Ryugu
O asteroide 162173 Ryugu tem forma de pião achatado, superfície coberta de fragmentos carbonáceos e guardou aminoácidos de origem extraterrestre que a sonda japonesa Hayabusa2 trouxe para a Terra em dezembro de 2020. Veja onde ele está agora e a história por trás dele.
Como acompanhar o asteroide Ryugu ao vivo
O painel acima recalcula a posicao de Ryugu a cada segundo no seu navegador: a distancia ate o Sol e ate a Terra, as coordenadas no ceu (ascensao reta e declinacao). Ele roda no mesmo tipo de motor que os observatorios usam, um solver de Kepler aplicado aos elementos orbitais osculadores do JPL, entao os numeros nao sao uma foto parada, eles continuam correndo.
Logo abaixo, o mapa do Sistema Solar visto de cima mostra exatamente onde Ryugu esta agora em relacao aos planetas. Voce pode adiantar o tempo com o slider de dias, dar zoom e arrastar, comparar a distancia dele a outro corpo com um clique e apertar "Proximo evento" para saltar ate a proxima aproximacao maxima da Terra. E a forma mais direta de entender a orbita de Ryugu sem nenhuma formula.
Posição agora (detalhe técnico)
| Distância heliocêntrica: | 1.2654 AU |
| Distância geocêntrica: | 1.5065 AU (225.4 milhões de km) |
| Longitude eclíptica geocêntrica: | 180.329° |
| Latitude eclíptica geocêntrica: | -2.399° |
| RA J2000 (aproximado): | 179.347° |
| Dec J2000 (aproximado): | -2.332° |
| Anomalia verdadeira: | 119.198° |
Elementos orbitais (Keplerianos)
| Semi-eixo maior (a): | 1.1909 AU |
| Excentricidade (e): | 0.19106 |
| Inclinação (i): | 5.867° |
| Long. nodo ascendente (Omega): | 251.292° |
| Argumento periélio (omega): | 211.617° |
| Anomalia média na época (M0): | 270.659° |
| Época de osculação (JD): | 2461000.5 |
| Período orbital: | 1.300 anos |
Sobre Ryugu
O asteroide 162173 Ryugu é um objeto com cerca de 900 metros de diâmetro, classificado como tipo Cb carbonáceo. Sua forma surpreendente, parecida com um pião ou um losango com aba equatorial proeminente, e sua superfície densamente coberta de blocos rochosos tornaram-no um dos objetos mais estudados do sistema solar. A missão Hayabusa2 da JAXA (Agência de Exploração Aeroespacial do Japão) orbitou Ryugu por mais de um ano e meio, realizou dois pousos distintos e detonou um projétil de cobre para criar a primeira cratera artificial da história em um asteroide.
As 5,4 gramas de amostras trazidas de volta em dezembro de 2020 revelaram 23 tipos de aminoácidos, incluindo compostos não proteinogênicos em razão racêmica quase 1:1, indicando síntese extraterrestre. Minerais hidratados como serpentina e saponita confirmam que água líquida esteve presente no corpo-pai de Ryugu nos primeiros milhões de anos do sistema solar, reforçando a hipótese de que asteroides carbonáceos entregaram precursores orgânicos à Terra primitiva.
Descoberta e nome
Ryugu foi descoberto em 10 de maio de 1999 pelo astrônomo Paul G. Comba, no Observatório Prescott, no Arizona, durante uma busca sistemática por asteroides próximos da Terra. A designação provisória foi 1999 JU3 até a aprovação do nome permanente em julho de 2015.
O nome Ryugu vem da mitologia japonesa: Ryugu-jo é o castelo subaquático do dragão, onde o herói Urashima Taro passa um tempo e recebe uma caixa misteriosa ao partir. A escolha foi direta: a missão Hayabusa2 traria de volta uma "caixa" com amostras do asteroide, e o nome evoca um tesouro guardado no fundo do oceano cósmico do tempo. O fato de Ryugu ser um asteroide escuro e primitivo, preservado desde a formação do sistema solar, reforça a analogia com um palácio guardando segredos de uma era remota.
