Bennu - asteroide | Astronomia

Bennu

Conheça 101955 Bennu, o asteroide carbonáceo visitado pela missão OSIRIS-REx, que trouxe 121,6 gramas de material primordial com aminoácidos e nucleobases para a Terra em setembro de 2023.


AO VIVOBennuUTC
Distancia da Terra
1,719710 UA
257.264.946 km
Distancia do Sol
1,207645 UA
Coordenadas (AR / Dec)
155,7931°
Dec 9,4804°
Em tempo real, atualizado a cada segundo no seu navegador · motor VSOP87 / Kepler

Onde esta Bennu no Sistema Solar--
Dias0
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Vista de cima do plano da ecliptica. Escala de distancia hibrida (linear ate 1,8 UA, logaritmica depois) para caber planetas internos e externos. Posicoes reais via VSOP87 / Kepler.

Como acompanhar o asteroide Bennu ao vivo

O painel acima recalcula a posicao de Bennu a cada segundo no seu navegador: a distancia ate o Sol e ate a Terra, as coordenadas no ceu (ascensao reta e declinacao). Ele roda no mesmo tipo de motor que os observatorios usam, um solver de Kepler aplicado aos elementos orbitais osculadores do JPL, entao os numeros nao sao uma foto parada, eles continuam correndo.

Logo abaixo, o mapa do Sistema Solar visto de cima mostra exatamente onde Bennu esta agora em relacao aos planetas. Voce pode adiantar o tempo com o slider de dias, dar zoom e arrastar, comparar a distancia dele a outro corpo com um clique e apertar "Proximo evento" para saltar ate a proxima aproximacao maxima da Terra. E a forma mais direta de entender a orbita de Bennu sem nenhuma formula.

Posição agora (detalhe técnico)
Distância heliocêntrica:1.2076 AU
Distância geocêntrica:1.7197 AU (257.3 milhões de km)
Longitude eclíptica geocêntrica:154.113°
Latitude eclíptica geocêntrica:-0.557°
RA J2000 (aproximado):155.793°
Dec J2000 (aproximado):9.480°
Anomalia verdadeira:121.350°

Elementos orbitais (Keplerianos)

Semi-eixo maior (a):1.1264 AU
Excentricidade (e):0.20375
Inclinação (i):6.035°
Long. nodo ascendente (Omega):2.061°
Argumento periélio (omega):66.223°
Anomalia média na época (M0):101.704°
Época de osculação (JD):2455562.5
Período orbital:1.195 anos

Sobre Bennu

101955 Bennu é um asteroide do tipo B, rico em carbono, com aproximadamente 490 metros de diâmetro e formato de pião com equador saliente. Classificado como potencialmente perigoso (PHA), cruza a órbita da Terra no grupo Apolo e apresenta risco cumulativo de impacto de cerca de 1 em 2.700 entre 2178 e 2290.

A missão OSIRIS-REx da NASA o estudou in loco entre 2018 e 2021, coletando material na manobra Touch-And-Go de outubro de 2020. As amostras retornadas em 2023 revelaram moléculas orgânicas complexas, minerais hidratados e condições compatíveis com a origem da vida no sistema solar primitivo.

Descoberta e nome

Bennu foi descoberto em 11 de setembro de 1999 pelo programa LINEAR (Lincoln Near-Earth Asteroid Research), operado em Novo México pelos laboratórios Lincoln do MIT em parceria com a Força Aérea dos EUA. A designação provisória atribuída foi 1999 RQ36.

O nome definitivo foi sugerido por Michael Puzio, então com 9 anos, vencedor de um concurso organizado pela Planetary Society em 2013. Bennu é a ave sagrada da mitologia egípcia, associada ao sol nascente, à criação e ao renascimento. A escolha foi aprovada pelo time da missão também porque os painéis solares da sonda OSIRIS-REx, vistos de cima, lembravam a silhueta da ave mítica.

