Juno
3 Juno foi o terceiro asteroide descoberto na história, é o maior representante do tipo-S no cinturão interno e a fonte provável dos meteoritos condríticos mais comuns encontrados na Terra.
Como acompanhar o asteroide Juno ao vivo
O painel acima recalcula a posicao de Juno a cada segundo no seu navegador: a distancia ate o Sol e ate a Terra, as coordenadas no ceu (ascensao reta e declinacao). Ele roda no mesmo tipo de motor que os observatorios usam, um solver de Kepler aplicado aos elementos orbitais osculadores do JPL, entao os numeros nao sao uma foto parada, eles continuam correndo.
Logo abaixo, o mapa do Sistema Solar visto de cima mostra exatamente onde Juno esta agora em relacao aos planetas. Voce pode adiantar o tempo com o slider de dias, dar zoom e arrastar, comparar a distancia dele a outro corpo com um clique e apertar "Proximo evento" para saltar ate a proxima aproximacao maxima da Terra. E a forma mais direta de entender a orbita de Juno sem nenhuma formula.
Posição agora (detalhe técnico)
| Distância heliocêntrica: | 2.7988 AU |
| Distância geocêntrica: | 1.8050 AU (270.0 milhões de km) |
| Longitude eclíptica geocêntrica: | 303.048° |
| Latitude eclíptica geocêntrica: | 14.794° |
| RA J2000 (aproximado): | 301.959° |
| Dec J2000 (aproximado): | -5.051° |
| Anomalia verdadeira: | -115.008° |
Elementos orbitais (Keplerianos)
| Semi-eixo maior (a): | 2.6709 AU |
| Excentricidade (e): | 0.25583 |
| Inclinação (i): | 12.986° |
| Long. nodo ascendente (Omega): | 169.820° |
| Argumento periélio (omega): | 247.884° |
| Anomalia média na época (M0): | 217.591° |
| Época de osculação (JD): | 2461000.5 |
| Período orbital: | 4.365 anos |
Sobre Juno
Com cerca de 233 km de diâmetro médio, 3 Juno não é o maior do cinturão de asteroides, mas ocupa um lugar de destaque na história da astronomia: descoberto em 1804, foi o terceiro corpo identificado no cinturão e, por alguns anos, listado como planeta nos almanaques da época. É um asteroide do tipo espectral S (silicato), com superfície de olivina, piroxênio e ferro-níquel metálico - a mesma família química das condritas ordinárias, os meteoritos mais abundantes nas coleções terrestres.
Apesar de nunca ter sido visitado por uma sonda espacial, Juno foi observado pelo Hubble Space Telescope, por ocultações estelares e por técnicas de espectroscopia de alta resolução que revelaram pelo menos uma grande depressão de impacto na superfície e variações de composição entre hemisférios. Sua alta excentricidade orbital (0,256) e inclinação moderada (12,9 graus) fazem de Juno um objeto dinâmico no cinturão interno, com uma família de fragmentos associada que pode ter originado parte dos meteoritos S que chegam à Terra.
Descoberta e nome
Karl Ludwig Harding descobriu Juno em 1 de setembro de 1804 a partir do Observatório de Lilienthal, próximo a Bremen, na Alemanha. Harding era assistente do astrônomo Johann Hieronymus Schroter e conduzia um levantamento sistemático do céu quando notou um ponto de luz ausente dos catálogos estelares que mudou de posição nas noites seguintes. A órbita foi rapidamente calculada por Carl Friedrich Gauss e confirmou um objeto orbitando entre Marte e Júpiter, na mesma região que Ceres e Palas. Juno foi o quarto objeto identificado nessa região (depois de Ceres, Palas e um objeto que logo se revelou ser Ceres novamente) e o terceiro aceito definitivamente como novo corpo.
O nome Juno homenageia Juno, rainha dos deuses na mitologia romana, esposa de Júpiter e deusa do casamento e das mulheres (equivalente grega: Hera). A escolha seguia a tradição de nomear os primeiros asteroides com figuras femininas da mitologia clássica. O símbolo astronômico de Juno é um cetro encimado por uma estrela - referência ao poder real de Juno. Como Ceres e Palas antes dele, Juno foi listado como "planeta" em alguns almanaques astronômicos de 1804 a meados do século XIX, até que o reconhecimento formal do cinturão de asteroides como categoria própria pacificou a classificação. Karl Ludwig Harding, seu descobridor, é mais lembrado hoje como cartógrafo estelar: seu atlas celeste "Harding Atlas" (publicado entre 1797 e 1823) foi referência padrão para astrônomos europeus por décadas.
