25 de abril de 2019, que revogou os decretos do horário de verão (Planalto).
  • Agência Brasil, "Não precisaremos do horário de verão neste ano, diz Alexandre Silveira" (outubro de 2025) e "Brasil não adotará horário de verão neste ano".
  • Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), estudos sobre o deslocamento do pico de consumo.