Características físicas

Bennu tem formato de losango ou pião, com um equador visivelmente saliente. Sua estrutura interna é uma pilha de escombros: fragmentos rochosos mantidos unidos pela gravidade, com cerca de 40% de espaço vazio. Isso explica a baixa densidade e torna o material superficial facilmente perturbável. Entre 2019 e 2020, a OSIRIS-REx observou jatos de partículas sendo expelidos da superfície, tornando Bennu o segundo asteroide ativo jamais registrado.

ParâmetroValor
Diâmetro médio~490 m
Massa7,3 × 10¹⁰ kg
Densidade~1,19 g/cm³
Albedo (geométrico)0,044
Tipo espectralB (carbonáceo)
Período de rotação4,3 horas

O efeito YORP (Yarkovsky-O'Keefe-Radzievskii-Paddack) acelera gradualmente a rotação de Bennu. Se continuar, pode eventualmente desestabilizar a estrutura superficial e lançar material do equador para o espaço.

Órbita e classificação

Bennu pertence ao grupo Apolo: asteroides que cruzam a órbita da Terra com semieixo maior superior a 1 UA. É classificado como PHA (Potentially Hazardous Asteroid) por combinar diâmetro acima de 140 m e distância mínima de interseção orbital (MOID) inferior a 0,05 UA.

Parâmetro orbitalValor
Semieixo maior1,126 UA
Periélio0,897 UA
Afélio1,356 UA
Excentricidade0,204
Inclinação6,03°
Período orbital1,2 anos (436,6 dias)

O risco cumulativo de impacto entre 2178 e 2290 é de aproximadamente 1 em 2.700, com a data mais provável em 24 de setembro de 2182. A probabilidade é baixa (0,037%), mas Bennu é o asteroide com maior risco conhecido no registro atual. O efeito Yarkovsky desvia sua trajetória em 284 metros por ano, valor medido com precisão inédita graças ao rastreamento da OSIRIS-REx.

Como observar

Bennu é praticamente inacessível a observadores amadores. Sua magnitude típica supera 20, exigindo telescópios de grande abertura e técnicas de imageamento profissional. Mesmo em suas aproximações mais favoráveis, permanece invisível a olho nu e difícil com instrumentos de médio porte.

A última aproximação relevante ocorreu em 2018, quando Bennu passou a 0,0517 UA da Terra (cerca de 7,7 milhões de quilômetros), permitindo observações de alta qualidade com o radar de Arecibo e Goldstone, que confirmaram sua forma e estrutura interna de escombros. A próxima aproximação observável de grande escala ocorrerá em 2135, quando o asteroide passará muito perto da Terra e terá sua trajetória perturbada pela gravidade terrestre, redistribuindo as probabilidades de impacto nas janelas seguintes, incluindo 2182.

Missões e exploração

A missão OSIRIS-REx (Origins, Spectral Interpretation, Resource Identification, Security, Regolith Explorer) da NASA é a principal referência de exploração de Bennu. Foi a primeira missão americana de retorno de amostras de asteroide e a terceira do mundo, após Hayabusa (2010) e Hayabusa2 (2020).

DataEvento
8 set 2016Lançamento da OSIRIS-REx (Cabo Canaveral)
3 dez 2018Chegada e inserção em órbita de Bennu
2019-2020Observação de jatos de partículas na superfície
20 out 2020Manobra Touch-And-Go (TAGSAM): 6 segundos de contato
10 mai 2021Partida de Bennu em direção à Terra
24 set 2023Cápsula pousa no Utah: 121,6 gramas recuperados
jan 2025Publicação: aminoácidos, nucleobases e minerais hidratados confirmados
abr 2026Canais nanométricos de água identificados na estrutura interna

Após soltar a cápsula, a sonda foi rebatizada OSIRIS-APEX e redirecionada para o asteroide Apophis, com encontro previsto para 2029, quando Apophis fará uma passagem histórica a menos de 32.000 km da Terra.