Características físicas
Ryugu tem forma de pião achatado com equador proeminente, resultado do efeito YORP: a pressão de radiação térmica acelera a rotação de pequenos asteroides até que a força centrífuga redistribui material para o equador. Com albedo de apenas 0,045, Ryugu é mais escuro que o asfalto. Sua densidade média de 1,19 g/cm³ indica que cerca de metade do volume interno é espaço vazio, caracterizando uma estrutura de pilha de escombros.
| Parâmetro | Valor |
|---|---|
| Diâmetro médio | ~900 m |
| Forma | Pião achatado, equador proeminente |
| Massa | 4,5 × 10¹¹ kg |
| Densidade média | 1,19 g/cm³ |
| Espaço vazio estimado | ~50% |
| Albedo | 0,045 |
| Tipo espectral | Cb (carbonáceo) |
| Período de rotação | 7,63 horas |
As amostras confirmaram a presença de minerais hidratados (serpentina, saponita), magnetita de origem aquosa, hidrocarbonetos aromáticos, aminas alifáticas e 23 tipos de aminoácidos, incluindo compostos não proteinogênicos como isovalina e norvalina.
Órbita e classificação
Ryugu pertence ao grupo Apolo, com órbita que cruza as órbitas da Terra e de Vênus. É classificado como asteroide potencialmente perigoso (PHA). A aproximação mais recente significativa ocorreu em dezembro de 2018, quando a Hayabusa2 já estava em órbita, com distância mínima de 0,0517 UA (cerca de 7,7 milhões de km) da Terra.
| Parâmetro orbital | Valor |
|---|---|
| Grupo | Apolo (cruza Terra e Vênus) |
| Classificação | PHA (asteroide potencialmente perigoso) |
| Semieixo maior | 1,190 UA |
| Periélio | 0,963 UA |
| Afélio | 1,416 UA |
| Excentricidade | 0,190 |
| Inclinação | 5,88 graus |
| Período orbital | ~1,3 anos (474 dias) |
| Aproximação dez/2018 | 0,0517 UA (7,7 milhões km) |
Como observar
Ryugu tem magnitude visual típica acima de 20, o que o torna inacessível para observação amadora mesmo com telescópios de grande abertura. Não existe aproximação prevista próxima o suficiente para mudar esse quadro em futuro determinado: as aproximações raras em que Ryugu fica relativamente próximo da Terra exigem instrumentação profissional ou de observatório para qualquer detecção.
A observação prática de Ryugu é feita de forma indireta, por meio dos dados da missão Hayabusa2, disponibilizados pela JAXA em repositórios públicos. Imagens de alta resolução da superfície, espectros e dados de rádio ciência da sonda são a forma mais acessível de "ver" o asteroide com detalhes que nenhum telescópio terrestre alcançaria.
Missões e exploração
A missão Hayabusa2 da JAXA foi a primeira a criar deliberadamente uma cratera artificial em um asteroide e a segunda missão no mundo a retornar amostras de um asteroide (após a Hayabusa original com Itokawa em 2010). A cápsula de retorno pousou no deserto de Woomera, na Austrália, em 5 de dezembro de 2020, com 5,4 gramas de material coletado em dois locais distintos, incluindo subsuperfície exposta pela cratera artificial.
| Data | Evento |
|---|---|
| 3/dez/2014 | Lançamento da Hayabusa2 (JAXA) |
| Dez/2015 | Sobrevoo gravitacional da Terra |
| 27/jun/2018 | Chegada à Ryugu |
| 22/fev/2019 | Primeiro pouso (local Tamatebako) |
| 5/abr/2019 | Criação da cratera artificial Brabo (projétil de cobre 2,5 kg) |
| 11/jul/2019 | Segundo pouso (no local da cratera artificial) |
| 2018-2019 | Liberação de 4 robôs: MINERVA-II1a, MINERVA-II1b, MASCOT (DLR/CNES) |
| 5/dez/2020 | Pouso da cápsula em Woomera, Austrália (5,4 g de amostras) |
| 2021-2024 | Análises: 23 aminoácidos, minerais hidratados, matéria orgânica |
| 2023 | Publicação: isômeros ópticos em razão ~1:1, confirmando origem extraterrestre |
Curiosidades
- A cratera artificial criada em 5 de abril de 2019 foi a primeira vez na história que humanos modificaram deliberadamente a superfície de um asteroide para fins científicos, expondo material subsuperficial protegido do Sol por bilhões de anos.
