Ceres
Ceres é o único planeta-anão do cinturão de asteroides: um mundo com gelo de água, vulcões de gelo ativos e depósitos de sal brilhantes que intrigaram a humanidade por dois séculos.
Como acompanhar o asteroide Ceres ao vivo
O painel acima recalcula a posicao de Ceres a cada segundo no seu navegador: a distancia ate o Sol e ate a Terra, as coordenadas no ceu (ascensao reta e declinacao). Ele roda no mesmo tipo de motor que os observatorios usam, um solver de Kepler aplicado aos elementos orbitais osculadores do JPL, entao os numeros nao sao uma foto parada, eles continuam correndo.
Logo abaixo, o mapa do Sistema Solar visto de cima mostra exatamente onde Ceres esta agora em relacao aos planetas. Voce pode adiantar o tempo com o slider de dias, dar zoom e arrastar, comparar a distancia dele a outro corpo com um clique e apertar "Proximo evento" para saltar ate a proxima aproximacao maxima da Terra. E a forma mais direta de entender a orbita de Ceres sem nenhuma formula.
Posição agora (detalhe técnico)
| Distância heliocêntrica: | 2.7266 AU |
| Distância geocêntrica: | 3.4162 AU (511.1 milhões de km) |
| Longitude eclíptica geocêntrica: | 83.447° |
| Latitude eclíptica geocêntrica: | -1.606° |
| RA J2000 (aproximado): | 82.949° |
| Dec J2000 (aproximado): | 21.670° |
| Anomalia verdadeira: | -84.317° |
Elementos orbitais (Keplerianos)
| Semi-eixo maior (a): | 2.7656 AU |
| Excentricidade (e): | 0.07958 |
| Inclinação (i): | 10.588° |
| Long. nodo ascendente (Omega): | 80.250° |
| Argumento periélio (omega): | 73.300° |
| Anomalia média na época (M0): | 231.540° |
| Época de osculação (JD): | 2461000.5 |
| Período orbital: | 4.599 anos |
Sobre Ceres
Com 945 km de diâmetro médio, 1 Ceres domina o cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter, concentrando cerca de um terço da massa total dessa região. Classificado como planeta-anão pela União Astronômica Internacional em 2006, é o único objeto do cinturão principal a receber esse status - ao lado de Plutão, Éris, Makemake e Haumea no Sistema Solar externo.
A sonda Dawn da NASA orbitou Ceres de março de 2015 a novembro de 2018, revelando um mundo geologicamente ativo com criovulcanismo, salmoura subterrânea e compostos orgânicos. As manchas brancas dentro da cratera Occator, visíveis até por telescópios amadores, são hoje explicadas como depósitos de carbonato de sódio deixados pela evaporação de salmoura que sobe do interior - a maior concentração desse mineral encontrada fora da Terra no Sistema Solar.
Descoberta e nome
Giuseppe Piazzi, diretor do Observatório de Palermo, na Sicília, descobriu Ceres na noite de 1 de janeiro de 1801 enquanto conduzia um levantamento sistemático de estrelas para o catálogo da Academia das Ciências de Palermo. Ele notou um ponto de luz que mudava de posição entre as noites e durante 24 dias rastreou o objeto antes que uma doença o impedisse de continuar. Com os poucos dados registrados, o matemático Carl Friedrich Gauss desenvolveu um novo método de determinação orbital - o método dos mínimos quadrados aplicado à astronomia - e calculou onde o objeto reapareceria. Em 31 de dezembro de 1801, exatamente um ano após a descoberta, o barão Franz Xaver von Zach localizou Ceres na posição prevista por Gauss, confirmando a descoberta.
O objeto foi batizado de Ceres Ferdinandea: Ceres era a deusa romana das colheitas e da fertilidade, padroeira da Sicília, e Ferdinandea homenageava o rei Fernando IV de Nápoles. O segundo nome foi logo abandonado por razões políticas, e o asteroide ficou conhecido apenas como Ceres. Johann Elert Bode e outros astrônomos europeus celebraram a descoberta como o "planeta perdido" previsto pela Lei de Titius-Bode, que sugeria a existência de um planeta a 2,8 UA do Sol. Por quase cinco décadas, Ceres foi listado como o oitavo planeta do Sistema Solar em almanaques astronômicos; a descoberta de Palas (1802), Juno (1804) e Vesta (1807) na mesma região orbital forjou o conceito de cinturão de asteroides e rebaixou Ceres à categoria de asteroide. Em 2006, a UAI criou a categoria planeta-anão, e Ceres foi o único objeto do cinturão principal a recebê-la.
Características físicas
Ceres tem formato esferoidal achatado, resultado do equilíbrio hidrostático - a gravidade própria é suficiente para puxar o material em direção ao centro e arredondar o corpo. Os eixos medem 964 km (equatorial) e 892 km (polar). A superfície apresenta temperatura média de -105 graus Celsius, variando de -30°C nos pontos mais iluminados a -150°C nas regiões polares em sombra permanente.
