Itokawa
O asteroide 25143 Itokawa mede apenas 535 metros, mas foi o primeiro do qual amostras foram coletadas e trazidas para a Terra. Veja onde ele está agora.
Como acompanhar o asteroide Itokawa ao vivo
O painel acima recalcula a posicao de Itokawa a cada segundo no seu navegador: a distancia ate o Sol e ate a Terra, as coordenadas no ceu (ascensao reta e declinacao). Ele roda no mesmo tipo de motor que os observatorios usam, um solver de Kepler aplicado aos elementos orbitais osculadores do JPL, entao os numeros nao sao uma foto parada, eles continuam correndo.
Logo abaixo, o mapa do Sistema Solar visto de cima mostra exatamente onde Itokawa esta agora em relacao aos planetas. Voce pode adiantar o tempo com o slider de dias, dar zoom e arrastar, comparar a distancia dele a outro corpo com um clique e apertar "Proximo evento" para saltar ate a proxima aproximacao maxima da Terra. E a forma mais direta de entender a orbita de Itokawa sem nenhuma formula.
Posição agora (detalhe técnico)
| Distância heliocêntrica: | 1.6789 AU |
| Distância geocêntrica: | 2.3637 AU (353.6 milhões de km) |
| Longitude eclíptica geocêntrica: | 86.429° |
| Latitude eclíptica geocêntrica: | -0.087° |
| RA J2000 (aproximado): | 86.111° |
| Dec J2000 (aproximado): | 23.300° |
| Anomalia verdadeira: | -167.199° |
Elementos orbitais (Keplerianos)
| Semi-eixo maior (a): | 1.3241 AU |
| Excentricidade (e): | 0.28015 |
| Inclinação (i): | 1.621° |
| Long. nodo ascendente (Omega): | 69.076° |
| Argumento periélio (omega): | 162.854° |
| Anomalia média na época (M0): | 41.262° |
| Época de osculação (JD): | 2461000.5 |
| Período orbital: | 1.524 anos |
Sobre Itokawa
O asteroide 25143 Itokawa tem forma de amendoim, com dois lobos distintos unidos por um pescoço estreito, e mede 535 m x 294 m x 209 m. Pertence ao grupo Apolo e cruza as órbitas da Terra e de Vênus. Apesar do tamanho modesto, tornou-se um dos objetos mais estudados do sistema solar depois que a sonda japonesa Hayabusa pousou nele em novembro de 2005 e coletou material de sua superfície.
Em junho de 2010, a cápsula de retorno da Hayabusa pousou no deserto de Woomera, na Austrália, com 1.534 grãos de rocha, todos menores que 0,1 mm. A análise confirmou composição de condrito ordinário LL, ligando Itokawa diretamente a uma das classes de meteoritos mais comuns que chegam à Terra. Foi a primeira vez na história que amostras de um asteroide foram recuperadas com sucesso.
Descoberta e nome
Itokawa foi descoberto em 26 de setembro de 1998 pelo programa LINEAR (Lincoln Near-Earth Asteroid Research), operado pelo MIT e pelo Laboratório Lincoln do MIT para a Força Aérea dos EUA. Recebeu a designação provisória 1998 SF36 e foi identificado como um asteroide próximo à Terra do grupo Apolo.
Em agosto de 2003, a União Astronômica Internacional aprovou o nome 25143 Itokawa em homenagem a Hideo Itokawa (1912-1999), engenheiro japonês considerado o pai do programa espacial do Japão. No pós-guerra, Itokawa liderou pesquisas em aviação e tecnologia de foguetes, fundou o ISAS (Instituto de Ciência Aeroespacial e Espacial), precursor direto da JAXA, e foi responsável pelos primeiros lançamentos de foguetes de pesquisa japoneses na década de 1950. A escolha do nome foi especialmente adequada: o asteroide seria alvo da missão Hayabusa, a mais ambiciosa da história espacial japonesa até então.
Características físicas
Itokawa é um asteroide de contato binário: dois lobos de densidades diferentes fundidos por colisão em baixa velocidade. Estudos recentes do efeito YORP revelaram que os dois lobos têm densidades distintas, confirmando origens separadas. A superfície apresenta duas regiões bem diferentes: áreas rochosas cobertas de blocos angulosos de até dezenas de metros, e a região lisa Muses Sea, onde grãos finos se acumularam, provavelmente redistribuídos por vibrações sísmicas causadas por impactos de micrometeoritos.
| Parâmetro | Valor |
|---|---|
| Dimensões | 535 x 294 x 209 m |
| Massa | 3,51 x 1010 kg |
| Densidade média | 1,9 g/cm³ |
| Espaço vazio interno | ~40% |
| Albedo geométrico | 0,53 |
| Tipo espectral | S (olivina, piroxênio, condrito LL) |
| Período de rotação | 12,13 horas |
| Estrutura | Binário de contato (pilha de escombros) |
Órbita e classificação
Itokawa pertence ao grupo Apolo, a família de asteroides próximos à Terra cujo semieixo maior é maior que 1 UA e cujo periélio é menor que 1,017 UA. Sua órbita é quase coplanar com a eclíptica, com inclinação de apenas 1,62 graus, o que facilitou o planejamento da missão Hayabusa. Em escala de milhar de anos, a órbita é caótica, com possibilidade de encontros próximos com Vênus, Terra e Marte que podem alterar sua trajetória de forma imprevisível.
| Parâmetro orbital | Valor |
|---|---|
| Semieixo maior | 1,324 UA |
| Periélio | 0,953 UA |
| Afélio | 1,695 UA |
| Excentricidade | 0,280 |
| Inclinação | 1,62° |
| Período orbital | 1,52 anos (556 dias) |
| Grupo | Apolo (NEA, cruza órbitas da Terra e Vênus) |
Como observar
Itokawa não é visível a olho nu. Sua magnitude típica fica acima de 18, o que exige telescópio médio equipado com câmera CCD para detecção. Mesmo com equipamento adequado, a observação depende de aproximações favoráveis à Terra, que são raras e dependem do alinhamento orbital.
