Apophis
Em 13 de abril de 2029 (sexta-feira 13), o asteroide 99942 Apophis passará a ~38.000 km da superfície terrestre, visível a olho nu sobre Europa, África e Ásia: o sobrevoo mais próximo de um asteroide grande já registrado. Risco de impacto descartado.
Como acompanhar o asteroide Apophis ao vivo
O painel acima recalcula a posicao de Apophis a cada segundo no seu navegador: a distancia ate o Sol e ate a Terra, as coordenadas no ceu (ascensao reta e declinacao). Ele roda no mesmo tipo de motor que os observatorios usam, um solver de Kepler aplicado aos elementos orbitais osculadores do JPL, entao os numeros nao sao uma foto parada, eles continuam correndo.
Logo abaixo, o mapa do Sistema Solar visto de cima mostra exatamente onde Apophis esta agora em relacao aos planetas. Voce pode adiantar o tempo com o slider de dias, dar zoom e arrastar, comparar a distancia dele a outro corpo com um clique e apertar "Proximo evento" para saltar ate a proxima aproximacao maxima da Terra. E a forma mais direta de entender a orbita de Apophis sem nenhuma formula.
Posição agora (detalhe técnico)
| Distância heliocêntrica: | 1.0545 AU |
| Distância geocêntrica: | 1.7817 AU (266.5 milhões de km) |
| Longitude eclíptica geocêntrica: | 155.277° |
| Latitude eclíptica geocêntrica: | -0.633° |
| RA J2000 (aproximado): | 156.863° |
| Dec J2000 (aproximado): | 8.986° |
| Anomalia verdadeira: | -145.354° |
Elementos orbitais (Keplerianos)
| Semi-eixo maior (a): | 0.9224 AU |
| Excentricidade (e): | 0.19117 |
| Inclinação (i): | 3.341° |
| Long. nodo ascendente (Omega): | 203.900° |
| Argumento periélio (omega): | 126.673° |
| Anomalia média na época (M0): | 312.805° |
| Época de osculação (JD): | 2461000.5 |
| Período orbital: | 0.886 anos |
Sobre Apophis
99942 Apophis é um asteroide próximo da Terra do grupo Aten, com diâmetro de cerca de 340 metros e forma bilobada semelhante a um amendoim. Quando foi descoberto em junho de 2004, chegou a atingir nível 4 na Escala de Torino com probabilidade de impacto de 2,7% em 2029: o maior alerta de asteroide da história. As observações subsequentes descartaram qualquer risco para 2029, 2036 e 2068.
O que restou é um evento científico sem precedentes: no dia 13 de abril de 2029, Apophis passará a aproximadamente 31.600 km do centro da Terra, dentro da cintura de satélites geoestacionários, visível a olho nu como um ponto de luz em movimento rápido no céu noturno. Duas missões espaciais, a OSIRIS-APEX da NASA e a RAMSES da ESA, estarão presentes para registrar as mudanças que a maré gravitacional terrestre vai provocar no asteroide.
Descoberta e nome
Apophis foi descoberto em 19 de junho de 2004 pelos astrônomos Roy Tucker, David Tholen e Fabrizio Bernardi, no Observatório Kitt Peak, no Arizona. A designação provisória atribuída foi 2004 MN4. O objeto foi brevemente perdido e redescoberto em dezembro do mesmo ano, momento em que os cálculos orbitais refinados revelaram o histórico risco de impacto para 2029.
O nome definitivo, aprovado pela União Astronômica Internacional, homenageia Apophis (ou Apep), a serpente do caos da mitologia egípcia. Na cosmologia egípcia antiga, Apophis era o inimigo eterno do deus solar Rá, habitante do mundo subterrâneo, que tentava devorar o sol durante a travessia noturna. A escolha refletiu o susto inicial que o asteroide causou na comunidade científica, mas a analogia não se sustentou: como Rá, a Terra escapou ilesa.
Características físicas
Apophis tem formato bilobado, dois lobos com uma constrição central, semelhante a um amendoim. A forma foi inferida por observações de radar planetário e fotometria de curva de luz. O tipo espectral Sq indica composição intermediária entre os tipos S (silicatos) e Q (olivina e piroxênio frescos), com refletividade moderada e superfície relativamente brilhante comparada a asteroides carbonáceos.
