Situação em 2026: sem previsão de volta; o MME reavalia a cada ano.
Última verificação nas fontes oficiais: 06 de julho de 2026 (Ministério de Minas e Energia e Agência Brasil).
Como funcionava
Enquanto existiu, o horário de verão adiantava os relógios em uma hora durante os meses mais quentes, tipicamente do meio de outubro ou início de novembro até meados de fevereiro. A ideia era aproveitar melhor a luz natural do fim da tarde, quando os dias são mais longos, e assim reduzir o pico de consumo de energia no início da noite.
Na última fase da medida, ela não valia para o país inteiro. Adiantavam o relógio apenas os estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Nesse período, boa parte do Sudeste e do Sul passava a operar em UTC-2 (em vez do UTC-3 habitual de Brasília). As regiões Norte e Nordeste não entravam no horário de verão: perto da linha do equador, a duração do dia quase não muda entre as estações, então adiantar o relógio traria pouco ou nenhum ganho.
Na prática, o Brasil chegou a ter até quatro horários diferentes ao mesmo tempo durante o verão, o que gerava confusão em viagens, transmissões e sistemas.
Por que o horário de verão acabou
O motivo central foi que a medida deixou de gerar a economia de energia que justificava o transtorno. Estudos do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e do Ministério de Minas e Energia (MME) mostraram que o perfil de consumo do país mudou.
Décadas atrás, o maior pico de demanda por eletricidade acontecia no início da noite, quando as pessoas chegavam em casa e acendiam as luzes. Adiantar o relógio empurrava esse pico para um horário ainda com luz do dia, aliviando o sistema. Hoje o quadro é outro:
- A iluminação pesa muito menos na conta: lâmpadas de LED consomem uma fração do que consumiam as antigas.
- O ar-condicionado e os eletrodomésticos passaram a dominar a carga, e o pico de consumo migrou para o meio da tarde (por volta das 15h), quando faz mais calor, e não mais para o anoitecer.
Com o pico deslocado para a tarde, adiantar o relógio deixou de aliviar o sistema. Diante de estudos que apontaram economia irrelevante ou até nula, o governo revogou a medida em 2019.
Quem decide e como o horário de verão poderia voltar
O horário de verão no Brasil é instituído e revogado por decreto presidencial. Não depende de aprovação do Congresso: basta a Presidência publicar um novo decreto para o horário de verão voltar a valer, definindo as datas e as regiões abrangidas.
Na prática, essa decisão é orientada por critérios técnicos do Ministério de Minas e Energia (MME). Segundo o próprio MME, o tema continua sendo avaliado periodicamente no âmbito do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), "com vistas a garantir a segurança e a confiabilidade do suprimento eletroenergético no País".
O retorno tende a ser considerado apenas em cenário de forte pressão sobre o sistema elétrico, por exemplo uma seca prolongada que reduza os reservatórios das hidrelétricas e crie risco real de falta de energia. Nesse caso, o horário de verão poderia voltar como parte de um pacote emergencial, ao lado de outras medidas de contenção de consumo. Fora disso, a leitura oficial é de que a medida não é necessária.
Linha do tempo do horário de verão no Brasil
O horário de verão brasileiro não foi contínuo: teve idas e vindas ao longo de quase um século, até se firmar entre 1985 e 2019.
| Período | O que aconteceu |
|---|---|
| 1931 | Primeira adoção do horário de verão no Brasil, no governo Getúlio Vargas. |
| Anos 1930 a 1960 | Uso intermitente, ligado a contextos específicos como a Segunda Guerra Mundial. Vários anos sem a medida. |
| Anos 1960 a 1980 | Novas idas e vindas, com aplicação irregular e nem sempre em todo o país. |
| 1985 a 2019 | Fase contínua: o horário de verão passou a ser adotado todos os anos, com ajustes nas datas e nas regiões incluídas ao longo do tempo. |
| 2019 | Fim. O Decreto 9.772, de 25 de abril de 2019, revoga a medida. O último horário de verão foi o do início de 2019. |
| 2020 em diante | Nenhum horário de verão. O MME segue reavaliando o tema a cada ano, sem retomá-lo. |
Efeitos práticos que existiam quando o horário de verão valia
Como só parte do país adiantava o relógio, o horário de verão exigia atenção redobrada em qualquer coisa que dependesse de horário:
- Voos: companhias aéreas e passageiros precisavam conferir se origem e destino estavam ou não em horário de verão, já que a diferença entre regiões mudava por alguns meses.
