☄ Tempel 1 9P/Tempel 1
Em 4 de julho de 2005, uma sonda da NASA disparou um projétil de cobre de 370 kg contra o cometa Tempel 1 a mais de 37 mil km/h -- e o mundo assistiu ao vivo à primeira colisão intencional entre uma nave humana e um cometa. O que veio depois redefiniu a ciência cometária.
Como acompanhar o cometa Tempel 1 ao vivo
O painel acima recalcula a posicao de Tempel 1 a cada segundo no seu navegador: a distancia ate o Sol e ate a Terra, as coordenadas no ceu (ascensao reta e declinacao) e uma contagem regressiva ate o proximo perielio. Ele roda no mesmo tipo de motor que os observatorios usam, um solver de Kepler aplicado aos elementos orbitais osculadores do JPL, entao os numeros nao sao uma foto parada, eles continuam correndo.
Logo abaixo, o mapa do Sistema Solar visto de cima mostra exatamente onde Tempel 1 esta agora em relacao aos planetas. Voce pode adiantar o tempo com o slider de dias, dar zoom e arrastar, comparar a distancia dele a outro corpo com um clique e apertar "Proximo evento" para saltar direto ao perielio. E a forma mais direta de entender a orbita de Tempel 1 sem nenhuma formula.
Ficha do cometa
| Tipo | De curto periodo |
| Designacao | 9P/Tempel 1 |
| Periodo orbital | 5.58 anos |
| Distancia do perielio | 1.543 UA |
| Ultima passagem | 2016-08-02 |
| Proximo perielio | 2027-09-16 |
| Descoberto | 1867 (Wilhelm Tempel) |
Sobre o cometa Tempel 1
O cometa 9P/Tempel 1 é um cometa de período curto descoberto em 1867, com órbita entre Marte e Júpiter. Seria um objeto relativamente obscuro se não fosse pela missão Deep Impact da NASA, que em julho de 2005 lançou um impactador de 370 kg contra sua superfície a aproximadamente 10,2 km/s, criando uma cratera e expondo material virgem do interior do núcleo cometário pela primeira vez na história da exploração espacial.
Seis anos depois, a própria sonda que havia coletado amostras de outro cometa foi redirecionada ao Tempel 1 para fotografar a cicatriz deixada pelo impactador. As duas visitas, combinadas, produziram a maior base de dados científicos já acumulada sobre um único cometa de período curto -- e revelaram surpresas que contrariaram décadas de teoria sobre a formação do Sistema Solar.
História e descoberta
Ernst Wilhelm Leberecht Tempel, astrônomo de origem alemã radicado em Marselha (França) e depois em Milão (Itália), descobriu o cometa em 3 de abril de 1867 durante uma busca sistemática do céu com um refrator de 108 mm. Era o primeiro dos onze cometas que Tempel descobriria ao longo de sua carreira -- razão pela qual vários objetos celestes carregam seu nome. Tempel era autodidata, fabricante de litografias por profissão, sem qualquer formação acadêmica formal em astronomia.
O cometa foi perdido de vista após a passagem de 1879, em parte por perturbações gravitacionais de Júpiter que alteraram sua órbita. Relatos de redescoberta em 1967 e confirmações subsequentes permitiram vinculá-lo definitivamente ao objeto original, resultando na designação periódica 9P. Durante o século XX, o cometa era monitorado regularmente sem despertar atenção pública -- até que a NASA o escolheu como alvo de uma missão histórica.
A missão Deep Impact foi lançada em 12 de janeiro de 2005. O impactador colidiu com o núcleo em 4 de julho de 2005, às 05h52 UTC -- data escolhida deliberadamente para coincidir com o Dia da Independência dos Estados Unidos, gerando o apelido interno "4 de julho no espaço". Em fevereiro de 2011, a sonda Stardust-NExT (a mesma espaçonave que havia visitado o Wild 2) sobrevoo o cometa a 181 km de distância e fotografou a cratera.
Órbita e retornos
Tempel 1 orbita o Sol com período de aproximadamente 5,5 anos (variações causadas por perturbações de Júpiter). O periélio fica a cerca de 1,5 UA do Sol -- entre a Terra e Marte -- e o afélio alcança aproximadamente 4,7 UA, próximo à órbita de Júpiter. A inclinação orbital é de apenas 10,5 graus em relação ao plano da eclíptica, o que facilita missões com propulsão química convencional.
| Retorno | Data do periélio | Evento associado | Distância mínima da Terra |
|---|---|---|---|
| 2005 | 5 jul 2005 | Impacto Deep Impact (4 jul) | 0,894 UA |
| 2011 | 25 jan 2011 | Sobrevoo Stardust-NExT (14 fev) | 0,773 UA |
| 2016 | 2 ago 2016 | Observação terrestre | 1,53 UA |
| 2022 | 11 fev 2022 | Observação terrestre | 0,98 UA |
| 2027 | ~jul 2027 | Próximo periélio previsto | -- |
Núcleo, coma e cauda
O núcleo do Tempel 1 mede aproximadamente 7,6 por 4,9 km e tem forma irregular, semelhante a um bagel achatado. Sua albedo geométrica é de apenas 0,04 -- mais escuro que carvão -- o que é típico de núcleos cometários ricos em material carbonáceo. A superfície observada pelas sondas revelou terrenos radicalmente diferentes: platôs lisos, penhascos abruptos de até 60 m de altura, e regiões rugosas ricas em material granular fino.
