Lutetia
21 Lutetia é um dos asteroides mais misteriosos do cinturão principal: a sonda europeia Rosetta o sobrevoou em 2010 e revelou uma superfície com 3,6 bilhões de anos, craterizada como a Lua, e uma composição que ainda desafia classificação definitiva. Veja onde ele está agora.
Como acompanhar o asteroide Lutetia ao vivo
O painel acima recalcula a posicao de Lutetia a cada segundo no seu navegador: a distancia ate o Sol e ate a Terra, as coordenadas no ceu (ascensao reta e declinacao). Ele roda no mesmo tipo de motor que os observatorios usam, um solver de Kepler aplicado aos elementos orbitais osculadores do JPL, entao os numeros nao sao uma foto parada, eles continuam correndo.
Logo abaixo, o mapa do Sistema Solar visto de cima mostra exatamente onde Lutetia esta agora em relacao aos planetas. Voce pode adiantar o tempo com o slider de dias, dar zoom e arrastar, comparar a distancia dele a outro corpo com um clique e apertar "Proximo evento" para saltar ate a proxima aproximacao maxima da Terra. E a forma mais direta de entender a orbita de Lutetia sem nenhuma formula.
Posição agora (detalhe técnico)
| Distância heliocêntrica: | 2.2312 AU |
| Distância geocêntrica: | 1.4657 AU (219.3 milhões de km) |
| Longitude eclíptica geocêntrica: | 241.297° |
| Latitude eclíptica geocêntrica: | -0.144° |
| RA J2000 (aproximado): | 239.141° |
| Dec J2000 (aproximado): | -20.558° |
| Anomalia verdadeira: | -68.171° |
Elementos orbitais (Keplerianos)
| Semi-eixo maior (a): | 2.4340 AU |
| Excentricidade (e): | 0.16478 |
| Inclinação (i): | 3.065° |
| Long. nodo ascendente (Omega): | 80.837° |
| Argumento periélio (omega): | 249.940° |
| Anomalia média na época (M0): | 246.810° |
| Época de osculação (JD): | 2461000.5 |
| Período orbital: | 3.797 anos |
Sobre Lutetia
Descoberto em 15 de novembro de 1852 pelo astrônomo franco-alemão Hermann Mayer Saloth Goldschmidt de sua varanda em Paris, o asteroide 21 Lutetia deve seu nome à denominação latina antiga de Paris (Lutetia Parisiorum). Por décadas foi classificado como asteroide tipo-M, sugerindo composição metálica, mas a sonda Rosetta da Agência Espacial Europeia (ESA) revelou uma realidade muito mais complexa durante seu sobrevoo em 10 de julho de 2010.
O encontro da Rosetta com Lutetia foi um dos momentos mais ricos da missão, que tinha como destino final o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. As imagens e dados coletados em apenas 25 minutos de aproximação próxima transformaram nossa compreensão de Lutetia de um ponto de luz enigmático em um dos asteroides mais bem estudados do Sistema Solar.
Descoberta e nome
Hermann Goldschmidt era um pintor alemão radicado em Paris quando se tornou um dos mais prolíficos caçadores de asteroides da segunda metade do século XIX, descobrindo 14 asteroides entre 1852 e 1861 sem usar instrumentos de grande porte, mas com persistência e técnica apurada. Lutetia foi sua primeira descoberta.
O nome Lutetia é a latinização do nome galo-romano de Paris, Lutetia Parisiorum (literalmente "aldeia pantanosa dos Parisii"), usada durante a era romana para denominar o assentamento no atual local da capital francesa. A escolha do nome homenageava a cidade onde Goldschmidt vivia e trabalhava, uma prática comum entre descobridores da época. Curiosamente, em 2004 a ESA escolheu Lutetia como alvo secundário da missão Rosetta precisamente pela incerteza sobre sua composição, que a tornava um candidato científico valioso.
Características físicas
Antes da Rosetta, Lutetia era classificada como tipo-M com base em sua reflexão na faixa visível do espectro eletromagnético, sugerindo composição metálica. O sobrevoo de 2010 revelou um quadro mais complexo: forma irregular com dimensões de 121 x 101 x 75 km e densidade alta de ~3,4 g/cm3, mas espectro infravermelho compatível com condritos carbonáceos CV e CO, não com metal puro.
| Parâmetro | Valor |
|---|---|
| Dimensões | 121 x 101 x 75 km |
| Massa estimada | ~1,7 x 1018 kg |
| Densidade | ~3,4 g/cm3 |
| Albedo geométrico | 0,19 |
| Período de rotação | 8,17 horas |
| Tipo espectral | Xc (antigo M) |
| Número de crateras mapeadas | mais de 350 |
A combinação de densidade alta com espectro compatível com condritos carbonáceos é desconcertante: os cientistas propuseram que Lutetia pode ser um planetesimal primordial que preservou um núcleo rico em silicatos e metais de alta temperatura sob uma camada superficial de material carbonáceo acumulado. Sua superfície tem idade estimada de 3,6 bilhões de anos, tornando-a uma das mais antigas expostas entre os asteroides de médio porte.
Órbita e classe
Lutetia orbita o Sol no cinturão principal médio com semi-eixo maior de 2,435 UA. A excentricidade de 0,163 leva-a de 2,039 UA no periélio a 2,830 UA no afélio. A inclinação de 3,06 graus é uma das mais baixas entre os grandes asteroides do cinturão, resultando numa órbita quase coplanar com a eclíptica.
| Parâmetro | Valor |
|---|---|
| Semi-eixo maior | 2,435 UA |
| Periélio | 2,039 UA |
| Afélio | 2,830 UA |
| Excentricidade | 0,163 |
| Inclinação | 3,06 graus |
| Período orbital | 3,80 anos terrestres |
A classificação espectral atual de Lutetia é Xc no sistema Bus-DeMeo, que substitui a antiga denominação M de Tholen. Esse tipo agrupa asteroides de albedo moderado cujas propriedades espectrais não se encaixam perfeitamente nas classes S, C ou M clássicas, refletindo justamente a natureza híbrida revelada pela Rosetta.
