Tuttle-Giacobini-Kresak 41P/Tuttle-Giacobini-Kresak

O cometa 41P/Tuttle-Giacobini-Kresak tem histórico de surtos dramáticos de brilho e é o primeiro cometa em que o Hubble detectou inversão completa do sentido de rotação, fenômeno publicado em 2026. Veja onde ele está agora e quando retorna.

AO VIVOTuttle-Giacobini-KresakUTC
Distancia da Terra
5,246533 UA
784.870.115 km
Distancia do Sol
4,537619 UA
Coordenadas (AR / Dec)
52,3294°
Dec 10,7760°
Proximo perielio
--
Em tempo real, atualizado a cada segundo no seu navegador · motor VSOP87 / Kepler
Onde esta Tuttle-Giacobini-Kresak no Sistema Solar--
Dias0
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Vista de cima do plano da ecliptica. Escala de distancia hibrida (linear ate 1,8 UA, logaritmica depois) para caber planetas internos e externos. Posicoes reais via VSOP87 / Kepler.

Como acompanhar o cometa Tuttle-Giacobini-Kresak ao vivo

O painel acima recalcula a posicao de Tuttle-Giacobini-Kresak a cada segundo no seu navegador: a distancia ate o Sol e ate a Terra, as coordenadas no ceu (ascensao reta e declinacao) e uma contagem regressiva ate o proximo perielio. Ele roda no mesmo tipo de motor que os observatorios usam, um solver de Kepler aplicado aos elementos orbitais osculadores do JPL, entao os numeros nao sao uma foto parada, eles continuam correndo.

Logo abaixo, o mapa do Sistema Solar visto de cima mostra exatamente onde Tuttle-Giacobini-Kresak esta agora em relacao aos planetas. Voce pode adiantar o tempo com o slider de dias, dar zoom e arrastar, comparar a distancia dele a outro corpo com um clique e apertar "Proximo evento" para saltar direto ao perielio. E a forma mais direta de entender a orbita de Tuttle-Giacobini-Kresak sem nenhuma formula.

Ficha do cometa

Tipo De curto periodo
Designacao 41P/Tuttle-Giacobini-Kresak
Periodo orbital 5.42 anos
Distancia do perielio 1.045 UA
Ultima passagem 2017-04-12
Proximo perielio 2028-08-12
Descoberto 1858 (Horace Tuttle)

Sobre o cometa Tuttle-Giacobini-Kresak

O 41P/Tuttle-Giacobini-Kresak acumula três nomes porque precisou de três astrônomos e 65 anos para ter sua natureza periódica confirmada. Descoberto por Horace Tuttle em 3 de maio de 1858, redescoberto por Michel Giacobini em 1907 e novamente por Lubos Kresak em 1951, só então foi possível vincular as três aparições a um único objeto com período de 5,4 anos.

O cometa ganhou notoriedade por seus surtos de brilho: em 1973, o aumento de magnitude foi de cerca de 10 unidades em poucas semanas, tornando-o visível a olho nu por um breve período. Em 2017, durante retorno excepcionalmente próximo da Terra, dados do Hubble e do telescópio Swift revelaram que o núcleo estava desacelerando e revertendo o sentido de rotação, um fenômeno nunca antes observado em nenhum cometa, confirmado em publicação de 2026.

História e descoberta

Horace Tuttle, do Observatório Naval dos Estados Unidos, avistou o cometa em maio de 1858 mas não conseguiu dados orbitais suficientes para calcular o período. Em 2 de junho de 1907, o astrônomo francês Michel Giacobini, em Nice, redescobriu independentemente o objeto; a órbita calculada era similar à de 1858, mas a conexão não foi imediatamente estabelecida.

Em 1951, o astrônomo eslovaco Lubos Kresak, do Observatório de Skalnate Pleso na Tchecoslováquia, realizou uma terceira descoberta independente. Foi o cálculo detalhado das órbitas de 1858, 1907 e 1951 que confirmou a identidade comum dos três cometas e estabeleceu o período de 5,4 anos. A convenção da UAI nomeou o objeto 41P/Tuttle-Giacobini-Kresak, preservando os três descobridores.

Órbita e retornos

O periélio do 41P fica a 1,05 UA do Sol, quase na órbita da Terra, enquanto o afélio alcança cerca de 5,1 UA. O período orbital atual é de aproximadamente 5,42 anos. O parâmetro de Tisserand T_J vale 2,96, posicionando-o firmemente na família de Júpiter.

Em 2017, o cometa teve um retorno excepcionalmente favorável: passou a apenas 0,14 UA da Terra em 1 de abril de 2017, atingindo magnitude 6 a 7 e ficando visível a olho nu por cerca de uma semana. Nesse mesmo retorno, foi também o alvo principal do telescópio espacial Swift da NASA e do Discovery Channel Telescope do Observatório Lowell para estudos de rotação e emissão de ultravioleta.

Retornos ao periélio do 41P/Tuttle-Giacobini-Kresak (seleção)
AnoDist. Terra (UA)Mag. aprox.Nota
1858--visualDescoberta por Tuttle
1907--visualRedescoberta Giacobini
1951--visualRedescoberta Kresak
1973~0,54 (surto)Surto histórico de 10 mag
20170,146 a 7Rotação revertida; Hubble
2022~0,7~10Retorno moderado
2027prev.~9Próximo retorno

Núcleo e família dinâmica

O núcleo do 41P/Tuttle-Giacobini-Kresak tem raio efetivo entre 440 e 560 metros, medido pelo Hubble Space Telescope em 2017. Trata-se de um dos menores núcleos de cometas periódicos com órbita bem documentada. A amplitude da curva de luz do núcleo é de cerca de 0,4 magnitudes, implicando um núcleo alongado com razão de eixos de pelo menos 1,4:1.

