Tempel-Tuttle 55P/Tempel-Tuttle

Uma vez por geração, o cometa Tempel-Tuttle passa perto o suficiente para deixar filamentos frescos de detritos no céu - e quando a Terra cruza esses filamentos, as Leônidas explodem em tempestades de milhares de meteoros por hora, com fragmentos entrando a 71 km/s, a maior velocidade de entrada entre as chuvas anuais. O próximo periélio é em 2031.

AO VIVOTempel-TuttleUTC
Distancia da Terra
11,931243 UA
1.784.888.550 km
Distancia do Sol
12,555116 UA
Coordenadas (AR / Dec)
218,5729°
Dec -11,0413°
Proximo perielio
--
Em tempo real, atualizado a cada segundo no seu navegador · motor VSOP87 / Kepler
Onde esta Tempel-Tuttle no Sistema Solar--
Dias0
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Vista de cima do plano da ecliptica. Escala de distancia hibrida (linear ate 1,8 UA, logaritmica depois) para caber planetas internos e externos. Posicoes reais via VSOP87 / Kepler.

Como acompanhar o cometa Tempel-Tuttle ao vivo

O painel acima recalcula a posicao de Tempel-Tuttle a cada segundo no seu navegador: a distancia ate o Sol e ate a Terra, as coordenadas no ceu (ascensao reta e declinacao) e uma contagem regressiva ate o proximo perielio. Ele roda no mesmo tipo de motor que os observatorios usam, um solver de Kepler aplicado aos elementos orbitais osculadores do JPL, entao os numeros nao sao uma foto parada, eles continuam correndo.

Logo abaixo, o mapa do Sistema Solar visto de cima mostra exatamente onde Tempel-Tuttle esta agora em relacao aos planetas. Voce pode adiantar o tempo com o slider de dias, dar zoom e arrastar, comparar a distancia dele a outro corpo com um clique e apertar "Proximo evento" para saltar direto ao perielio. E a forma mais direta de entender a orbita de Tempel-Tuttle sem nenhuma formula.

Ficha do cometa

Tipo De curto periodo
Designacao 55P/Tempel-Tuttle
Periodo orbital 33.24 anos
Distancia do perielio 0.976 UA
Ultima passagem 1998-02-28
Proximo perielio 2031-05-20
Descoberto 1865 (Wilhelm Tempel)

Sobre o cometa Tempel-Tuttle

O cometa 55P/Tempel-Tuttle é um cometa de período curto com órbita de aproximadamente 33 anos, e o corpo-pai das Leônidas - a chuva de meteoros de novembro que, em anos normais, produz 10 a 15 meteoros por hora, mas que nos anos de retorno do cometa pode explodir em tempestades de 1.000 a 150.000 meteoros por hora. Descoberto de forma independente em 1865 e 1866, é um dos cometas mais estudados quanto à relação entre passagens pelo periélio e intensidade das chuvas geradas.

O próximo periélio está previsto para maio de 2031. Pesquisadores de filamentos de meteoros como Jeremie Vaubaillon, Esko Lyytinen e David Asher já publicaram previsões iniciais indicando possibilidade de tempestades Leônidas entre 2032 e 2035, dependendo de quais filamentos específicos a Terra cruzará.

Historia e descoberta

Ernst Wilhelm Leberecht Tempel (o mesmo astrônomo que descobriu o 9P/Tempel 1, alvo da missão Deep Impact) avistou o cometa em 19 de dezembro de 1865 a partir de Marselha, França. Horace Parnell Tuttle, no Observatório Naval dos EUA, redescobriu o mesmo objeto em 6 de janeiro de 1866. A ligação entre os dois avistamentos foi confirmada por Giovanni Schiaparelli - o mesmo astrônomo que mapeou os "canais" de Marte -, que naquele mesmo ano calculou a órbita das Leônidas e demonstrou que a chuva de meteoros era produzida pelos detritos do cometa recentemente descoberto.