Características físicas
Juno tem forma irregular, com dimensões aproximadas de 320 x 240 x 200 km. A superfície é de silicatos tipo olivina e piroxênio com presença de ferro-níquel metálico, o que a classifica no grupo espectral S - o mesmo tipo dos condríticos ordinários. O albedo de Juno é de aproximadamente 0,24, relativamente alto para um asteroide, o que junto com o tamanho moderado o mantém acessível a binóculos nas melhores oposições.
Observações em radar no Radio Telescope de Goldstone e pelo Very Large Array detectaram reflectividade metálica parcial, consistente com a presença de ferro-níquel. O Hubble Space Telescope observou Juno em 2004 com a câmera ACS (Advanced Camera for Surveys) e identificou uma grande depressão na superfície compatível com uma cratera de impacto de até 100 km de diâmetro - uma feição que, se confirmada, representaria um evento de grande magnitude para um objeto de 233 km. A composição superficial sugere que Juno nunca sofreu diferenciação completa como Vesta: ele provavelmente representa material de um corpo parental que começou a se aquecer internamente mas não chegou a fundir completamente o núcleo e separar silicatos de metais de forma sistemática.
| Parâmetro | Valor |
|---|---|
| Diâmetro médio | ~233 km |
| Dimensões | 320 × 240 × 200 km |
| Massa | ~2,7 × 10¹⁹ kg |
| Densidade estimada | ~3,4 g/cm³ |
| Gravidade superficial | ~0,012 g |
| Período de rotação | 7 h 12 min |
| Albedo geométrico | 0,24 |
| Inclinação orbital | 12,9° |
| Excentricidade | 0,256 |
| Tipo espectral | S (silicato) |
Órbita e classe
Juno orbita o Sol a uma distância média de 2,67 UA, com período de 4,36 anos terrestres. A inclinação orbital é de 12,9 graus e a excentricidade de 0,256 - mais alta que Ceres (0,076) ou Palas (0,23) -, o que leva Juno de 2,0 UA (periélio) a 3,35 UA (afélio), percorrendo uma fatia ampla do cinturão principal de lado a lado. No periélio, Juno está a apenas 2 UA do Sol - mais perto que Ceres em qualquer ponto de sua órbita.
A alta excentricidade de Juno tem implicações dinâmicas: aumenta a probabilidade de encontros próximos com outros asteroides e pode ter gerado a família Juno, um grupo de fragmentos menores com órbitas similares possivelmente expelidos em um impacto antigo. Juno é classificado como asteroide do cinturão principal S - o tipo dominante no cinturão interno. Como os meteoritos condríticos ordinários derivam de corpos tipo-S, Juno representa diretamente a classe parental do material extraterrestre mais comum na Terra. Isso torna o estudo de Juno relevante não apenas astronomicamente mas também para entender a composição do Sistema Solar interno nos primeiros bilhões de anos.
Como observar
Juno é acessível com binóculos comuns nas oposições mais favoráveis e com telescópio pequeno na maioria das oposições. A magnitude aparente em oposição varia entre 7,4 (periélio favorável) e 9,1 (afélio desfavorável), dependendo de onde Juno está na órbita durante o encontro. Em oposições favoráveis, é um dos asteroides mais brilhantes do céu e relativamente fácil de identificar comparado a Palas ou Hygiea.
Para localizar Juno, use efemérides ou aplicativos de astronomia com base de dados de asteroides. A identificação é feita pela mudança de posição ao longo de dias - Juno se move perceptivelmente contra as estrelas de fundo. Telescópios de 80 mm mostram Juno como ponto de luz; 150 mm ou mais permitem tentativas de curva de luz ao longo do período de rotação de 7h 12min.
- Melhor época: oposição favorável (quando Juno está próximo do periélio, magnitude até 7,4).
- Equipamento mínimo: binóculo 10x50 nas melhores oposições; telescópio 80 mm para as demais.
- Juno tem alta excentricidade: a diferença de brilho entre uma boa e uma má oposição é de quase duas magnitudes - planeje com antecedência.
- A rotação de 7h 12min é acessível para projetos de curva de luz amadora em uma única noite de observação.
Missões e exploração
Juno nunca foi visitado por nenhuma sonda espacial e não há missões aprovadas ou em discussão avançada para ele até 2025. Seu conhecimento atual vem de observações terrestres e pelo Hubble Space Telescope.
- Em 1988, a Associação Internacional de Ocultações Lunares e Planetárias (IOTA) coordenou uma campanha de ocultação estelar que permitiu medir o perfil de Juno com maior precisão do que a fotometria da época - técnica que revelou pela primeira vez a forma irregular do asteroide.