Como membro da família de Júpiter, o 41P tem parâmetro de Tisserand T_J de 2,96, próximo do limite superior do grupo (T_J = 3). Isso significa que o cometa está na fronteira dinâmica da família: encontros futuros com Júpiter poderiam alterar significativamente sua órbita. A baixa massa do núcleo (estimada em menos de 10^12 kg) torna-o particularmente suscetível a forças de pressão de radiação e a outgassing assimétrico, que é justamente o que causou a inversão de rotação observada em 2017.

Como observar e os surtos históricos

Em retornos típicos, o 41P/Tuttle-Giacobini-Kresak atinge magnitude entre 8 e 11, exigindo binóculos ou telescópio pequeno. A coma é normalmente difusa e de baixa condensação central. Nos grandes retornos, como 2017, pode ser visto a olho nu de locais com céu moderadamente escuro.

Os surtos são o traço mais notável do cometa. Em maio e junho de 1973, o brilho aumentou de magnitude 14 (invisível sem telescópio potente) para 4 (visível a olho nu em céu urbano), um aumento de 10 magnitudes equivalente a fator de 10.000 em fluxo de luz. Kresak, um dos descobridores, publicou a hipótese de que os surtos são causados pela exposição repentina de gelo fresco por colapso de áreas da crosta, mecanismo que a literatura mais recente associa à sublimação de CO ou CO2.

  • Surto de 1973: +10 magnitudes, de mag 14 a mag 4 (olho nu)
  • Retorno 2017: mag 6 a 7, distância mínima 0,14 UA da Terra
  • Rotação: revertida em 2017 (publicado Hubble 2026)
  • Próximo retorno: ~2027

Ciência: inversão de rotação detectada pelo Hubble

O retorno de 2017 produziu a descoberta mais importante já feita sobre o 41P: o primeiro caso documentado de inversão completa do sentido de rotação de um cometa. Entre março e maio de 2017, o período de rotação do núcleo aumentou de cerca de 20 horas para mais de 46 a 60 horas, desaceleração registrada pelo Discovery Channel Telescope do Observatório Lowell e confirmada pelo telescópio Swift da NASA.

Dados do Hubble Space Telescope obtidos em dezembro de 2017 mostraram que o núcleo estava novamente girando mais rápido, agora com período de aproximadamente 14 horas, a velocidade mais que tripla da medida em outubro. A explicação mais simples, publicada por David Jewitt da Universidade da Califórnia em Los Angeles e colaboradores em 2026 na revista Astronomical Journal, é que jatos de gás na superfície agiram como propulsores assimétricos: diminuíram a rotação até quase zero e então impulsionaram o núcleo a girar no sentido oposto. Foi a primeira vez que isso foi observado em qualquer cometa.

Curiosidades

  • O Hubble detectou a primeira inversão completa de rotação de um cometa no 41P/TGK, com resultados publicados em 2026 por David Jewitt e colaboradores.
  • O surto de 1973 foi estudado por Lubos Kresak, um dos próprios descobridores do cometa, que publicou a explicação mais influente do fenômeno.
  • O núcleo tem raio efetivo entre 440 e 560 metros, medido pelo Hubble, um dos menores núcleos cometários periódicos conhecidos.
  • O cometa leva três nomes porque triplamente redescoberto, mas o nome completo é tão longo que os astrônomos geralmente usam apenas "41P" ou "TGK" em artigos científicos.
  • A inversão de rotação foi causada por jatos de gás assimétricos atuando como propulsores: desaceleraram o núcleo até quase parar e depois o puseram a girar ao contrário.
  • Com raio entre 440 e 560 metros, o núcleo cabe com folga dentro de uma cidade média brasileira, como Botucatu (SP), mas gira com torques que podem inverter sua rotação em meses.

Outros cometas

Ver o catalogo completo de cometas.

Perguntas frequentes

Onde esta o cometa Tuttle-Giacobini-Kresak agora?

O cometa Tuttle-Giacobini-Kresak esta agora a 4.54 UA do Sol e 5.25 UA da Terra (cerca de 785 milhoes de km), em ascensao reta 52.3 graus e declinacao 10.8 graus. Calculado ao vivo por solver de Kepler.

Qual a distancia do cometa Tuttle-Giacobini-Kresak a Terra?

Neste momento ele esta a 5.247 unidades astronomicas, aproximadamente 784.9 milhoes de quilometros.

Quando e o proximo perielio do cometa Tuttle-Giacobini-Kresak?

O proximo perielio (maior aproximacao do Sol) e em 2028-08-12, daqui a cerca de 779 dias.

Dados tecnicos (orbita e coordenadas)
Distancia heliocentrica4.53762 AU
Distancia da Terra5.24653 AU
RA (J2000)52.329°
Dec (J2000)10.776°
Semieixo maior (a)3.0852 AU
Excentricidade (e)0.66127
Inclinacao (i)9.228°
Afelio5.125 AU

Posicao calculada em tempo real via solver de Kepler com elementos orbitais osculadores.