Kohoutek C/1973 E1

O cometa Kohoutek foi anunciado em 1973 como o "cometa do século" e decepcionou o público em brilho, mas deixou um legado científico duradouro: foi o primeiro cometa a revelar moléculas orgânicas complexas e o primeiro observado em detalhe de uma estação espacial, mudando para sempre a forma como astrônomos comunicam incerteza ao público.

AO VIVOKohoutekUTC
Distancia da Terra
121,901212 UA
18.236.161.781 km
Distancia do Sol
120,942076 UA
Coordenadas (AR / Dec)
111,8169°
Dec 13,9919°
Em tempo real, atualizado a cada segundo no seu navegador · motor VSOP87 / Kepler
Onde esta Kohoutek no Sistema Solar--
Dias0
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Vista de cima do plano da ecliptica. Escala de distancia hibrida (linear ate 1,8 UA, logaritmica depois) para caber planetas internos e externos. Posicoes reais via VSOP87 / Kepler.

Como acompanhar o cometa Kohoutek ao vivo

O painel acima recalcula a posicao de Kohoutek a cada segundo no seu navegador: a distancia ate o Sol e ate a Terra, as coordenadas no ceu (ascensao reta e declinacao). Ele roda no mesmo tipo de motor que os observatorios usam, um solver de Kepler aplicado aos elementos orbitais osculadores do JPL, entao os numeros nao sao uma foto parada, eles continuam correndo.

Logo abaixo, o mapa do Sistema Solar visto de cima mostra exatamente onde Kohoutek esta agora em relacao aos planetas. Voce pode adiantar o tempo com o slider de dias, dar zoom e arrastar, comparar a distancia dele a outro corpo com um clique e apertar "Proximo evento" para saltar direto ao perielio. E a forma mais direta de entender a orbita de Kohoutek sem nenhuma formula.

Ficha do cometa

Tipo De longo periodo
Designacao C/1973 E1
Periodo orbital 75.000 anos
Distancia do perielio 0.142 UA
Ultima passagem 1973-12-28
Proximo perielio +75000 anos
Descoberto 1973 (Lubos Kohoutek)

Sobre o cometa Kohoutek

C/1973 E1 foi descoberto por Lubos Kohoutek em março de 1973 quando ainda estava a mais de 4,7 unidades astronômicas do Sol, uma antecedência excepcional para um cometa da Nuvem de Oort. A distância de descoberta alimentou previsões otimistas de brilho; alguns cálculos iniciais sugeriam magnitude -4 a -10, visível de dia. O que chegou ao periélio em 28 de dezembro de 1973 atingiu apenas magnitude -3 brevemente ao passar pelo Sol, e ficou abaixo da visibilidade a olho nu à noite, aquém das expectativas que tinham chegado ao público geral pela televisão e jornais. A decepção foi real, mas a ciência não.

Kohoutek foi o objeto mais bem estudado de sua época: a Operação Kohoutek, coordenada pela NASA, mobilizou observatórios em todo o mundo, instrumentos em aviões de altitude e os três astronautas da missão Skylab 4, que dedicaram parte de sua permanência a bordo da estação espacial ao cometa. O resultado foi a descoberta de moléculas orgânicas em cometas pela primeira vez na história, uma conquista que moldou toda a pesquisa cometária subsequente.

História e descoberta

Lubos Kohoutek, astrônomo tcheco radicado na Alemanha que trabalhava no Observatório de Hamburgo, descobriu o cometa em 7 de março de 1973 ao revisar placas fotográficas obtidas com o telescópio do observatório. Era uma descoberta acidental durante um survey de asteroides. O cometa estava a 4,77 unidades astronômicas do Sol na época, o que o tornava um dos cometas descobertos com maior antecedência ao periélio em toda a história da astronomia até então.

Essa antecedência foi interpretada equivocadamente como garantia de brilho excepcional. O raciocínio era simples: se um cometa já era tão ativo tão longe do Sol, seria extraordinariamente brilhante perto. O que os cálculos não consideraram adequadamente é o mecanismo de cometas dinamicamente novos, em sua primeira visita ao Sistema Solar interno: eles liberam os gases mais voláteis da camada superficial do núcleo durante a aproximação distante. Quando chegam ao periélio, parte do material mais ativo já foi exaurida. Esse fenômeno, hoje bem documentado, era pouco compreendido em 1973.

