McNaught C/2006 P1

Em janeiro de 2007, um cometa projatou sombra durante o dia em pleno verão australiano: o McNaught atingiu magnitude -5,5, superou Vênus em brilho e exibiu uma cauda de poeira de 35 graus que ainda hoje aparece em livros de astronomia.

AO VIVOMcNaughtUTC
Distancia da Terra
80,278337 UA
12.009.468.226 km
Distancia do Sol
81,153799 UA
Coordenadas (AR / Dec)
256,8887°
Dec -51,1078°
Em tempo real, atualizado a cada segundo no seu navegador · motor VSOP87 / Kepler
Onde esta McNaught no Sistema Solar--
Dias0
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Vista de cima do plano da ecliptica. Escala de distancia hibrida (linear ate 1,8 UA, logaritmica depois) para caber planetas internos e externos. Posicoes reais via VSOP87 / Kepler.

Como acompanhar o cometa McNaught ao vivo

O painel acima recalcula a posicao de McNaught a cada segundo no seu navegador: a distancia ate o Sol e ate a Terra, as coordenadas no ceu (ascensao reta e declinacao). Ele roda no mesmo tipo de motor que os observatorios usam, um solver de Kepler aplicado aos elementos orbitais osculadores do JPL, entao os numeros nao sao uma foto parada, eles continuam correndo.

Logo abaixo, o mapa do Sistema Solar visto de cima mostra exatamente onde McNaught esta agora em relacao aos planetas. Voce pode adiantar o tempo com o slider de dias, dar zoom e arrastar, comparar a distancia dele a outro corpo com um clique e apertar "Proximo evento" para saltar direto ao perielio. E a forma mais direta de entender a orbita de McNaught sem nenhuma formula.

Ficha do cometa

Tipo De longo periodo
Designacao C/2006 P1
Periodo orbital 92.600 anos
Distancia do perielio 0.171 UA
Ultima passagem 2007-01-12
Proximo perielio +92600 anos
Descoberto 2006 (Robert McNaught)

Sobre o cometa McNaught

C/2006 P1, batizado de Grande Cometa de 2007, é o cometa mais brilhante observado da Terra desde Ikeya-Seki em 1965. No pico de brilho, em 12 de janeiro de 2007, atingiu magnitude aparente de -5,5 durante o periélio a apenas 0,17 unidades astronômicas do Sol, dentro da órbita de Mercúrio. Nesse instante, o cometa era visível a olho nu em plena luz do dia para quem soubesse onde procurar no céu.

Nos dias seguintes, o cometa se deslocou rapidamente para o hemisfério sul celeste e revelou uma cauda de poeira de aparência de leque, com estrias finas chamadas de síncronas, que se estendeu por até 35 graus aparentes. Fotografada extensivamente da Austrália, África do Sul e Patagônia, essa cauda tornou C/2006 P1 um dos cometas mais documentados da era digital.

História e descoberta

Robert McNaught, astrônomo escocês-australiano que trabalhava no Observatório de Siding Spring (Austrália), detectou o cometa em 7 de agosto de 2006 por meio de imagens obtidas com o telescópio Uppsala Southern Schmidt de 0,5 m, parte do programa Catalina Sky Survey. McNaught é um dos mais prolíficos descobridores de cometas e asteroides do mundo, com mais de 80 cometas registrados com seu nome ao longo da carreira.

Quando descoberto, C/2006 P1 era apenas um ponto débil de magnitude 17, sem nada de extraordinário. A órbita calculada rapidamente, porém, revelou que o periélio seria extremamente próximo do Sol, a apenas 0,17 unidades astronômicas, e que o objeto tinha potencial de se tornar excepcionalmente brilhante. As previsões de brilho foram acompanhadas com cautela pelo meio astronômico, ainda cético depois da decepção com o cometa Kohoutek em 1973 e do relativo insucesso do Halley em 1986.

Em dezembro de 2006, quando o cometa começou a se aproximar da vizinhança solar e a aumentar rapidamente de brilho, ficou evidente que as previsões mais otimistas seriam superadas. Em 9 de janeiro de 2007, com magnitude ao redor de -1, já era visível de dia por observadores experientes.

Órbita e natureza

C/2006 P1 tem órbita parabólica (excentricidade = 1,000019), indicando que é um visitante dinamicamente novo proveniente da Nuvem de Oort que nunca havia passado pelo interior do Sistema Solar antes. O periélio ocorreu em 12 de janeiro de 2007 a 0,17 UA do Sol, bem dentro da órbita de Mercúrio.

Parâmetro orbitalValor
DesignaçãoC/2006 P1
Descoberta7 ago. 2006
Periélio12 jan. 2007
Distância ao periélio0,17 UA (25,4 milhões km)
Excentricidade~1,000019 (parabólica)
Inclinação77,8 graus
Magnitude máxima-5,5
Comprimento da cauda~74,9 milhões km (0,501 UA)

A proximidade extrema do Sol explica o brilho excepcional: a superfície do núcleo aquecida a mais de 800 graus Celsius evaporou material volátil em enorme quantidade, alimentando uma coma gigantesca e uma cauda de poeira de extensão recorde. O núcleo sobreviveu ao periélio, embora tenha perdido massa considerável. Após a passagem, o cometa se afastou rapidamente em direção ao sul, tornando-se inacessível à maior parte dos observadores do hemisfério norte.

