☄ Borrelly 19P/Borrelly
O cometa 19P/Borrelly foi o primeiro núcleo cometário fotografado em alta resolução por uma sonda não projetada para isso: em setembro de 2001 a Deep Space 1 da NASA passou a 2.171 km de um núcleo em forma de bolo de boliche, com albedo de 3% -- mais escuro que qualquer asteroide já medido até aquele momento.
Como acompanhar o cometa Borrelly ao vivo
O painel acima recalcula a posicao de Borrelly a cada segundo no seu navegador: a distancia ate o Sol e ate a Terra, as coordenadas no ceu (ascensao reta e declinacao) e uma contagem regressiva ate o proximo perielio. Ele roda no mesmo tipo de motor que os observatorios usam, um solver de Kepler aplicado aos elementos orbitais osculadores do JPL, entao os numeros nao sao uma foto parada, eles continuam correndo.
Logo abaixo, o mapa do Sistema Solar visto de cima mostra exatamente onde Borrelly esta agora em relacao aos planetas. Voce pode adiantar o tempo com o slider de dias, dar zoom e arrastar, comparar a distancia dele a outro corpo com um clique e apertar "Proximo evento" para saltar direto ao perielio. E a forma mais direta de entender a orbita de Borrelly sem nenhuma formula.
Ficha do cometa
| Tipo | De curto periodo |
| Designacao | 19P/Borrelly |
| Periodo orbital | 6.85 anos |
| Distancia do perielio | 1.306 UA |
| Ultima passagem | 2022-02-01 |
| Proximo perielio | 2028-12-09 |
| Descoberto | 1904 (Alphonse Borrelly) |
Sobre o cometa Borrelly
O 19P/Borrelly é um cometa de período curto com núcleo alongado e irregular, medindo aproximadamente 8 km de comprimento por 4 km de largura. Seu periélio de 1,35 UA traz o cometa para dentro da órbita de Marte a cada retorno, tornando-o acessível em anos favoráveis. A visita da Deep Space 1 em setembro de 2001 forneceu as imagens de núcleo cometário com maior resolução já obtidas até aquele momento -- e revelou uma superfície com dois tipos de terreno radicalmente diferentes, com os jatos de gás e poeira emergindo do local mais liso e inesperado.
A missão foi ainda mais notável pelo contexto: a Deep Space 1 havia sido lançada como banco de testes de tecnologias avançadas, incluindo propulsão iônica e navegação autônoma. O sobrevoo ao Borrelly era um objetivo científico de oportunidade, adicionado após a missão primária concluir com sucesso -- e acabou sendo o mais lembrado capítulo da história da sonda.
História e descoberta
Alphonse Louis Nicolas Borrelly descobriu o cometa em 28 de dezembro de 1904 no Observatório de Marseille, França. Borrelly foi um dos astrônomos mais produtivos de seu tempo: entre 1874 e 1904 descobriu 19 cometas, tornando-se um dos grandes nomes da astronomia observacional francesa do século XIX. O objeto 19P foi o último cometa de sua carreira. A designação periódica 19P indica que é o décimo nono cometa periódico confirmado.
Nas décadas seguintes à descoberta, o 19P/Borrelly foi regularmente observado a cada 6,8 anos. A órbita é influenciada por Júpiter, que causou perturbações menores ao longo do século XX sem alterar fundamentalmente o periélio. Em vários retornos, o cometa atingiu magnitude entre 6 e 9, exigindo binóculo ou telescópio pequeno. O retorno de 2001 coincidiu com a janela de oportunidade da Deep Space 1, e o cometa ganhou projeção internacional que dificilmente teria atingido sozinho.
Órbita e retornos
A órbita do 19P/Borrelly tem excentricidade de 0,6241 e inclinação de 30,32 graus em relação ao plano da eclíptica -- relativamente alta para um cometa de família de Júpiter. O periélio fica a 1,354 UA do Sol, o que coloca o cometa dentro da órbita de Marte em cada passagem, e o afélio a 5,835 UA, ligeiramente além da órbita de Júpiter. O período orbital é de 6,84 anos.
| Retorno | Data do periélio | Magnitude máx. | Evento |
|---|---|---|---|
| 2001 | 14 set 2001 | 7 -- 8 | Sobrevoo Deep Space 1 (22 set 2001, 2.171 km) |
| 2008 | 28 mai 2008 | 9 -- 10 | Observação terrestre |
| 2015 | 7 mai 2015 | 8 -- 9 | Observação terrestre |
| 2022 | 1 ago 2022 | 7 -- 8 | Observação terrestre (bem posicionado) |
| 2029 | ~fev 2029 | estimado 8 -- 9 | Próximo periélio previsto |
Núcleo, coma e cauda
O núcleo do Borrelly tem forma de bolo de boliche: alongado, com dois lóbulos e uma cintura pronunciada. A imagem mais nítida, obtida pela Deep Space 1 com resolução de 45 a 58 metros por pixel, revelou um objeto de aproximadamente 8 km de comprimento por 3 a 4 km de largura nas extremidades. A albedo é de apenas 0,03 -- a menor já medida em qualquer objeto solar até aquele momento, mais escura que qualquer asteroide tipo C ou anel uraniano.
A superfície apresenta dois tipos de terreno claramente distintos: uma região central ampla e relativamente lisa (e curiosamente mais brilhante), com estruturas em forma de mesa e depressões rasas; e as extremidades rugosas, escuras, com cristas e sulcos paralelos. O surpreendente: os jatos principais de gás e poeira emergiam da região lisa, não das áreas rugosas e escuras. Essa inversão desafiou a hipótese de que regiões ativas seriam necessariamente rugosas e insoladas.