A imprensa mundial veiculou manchetes entusiastas. A National Geographic publicou matéria prevendo um espetáculo celestial. O New York Times projetou um cometa mais brilhante que a Lua cheia. Quando a decepção chegou, foi igualmente amplamente noticiada, e o nome Kohoutek entrou no vocabulário informal inglês como sinônimo de fracasso ou entrega aquém do prometido.

Órbita e natureza física

C/1973 E1 tem órbita quasi-parabólica com período orbital original estimado em vários milhões de anos, configurando-o como um visitante dinamicamente novo da Nuvem de Oort. Isso significa que era provavelmente sua primeira passagem pelo Sistema Solar interno desde que o Sistema Solar se formou. O periélio ocorreu em 28 de dezembro de 1973 a 0,142 unidades astronômicas do Sol, dentro da órbita de Mercúrio.

O núcleo foi estimado em cerca de 5 a 10 km de diâmetro e sobreviveu ao periélio sem fragmentar-se, o que é notável dado o calor intenso dessa distância ao Sol. A atividade foi alta a grande distância porque a superfície do núcleo tinha abundância de monóxido de carbono (CO) e outras moléculas hiper-voláteis que sublimam a temperaturas baixas, longe do Sol. Quando o núcleo se aqueceu mais, a camada superficial desses voláteis havia sido parcialmente exaurida, reduzindo a produção de gás e a coma.

Parâmetros orbitais e físicos de C/1973 E1 (Kohoutek)
ParâmetroValorNota
DesignaçãoC/1973 E1Cometa de longo período
Periélio0,142 UA28 de dezembro de 1973, dentro de Mercúrio
Período orbitalVários milhões de anosVisitante dinamicamente novo
Diâmetro estimado do núcleo5 a 10 kmEstimativa
Brilho previstoMagnitude -4 a -10Esperado visível de dia
Brilho atingidoMagnitude -3 (brevemente)Invisível a olho nu à noite

O que o torna único

Kohoutek é único por dois motivos que sobreviveram à decepção de brilho. Primeiro, foi o primeiro cometa a ser detectado e estudado em radioastronomia de forma sistemática, revelando moléculas orgânicas complexas nunca antes encontradas num cometa. Segundo, foi o primeiro cometa estudado em detalhe por astronautas a partir de uma estação espacial, acima da atmosfera terrestre que absorve comprimentos de onda cruciais para a química.

A detecção de ácido cianídrico (HCN) foi a primeira de uma molécula pai num cometa por radioastronomia. Em seguida veio a detecção de metil cianeto (CH3CN), a primeira vez que uma molécula com mais de três átomos havia sido encontrada num cometa. Antes de Kohoutek, não se sabia se cometas continham moléculas orgânicas complexas. Depois de Kohoutek, tornou-se claro que cometas são reservatórios de química orgânica, um resultado com implicações profundas para a origem da vida na Terra.

A NASA estendeu a missão Skylab 4, originalmente planejada para 56 dias, para um recorde de 84 dias motivada em parte pela oportunidade de observar Kohoutek. Os astronautas Gerald Carr, William Pogue e Edward Gibson realizaram observações fotográficas e espectrográficas do cometa acima da atmosfera, obtendo dados que complementaram os terrestres em comprimentos de onda bloqueados pelo ozônio e pelo vapor de água.

Observações e ciência produzida

A Operação Kohoutek foi a mais abrangente campanha de observação cometária coordenada já realizada até aquele momento. Envolveu observatórios em todos os continentes, instrumentos em aviões de alta altitude (como o Observatório Aéreo Kuiper da NASA), sondas espaciais (o Pioneer 10, que não estava próximo do cometa mas contribuiu com dados) e os astronautas da Skylab 4.

Da Terra, o cometa foi marginalmente visível a olho nu no hemisfério norte em dezembro de 1973 e janeiro de 1974, mas as condições eram ruins: o periélio ocorreu no hemisfério norte durante dezembro, quando o cometa ficava próximo do Sol no céu. Após o periélio, a cauda tornou-se mais fotografável no céu matinal de janeiro de 1974. Observadores no hemisfério sul tiveram melhores condições geométricas.

