Sylvia - asteroide | Astronomia

Sylvia

87 Sylvia é o primeiro asteroide triplo descoberto no Sistema Solar: possui duas luas próprias, Rômulo e Remo, batizadas em homenagem aos fundadores lendários de Roma, filhos da própria Rhea Sílvia, de quem Sylvia recebeu o nome. Um sistema de três corpos orbitando juntos há bilhões de anos.


AO VIVOSylviaUTC
Distancia da Terra
4,726147 UA
707.021.505 km
Distancia do Sol
3,722117 UA
Coordenadas (AR / Dec)
123,0696°
Dec 26,2201°
Em tempo real, atualizado a cada segundo no seu navegador · motor VSOP87 / Kepler

Onde esta Sylvia no Sistema Solar--
Dias0
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Vista de cima do plano da ecliptica. Escala de distancia hibrida (linear ate 1,8 UA, logaritmica depois) para caber planetas internos e externos. Posicoes reais via VSOP87 / Kepler.

Como acompanhar o asteroide Sylvia ao vivo

O painel acima recalcula a posicao de Sylvia a cada segundo no seu navegador: a distancia ate o Sol e ate a Terra, as coordenadas no ceu (ascensao reta e declinacao). Ele roda no mesmo tipo de motor que os observatorios usam, um solver de Kepler aplicado aos elementos orbitais osculadores do JPL, entao os numeros nao sao uma foto parada, eles continuam correndo.

Logo abaixo, o mapa do Sistema Solar visto de cima mostra exatamente onde Sylvia esta agora em relacao aos planetas. Voce pode adiantar o tempo com o slider de dias, dar zoom e arrastar, comparar a distancia dele a outro corpo com um clique e apertar "Proximo evento" para saltar ate a proxima aproximacao maxima da Terra. E a forma mais direta de entender a orbita de Sylvia sem nenhuma formula.

Posição agora (detalhe técnico)
Distância heliocêntrica:3.7221 AU
Distância geocêntrica:4.7261 AU (707.0 milhões de km)
Longitude eclíptica geocêntrica:119.492°
Latitude eclíptica geocêntrica:6.106°
RA J2000 (aproximado):123.070°
Dec J2000 (aproximado):26.220°
Anomalia verdadeira:139.905°

Elementos orbitais (Keplerianos)

Semi-eixo maior (a):3.4845 AU
Excentricidade (e):0.09434
Inclinação (i):10.872°
Long. nodo ascendente (Omega):73.011°
Argumento periélio (omega):265.827°
Anomalia média na época (M0):94.960°
Época de osculação (JD):2461000.5
Período orbital:6.505 anos

Sobre Sylvia

O asteroide 87 Sylvia ocupa um lugar único na história da astronomia: foi o primeiro objeto do cinturão principal para o qual foram descobertas duas luas, tornando-o o primeiro sistema triplo de asteroide confirmado. A descoberta de Rômulo em 2001 e de Remo em 2005 revelou que Sylvia não é apenas um corpo isolado, mas o membro principal de um sistema gravitacional complexo.

Localizado no cinturão de Cibele, uma região do cinturão externo entre 3,2 e 3,7 UA do Sol, Sylvia é um asteroide P-tipo ou X-tipo de superfície escura, com composição provável de carbono, silicatos e talvez gelo. Seu tamanho de aproximadamente 302 km e estrutura de pilha de entulho (rubble pile) são fundamentais para explicar como o sistema triplo pode existir estavelmente.

Descoberta e nome

87 Sylvia foi descoberto em 16 de maio de 1866 pelo astrônomo britânico Norman Robert Pogson, que atuava no Observatório de Madras (atual Chennai), na Índia. Pogson é mais conhecido por ter proposto a escala logarítmica de magnitudes estelares ainda usada hoje, onde uma diferença de 5 magnitudes corresponde a um fator de 100 em brilho. Sylvia foi uma de suas onze descobertas de asteroides.