O vínculo entre o Tempel-Tuttle e as Leônidas foi a primeira demonstração inequívoca na história da astronomia de que chuvas de meteoros são causadas por cometas - descoberta que inaugurou o campo moderno da física de meteoros como disciplina científica. Registros históricos identificados posteriormente correlacionam tempestades de Leônidas com periélios do cometa ao longo de mais de um milênio:

AnoIntensidade estimadaRegistro histórico
902 d.C.tempestade forteCrônicas árabes de Al-Tabari
931 d.C.tempestadeRegistros chineses e europeus
1001 d.C.tempestade moderadaCrônicas chinesas
1833~100.000/horaAmplamente documentado, EUA e Europa
1866~5.000/horaPrimeiro retorno após descoberta do cometa
196640.000-150.000/horaFotograficamente documentado, oeste dos EUA
1999~3.700/horaEuropa e Oriente Médio
2001~3.800/horaAmérica do Norte

Orbita e retornos

O Tempel-Tuttle orbita o Sol em aproximadamente 33 anos (período exato de 32,9 anos), com periélio a cerca de 0,98 UA (quase na distância da Terra ao Sol) e afélio a aproximadamente 19,7 UA, perto da órbita de Urano. A órbita é retrógrada, com inclinação de aproximadamente 162,5 graus em relação ao plano da eclíptica - o que significa que o cometa se move em sentido oposto ao da Terra ao cruzar o plano orbital. É essa geometria de colisão de frente que explica a enorme velocidade de entrada dos meteoros Leônidas: 71 km/s, a mais alta entre todas as grandes chuvas anuais.

O último periélio ocorreu em 28 de fevereiro de 1998. O próximo está previsto para maio de 2031. Na passagem de 1998, o cometa se aproximou a cerca de 0,36 UA da Terra e foi visível a observadores com telescópio. As Leônidas de 1999 e 2001 produziram tempestades notáveis: a de 18 de novembro de 1999 atingiu pico de aproximadamente 3.700 meteoros por hora sobre a Europa e o Oriente Médio, e a de 18 de novembro de 2001 produziu picos próximos a 3.800 meteoros por hora sobre a América do Norte. Nenhuma tempestade comparável foi registrada em 2002 ou após, pois a Terra não cruzou filamentos densos nos anos seguintes. Para o retorno de 2031, os modelos de filamentos ainda estão sendo refinados.

Nucleo, coma e cauda

O núcleo do Tempel-Tuttle é pequeno: estimado em apenas cerca de 1,8 km de diâmetro, apesar de gerar uma das chuvas de meteoros mais dramáticas do sistema solar. Essa aparente contradição explica-se pelo fato de que a chuva de meteoros é produzida por detritos acumulados ao longo de muitas órbitas passadas - não apenas pelo material expelido no retorno mais recente. O cometa não precisa ser grande ou produzir muito material em cada passagem para manter uma trilha de detritos extensa.

Em 1998, quando o cometa passou pelo periélio, foi observado com telescópios profissionais e desenvolveu uma coma de dezenas de milhares de quilômetros e uma cauda de gás e poeira. A atividade foi moderada: o cometa atingiu magnitude 8 aproximadamente, tornando-o invisível a olho nu, mas acessível para telescópios amadores de 100 mm ou mais. A composição espectroscópica é típica de cometas ricos em CO, CO2 e H2O, com detecção de CN e C2. A superfície do núcleo, como outros cometas de período curto, provavelmente possui uma crosta inativa cobrindo a maior parte, com atividade concentrada em regiões menores aquecidas pelo Sol.

Como observar

As Leônidas são ativas entre aproximadamente 6 e 30 de novembro, com pico em torno de 17 a 18 de novembro. O radiante fica próximo à estrela Zeta Leonis, na constelação do Leão. Em anos normais (distantes do periélio do cometa), as Leônidas produzem de 10 a 15 meteoros por hora - menos impressionante que as Perseidas, mas notável pela velocidade: 71 km/s, a mais alta velocidade de entrada entre as principais chuvas de meteoros. Isso produz meteoros extremamente rápidos, com raias persistentes e muitas vezes coloridas, que podem durar vários segundos.

Nos anos próximos ao periélio do cometa (especialmente 1 a 3 anos após o periélio), a Terra pode cruzar filamentos de detritos frescos que o cometa depositou em órbitas anteriores, produzindo tempestades com centenas ou milhares de meteoros por hora. A diferença entre um ano normal e um ano de tempestade é dramatica: 10 meteoros por hora versus 3.000. A previsão do cruzamento de filamentos específicos é hoje uma especialidade bem desenvolvida, com equipes publicando calendários detalhados de possíveis tempestades para cada retorno.