- Os 23 aminoácidos identificados nas amostras incluem compostos não proteinogênicos como isovalina e norvalina. Esses aminoácidos não são encontrados em proteínas terrestres, reduzindo drasticamente a chance de contaminação biológica.
- A razão entre isômeros ópticos L e D nos aminoácidos de Ryugu é próxima de 1:1 (racêmica), característica da síntese química extraterrestre. Na vida terrestre, quase todos os aminoácidos são do tipo L, então a razão racêmica é uma assinatura de origem não biológica.
- A densidade de 1,19 g/cm³ é inferior à da água do mar (1,025 g/cm³) se compararmos com o vácuo: o material sólido das rochas de Ryugu tem densidade de rocha normal, mas o asteroide como um todo é tão poroso que flutua numa hipotética piscina gigante.
- O efeito YORP é o responsável pela forma de pião: ao longo de milhões de anos, a pressão da radiação solar em rotação assimétrica acelerou o giro de Ryugu até o equador inchar. Isso também explica por que tantos asteroides pequenos têm essa forma.
- A sonda Hayabusa2 continua operando após a missão Ryugu. Rebatizada como missão estendida, está a caminho do asteroide 1998 KY26, com chegada prevista para julho de 2031, onde tentará outro retorno de amostras.
- O MASCOT, desenvolvido conjuntamente pelo Centro Aeroespacial Alemão (DLR) e pela agência espacial francesa (CNES), operou na superfície de Ryugu por cerca de 17 horas, coletando dados de temperatura, campo magnético e composição mineralógica até esgotar a bateria.
Descoberto em 1999 por LINEAR. Designação IAU: 162173 Ryugu. Diâmetro estimado: 0.87 km. Magnitude absoluta H: 19.55.
NEA tipo C. Hayabusa2 (JAXA) coletou amostras em 2018-2019, retornou em 2020.
Perguntas frequentes
Onde está o asteroide Ryugu agora?
O asteroide Ryugu está agora a 1.27 UA do Sol e 1.51 UA da Terra (cerca de 225 milhões de km), em ascensão reta 179.3 graus e declinação -2.3 graus. Calculado ao vivo por solver de Kepler.
Qual a distância do asteroide Ryugu à Terra?
Neste momento ele está a 1.506 unidades astronômicas, aproximadamente 225.4 milhões de quilômetros.
Quanto tempo o asteroide Ryugu leva para orbitar o Sol?
Ele completa uma órbita ao redor do Sol a cada 1.30 anos.
Qual o tamanho do asteroide Ryugu?
Seu diâmetro estimado é de cerca de 0.87 quilômetros.
Se um objeto desse tamanho atingisse a Terra (cenário hipotético didático)
Esta é uma estimativa didática da energia que essa rocha carregaria, muito acima de qualquer evento da história registrada, na faixa dos maiores impactos conhecidos.
| Massa estimada | 1.03e+12 kg |
| Energia do impacto | 2.07e+20 J (49,444 megatons de TNT) |
| Equivalente em bombas de Hiroshima | 3.28e+6 |
| Diâmetro aproximado da cratera | 12.7 km |
Modelo didático, não é previsão de risco. Os asteroides listados não estão em rota de colisão com a Terra. Assume densidade rochosa de cerca de 3000 kg/m3 e velocidade de impacto típica de 20 km/s.
Fórmulas: energia cinética E = 1/2 m v^2; escalonamento de cratera de Collins, Melosh e Marcus (2005). Referência de Hiroshima 6,3e13 J (cerca de 15 kt).
Limitação
Os elementos osculadores são da época 2461000.5 JD. A propagação Kepleriana ignora perturbações (especialmente Júpiter para asteroides do cinturão). Para precisão além de meses, consulte JPL Horizons.
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