A coma do Tempel 1 em condições normais é modesta, com magnitude integrada entre 9 e 11. A cauda de poeira é tênue e a cauda de íons quase indetectável em retornos típicos. O cometa emite principalmente água, CO2 e CO em ordem de abundância, com taxas de produção de água da ordem de 10 a 15 kg por segundo próximo ao periélio.
Como observar
O 9P/Tempel 1 exige telescópio: em retornos favoráveis atinge magnitude 9, o que requer abertura mínima de 150 mm sob céu escuro. Em retornos menos favoráveis pode chegar a magnitude 11 ou 12. Não é visível a olho nu em condições normais e suas caudas são pouco desenvolvidas.
Para localizá-lo, consulte efemérides atualizadas (JPL Horizons ou Heavens-Above) próximo à data do próximo periélio em 2027. O cometa move-se contra o fundo de estrelas a uma taxa visível de noite para noite quando está próximo ao periélio. A melhor janela de observação costuma ser duas a quatro semanas antes e depois da passagem mais próxima ao Sol.
Missões e observações notáveis
O Tempel 1 é um dos cometas mais visitados da história. A tabela abaixo resume os marcos das duas missões que o estudaram:
| Missão | Agência | Data do evento | Distância mínima | Principal resultado |
|---|---|---|---|---|
| Deep Impact (impactador) | NASA | 4 jul 2005 | 0 km (impacto) | Cratera expõe interior virgem; detecção de silicatos cristalizados, carbonatos, sulfetos metálicos, hidrocarbonetos aromáticos policíclicos |
| Deep Impact (flyby) | NASA | 4 jul 2005 | 500 km | Imagens do flash de impacto; espectroscopia da nuvem de ejecta; medição de composição química |
| Stardust-NExT | NASA | 14 fev 2011 | 181 km | Identificação da cratera (49 m de diâmetro); mapeamento de mudanças topográficas; fluxos de material novo |
O impacto de 2005 ejetou uma nuvem de material muito mais densa e extensa do que os modelos previam, sugerindo que o material do núcleo era extremamente poroso e fino -- comparável a talco. O Telescópio Espacial Spitzer detectou na ejecta: silicatos cristalizados, carbonatos, sulfetos metálicos, smectita (argila) e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAPs). A presença de silicatos cristalizados foi especialmente surpreendente, pois esses minerais se formam a altas temperaturas (acima de 1.000 K) -- incompatíveis com o ambiente frio do cinturão de Kuiper onde cometas se originam.
Curiosidades e recordes
- O impactador era feito principalmente de cobre, metal escolhido por ser espectroscopicamente neutro -- minimizando contaminação das assinaturas químicas do cometa nas medições pós-impacto.
- A velocidade relativa de 10,2 km/s no momento da colisão liberou energia equivalente a aproximadamente 4,7 toneladas de TNT.
- O flash inicial saturou os detectores da própria sonda mãe; a nuvem de ejecta bloqueou a visão da cratera recém-formada -- por isso foi preciso esperar seis anos pela Stardust-NExT para confirmá-la.
- A cratera identificada em 2011 tinha apenas 49 metros de diâmetro -- muito menor do que as estimativas iniciais de 100-250 m -- circundada por uma zona de ejecta brilhante de 85 a 120 m.
- A comparação entre imagens de 2005 e 2011 revelou que o terreno cometário havia mudado independentemente do impacto: novos depósitos de material, fluxos e alterações topográficas indicam que cometas são geologicamente mais ativos do que se pensava.
- Ernst Tempel descobriu mais de 20 cometas e nebulosas sem jamais ter cursado uma universidade ou recebido treinamento formal em astronomia.
- A sonda Stardust, redirecionada ao Tempel 1 após entregar amostras do Wild 2 à Terra, foi rebatizada Stardust-NExT (New Exploration of Tempel) -- um dos raros casos de reaproveitamento completo de uma espaçonave interplanetária.
Outros cometas
Perguntas frequentes
Onde esta o cometa Tempel 1 agora?
O cometa Tempel 1 esta agora a 3.68 UA do Sol e 4.65 UA da Terra (cerca de 695 milhoes de km), em ascensao reta 110.0 graus e declinacao 27.9 graus. Calculado ao vivo por solver de Kepler.
Qual a distancia do cometa Tempel 1 a Terra?
Neste momento ele esta a 4.647 unidades astronomicas, aproximadamente 695.2 milhoes de quilometros.
Quando e o proximo perielio do cometa Tempel 1?
O proximo perielio (maior aproximacao do Sol) e em 2027-09-16, daqui a cerca de 448 dias.
Dados tecnicos (orbita e coordenadas)
| Distancia heliocentrica | 3.67539 AU |
| Distancia da Terra | 4.64737 AU |
| RA (J2000) | 109.960° |
| Dec (J2000) | 27.873° |
| Semieixo maior (a) | 3.1461 AU |
| Excentricidade (e) | 0.50970 |
| Inclinacao (i) | 10.473° |
| Afelio | 4.750 AU |
Posicao calculada em tempo real via solver de Kepler com elementos orbitais osculadores.