Para observar as Leônidas de forma otimizada: observe a olho nu em campo aberto, preferencialmente entre a 1h e as 5h da manhã (quando o radiante, em Leão, está bem elevado no céu do leste), nas noites de 17 a 19 de novembro. Câmeras em tripé com ISO alto e exposições de 20 a 30 segundos capturam rastros longos dos meteoros mais brilhantes. Para o período 2031 a 2035, fique atento às previsões de filamentos publicadas pela AMS, IMO e grupos de pesquisa europeus.

Missoes e exploracao cientifica

Nenhuma sonda espacial visitou o 55P/Tempel-Tuttle diretamente. Contudo, o cometa é cientificamente relevante por meio de duas vias indiretas: os meteoros das Leônidas estudados por radar e espectroscopia, e a modelagem de filamentos de detritos que permitiu prever as tempestades de 1999 e 2001 com semanas de antecedência.

A tempestade de 1999 foi prevista com precisão por Esko Lyytinen (Finlândia) e David Asher (Armagh Observatory, Reino Unido), que calcularam que a Terra cruzaria o filamento de detritos depositado pelo cometa em 1899. A previsão foi tão precisa que especificou o horário do pico com menos de uma hora de margem. Essa conquista marcou o início da era de previsão quantitativa de tempestades de meteoros - comparável à previsão de eclipses.

A análise espectroscópica dos meteoros Leônidas revelou composição rica em ferro, magnésio e sódio, com abundância de compostos orgânicos voláteis. A alta velocidade de entrada (71 km/s) permite estudar a ablação de fragmentos com detalhes impossíveis em chuvas mais lentas. Vários estudos publicados nos anos 2000 e 2010 usaram os Leônidas como laboratório para entender a composição química de cometas sem necessidade de missões espaciais.

Curiosidades e recordes

  • A tempestade de Leônidas de 13 de novembro de 1833 foi descrita por testemunhas como "chuva de estrelas tão densa que o céu parecia em chamas", com estimativas de 100.000 meteoros por hora. O evento motivou os primeiros estudos científicos sérios sobre meteoros nos EUA e na Europa.
  • Giovanni Schiaparelli foi o primeiro a calcular, em 1866, que tanto as Leônidas quanto as Perseidas eram produzidas por detritos de cometas - inaugurando o campo da física de meteoros como disciplina científica moderna.
  • A velocidade de entrada das Leônidas (71 km/s) é tão alta que fragmentos milimétricos produzem rastros luminosos de vários segundos de duração - os chamados "meteoros persistentes" - visíveis mesmo em áreas com alguma poluição luminosa.
  • A tempestade de novembro de 1966 produziu taxas estimadas entre 40.000 e 150.000 meteoros por hora sobre o oeste dos EUA, uma das mais intensas já documentadas fotograficamente. Observadores relataram não conseguir contar os meteoros individualmente.
  • O cometa tem um dos menores núcleos entre os cometas de período curto: apenas 1,8 km de diâmetro. Apesar disso, a trilha de detritos acumulada é enorme o suficiente para produzir as maiores tempestades de meteoros conhecidas.
  • Registros históricos árabes e chineses permitem rastrear tempestades Leônidas com correlação ao cometa por mais de 1.100 anos contínuos - um dos maiores arquivos históricos de qualquer evento astronômico recorrente.

Outros cometas

Ver o catalogo completo de cometas.

Perguntas frequentes

Onde esta o cometa Tempel-Tuttle agora?

O cometa Tempel-Tuttle esta agora a 12.56 UA do Sol e 11.93 UA da Terra (cerca de 1,785 milhoes de km), em ascensao reta 218.6 graus e declinacao -11.0 graus. Calculado ao vivo por solver de Kepler.

Qual a distancia do cometa Tempel-Tuttle a Terra?

Neste momento ele esta a 11.931 unidades astronomicas, aproximadamente 1,784.9 milhoes de quilometros.

Quando e o proximo perielio do cometa Tempel-Tuttle?

O proximo perielio (maior aproximacao do Sol) e em 2031-05-20, daqui a cerca de 1,790 dias.

Dados tecnicos (orbita e coordenadas)
Distancia heliocentrica12.55512 AU
Distancia da Terra11.93124 AU
RA (J2000)218.573°
Dec (J2000)-11.041°
Semieixo maior (a)10.3383 AU
Excentricidade (e)0.90555
Inclinacao (i)162.487°
Afelio19.700 AU

Posicao calculada em tempo real via solver de Kepler com elementos orbitais osculadores.