Pallas - asteroide | Astronomia

Pallas

2 Palas tem a órbita mais inclinada entre todos os grandes asteroides - um ângulo de 34,8 graus que o torna o objeto mais difícil de alcançar por sonda no cinturão principal e o menos conhecido de sua categoria.


AO VIVOPallasUTC
Distancia da Terra
2,800581 UA
418.961.014 km
Distancia do Sol
2,996989 UA
Coordenadas (AR / Dec)
19,8508°
Dec 3,0082°
Em tempo real, atualizado a cada segundo no seu navegador · motor VSOP87 / Kepler

Onde esta Pallas no Sistema Solar--
Dias0
Clique em um corpo para selecionar e ver os dados. Arraste para mover, role o mouse ou use a pinca para ampliar.
Vista de cima do plano da ecliptica. Escala de distancia hibrida (linear ate 1,8 UA, logaritmica depois) para caber planetas internos e externos. Posicoes reais via VSOP87 / Kepler.

Como acompanhar o asteroide Pallas ao vivo

O painel acima recalcula a posicao de Pallas a cada segundo no seu navegador: a distancia ate o Sol e ate a Terra, as coordenadas no ceu (ascensao reta e declinacao). Ele roda no mesmo tipo de motor que os observatorios usam, um solver de Kepler aplicado aos elementos orbitais osculadores do JPL, entao os numeros nao sao uma foto parada, eles continuam correndo.

Logo abaixo, o mapa do Sistema Solar visto de cima mostra exatamente onde Pallas esta agora em relacao aos planetas. Voce pode adiantar o tempo com o slider de dias, dar zoom e arrastar, comparar a distancia dele a outro corpo com um clique e apertar "Proximo evento" para saltar ate a proxima aproximacao maxima da Terra. E a forma mais direta de entender a orbita de Pallas sem nenhuma formula.

Posição agora (detalhe técnico)
Distância heliocêntrica:2.9970 AU
Distância geocêntrica:2.8006 AU (419.0 milhões de km)
Longitude eclíptica geocêntrica:19.467°
Latitude eclíptica geocêntrica:-4.975°
RA J2000 (aproximado):19.851°
Dec J2000 (aproximado):3.008°
Anomalia verdadeira:-122.797°

Elementos orbitais (Keplerianos)

Semi-eixo maior (a):2.7699 AU
Excentricidade (e):0.23064
Inclinação (i):34.928°
Long. nodo ascendente (Omega):172.889°
Argumento periélio (omega):310.933°
Anomalia média na época (M0):211.530°
Época de osculação (JD):2461000.5
Período orbital:4.610 anos

Sobre Pallas

Com cerca de 511 km de diâmetro médio, 2 Palas é o terceiro maior objeto do cinturão principal, atrás apenas de Ceres e Vesta. Mas o que realmente o define não é o tamanho: é a órbita. Inclinada 34,8 graus em relação ao plano da eclíptica - mais do que qualquer planeta do Sistema Solar -, a trajetória de Palas o mantém em relativo isolamento do restante do cinturão, reduz drasticamente as janelas de observação favorável e torna uma missão orbital tão cara em combustível quanto alcançar Plutão.

Descoberto em 1802, menos de 14 meses após Ceres, Palas gerou a hipótese de um "planeta destruído" que hoje é descartada - mas foi a primeira intuição de que o cinturão de asteroides poderia ser um reservatório de restos do Sistema Solar primitivo. Sua composição tipo-B, com alto teor de carbono e possivelmente argila hidratada, o posiciona entre os objetos mais quimicamente primitivos acessíveis a telescópios.

Descoberta e nome

Heinrich Wilhelm Olbers descobriu Palas em 28 de março de 1802, a partir de sua residência em Bremen, enquanto rastreava Ceres para refinar a determinação orbital do planeta-anão recém-descoberto. Um ponto de luz não esperado chamou sua atenção - ele estava procurando Ceres e encontrou um objeto completamente diferente. A órbita foi calculada rapidamente por Carl Friedrich Gauss e confirmou tratar-se de um novo tipo de corpo celeste, muito menor que os planetas conhecidos mas maior que qualquer objeto imaginado naquela região do céu.

O nome Palas foi escolhido em homenagem a Palas Atena, deusa grega da sabedoria e da guerra estratégica (equivalente romana: Minerva). Olbers propôs o nome, seguindo a convenção de usar figuras femininas da mitologia clássica. O símbolo astronômico de Palas é uma lança com diamante na ponta, atributo de Atena. A descoberta de Palas levou Olbers a formular a "hipótese de Olbers": a ideia de que os asteroides seriam fragmentos de um planeta destruído por uma colisão catastrófica entre Marte e Júpiter. Essa hipótese, amplamente discutida no século XIX, é hoje descartada - a massa combinada de todos os asteroides seria insuficiente para formar um único planeta, e modelos modernos mostram que Júpiter impediu a acreção de um planeta nessa região desde o início. A descoberta de Palas, contudo, foi o primeiro passo para a compreensão de que o cinturão de asteroides é uma categoria própria de objetos, não o resíduo de uma catástrofe.