O nome Sylvia homenageia Rhea Sílvia (ou Rhea Sylvia), a sacerdotisa vestal da mitologia romana que era filha do rei Numitor de Alba Longa e mãe de Rômulo e Remo, os fundadores lendários de Roma. A escolha do nome revelou-se profeticamente adequada quando, mais de um século depois, as duas luas do asteroide foram batizadas de Rômulo e Remo, criando uma coerência mítica notável no sistema triplo.

Características físicas

Sylvia tem dimensões de aproximadamente 302 x 232 x 192 km e forma alongada e irregular, coerente com sua estrutura de rubble pile. A superfície é muito escura, com albedo geométrico de apenas ~0,044, resultado de composição rica em carbono e possivelmente material orgânico primitivo. O tipo espectral é P ou X, indicando mistura de compostos orgânicos, silicatos e talvez gelo de água no interior.

Dados físicos de 87 Sylvia e suas luas
CorpoDiâmetro aprox.Distância orbitalPeríodo orbital
Sylvia (principal)302 km----
Rômulo (externa)~18 km1.356 km87,6 horas
Remo (interna)~7 km706 km33,0 horas

A densidade muito baixa de Sylvia (~1,2 a 1,5 g/cm3, abaixo da água) é forte indicativo de estrutura porosa e fragmentada, com pouco material sólido contínuo. A rotação de Sylvia ocorre em 5,18 horas. A existência de duas luas estáveis ao redor de Sylvia só é possível porque a velocidade de escape da rubble pile é baixa o suficiente para que fragmentos ejetados em colisões antigas permaneçam em órbita, em vez de escapar para o espaço.

Órbita e classe

Sylvia orbita o Sol no cinturão de Cibele, a região mais externa do cinturão principal, com semi-eixo maior de 3,490 UA. A excentricidade de 0,079 é baixa, resultando numa órbita quase circular entre 3,213 UA e 3,767 UA. A inclinação de 10,86 graus é relativamente alta para o cinturão externo.

Dados orbitais de 87 Sylvia
ParâmetroValor
Semi-eixo maior3,490 UA
Periélio3,213 UA
Afélio3,767 UA
Excentricidade0,079
Inclinação10,86 graus
Período orbital6,52 anos terrestres

A posição no cinturão de Cibele, longe das principais ressonâncias de Kirkwood, proporciona estabilidade orbital a longo prazo para o sistema triplo. A região é dominada por asteroides escuros de tipo P, C e X, com composições primitivas que preservaram materiais do Sistema Solar inicial. Sylvia pertence ao grupo dinâmico de Cibele, identificado por compartilhar semi-eixo maior, excentricidade e inclinação similares com dezenas de outros asteroides dessa região.

Como observar

Com magnitude aparente de aproximadamente +12,3 em oposição favorável, Sylvia requer um telescópio amador de pelo menos 20 cm de abertura para ser detectado com segurança como ponto de luz. As luas Rômulo e Remo são completamente invisíveis para instrumentos amadores terrestres, tendo sido descobertas com telescópios de classe 8 a 10 metros (Keck II e VLT da ESO).

Para localizações e planejamento de observações de Sylvia, o JPL Horizons e o Minor Planet Center fornecem efemérides atualizadas. Fotograficamente, Sylvia é acessível com câmeras CCD ou CMOS em telescópios de focal a partir de 1.000 mm em exposições de 2 a 5 minutos. As oposições de Sylvia ocorrem a cada ~13 meses. O movimento de Sylvia entre as estrelas de fundo é perceptível em escala de horas com equipamento de média abertura.

Missões e exploração

Nenhuma missão espacial foi enviada a 87 Sylvia. As duas luas foram descobertas com telescópios terrestres de grande porte: Rômulo foi encontrado em fevereiro de 2001 pelo astrônomo Franck Marchis (Universidade da Califórnia, Berkeley) e colaboradores usando o telescópio Keck II de 10 metros no Havaí, durante campanha de ocultação estelar que forneceu a primeira evidência indireta de lua. A confirmação fotográfica veio em seguida.