A coma do Borrelly em retornos favoráveis apresenta coloração esverdeada discreta. A cauda de poeira é moderada e a cauda de íons é mais proeminente do que em outros cometas de família de Júpiter de brilho semelhante, possivelmente relacionada à alta produção de CO.
Como observar
Em condições favoráveis o 19P/Borrelly atinge magnitude 7 a 8, acessível em binóculo de 10x50 sob céu escuro. Em retornos menos favoráveis fica entre magnitudes 9 e 12. O cometa não é adequado para observadores urbanos, mas é regularmente acompanhado por entusiastas com equipamento modesto (refrator de 80 mm ou refletor de 150 mm) em locais com céu limpo.
O retorno de 2022 foi particularmente bem posicionado para o hemisfério sul. O próximo periélio está previsto para fevereiro de 2029. Para localizar o cometa, consulte efemérides em JPL Horizons próximas ao periélio: o Borrelly move-se visivelmente contra as estrelas de fundo em poucos dias quando está próximo ao Sol.
Missões e observações notáveis
A Deep Space 1 (DS1) foi lançada em 24 de outubro de 1998 como missão de demonstração tecnológica do programa New Millennium da NASA. Seu objetivo primário era testar 12 tecnologias avançadas em ambiente espacial, incluindo propulsão iônica, navegação autônoma e sistemas de comunicação miniaturizados. Após completar a fase primária com sucesso, a sonda foi redirecionada ao cometa Borrelly como missão científica de extensão.
| Data | Evento | Resultado |
|---|---|---|
| 24 out 1998 | Lançamento da DS1 | Início da missão de teste tecnológico |
| jul 1999 | Conclusão da fase primária | Propulsão iônica validada; autonomia de navegação confirmada |
| 22 set 2001 | Sobrevoo do Borrelly a 2.171 km | 25 imagens do núcleo; 45 espectros de infravermelho próximo; albedo 0,03 |
| dez 2001 | Encerramento da missão | Combustível esgotado; sonda desligada pela NASA |
Durante o sobrevoo, o cometa causou um problema inesperado: a coma danificou temporariamente o rastreador de estrelas da sonda (o instrumento que determina a orientação no espaço). Os engenheiros na Terra precisaram reprogramar a espaçonave para usar o rastreador do motor iônico como substituto -- e mesmo assim obtiveram as melhores imagens de um cometa até aquela data, com resolução de 47 metros por pixel.
Curiosidades e recordes
- A Deep Space 1 foi originalmente uma missão de teste de 12 tecnologias avançadas, incluindo propulsão iônica e navegação autônoma. O sobrevoo ao Borrelly foi adicionado como objetivo científico secundário após o sucesso da fase primária -- e acabou sendo o resultado mais lembrado da missão.
- A propulsão iônica testada pela DS1 (motor de xenônio ionizado) fornecia apenas 90 mN de empuxo -- menos que o peso de uma folha de papel -- mas operava continuamente por meses, acumulando velocidade ao longo do tempo. Tornou-se a base das missões Dawn (Vesta e Ceres) e Hayabusa (asteroides).
- O núcleo do Borrelly tem albedo de apenas 0,03 -- reflete 3% da luz solar. É mais escuro que carvão (albedo ~0,04) e estava, à época do sobrevoo, entre os objetos mais escuros do Sistema Solar já medidos.
- Alphonse Borrelly morreu em 28 de fevereiro de 1926, a apenas dois anos do limite natural dos telescópios da época. Não viveu para saber que o cometa que leva seu nome seria visitado por uma sonda espacial.
- Durante o sobrevoo, o rastreador de estrelas da DS1 foi temporariamente cegado pela coma do cometa; a sonda operou com o rastreador do motor iônico como backup -- um plano de contingência que funcionou na prática mas nunca havia sido testado antes.
- Os jatos de gás e poeira do Borrelly emergiam da região central lisa, não das extremidades rugosas e escuras -- contrariando a intuição de que regiões mais insoladas e expostas deveriam ser as mais ativas.
- O retorno de 2022 produziu algumas das melhores imagens amadoras já obtidas do Borrelly, com telescópios de 300 mm detectando a estrutura interna da coma.
Outros cometas
Perguntas frequentes
Onde esta o cometa Borrelly agora?
O cometa Borrelly esta agora a 5.57 UA do Sol e 4.58 UA da Terra (cerca de 686 milhoes de km), em ascensao reta 256.0 graus e declinacao -27.0 graus. Calculado ao vivo por solver de Kepler.
Qual a distancia do cometa Borrelly a Terra?
Neste momento ele esta a 4.584 unidades astronomicas, aproximadamente 685.7 milhoes de quilometros.
Quando e o proximo perielio do cometa Borrelly?
O proximo perielio (maior aproximacao do Sol) e em 2028-12-09, daqui a cerca de 898 dias.
Dados tecnicos (orbita e coordenadas)
| Distancia heliocentrica | 5.56527 AU |
| Distancia da Terra | 4.58383 AU |
| RA (J2000) | 256.029° |
| Dec (J2000) | -27.020° |
| Semieixo maior (a) | 3.6070 AU |
| Excentricidade (e) | 0.63791 |
| Inclinacao (i) | 29.319° |
| Afelio | 5.908 AU |
Posicao calculada em tempo real via solver de Kepler com elementos orbitais osculadores.