- Ônibus interestadual: viagens entre uma região que adiantava o relógio e outra que não adiantava mudavam de duração aparente, e os horários de embarque precisavam ser lidos com cuidado.
- Mercado financeiro: a diferença de fuso entre São Paulo e Nova York varia conforme os dois países entram e saem do horário de verão em datas diferentes (o hemisfério norte adianta o relógio no nosso inverno). Isso alterava o horário em que os pregões abriam em relação a Wall Street.
- Sistemas e agendas: softwares, servidores e aparelhos precisavam ter a regra do horário de verão atualizada para não errarem o relógio nas trocas.
Sem o horário de verão, esse tipo de ajuste sazonal deixou de existir dentro do Brasil: cada fuso fica no mesmo horário o ano inteiro.
O dado que o horário de verão ajudava a resolver
No fundo, o que muita gente quer saber é uma coisa simples: a que horas vai amanhecer e escurecer. O horário de verão era uma forma indireta de deslocar a luz do dia no relógio. Sem ele, a melhor resposta é olhar direto os horários reais do sol na sua cidade, que mudam todo dia ao longo do ano.
Entenda por que os dias ficam mais longos ou mais curtos ao longo do ano em estações do ano.
Perguntas frequentes
O horário de verão volta em 2026 ou 2027?
Não há horário de verão previsto. A medida foi revogada em 2019 e, desde então, o MME reavalia o tema a cada ano sem retomá-lo. Para o horário de verão voltar, seria preciso um novo decreto presidencial, orientado por critérios técnicos do Ministério de Minas e Energia. A leitura oficial hoje é de que a medida não é necessária, e um retorno só seria cogitado em cenário de forte estresse no sistema elétrico, como uma seca severa. Confira a linha de status no topo desta página para a situação mais recente.
Qual era a regra dos estados no horário de verão?
Na última fase, o horário de verão valia apenas para os estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Esses estados adiantavam o relógio em uma hora durante o verão. As regiões Norte e Nordeste não entravam na medida.
Por que só algumas regiões adiantavam o relógio?
Porque o ganho do horário de verão depende de quanto a duração do dia muda entre as estações. Isso é forte no Sul e no Sudeste, mais distantes do equador, onde os dias de verão são bem mais longos que os de inverno. Perto da linha do equador, no Norte e no Nordeste, o dia e a noite têm quase sempre a mesma duração o ano inteiro, então adiantar o relógio traria pouco ou nenhum benefício.
Por que meu celular não muda mais de horário sozinho?
Porque não há mais horário de verão para aplicar. Enquanto a medida existia, os aparelhos ajustavam o relógio automaticamente nas datas de entrada e saída. Desde 2019, cada fuso do Brasil fica no mesmo horário o ano inteiro, então não há troca a ser feita.
Fontes
- Ministério de Minas e Energia (MME), página oficial "Horário de Verão": gov.br/mme (revogação pelo Decreto 9.772/2019 e reavaliação periódica pelo CMSE).
- Decreto nº 9.772, de 25 de abril de 2019, que revogou os decretos do horário de verão (Planalto).
- Agência Brasil, "Não precisaremos do horário de verão neste ano, diz Alexandre Silveira" (outubro de 2025) e "Brasil não adotará horário de verão neste ano".
- Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), estudos sobre o deslocamento do pico de consumo.