☄ Tuttle 8P/Tuttle
O cometa 8P/Tuttle completa uma órbita a cada 13,5 anos, tem núcleo bilobado de 10 km revelado pelo radar do Observatório de Arecibo, e é o corpo-pai das Ursidas, a chuva de meteoros do solstício de dezembro.
Como acompanhar o cometa Tuttle ao vivo
O painel acima recalcula a posicao de Tuttle a cada segundo no seu navegador: a distancia ate o Sol e ate a Terra, as coordenadas no ceu (ascensao reta e declinacao). Ele roda no mesmo tipo de motor que os observatorios usam, um solver de Kepler aplicado aos elementos orbitais osculadores do JPL, entao os numeros nao sao uma foto parada, eles continuam correndo.
Logo abaixo, o mapa do Sistema Solar visto de cima mostra exatamente onde Tuttle esta agora em relacao aos planetas. Voce pode adiantar o tempo com o slider de dias, dar zoom e arrastar, comparar a distancia dele a outro corpo com um clique e apertar "Proximo evento" para saltar direto ao perielio. E a forma mais direta de entender a orbita de Tuttle sem nenhuma formula.
Ficha do cometa
| Tipo | De curto periodo |
| Designacao | 8P/Tuttle |
| Periodo orbital | 13.61 anos |
| Distancia do perielio | 1.027 UA |
| Ultima passagem | 2008-01-27 |
| Proximo perielio | 2021-08-27 |
| Descoberto | 1858 (Horace Tuttle) |
Sobre o cometa Tuttle
O 8P/Tuttle ocupa uma posição peculiar entre os cometas de período curto: com órbita de 13,5 anos, fica no limite superior do que se convencionou chamar de família de Halley, embora muitos textos o classifiquem como cometa de período intermediário. Seu ponto de maior proximidade ao Sol fica a apenas 1,03 UA, praticamente na órbita terrestre, e o de maior afastamento chega a 10,4 UA, próximo ao limite da órbita de Saturno. Descoberto em 1858 por Horace Tuttle, ele é hoje mais conhecido pelo rastro de detritos que produz as Ursidas todo mês de dezembro, a chuva de meteoros do solstício de inverno boreal.
Em 2008, o radar do Observatório de Arecibo revelou uma surpresa: o núcleo do 8P/Tuttle não é uma esfera uniforme, mas um objeto bilobado de contato com aproximadamente 10 km de comprimento, dois lobulos distintos unidos por um pescoço estreito. Essa estrutura é idêntica, em escala, ao cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko explorado pela sonda Rosetta da Agência Espacial Europeia.
História e descoberta
Horace Parnell Tuttle era astrônomo do Observatório Naval dos Estados Unidos quando descobriu o cometa em 4 de janeiro de 1858. Tuttle foi um dos observadores mais produtivos de sua época, co-descobridor de vários outros cometas e objetos menores. O 8P recebeu apenas seu sobrenome, seguindo a convenção da época. Curiosamente, o mesmo Horace Tuttle é co-descobridor do 109P/Swift-Tuttle, o gigantesco cometa corpo-pai das Perseidas, uma das chuvas de meteoros mais abundantes do calendário anual.
O cometa foi acompanhado por vários periélios consecutivos no século XIX e início do XX, depois perdido de vista e redescoberto diversas vezes. A natureza cometária do objeto é bem estabelecida: cada passagem próxima ao Sol sublima parte do núcleo gelado, produzindo a cabeleira e, eventualmente, a cauda que caracterizam os cometas ativos. A conexão com as Ursidas foi estabelecida no século XX quando calculistas orbitais demonstraram que o radiante da chuva correspondia à trajetória dos detritos deixados pelo 8P.
Órbita e retornos
O 8P/Tuttle tem período de 13,5 anos, valor que o distingue dos cometas jovianos típicos (períodos de 3 a 9 anos) e o aproxima dos chamados cometas tipo Halley (períodos de 20 a 200 anos). Seu periélio ocorre a 1,03 UA, quase exatamente na distância orbital terrestre, o que significa que a cada passagem o cometa cruza a região habitável do Sistema Solar.
O afélio a 10,4 UA faz com que o cometa passe parte significativa de cada ciclo além de Saturno, numa zona de temperaturas baixíssimas onde o núcleo fica praticamente adormecido. O último periélio foi em 27 de agosto de 2021. O próximo periélio está previsto para 18 de abril de 2035, quando o cometa poderá atingir magnitude 7 a 8 em condições favoráveis.
| Parâmetro | Valor |
|---|---|
| Período orbital | 13,5 anos |
| Periélio (q) | 1,03 UA |
| Afélio (Q) | 10,4 UA |
| Excentricidade | 0,821 |
| Inclinação orbital | 54,4 graus |
| Dimensão do núcleo | ~10 km comprimento (bilobado) |
| Período de rotação | 11,4 horas |
| Último periélio | 27 ago 2021 |
| Próximo periélio | 18 abr 2035 |
Núcleo e família
As observações de radar realizadas pelo Observatório de Arecibo em janeiro de 2008 (publicadas no Icarus em 2010 por Harmon e colaboradores) revelaram que o núcleo do 8P/Tuttle é um objeto bilobado de contato com cerca de 10 km de comprimento no eixo maior e 4 km na dimensão curta. O período de rotação é 11,4 horas. A estrutura bilobada é idêntica em tipo à do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, que a sonda Rosetta explorou em detalhe entre 2014 e 2016.