- Em 2004, o Hubble Space Telescope observou Juno com a câmera ACS, obtendo imagens de resolução sem precedente para um asteroide não visitado por sonda. A imagem revelou uma grande depressão na superfície compatível com uma cratera de ~100 km.
- Observações em comprimento de onda de rádio com o Very Large Array (VLA) mediram a temperatura superficial e estimaram propriedades térmicas da camada superior do regolito.
| Instrumento | Ano | Resultado |
|---|---|---|
| Rede de ocultação IOTA | 1988 | Perfil dimensional; forma irregular confirmada |
| HST / câmera ACS | 2004 | Imagem direta; depressão de ~100 km identificada |
| VLA (rádio) | 2000s | Temperatura superficial; propriedades térmicas |
| Espectroscopia terrestre | 1990–atual | Tipo S; variação de composição entre hemisférios |
Curiosidades
- Juno criou confusão de nomes: a sonda da NASA que estuda Júpiter, lançada em 2011, também se chama Juno - em referência à mitologia romana, não ao asteroide. As duas missões não têm relação direta.
- Karl Ludwig Harding descobriu Juno enquanto participava de uma busca coordenada europeia por novos planetas entre Marte e Júpiter - o chamado "Clube Celestial", que incluía Olbers, Gauss e Schroter. Juno foi a primeira descoberta do grupo após Palas.
- A magnitude máxima registrada de Juno foi 7,4, tornando-o visível com binóculos - mas apenas em condições ideais de oposição favorável e céu escuro.
- Juno foi o primeiro asteroide a ter sua superfície parcialmente mapeada pelo Hubble Space Telescope, antes da era das sondas de cinturão de asteroides.
- A excentricidade elevada de Juno (0,256) significa que ele passa mais tempo no afélio (3,35 UA, região externa do cinturão) do que no periélio (2,0 UA), tornando-o um objeto de "trânsito" entre o cinturão interno e médio.
- Os condríticos ordinários - os meteoritos mais comuns na Terra, correspondendo a ~80% de todas as quedas registradas - derivam de asteroides tipo-S como Juno. Cada vez que um condrítico é encontrado na Terra, existe uma probabilidade de que sua origem seja um objeto semelhante a Juno.
- A "família Juno" é um grupo de asteroides menores com órbitas similares às de Juno; o impacto que a gerou pode ter extraído material da crosta ou do manto de Juno há centenas de milhões de anos.
- Juno tem rotação de 7h 12min - suficientemente rápida para que as variações de brilho durante uma noite de observação sejam mensuráveis por fotômetros amadores de alta precisão.
Descoberto em 1804 por Karl Harding. Designação IAU: 3 Juno. Diâmetro estimado: 233.9 km. Magnitude absoluta H: 5.19.
Tipo S (silicato), entre os 10 maiores do cinturao.
Perguntas frequentes
Onde está o asteroide Juno agora?
O asteroide Juno está agora a 2.80 UA do Sol e 1.80 UA da Terra (cerca de 270 milhões de km), em ascensão reta 302.0 graus e declinação -5.1 graus. Calculado ao vivo por solver de Kepler.
Qual a distância do asteroide Juno à Terra?
Neste momento ele está a 1.805 unidades astronômicas, aproximadamente 270.0 milhões de quilômetros.
Quanto tempo o asteroide Juno leva para orbitar o Sol?
Ele completa uma órbita ao redor do Sol a cada 4.37 anos.
Qual o tamanho do asteroide Juno?
Seu diâmetro estimado é de cerca de 233.9 quilômetros.
Se um objeto desse tamanho atingisse a Terra (cenário hipotético didático)
Esta é uma estimativa didática da energia que essa rocha carregaria, muito acima de qualquer evento da história registrada, na faixa dos maiores impactos conhecidos.
| Massa estimada | 2.01e+19 kg |
| Energia do impacto | 4.02e+27 J (9.61e+11 megatons de TNT) |
| Equivalente em bombas de Hiroshima | 6.38e+13 |
| Diâmetro aproximado da cratera | 1,000.2 km |
Modelo didático, não é previsão de risco. Os asteroides listados não estão em rota de colisão com a Terra. Assume densidade rochosa de cerca de 3000 kg/m3 e velocidade de impacto típica de 20 km/s.
Fórmulas: energia cinética E = 1/2 m v^2; escalonamento de cratera de Collins, Melosh e Marcus (2005). Referência de Hiroshima 6,3e13 J (cerca de 15 kt).
Limitação
Os elementos osculadores são da época 2461000.5 JD. A propagação Kepleriana ignora perturbações (especialmente Júpiter para asteroides do cinturão). Para precisão além de meses, consulte JPL Horizons.
Veja todos os asteroides, metodologia, precisão.