A órbita quase coplanar com a eclíptica facilita a previsão das janelas de visibilidade: Itokawa percorre uma faixa estreita do céu, próxima à zona do zodíaco. Efemérides atualizadas estão disponíveis nos bancos de dados do JPL Horizons e do Minor Planet Center. Nas raras janelas de aproximação favorável, astrônomos amadores com telescópios a partir de 30 cm de abertura e câmeras CCD sensíveis conseguem rastreá-lo como ponto em movimento entre as estrelas de fundo.
Missões e exploração
A missão Hayabusa da JAXA foi a primeira da história a coletar e retornar amostras de um asteroide. Apesar de quatro categorias de falha de equipamento durante a missão, a cápsula chegou à Terra com material científico suficiente para reescrever o conhecimento sobre asteroides do tipo S.
| Data | Evento |
|---|---|
| 9 mai. 2003 | Lançamento da Hayabusa (JAXA) |
| Mai. 2004 | Flyby terrestre para auxílio gravitacional |
| Set. 2005 | Chegada a Itokawa e início do mapeamento |
| Nov. 2005 | 1º pouso: mecanismo de coleta disparou por acidente |
| Nov. 2005 | 2º pouso: mecanismo não disparou, mas grãos entraram por convecção eletrostática |
| Mar. 2010 | Partida de Itokawa em direção à Terra |
| 13 jun. 2010 | Retorno da cápsula em Woomera, Austrália (1.534 grãos, todos <0,1 mm) |
A sonda-mãe Hayabusa reentrou na atmosfera junto com a cápsula e foi destruída, mas ficou visível do solo australiano como uma bola de fogo. A cápsula sobreviveu graças ao escudo térmico e foi recuperada intacta.
Curiosidades
- Itokawa tem cerca de 40% do seu volume interno composto de espaço vazio, o que o torna uma "pilha de escombros" mantida unida pela gravidade, não um bloco maciço de rocha.
- O efeito YORP (pressão de radiação que altera a rotação de pequenos corpos) revelou que os dois lobos de Itokawa têm densidades diferentes, confirmando que se formaram como objetos separados antes de se fundirem.
- A região Muses Sea, lisa e coberta de grãos finos, é análoga a praias de areia: os grãos migraram para zonas de baixa energia gravitacional ao longo de milões de anos de microvibrações.
- Os 1.534 grãos recuperados pela Hayabusa foram os primeiros materiais extraterrestres com origem conhecida e confirmada além da Lua, da Terra e de asteroides cujos meteoritos foram rastreados até a fonte.
- A composição de condrito LL confirmada pelas amostras ligou Itokawa a uma das classes de meteoritos mais comuns que chegam à Terra, provando que asteroides do tipo S são a fonte desse material.
- A missão Hayabusa acumulou quatro tipos de falha: todos os 4 motores iônicos tiveram problemas, 2 dos 3 volantes de inércia falharam, 2 dos 3 sistemas de comunicação pararam, e um vazamento de hidrazina congelou parte do computador de bordo. Mesmo assim, a missão foi concluída com sucesso.
- O JPL classifica Itokawa como asteroide potencialmente perigoso (PHA), pois cruza a órbita da Terra a distâncias que exigem monitoramento contínuo.
Descoberto em 1998 por LINEAR. Designação IAU: 25143 Itokawa. Diâmetro estimado: 0.33 km. Magnitude absoluta H: 19.26.
Visitado por Hayabusa (JAXA) que retornou amostras a Terra em 2010.
Perguntas frequentes
Onde está o asteroide Itokawa agora?
O asteroide Itokawa está agora a 1.68 UA do Sol e 2.36 UA da Terra (cerca de 354 milhões de km), em ascensão reta 86.1 graus e declinação 23.3 graus. Calculado ao vivo por solver de Kepler.
Qual a distância do asteroide Itokawa à Terra?
Neste momento ele está a 2.364 unidades astronômicas, aproximadamente 353.6 milhões de quilômetros.
Quanto tempo o asteroide Itokawa leva para orbitar o Sol?
Ele completa uma órbita ao redor do Sol a cada 1.52 anos.
Qual o tamanho do asteroide Itokawa?
Seu diâmetro estimado é de cerca de 0.33 quilômetros.
Se um objeto desse tamanho atingisse a Terra (cenário hipotético didático)
Esta é uma estimativa didática da energia que essa rocha carregaria, muito acima de qualquer evento da história registrada, na faixa dos maiores impactos conhecidos.
| Massa estimada | 5.64e+10 kg |
| Energia do impacto | 1.13e+19 J (2,698 megatons de TNT) |
| Equivalente em bombas de Hiroshima | 179,205 |
| Diâmetro aproximado da cratera | 5.98 km |
Modelo didático, não é previsão de risco. Os asteroides listados não estão em rota de colisão com a Terra. Assume densidade rochosa de cerca de 3000 kg/m3 e velocidade de impacto típica de 20 km/s.
Fórmulas: energia cinética E = 1/2 m v^2; escalonamento de cratera de Collins, Melosh e Marcus (2005). Referência de Hiroshima 6,3e13 J (cerca de 15 kt).
Limitação
Os elementos osculadores são da época 2461000.5 JD. A propagação Kepleriana ignora perturbações (especialmente Júpiter para asteroides do cinturão). Para precisão além de meses, consulte JPL Horizons.
Veja todos os asteroides, metodologia, precisão.