Curiosidades

  • O nome foi escolhido por uma criança de 9 anos: Michael Puzio ganhou o concurso ao associar a ave egípcia Bennu ao formato da sonda com painéis solares estendidos, que lembravam um pássaro com asas abertas na representação artística da missão.
  • Bennu é uma pilha de escombros com cerca de 40% de espaço vazio no interior. Isso significa que uma pessoa adulta não ricochetearia ao pisar na superfície, mas poderia afundar lentamente no solo granular por falta de coesão.
  • Os 121,6 gramas coletados pelo TAGSAM são o maior retorno de amostra extraterrestre desde as rochas lunares da Apollo, e o material mais antigo e primordial já analisado em laboratório terrestre.
  • Análise publicada em janeiro de 2025 confirmou aminoácidos, nucleobases de RNA e DNA, e amônia em alta concentração nas amostras, indicando que as condições químicas para a emergência da vida eram comuns no sistema solar primitivo há 4,5 bilhões de anos.
  • Em abril de 2026, pesquisadores identificaram canais nanométricos de água atravessando o material do asteroide em formação, evidência de que o corpo-pai de Bennu teve água líquida nos primeiros 10 milhões de anos do sistema solar.
  • O efeito Yarkovsky desvia Bennu 284 metros por ano: a radiação solar aquece um lado do asteroide em rotação, e o calor irradiado pelo lado noturno gera um empuxo mínimo que, acumulado ao longo de séculos, altera significativamente a trajetória.
  • Se Bennu impactasse a Terra em 2182, a energia liberada seria estimada em cerca de 1.200 megatons. A probabilidade atual é de 0,037%, e observações futuras, especialmente a passagem de 2135, refinarão esse número.

Descoberto em 1999 por LINEAR. Designação IAU: 101955 Bennu. Diâmetro estimado: 0.49 km. Magnitude absoluta H: 20.21.

NEA tipo B. OSIRIS-REx (NASA) coletou amostras em 2020 e retornou em 2023.

Perguntas frequentes

Onde está o asteroide Bennu agora?

O asteroide Bennu está agora a 1.21 UA do Sol e 1.72 UA da Terra (cerca de 257 milhões de km), em ascensão reta 155.8 graus e declinação 9.5 graus. Calculado ao vivo por solver de Kepler.

Qual a distância do asteroide Bennu à Terra?

Neste momento ele está a 1.720 unidades astronômicas, aproximadamente 257.3 milhões de quilômetros.

Quanto tempo o asteroide Bennu leva para orbitar o Sol?

Ele completa uma órbita ao redor do Sol a cada 1.20 anos.

Qual o tamanho do asteroide Bennu?

Seu diâmetro estimado é de cerca de 0.49 quilômetros.

Se um objeto desse tamanho atingisse a Terra (cenário hipotético didático)

Esta é uma estimativa didática da energia que essa rocha carregaria, muito acima de qualquer evento da história registrada, na faixa dos maiores impactos conhecidos.

Massa estimada1.85e+11 kg
Energia do impacto3.70e+19 J (8,834 megatons de TNT)
Equivalente em bombas de Hiroshima586,675
Diâmetro aproximado da cratera8.14 km

Modelo didático, não é previsão de risco. Os asteroides listados não estão em rota de colisão com a Terra. Assume densidade rochosa de cerca de 3000 kg/m3 e velocidade de impacto típica de 20 km/s.

Fórmulas: energia cinética E = 1/2 m v^2; escalonamento de cratera de Collins, Melosh e Marcus (2005). Referência de Hiroshima 6,3e13 J (cerca de 15 kt).

Limitação

Os elementos osculadores são da época 2455562.5 JD. A propagação Kepleriana ignora perturbações (especialmente Júpiter para asteroides do cinturão). Para precisão além de meses, consulte JPL Horizons.

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