Núcleo, coma e cauda

O núcleo de C/2006 P1 nunca foi fotografado diretamente com precisão suficiente para uma medição definitiva, pois a densa coma de gás e poeira ao redor impedia a resolução. Estimativas indiretas baseadas na taxa de produção de água e na luminosidade apontam para um núcleo de pelo menos 15 a 25 km de diâmetro, possivelmente maior, colocando-o entre os maiores cometas bem observados da era moderna.

A coma se expandiu a ponto de a pressão de radiação solar estruturar a cauda de poeira em faixas finas distintas, as síncronas. Cada síncroncrona corresponde a partículas ejetadas no mesmo instante de tempo pelo núcleo e então separadas pela pressão de radiação de acordo com o seu tamanho. A análise detalhada publicada em 2019 na revista Icarus mapeou temporalmente as síncronas de McNaught e identificou uma mudança morfológica importante em 13-14 de janeiro de 2007, atribuída às forças de Lorentz quando a cauda cruzou a heliopausa de corrente.

A cauda de íons (plasma) foi menos proeminente visualmente que a de poeira, mas igualmente rica em informação científica. Espectros tomados pelo telescópio solar THEMIS detectaram emissão de sódio neutro em abundância incomum, publicada na revista Astronomy & Astrophysics em 2008.

O espetáculo no céu

No periélio, em 12 de janeiro de 2007, o cometa estava tão próximo do Sol que era necessário bloquear o disco solar para vê-lo durante o dia. Observadores com técnica adequada relataram a cauda brancacenta contra o azul do céu diurno. O instrumento LASCO do satélite SOHO registrou o cometa atravessando o campo de visão e revelou a estrutura interna da cauda em detalhes impossíveis de obter da Terra.

Nos dias seguintes ao periélio, o cometa se deslocou rapidamente para o sul, tornando-se um objeto vespertino espetacular no hemisfério sul durante janeiro e fevereiro de 2007. A cauda de poeira em forma de leque, fotografada de forma intensiva na Austrália e na Patagônia, tinha comprimento aparente de até 35 graus no céu, equivalente a 70 diâmetros da Lua cheia colocados lado a lado.

As melhores janelas de visibilidade se concentraram entre 13 e 25 de janeiro de 2007 no céu crepuscular do hemisfério sul. Após esse período, o cometa foi se afastando e enfraquecendo, tornando-se objeto de binóculo e depois de telescópio até meados de março.

Ciência e observações

McNaught foi observado por uma vasta rede de telescópios profissionais e instrumentos espaciais. Além do SOHO-LASCO, os satélites STEREO-A e STEREO-B da NASA, lançados em 2006 para estudar o Sol em estereoscopia, registraram o cometa e forneceram ângulos inéditos da cauda. Em 2010, uma análise publicada na revista Space Science revelou que a magnetosfera do cometa era mais extensa que o Sol: estimou-se que a bainha de cauda de íons atingia 1,5 UA de comprimento, tornando C/2006 P1 o maior objeto já medido no Sistema Solar em termos de extensão de estrutura de plasma.

Estudos moleculares da coma, publicados em 2011 no Astrophysical Journal, detectaram emissão de OH, CN, C2, NH e outras espécies típicas de cometas de longo período com abundâncias de voláteis relativamente ricas em carbono. A comparação com outros cometas muito brilhantes (Hale-Bopp, NEAT) revelou que McNaught tinha composição típica de um cometa de Nuvem de Oort não contaminado pela passagem anterior pelo Sistema Solar interno, reforçando a classificação de objeto dinamicamente novo.

Curiosidades

  • A magnitude -5,5 faz de McNaught o cometa mais brilhante desde o Grande Cometa Ikeya-Seki de outubro de 1965, que atingiu magnitude estimada entre -10 e -12.
  • A cauda de poeira media aproximadamente 74,9 milhões de km de comprimento real (0,501 UA), tornando-a uma das maiores já medidas para um cometa.
  • Uma análise de 2026 usando imagens de arquivo revelou que o período de rotação do núcleo antes do periélio era de aproximadamente 18,6 horas, deduzido a partir de variações periódicas nos jatos de material ejetado.
  • O cometa tem órbita parabólica e não retornará: está deixando o Sistema Solar para sempre, a menos que alguma perturbação gravitacional mude seu curso ao longo de séculos de viagem interstelar.
  • Apesar de espetacular no hemisfério sul, o cometa foi mal visto no hemisfério norte por questões geométricas: durante o periélio estava próximo demais do horizonte ao anoitecer para a maioria dos observadores europeus e norte-americanos.
  • Robert McNaught, seu descobridor, observa cometas desde os anos 1980 no programa Catalina Sky Survey e tem mais de 80 cometas catalogados com seu nome, um recorde entre astrônomos profissionais contemporâneos.

Outros cometas

Ver o catalogo completo de cometas.

Perguntas frequentes

Onde esta o cometa McNaught agora?

O cometa McNaught esta agora a 81.15 UA do Sol e 80.28 UA da Terra (cerca de 12,009 milhoes de km), em ascensao reta 256.9 graus e declinacao -51.1 graus. Calculado ao vivo por solver de Kepler.

Qual a distancia do cometa McNaught a Terra?

Neste momento ele esta a 80.278 unidades astronomicas, aproximadamente 12,009.5 milhoes de quilometros.

Dados tecnicos (orbita e coordenadas)
Distancia heliocentrica81.15380 AU
Distancia da Terra80.27834 AU
RA (J2000)256.889°
Dec (J2000)-51.108°
Semieixo maior (a)4,100.0000 AU
Excentricidade (e)0.99997
Inclinacao (i)77.830°
Afelio8,200.000 AU

Posicao calculada em tempo real via solver de Kepler com elementos orbitais osculadores.