Como observar
Lutetia atinge magnitude aparente de aproximadamente +9,1 em oposição favorável, o que a coloca no limite do binóculo de alta qualidade (10x70 ou maior) e dentro do alcance de qualquer telescópio amador de 80 mm ou mais. A superfície escura (albedo ~0,19) significa que Lutetia não é tão brilhante quanto sua classe de tamanho sugeriria.
Para observá-la, recomenda-se usar efemérides do JPL Horizons ou do Minor Planet Center, onde as coordenadas são atualizadas diariamente. A observação fotográfica com CCD ou CMOS permite detectar Lutetia facilmente em telescópios de 100 mm com exposições de 60 segundos. A melhor época para observação é nas semanas em torno da oposição, quando Lutetia está acima do horizonte à meia-noite e em posição mais próxima da Terra.
Missões e exploração
O sobrevoo da Rosetta em 10 de julho de 2010 foi o evento científico mais importante da história de Lutetia. A sonda passou a apenas 3.162 km de distância a uma velocidade relativa de 15 km/s, coletando dados por 25 minutos de aproximação próxima. As câmeras OSIRIS captaram imagens com resolução de até 60 metros por pixel, revelando mais de 350 crateras de 600 metros a 55 km de diâmetro.
Os instrumentos de rádio ciência da Rosetta mediram a deflexão gravitacional da sonda para determinar a massa de Lutetia com alta precisão. O espectrômetro VIRTIS e o detector de plasma IES forneceram dados sobre composição superficial e interação com o vento solar. A ausência de campo magnético próprio foi confirmada, indicando que Lutetia nunca teve núcleo metálico fundido ativo. Em 2011 e 2013, artigos publicados na revista Science e em Planetary and Space Science compilaram os resultados completos do sobrevoo, tornando Lutetia o asteroide tipo-Xc mais bem documentado.
Curiosidades
- A idade estimada da superfície de Lutetia é de 3,6 bilhões de anos, tornando-a uma das superfícies de asteroide mais antigas já datadas, preservada desde os primórdios do Sistema Solar.
- A Rosetta coletou dados de Lutetia a caminho do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, onde chegou em 2014 e acompanhou o cometa até 2016, numa das missões mais longas e bem-sucedidas da ESA.
- Lutetia deve seu nome à denominação romana de Paris (Lutetia Parisiorum), tornando-a o único grande asteroide batizado com o nome latino de uma capital europeia moderna.
- A classificação de Lutetia como tipo-M foi contestada antes mesmo do sobrevoo da Rosetta: estudos do infravermelho dos anos 2000 já sugeriam composição inconsistente com metal puro.
- Mais de 350 crateras foram mapeadas na superfície de Lutetia, com diâmetros de 600 metros a 55 km e profundidades de até 10 km, num corpo de apenas 121 km de comprimento máximo.
- O albedo geométrico de Lutetia é 0,19, moderado para um asteroide: não tão escuro quanto os tipo-C carbonáceos (~0,05) nem tão brilhante quanto os tipo-S (~0,25).
Descoberto em 1852 por Hermann Goldschmidt. Designação IAU: 21 Lutetia. Diâmetro estimado: 98 km. Magnitude absoluta H: 7.49.
Visitado pela Rosetta (ESA) em julho 2010.
Perguntas frequentes
Onde está o asteroide Lutetia agora?
O asteroide Lutetia está agora a 2.23 UA do Sol e 1.47 UA da Terra (cerca de 219 milhões de km), em ascensão reta 239.1 graus e declinação -20.6 graus. Calculado ao vivo por solver de Kepler.
Qual a distância do asteroide Lutetia à Terra?
Neste momento ele está a 1.466 unidades astronômicas, aproximadamente 219.3 milhões de quilômetros.
Quanto tempo o asteroide Lutetia leva para orbitar o Sol?
Ele completa uma órbita ao redor do Sol a cada 3.80 anos.
Qual o tamanho do asteroide Lutetia?
Seu diâmetro estimado é de cerca de 98 quilômetros.
Se um objeto desse tamanho atingisse a Terra (cenário hipotético didático)
Esta é uma estimativa didática da energia que essa rocha carregaria, muito acima de qualquer evento da história registrada, na faixa dos maiores impactos conhecidos.
| Massa estimada | 1.48e+18 kg |
| Energia do impacto | 2.96e+26 J (7.07e+10 megatons de TNT) |
| Equivalente em bombas de Hiroshima | 4.69e+12 |
| Diâmetro aproximado da cratera | 507.5 km |
Modelo didático, não é previsão de risco. Os asteroides listados não estão em rota de colisão com a Terra. Assume densidade rochosa de cerca de 3000 kg/m3 e velocidade de impacto típica de 20 km/s.
Fórmulas: energia cinética E = 1/2 m v^2; escalonamento de cratera de Collins, Melosh e Marcus (2005). Referência de Hiroshima 6,3e13 J (cerca de 15 kt).
Limitação
Os elementos osculadores são da época 2461000.5 JD. A propagação Kepleriana ignora perturbações (especialmente Júpiter para asteroides do cinturão). Para precisão além de meses, consulte JPL Horizons.
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