O radar do Arecibo também detectou um eco separado proveniente de grãos grandes (maiores que centímetros) em movimento lento a partir do núcleo, exatamente o tipo de material esperado para contribuir com uma chuva de meteoros como as Ursidas. Esses grãos grandes são responsáveis pelos meteoros mais brilhantes e deixam trilhas luminosas de longa duração no céu.
- Estrutura do núcleo: bilobado de contato (dois lóbulos unidos por pescoço)
- Comprimento total: ~10 km
- Dimensão curta: ~4 km
- Período de rotação: 11,4 horas
- Classificação orbital: tipo Halley (período intermediário)
- Parentesco com missão espacial: mesma estrutura bilobada do 67P/Churyumov-Gerasimenko (Rosetta)
Como observar
O próximo periélio favorável do 8P/Tuttle será em abril de 2035. Nas melhores aproximações, o cometa pode atingir magnitude 7 a 8, teoricamente visível a olho nu em condições excelentes de céu escuro, embora binóculos ou telescópio de pequeno porte sejam mais confiáveis. A geometria da próxima passagem ainda está sendo refinada; observadores devem consultar o JPL Horizons a partir de 2033 para planejar observações.
Para observar as Ursidas, o período ideal é entre 13 e 24 de dezembro, com pico tipicamente em torno de 22 de dezembro, próximo ao solstício de inverno boreal. O radiante fica na constelação de Ursa Menor, perto da estrela Beta Ursae Minoris (Kochab). A taxa normal é de 5 a 10 meteoros por hora, mas surtos podem elevar essa marca consideravelmente. A chuva é melhor observada do hemisfério norte.
- Radiante das Ursidas: Ursa Menor, próximo a Kochab (beta UMi)
- Período de atividade: 13 a 24 de dezembro
- Pico: cerca de 22 de dezembro (próximo ao solstício)
- ZHR normal: 5 a 10 meteoros/hora
- ZHR em surto histórico: acima de 100 (1945, 1986, 2000)
- Próximo periélio do 8P: 18 de abril de 2035
Ursidas e ciência
As Ursidas (código IAU URS) são ativas entre 13 e 24 de dezembro, com pico tipicamente em torno de 22 de dezembro, próximo ao solstício de inverno boreal. O radiante fica na constelação de Ursa Menor, perto da estrela Beta Ursae Minoris (Kochab). A taxa normal é de 5 a 10 meteoros por hora, mas surtos podem elevar essa marca consideravelmente. Surtos documentados ocorreram em 1945 (ZHR estimado acima de 100), 1986 e 2000.
A correlação entre a aproximação do 8P/Tuttle e os surtos das Ursidas é bem estabelecida: quando o cometa está próximo ao periélio, a densidade de material na trilha terrestre aumenta e as taxas sobem. O período de 13,5 anos significa que surtos intensos tendem a se repetir a cada um ou dois ciclos, mas a previsão precisa é difícil porque a distribuição de detritos na trilha é irregular. O último periélio (2021) estava potencialmente associado a atividade elevada nas Ursidas de dezembro de 2021, e o mesmo padrão pode ocorrer nas Ursidas de 2035.
Curiosidades
- Horace Tuttle co-descobriu também o cometa Swift-Tuttle (109P), corpo-pai das Perseidas, uma das chuvas de meteoros mais abundantes do ano, tornando-o responsável indireto por duas chuvas anuais de grande interesse para observadores.
- O núcleo do 8P/Tuttle é bilobado de contato com ~10 km de comprimento, revelado por radar do Arecibo em 2008, com estrutura idêntica em tipo ao cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko explorado pela sonda Rosetta da ESA.
- Com periélio quase idêntico à distância orbital da Terra (1,03 UA), o 8P é um dos poucos cometas de período intermediário que se aproxima tanto do planeta, o que torna o cruzamento da trilha de detritos pelas Ursidas particularmente denso.
- O nome "Ursidas" vem de Ursa Menor, a constelação do radiante, e não de ursos polares, embora a confusão seja frequente em textos de divulgação.
- A ESA considerou o 8P/Tuttle como alvo potencial de backup para a missão Comet Interceptor, lançada em 2028 para interceptar um cometa dinamicamente novo ou interestelar.
- O surto das Ursidas em 1945 foi observado durante a Segunda Guerra Mundial e é um dos poucos eventos meteóricos de grande intensidade daquela década com registros confiáveis.
Outros cometas
Perguntas frequentes
Onde esta o cometa Tuttle agora?
O cometa Tuttle esta agora a 9.76 UA do Sol e 8.79 UA da Terra (cerca de 1,314 milhoes de km), em ascensao reta 281.3 graus e declinacao -6.7 graus. Calculado ao vivo por solver de Kepler.
Qual a distancia do cometa Tuttle a Terra?
Neste momento ele esta a 8.787 unidades astronomicas, aproximadamente 1,314.5 milhoes de quilometros.
Dados tecnicos (orbita e coordenadas)
| Distancia heliocentrica | 9.75783 AU |
| Distancia da Terra | 8.78677 AU |
| RA (J2000) | 281.346° |
| Dec (J2000) | -6.689° |
| Semieixo maior (a) | 5.7003 AU |
| Excentricidade (e) | 0.81979 |
| Inclinacao (i) | 54.982° |
| Afelio | 10.373 AU |
Posicao calculada em tempo real via solver de Kepler com elementos orbitais osculadores.