Características físicas

Palas tem forma irregular, com dimensões aproximadas de 582 x 556 x 500 km segundo dados do instrumento SPHERE do Very Large Telescope (ESO), publicados em 2020. É o terceiro maior objeto do cinturão em volume, mas sua densidade estimada (2,9 g/cm³) é maior que a de Ceres, sugerindo uma composição com menor fração de gelo e mais rocha densa.

A superfície de Palas é uma das mais craterizadas entre os grandes asteroides: a alta inclinação orbital implica que Palas cruza o plano da eclíptica em velocidades relativas elevadas em relação aos outros objetos do cinturão, recebendo impactos de maior energia. As imagens do SPHERE revelaram pelo menos duas crateras com mais de 200 km de diâmetro, uma delas com cerca de 220 km - uma das maiores feições de impacto em relação ao tamanho do corpo hospedeiro conhecidas no Sistema Solar. A composição é do tipo espectral B (subclasse do tipo C), com alto teor de carbono e possivelmente argila hidratada e silicatos primitivos - material que remonta à nebulosa solar original, sem processo de diferenciação térmica significativa. O albedo de 0,14 é moderado para o cinturão interno. A gravidade superficial é estimada em apenas 0,02 g, menos da metade da de Ceres.

Ficha técnica - 2 Palas
ParâmetroValor
Diâmetro médio~511 km
Dimensões582 × 556 × 500 km
Massa~2,04 × 10²⁰ kg
Densidade estimada~2,9 g/cm³
Gravidade superficial~0,02 g
Período de rotação7 h 49 min
Albedo geométrico0,14
Inclinação orbital34,8°
Tipo espectralB (carbonáceo primitivo)
Descoberta28 mar. 1802 - H. W. Olbers

Órbita e classe

A órbita de Palas é o que o torna singular no cinturão principal: inclinação de 34,8 graus e excentricidade de 0,23 combinam-se para produzir uma trajetória que vai de 2,13 UA (periélio) a 3,41 UA (afélio), cruzando grande parte do cinturão principal em ângulo agudo em relação ao plano dos demais objetos. O período orbital é de 4,62 anos terrestres.

Essa inclinação extrema provavelmente resulta de ressonâncias orbitais no início do Sistema Solar que empurraram Palas para uma trajetória incomum, excluindo-o de interações frequentes com outros corpos do cinturão. As consequências são profundas: (1) uma missão orbital a Palas demandaria 50% a mais de delta-v do que uma missão equivalente a Ceres ou Vesta - mais do que a energia necessária para chegar a Plutão; (2) Palas proporciona uma fonte de meteoritos potencialmente distinta, com a família Palas contendo objetos que podem ter gerado alguns meteoritos carbonáceos raros na Terra; (3) a alta inclinação cria ângulos de impacto incomuns, possivelmente explicando a densidade de craterização elevada. Palas é classificado como asteroide do cinturão principal, sem qualificação adicional de planeta-anão - sua forma não é esférica o suficiente para satisfazer o critério de equilíbrio hidrostático, embora o debate persista entre especialistas dado o grande tamanho do objeto.

Como observar

Palas é mais difícil de observar do que Vesta ou Ceres, tanto pela magnitude menor quanto pela inclinação orbital alta, que o afasta do plano da eclíptica onde a maioria dos objetos do cinturão são encontrados. Sua magnitude aparente em oposição varia entre 6,5 e 8,2, dependendo de onde está na órbita - a variação é grande porque a excentricidade de 0,23 coloca Palas significativamente mais longe do Sol (e da Terra) em algumas oposições.

Para encontrá-lo, use efemérides atualizadas ou aplicativos de astronomia com banco de dados de asteroides (Stellarium, Cartes du Ciel, SkySafari). A identificação é feita pela mudança de posição em relação às estrelas de fundo ao longo de dias. Um telescópio de 100 mm já mostra Palas como ponto de luz em qualquer condição de visibilidade aceitável; 200 mm ou mais permitem tentar medir variações de brilho ao longo da rotação de 7h 49min.

  • Melhor época: oposição (mas mesmo em oposição, a posição no céu pode ser desfavorável devido à alta inclinação).
  • Equipamento mínimo: binóculo 10x50 nas melhores oposições; telescópio 100 mm nas demais.
  • O eixo de rotação de Palas é fortemente inclinado, criando estações extremas - durante parte da órbita, um dos polos fica em noite permanente por meses.
  • Palas nunca está próximo da eclíptica durante toda a órbita; verifique a declinação atual antes de planejar a observação.

Missões e exploração

Palas nunca foi visitado por nenhuma sonda espacial, e não há missões aprovadas ou em desenvolvimento para ele até 2025. O principal obstáculo é energético: a alta inclinação orbital exige uma variação de velocidade (delta-v) para inserção orbital que ultrapassa a de qualquer missão de cinturão de asteroides já realizada - incluindo a Dawn. Estimativas colocam o custo energético de uma missão orbital a Palas como comparável ao de uma missão a Plutão.