A crosta é composta por uma mistura de rocha, gelo de água e sais de magnésio e sódio. Sob ela, modelos sugerem um manto espesso de gelo de água - possivelmente com uma camada de salmoura líquida persistindo a profundidade moderada - e um núcleo rochoso de silicato. A detecção de vapor de água pelo observatório Herschel em 2014, antes mesmo da chegada da Dawn, confirmou que Ceres sublima gelo ativamente. A missão Dawn aprofundou esse quadro: a cratera Occator (92 km, 4 km de profundidade) contém Cerealia Facula, uma mancha brilhante central de carbonato de sódio, e Vinalia Faculae, um conjunto de manchas satélites - os dois nomes foram escolhidos por votação pública organizada pela NASA. Ahuna Mons, uma montanha de 4 km de altura e 17 km de largura, foi classificada como criovulcão: expele lama, água e sais em vez de magma. A gravidade superficial de Ceres é apenas 0,029 g.
| Parâmetro | Valor |
|---|---|
| Diâmetro médio | 945 km |
| Diâmetro equatorial | 964 km |
| Diâmetro polar | 892 km |
| Massa | 9,38 × 10²⁰ kg |
| Densidade média | 2,16 g/cm³ |
| Gravidade superficial | 0,029 g |
| Temperatura média | −105 °C |
| Período de rotação | 9 h 4 min |
| Albedo geométrico | 0,09 |
| Tipo espectral | C (carbonáceo) |
Órbita e classe
Ceres orbita o Sol a uma distância média de 2,77 UA (unidades astronômicas), completando uma revolução a cada 4,60 anos terrestres. A excentricidade é baixa (0,076), mantendo Ceres entre 2,55 UA (periélio) e 2,98 UA (afélio) - sempre firmemente dentro do cinturão principal. A inclinação orbital em relação à eclíptica é de 10,6 graus, moderada comparada a Palas mas mais alta que Vesta.
Ceres pertence ao cinturão principal médio, entre as ressonâncias de Kirkwood de 3:1 e 5:2 com Júpiter. Sua classificação como planeta-anão - e não simplesmente asteroide - é baseada em dois critérios: (1) orbita o Sol, não um planeta; (2) tem massa suficiente para que a gravidade própria lhe dê forma aproximadamente esférica (equilíbrio hidrostático). Ceres não satisfaz o terceiro critério de planeta (ter "limpo" sua vizinhança orbital), por isso não é um planeta pleno. Com magnitude aparente variando entre 6,7 (oposição favorável) e 9,3 (conjunção), Ceres está no limite da visibilidade a olho nu sob céu escuro, mas um binóculo de 10x o revela claramente como um ponto de luz em movimento lento entre as estrelas.
Como observar
Ceres é o único planeta-anão que pode ser visto com binóculos comuns - e ocasionalmente a olho nu em oposições muito favoráveis. A melhor época para observá-lo é a oposição, quando Ceres está oposto ao Sol no céu, levanta ao anoitecer e fica visível a noite toda. Em oposições favoráveis, Ceres pode atingir magnitude 6,7, ligeiramente abaixo do limite de visibilidade a olho nu para observadores com visão aguda sob céu escuro.
Para localizá-lo, use um aplicativo de astronomia (Stellarium, SkySafari) para obter as coordenadas atuais - Ceres se move visivelmente entre as estrelas em poucos dias. Um binóculo 10x50 mostra Ceres como um ponto de luz sem disco perceptível (o diâmetro angular máximo é de 0,84 segundos de arco). Um telescópio de 150 mm ou maior revela um disco levemente acinzentado em condições de boa estabilidade atmosférica; telescópios amadores de 300 mm conseguem detectar variações de brilho ao longo da rotação de 9 horas. Nenhum telescópio amador resolve a superfície de Ceres - as manchas de Occator são invisíveis mesmo nos maiores telescópios terrestres sem óptica adaptativa.
- Melhor equipamento: binóculo 10x50 (para localizar) + telescópio 150 mm ou maior (para observar o disco).
- Melhor época: oposição (datas variam a cada ano; consulte efemérides).
- O que ver: ponto de luz cinza-esbranquiçado sem estrutura discernível; movimento perceptível em relação às estrelas em 2 a 3 noites.
- Dica: fotografe o mesmo campo em noites consecutivas e compare - o ponto que mudou de posição é Ceres.