Os resultados científicos foram, nos termos da época, revolucionários para a química cometária:

  • Primeira detecção de HCN (ácido cianídrico) num cometa por radioastronomia.
  • Primeira detecção de CH3CN (metil cianeto) num cometa: a primeira molécula com mais de três átomos.
  • Primeira detecção de um cometa a 18 cm de comprimento de onda (radical OH).
  • Dados sobre a distribuição espacial da coma obtidos de Skylab em comprimentos de onda ultravioleta.
  • Estudo detalhado da evolução da atividade cometária de 4,7 UA até o periélio e além.

Debates e legado

A decepção de Kohoutek gerou um debate profissional duradouro sobre a comunicação de incertezas ao público. Como os cálculos de brilho eram baseados em medidas de cometas com mais passagens anteriores pelo Sistema Solar interno, o comportamento atípico de um cometa dinamicamente novo, ativo precocemente mas "esgotado" ao chegar ao periélio, não foi previsto. A comunidade astronômica aprendeu a distinguir explicitamente entre cometas dinamicamente novos e repetidores ao fazer previsões de brilho.

Hoje, previsões de brilho de cometas incluem intervalos de incerteza grandes e alertas explícitos de que cometas são imprevistos por natureza. Frases como "possivelmente visível a olho nu" substituíram "visível de dia com certeza". Esse padrão de comunicação nasceu, em grande parte, do episódio Kohoutek.

A Operação Kohoutek foi a base para a Campanha Internacional de Halley (IHW) que estudou o cometa Halley em 1986, e para campanhas similares dedicadas a cometas subsequentes como Hyakutake (1996) e Hale-Bopp (1997). Kohoutek, apesar da decepção popular, foi o arquiteto involuntário da astronomia cometária coordenada moderna.

Curiosidades

  • A expressão "Kohoutek" tornou-se um adjetivo informal em inglês para descrever algo superestimado que decepcionou: um produto, um filme, uma promessa política. O dicionário Merriam-Webster não a registrou formalmente, mas o uso na mídia durou décadas.
  • O músico Sun Ra lançou um álbum chamado "Kohoutek" em 1974, inspirado pelo cometa. O grupo Kraftwerk fez uma composição instrumental com o mesmo nome. Todd Rundgren lançou uma música "Inta Kohoutek". O cometa teve impacto cultural desproporcionalmente maior do que seu brilho justificaria.
  • A NASA estendeu a Skylab 4 de 56 para 84 dias motivada em parte pelo cometa, tornando-a a missão Skylab mais longa. Os três astronautas da missão foram os últimos humanos a ocupar a estação: Skylab foi desativada em fevereiro de 1974 e caiu de órbita em 1979.
  • A primeira detecção de OH num cometa por radioastronomia, em 1973, usando o radiotelescópio de Nancay na França, foi motivada por Kohoutek e abriu toda a área de radioastronomia cometária.
  • Lubos Kohoutek descobriu dois outros cometas além do C/1973 E1: C/1969 O1 e C/1973 D1. O C/1973 E1 é de longe o mais famoso, pelo paradoxo de ser mais conhecido por decepcionar do que pelos resultados científicos que produziu.
  • O periélio de 0,142 UA coloca Kohoutek na categoria de "cometas sungrazer" moderados, dentro da órbita de Mercúrio, embora não tão próximo quanto os cometas da família Kreutz, que podem chegar a menos de 0,01 UA do centro do Sol.

Outros cometas

Ver o catalogo completo de cometas.

Perguntas frequentes

Onde esta o cometa Kohoutek agora?

O cometa Kohoutek esta agora a 120.94 UA do Sol e 121.90 UA da Terra (cerca de 18,236 milhoes de km), em ascensao reta 111.8 graus e declinacao 14.0 graus. Calculado ao vivo por solver de Kepler.

Qual a distancia do cometa Kohoutek a Terra?

Neste momento ele esta a 121.901 unidades astronomicas, aproximadamente 18,236.2 milhoes de quilometros.

Dados tecnicos (orbita e coordenadas)
Distancia heliocentrica120.94208 AU
Distancia da Terra121.90121 AU
RA (J2000)111.817°
Dec (J2000)13.992°
Semieixo maior (a)3,700.0000 AU
Excentricidade (e)0.99996
Inclinacao (i)14.300°
Afelio7,400.000 AU

Posicao calculada em tempo real via solver de Kepler com elementos orbitais osculadores.