O conhecimento atual de Palas foi obtido por métodos indiretos:

  • Ocultações estelares - Palas passa na frente de estrelas de fundo, permitindo medir seu tamanho e forma com precisão maior que a fotometria direta. Campanhas de ocultação em 1978 e anos seguintes forneceram os primeiros perfis dimensionais confiáveis.
  • Imagens do Very Large Telescope - Em 2020, o instrumento SPHERE do ESO produziu as primeiras imagens de alta resolução de Palas, com ~35 km por pixel, revelando a superfície densamente craterizada e a forma irregular.
  • Espectroscopia terrestre e espacial - O telescópio Hubble e observatórios terrestres mapearam a composição superficial por espectroscopia infravermelha, identificando o tipo espectral B.
Métodos de observação de Palas
MétodoInstrumento / MissãoResultado principal
Ocultação estelarRede de observatórios terrestresPerfil dimensional (1978–atual)
Imagem direta AOSPHERE / VLT (ESO), 2020Superfície craterizada, forma 582×556×500 km
EspectroscopiaHubble + telescópios terrestresTipo B, silicatos primitivos, argila hidratada
FotometriaMúltiplos observatóriosCurva de luz, período 7h 49min

Curiosidades

  • Olbers descobriu Palas acidentalmente enquanto tentava localizar a órbita completa de Ceres - estava procurando um objeto e encontrou outro completamente diferente.
  • A "hipótese de Olbers" - a ideia de que os asteroides são fragmentos de um planeta destruído - foi proposta diretamente como consequência da descoberta de Palas e Ceres tão próximos. Hoje é descartada, mas orientou décadas de pesquisa.
  • As imagens do SPHERE/VLT de 2020 revelaram que Palas tem uma das superfícies mais craterizadas do Sistema Solar em relação ao tamanho do corpo - resultado direto dos altos ângulos de impacto causados pela inclinação orbital extrema.
  • Um dos maiores impactos detectados na superfície formou uma cratera de ~220 km de diâmetro, representando quase 40% do raio médio de Palas - proporcionalmente, um dos maiores eventos de impacto registrados em qualquer asteróide.
  • A família Palas - grupo de asteroides com órbitas similares - é debatida: alguns estudos propõem que um impacto gigante formou a família há cerca de 1,7 bilhão de anos, mas a identificação de membros é difícil exatamente por causa da inclinação elevada.
  • O eixo de rotação de Palas está tão inclinado que cada polo sofre períodos de luz solar contínua seguidos de escuridão prolongada, criando estações mais extremas do que qualquer planeta do Sistema Solar.
  • Uma missão orbital a Palas exigiria mais combustível do que a missão Dawn gastou para ir da Terra a Vesta e depois a Ceres - inteiramente, não apenas uma etapa.
  • Palas contém possivelmente 7% da massa total do cinturão de asteroides, tornando-o o terceiro maior reservatório de material após Ceres (30%) e Vesta (9%).

Descoberto em 1802 por Heinrich Olbers. Designação IAU: 2 Pallas. Diâmetro estimado: 512.6 km. Magnitude absoluta H: 4.11.

Terceiro maior asteroide. Orbita altamente inclinada.

Perguntas frequentes

Onde está o asteroide Pallas agora?

O asteroide Pallas está agora a 3.00 UA do Sol e 2.80 UA da Terra (cerca de 419 milhões de km), em ascensão reta 19.9 graus e declinação 3.0 graus. Calculado ao vivo por solver de Kepler.

Qual a distância do asteroide Pallas à Terra?

Neste momento ele está a 2.801 unidades astronômicas, aproximadamente 419.0 milhões de quilômetros.

Quanto tempo o asteroide Pallas leva para orbitar o Sol?

Ele completa uma órbita ao redor do Sol a cada 4.61 anos.

Qual o tamanho do asteroide Pallas?

Seu diâmetro estimado é de cerca de 512.6 quilômetros.

Se um objeto desse tamanho atingisse a Terra (cenário hipotético didático)

Esta é uma estimativa didática da energia que essa rocha carregaria, muito acima de qualquer evento da história registrada, na faixa dos maiores impactos conhecidos.

Massa estimada2.12e+20 kg
Energia do impacto4.23e+28 J (1.01e+13 megatons de TNT)
Equivalente em bombas de Hiroshima6.72e+14
Diâmetro aproximado da cratera1,844.5 km

Modelo didático, não é previsão de risco. Os asteroides listados não estão em rota de colisão com a Terra. Assume densidade rochosa de cerca de 3000 kg/m3 e velocidade de impacto típica de 20 km/s.

Fórmulas: energia cinética E = 1/2 m v^2; escalonamento de cratera de Collins, Melosh e Marcus (2005). Referência de Hiroshima 6,3e13 J (cerca de 15 kt).

Limitação

Os elementos osculadores são da época 2461000.5 JD. A propagação Kepleriana ignora perturbações (especialmente Júpiter para asteroides do cinturão). Para precisão além de meses, consulte JPL Horizons.

Veja todos os asteroides, metodologia, precisão.