Missões e exploração
A sonda Dawn da NASA foi o único engenho espacial a visitar Ceres. Lançada em 27 de setembro de 2007 a bordo de um foguete Delta II, a Dawn usou propulsão iônica de xênio - aceleração suave mas contínua - para viajar primeiro a Vesta (órbita de julho de 2011 a setembro de 2012) e depois a Ceres, algo sem precedente: nenhuma sonda havia orbitado dois corpos extraterrestres diferentes. A Dawn entrou em órbita de Ceres em 6 de março de 2015 e operou em quatro órbitas de altitudes decrescentes até esgotar o combustível do sistema de orientação em novembro de 2018, quando encerrou comunicações e permaneceu em órbita estável.
| Data | Evento | Altitude |
|---|---|---|
| 6 mar. 2015 | Entrada em órbita de Ceres | ~61 000 km |
| Abr.–mai. 2015 | Órbita de levantamento RC3 | 13 500 km |
| Jun.–ago. 2015 | Órbita de mapeamento HAMO | 4 400 km |
| Dez. 2015–set. 2016 | Órbita de mapeamento LAMO | 375 km |
| Out. 2017–out. 2018 | Órbita estendida XMO1/XMO2/XMO3 | até 35 km |
| Nov. 2018 | Fim das comunicações; sonda em órbita permanente | ~35 km |
Entre as descobertas da Dawn em Ceres destacam-se: confirmação de carbonato de sódio em Occator (maior concentração fora da Terra no Sistema Solar); identificação de Ahuna Mons como criovulcão ativo geológico recente; detecção de compostos orgânicos na região de Ernutet; e evidência de salmoura líquida em subsuperfície alimentando a atividade de Occator até o presente.
Curiosidades
- Ceres foi descoberto na virada do século XVIII para o XIX - 1 de janeiro de 1801 - tornando-se o primeiro asteroide e o primeiro planeta-anão da história.
- O matemático Carl Friedrich Gauss, então com 24 anos, usou a descoberta de Ceres para aperfeiçoar seu método dos mínimos quadrados, técnica que se tornou fundamental para toda a estatística e física matemática modernas.
- As manchas brilhantes de Occator foram detectadas pela primeira vez por telescópios terrestres décadas antes da Dawn, mas sua natureza permaneceu misteriosa até a chegada da sonda - receberam o apelido informal de "luzes de Ceres" na mídia científica.
- A NASA abriu votação pública para nomear as feições de Occator; mais de 100 000 votos foram recebidos, e os nomes Cerealia Facula e Vinalia Faculae foram oficializados pela União Astronômica Internacional.
- O observatório espacial Herschel detectou vapor de água em Ceres em 2014 - antes da Dawn chegar - a uma taxa de 6 kg por segundo, confirmando sublimação ativa.
- Compostos orgânicos foram detectados na região de Ernutet em 2017, a partir de dados do espectrômetro VIR da Dawn, embora a origem (síntese interna ou entrega por impacto de cometa) ainda seja debatida.
- Ceres tem um dia de apenas 9 horas e 4 minutos - mais curto que qualquer planeta rochoso do Sistema Solar.
- A órbita permanente da Dawn em torno de Ceres foi cuidadosamente calculada para que a sonda não colida com o planeta-anão por pelo menos 20 anos, protegendo Ceres de contaminação biológica terrestre.
Descoberto em 1801 por Giuseppe Piazzi. Designação IAU: 1 Ceres. Diâmetro estimado: 939.4 km. Magnitude absoluta H: 3.35.
Maior corpo do cinturao principal. Reclassificado como planeta anão pela IAU em 2006.
Perguntas frequentes
Onde está o asteroide Ceres agora?
O asteroide Ceres está agora a 2.73 UA do Sol e 3.42 UA da Terra (cerca de 511 milhões de km), em ascensão reta 82.9 graus e declinação 21.7 graus. Calculado ao vivo por solver de Kepler.
Qual a distância do asteroide Ceres à Terra?
Neste momento ele está a 3.416 unidades astronômicas, aproximadamente 511.1 milhões de quilômetros.
Quanto tempo o asteroide Ceres leva para orbitar o Sol?
Ele completa uma órbita ao redor do Sol a cada 4.60 anos.
Qual o tamanho do asteroide Ceres?
Seu diâmetro estimado é de cerca de 939.4 quilômetros.
Se um objeto desse tamanho atingisse a Terra (cenário hipotético didático)
Esta é uma estimativa didática da energia que essa rocha carregaria, muito acima de qualquer evento da história registrada, na faixa dos maiores impactos conhecidos.
| Massa estimada | 1.30e+21 kg |
| Energia do impacto | 2.60e+29 J (6.22e+13 megatons de TNT) |
| Equivalente em bombas de Hiroshima | 4.13e+15 |
| Diâmetro aproximado da cratera | 2,958.5 km |
Modelo didático, não é previsão de risco. Os asteroides listados não estão em rota de colisão com a Terra. Assume densidade rochosa de cerca de 3000 kg/m3 e velocidade de impacto típica de 20 km/s.
Fórmulas: energia cinética E = 1/2 m v^2; escalonamento de cratera de Collins, Melosh e Marcus (2005). Referência de Hiroshima 6,3e13 J (cerca de 15 kt).
Limitação
Os elementos osculadores são da época 2461000.5 JD. A propagação Kepleriana ignora perturbações (especialmente Júpiter para asteroides do cinturão). Para precisão além de meses, consulte JPL Horizons.
Veja todos os asteroides, metodologia, precisão.