Remo foi descoberto por Marchis e equipe em agosto de 2004 usando o VLT (Very Large Telescope) da ESO no Cerro Paranal, Chile, com o sistema de óptica adaptativa NAOS-CONICA que permite atingir resolução angular de menos de 0,1 segundos de arco. Artigos publicados na revista Nature em 2005 anunciaram o sistema triplo e analisaram a estabilidade das órbitas de Rômulo e Remo. Estudos subsequentes (Marchis et al. 2014) refinaram as massas e densidades usando astrometria de alta precisão. A missão Hera da ESA, lançada em outubro de 2024, não inclui Sylvia em seu trajeto, mas demonstra o crescente interesse por sistemas binários e múltiplos de asteroides.

Curiosidades

  • 87 Sylvia foi o primeiro sistema triplo de asteroide confirmado no Sistema Solar, anunciado em agosto de 2005 com a descoberta de Remo pela equipe de Franck Marchis.
  • Os nomes Rômulo e Remo para as duas luas são perfeitos: na mitologia romana, Rômulo e Remo eram filhos de Rhea Sílvia (de quem Sylvia tira o nome), filhos de Marte e fundadores lendários de Roma.
  • A densidade de Sylvia de ~1,2 a 1,5 g/cm3 é menor que a da água, o que confirma uma estrutura tipo pilha de entulho (rubble pile) com porosidade interna muito alta.
  • As duas luas de Sylvia têm órbitas estáveis há pelo menos alguns milhões de anos, segundo simulações dinâmicas, o que implica que o sistema sobreviveu a vários eventos de colisão sem ser destruído.
  • Rômulo tem diâmetro de ~18 km e orbita Sylvia a 1.356 km, enquanto Remo tem apenas ~7 km e orbita a 706 km, tornando os dois satélites muito diferentes em tamanho.
  • O sistema Sylvia-Rômulo-Remo foi usado como caso de teste para modelos de formação de satélites de asteroides por ejeção de material em colisões, um mecanismo que hoje é amplamente aceito como explicação para binários e triplos no cinturão principal.

Descoberto em 1866 por Norman Pogson. Designação IAU: 87 Sylvia. Diâmetro estimado: 271.6 km. Magnitude absoluta H: 6.93.

Sistema triplo com luas Romulus e Remus.

Perguntas frequentes

Onde está o asteroide Sylvia agora?

O asteroide Sylvia está agora a 3.72 UA do Sol e 4.73 UA da Terra (cerca de 707 milhões de km), em ascensão reta 123.1 graus e declinação 26.2 graus. Calculado ao vivo por solver de Kepler.

Qual a distância do asteroide Sylvia à Terra?

Neste momento ele está a 4.726 unidades astronômicas, aproximadamente 707.0 milhões de quilômetros.

Quanto tempo o asteroide Sylvia leva para orbitar o Sol?

Ele completa uma órbita ao redor do Sol a cada 6.51 anos.

Qual o tamanho do asteroide Sylvia?

Seu diâmetro estimado é de cerca de 271.6 quilômetros.

Se um objeto desse tamanho atingisse a Terra (cenário hipotético didático)

Esta é uma estimativa didática da energia que essa rocha carregaria, muito acima de qualquer evento da história registrada, na faixa dos maiores impactos conhecidos.

Massa estimada3.15e+19 kg
Energia do impacto6.29e+27 J (1.50e+12 megatons de TNT)
Equivalente em bombas de Hiroshima9.99e+13
Diâmetro aproximado da cratera1,123.9 km

Modelo didático, não é previsão de risco. Os asteroides listados não estão em rota de colisão com a Terra. Assume densidade rochosa de cerca de 3000 kg/m3 e velocidade de impacto típica de 20 km/s.

Fórmulas: energia cinética E = 1/2 m v^2; escalonamento de cratera de Collins, Melosh e Marcus (2005). Referência de Hiroshima 6,3e13 J (cerca de 15 kt).

Limitação

Os elementos osculadores são da época 2461000.5 JD. A propagação Kepleriana ignora perturbações (especialmente Júpiter para asteroides do cinturão). Para precisão além de meses, consulte JPL Horizons.

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