O período de rotação longo, de 30,56 horas, é atípico para um asteroide desse tamanho e pode estar relacionado à história dinâmica do objeto. Durante o sobrevoo de 2029, a maré gravitacional da Terra vai exercer forças diferenciais sobre os dois lobos de Apophis, alterando sua rotação de forma mensurável pela primeira vez: uma oportunidade única de estudar como forças de maré deformam corpos planetários pequenos.
| Parâmetro | Valor |
|---|---|
| Diâmetro | ~340 m (incerteza ~20 m) |
| Massa | 2,7 × 10¹⁰ kg |
| Tipo espectral | Sq |
| Período de rotação | 30,56 horas |
| Forma | Bilobada (dois lobos com constrição central) |
Órbita e classificação
Apophis pertence ao grupo Aten: asteroides com semieixo maior inferior a 1 UA que passam a maior parte do tempo dentro da órbita terrestre, cruzando-a periodicamente. A inclinação orbital baixa, de 3,34 graus, mantém o asteroide próximo do plano da eclíptica e favorece encontros frequentes com a Terra.
O sobrevoo de 13 de abril de 2029 levará Apophis a aproximadamente 31.600 km do centro da Terra, equivalente a cerca de 38.000 km da superfície. Os satélites geoestacionários orbitam a 35.786 km de altitude: Apophis vai passar entre esses satélites e a superfície terrestre. Nenhum objeto de tamanho equivalente jamais se aproximou tanto da Terra em toda a história da humanidade.
| Parâmetro orbital | Valor |
|---|---|
| Semieixo maior | 0,9224 UA |
| Periélio | 0,746 UA |
| Afélio | 1,099 UA |
| Excentricidade | 0,191 |
| Inclinação | 3,34° |
| Período orbital | 0,89 anos (324,8 dias) |
| Grupo | Aten |
| Distância mínima em 13/04/2029 | ~31.600 km do centro da Terra |
Os riscos de impacto para 2029, 2036 e 2068 foram todos descartados com base em observações precisas. Em dezembro de 2004 e janeiro de 2005, refinamentos orbitais eliminaram o risco de 2029. Em 2013, dados do radiotelescópio de Arecibo descartaram 2036. Em 2021, observações combinadas do telescópio espacial Herschel e do radar de Goldstone eliminaram 2068. Atualmente, nenhum risco conhecido existe para Apophis nas próximas décadas.
Como observar em 2029
O sobrevoo de 13 de abril de 2029 será um evento astronômico visível a olho nu para dezenas de milhões de pessoas. Apophis atingirá magnitude aproximada de 3,1, comparável a uma estrela de brilho médio, e se moverá visivelmente pelo céu em questão de minutos: isso é raro, pois asteroides raramente deslocam-se rápido o bastante para que o movimento seja perceptível sem instrumentos.
A região de visibilidade privilegiada inclui Europa, África e Ásia. O asteroide cruzará o céu de leste para oeste, percorrendo cerca de 60 graus em aproximadamente uma hora. Na hora de maior proximidade, em torno das 21h UTC do dia 13 de abril, a velocidade angular de Apophis será superior à da Estação Espacial Internacional vista da Terra. Para fotografar, binóculos ou qualquer câmera com tripé e exposição de alguns segundos serão suficientes para registrar o asteroide como uma trilha luminosa se movendo contra o fundo de estrelas fixas. Telescópios de qualquer abertura mostrarão o deslocamento em tempo real. Na América do Sul e América do Norte, Apophis estará abaixo do horizonte ou em posição desfavorável no momento de maior proximidade.
Missões e exploração
O sobrevoo de 2029 transformou Apophis no alvo mais valioso da astronomia planetária desta década. Duas missões espaciais foram aprovadas para estudar o asteroide antes, durante e depois do encontro com a Terra, tornando 2029 o primeiro evento de sobrevoo de asteroide monitorado in situ por sondas espaciais.
| Missão | Agência | Lançamento | Chegada a Apophis | Duração |
|---|---|---|---|---|
| OSIRIS-APEX | NASA | Já em trânsito (ex-OSIRIS-REx) | Junho de 2029 | 18 meses em órbita |
| RAMSES | ESA (parceria ESA-JAXA) | Abril de 2028 | Fevereiro de 2029 | Antes e após o sobrevoo terrestre |
A OSIRIS-APEX é a sonda da NASA que coletou amostras do asteroide Bennu e as retornou à Terra em setembro de 2023. Após liberar a cápsula com amostras, a sonda foi rebatizada e redirecionada para Apophis. Ela usará a própria gravidade da Terra no sobrevoo de 2029, passando cerca de uma hora atrás de Apophis, para ajustar sua trajetória e entrar em órbita do asteroide. Nos 18 meses de missão, vai disparar propulsores para levantar material subsuperficial e estudar as mudanças provocadas pela maré gravitacional terrestre na rotação e na superfície do asteroide.
A RAMSES (Rapid Apophis Mission for Space Safety) foi aprovada na Reunião Ministerial da ESA em novembro de 2025, com parceria confirmada com a agência espacial japonesa JAXA. Com lançamento previsto para abril de 2028, chegará a Apophis em fevereiro de 2029, dois meses antes do sobrevoo terrestre. Seus instrumentos vão medir a forma, a superfície, a órbita e a rotação do asteroide antes e depois do encontro com a Terra, gerando um registro comparativo sem precedentes.
Curiosidades
- Em dezembro de 2004, Apophis atingiu nível 4 na Escala de Torino com probabilidade de impacto de 2,7% para 2029: o alerta mais alto jamais registrado para um asteroide na história da humanidade. Foi descartado semanas depois.
- O sobrevoo de 13 de abril de 2029 acontece numa sexta-feira 13, detalhe que alimentou manchetes sensacionalistas por anos antes que qualquer risco fosse descartado.
- Apophis vai passar dentro da cintura de satélites geoestacionários, a 35.786 km de altitude. Ao cruzar essa faixa, estará mais perto da superfície terrestre do que grande parte dos satélites em operação.
- A maré gravitacional da Terra durante o sobrevoo de 2029 vai deformar e agitar a superfície de Apophis, possivelmente provocando deslizamentos de material e alterações perceptíveis na rotação do asteroide: o equivalente de um tremor induzido pela gravidade de outro corpo celeste.
- A sonda OSIRIS-APEX vai chegar a Apophis usando um truque orbital: passará pela Terra cerca de uma hora atrás do asteroide, aproveitando a mesma gravidade terrestre que vai sacudir Apophis para corrigir sua própria trajetória e alcançar o asteroide em órbita.
- Apophis passa a menos de 5 raios terrestres do centro da Terra no sobrevoo de 2029. Essa é a zona em que os efeitos de maré gravitacional em corpos sólidos se tornam mensuráveis, tornando Apophis um laboratório natural para o estudo de dinâmica planetária.
- O nome Apophis foi dado em referência à serpente do caos da mitologia egípcia, inimiga eterna do deus solar Rá. O asteroide que carrega esse nome será o objeto mais bem observado da história da astronomia planetária quando fizer sua passagem inofensiva em 2029.
Descoberto em 2004 por Roy Tucker / David Tholen / Fabrizio Bernardi. Designação IAU: 99942 Apophis. Diâmetro estimado: 0.34 km. Magnitude absoluta H: 19.09.
Vai passar a 31000 km da Terra em 13 abril 2029 (mais proximo que satelites geoestacionarios).
Perguntas frequentes
Onde está o asteroide Apophis agora?
O asteroide Apophis está agora a 1.05 UA do Sol e 1.78 UA da Terra (cerca de 267 milhões de km), em ascensão reta 156.9 graus e declinação 9.0 graus. Calculado ao vivo por solver de Kepler.
Qual a distância do asteroide Apophis à Terra?
Neste momento ele está a 1.782 unidades astronômicas, aproximadamente 266.5 milhões de quilômetros.
Quanto tempo o asteroide Apophis leva para orbitar o Sol?
Ele completa uma órbita ao redor do Sol a cada 0.89 anos.
Qual o tamanho do asteroide Apophis?
Seu diâmetro estimado é de cerca de 0.34 quilômetros.
Se um objeto desse tamanho atingisse a Terra (cenário hipotético didático)
Esta é uma estimativa didática da energia que essa rocha carregaria, muito acima de qualquer evento da história registrada, na faixa dos maiores impactos conhecidos.
| Massa estimada | 6.17e+10 kg |
| Energia do impacto | 1.23e+19 J (2,951 megatons de TNT) |
| Equivalente em bombas de Hiroshima | 195,995 |
| Diâmetro aproximado da cratera | 6.12 km |
Modelo didático, não é previsão de risco. Os asteroides listados não estão em rota de colisão com a Terra. Assume densidade rochosa de cerca de 3000 kg/m3 e velocidade de impacto típica de 20 km/s.
Fórmulas: energia cinética E = 1/2 m v^2; escalonamento de cratera de Collins, Melosh e Marcus (2005). Referência de Hiroshima 6,3e13 J (cerca de 15 kt).
Limitação
Os elementos osculadores são da época 2461000.5 JD. A propagação Kepleriana ignora perturbações (especialmente Júpiter para asteroides do cinturão). Para precisão além de meses, consulte JPL Horizons.
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