Tupinambarana, a ilha de Cordovil: as origens de Parintins
Na segunda metade do século XVIII, o governo português mandou várias expedições para explorar o rio Amazonas. A ilha onde fica Parintins já tinha recebido, em 1669, a missão jesuíta de Betendorf, chamada São Miguel dos Tupinambaranas.
Na viagem de 1796, o capitão José Pedro Cordovil resolveu ficar numa das ilhas formadas pelo rio. Desembarcou com os escravizados e agregados que o acompanhavam para se dedicar à pesca do pirarucu nos lagos próximos e à agricultura, e deu ao lugar o nome de Tupinambarana.
Ali viviam os indígenas sapupés e maués, aos quais se juntaram depois outros povos, como os mundurucus. Mais para o interior habitavam os parintins, em guerra constante com os vizinhos, sobretudo os mundurucus. Poucos anos depois, Cordovil obteve uma sesmaria perto do lago Miriti, mudou-se para lá com sua gente e ofereceu Tupinambarana à rainha D. Maria I.
De Vila Nova da Rainha a Parintins
O povoado mudou de nome várias vezes até chegar ao atual. Tupinambarana virou distrito em 1803 e, no ano seguinte, passou a se chamar Missão de Vila Nova da Rainha, denominação que durou até 1833, quando voltou a ser freguesia de Tupinambarana.
- 1669Missão jesuíta de Betendorf na ilha Tupinambarana, origem do povoado.
- 1796José Pedro Cordovil reorganiza o povoado em torno da pesca do pirarucu.
- 1852Em 15 de outubro, lei da nova Província do Amazonas confirma a criação do município.
- 1880Elevação à categoria de cidade e adoção oficial do nome Parintins.
- Anos 1930Imigrantes japoneses chegam à Vila Amazônia para o cultivo da juta.
- 1965Surge o Festival Folclórico de Parintins, com os bois Garantido e Caprichoso.
- 1988Inauguração do Bumbódromo, arena em formato de cabeça de boi.
- 2018O Festival de Parintins é reconhecido como patrimônio cultural imaterial pelo Iphan.
Em 24 de outubro de 1848, uma lei provincial do Pará elevou a freguesia a vila, com o nome de Vila Bela da Imperatriz, desmembrada de Maués. Com a criação da Província do Amazonas, em 1850, o município ainda não estava instalado, e o novo governo confirmou a criação por lei de 15 de outubro de 1852, data que a cidade comemora como aniversário. A instalação veio em 14 de março de 1853.
A Lei Provincial 499, de 30 de outubro de 1880, elevou a vila a cidade com o nome de Parintins, ligado ao povo indígena da região. No ano seguinte, parte do território formou o município de Vila Nova de Barreirinha. Uma lei municipal de 1899 criou os distritos de Jamundá e Paraná do Ramos, e em 1911 o município tinha quatro distritos, com Xibuí.
O desenho mudou outras vezes no século XX. Em 1938 foi criado o distrito de Ilha das Cutias, que em 1955 se separou para formar o município de Nhamundá, e em 1982 um decreto estadual criou o distrito de Mocambo.
Juta, boi-bumbá e o Bumbódromo
No século XX, a ilha ganhou novos moradores e uma nova vocação. Nos anos 1930, imigrantes japoneses chegaram à Vila Amazônia, nos arredores da cidade, para cultivar a juta, fibra usada em sacarias, num capítulo pouco conhecido da imigração no Brasil.
A cultura do boi-bumbá projetou a cidade no país. A rivalidade entre o Garantido, vermelho, e o Caprichoso, azul, vem do início do século XX, quando os dois dividiam as ruas com outros bois, como Diamantino, Ramalhete e Mina de Ouro.
O Festival Folclórico de Parintins nasceu em 1965, criado por jovens da Juventude Alegre Católica, entre eles Raimundo Muniz, com o padre Augusto Gianola, para arrecadar recursos para a construção da Catedral de Nossa Senhora do Carmo. No primeiro ano, 22 quadrilhas se apresentaram, sem os bois, que entraram na programação em 1966.
A disputa ganhou regras aos poucos. Em 1967, o campeão passou a ser escolhido pela aclamação do público, modelo depois trocado por uma comissão de jurados. Em 1975, a Prefeitura assumiu a organização e levou a festa para o Centro Comunitário Esportivo, e o Caprichoso venceu de 1976 a 1979, tornando-se o primeiro tetracampeão.
Em 1983, o Caprichoso se recusou a competir em protesto contra o atraso no repasse de verbas públicas, e a Prefeitura chamou o boi Campineiro para manter a disputa. Com a vitória naquele ano, o Garantido somou cinco títulos seguidos, de 1980 a 1984. A partir de 1994, o teclado eletrônico entrou nos grupos musicais, primeiro no Caprichoso e, no ano seguinte, no Garantido. Até 2005, o festival ocorria sempre em 28, 29 e 30 de junho, e uma lei municipal levou a festa para o último fim de semana do mês.
As apresentações acontecem no Bumbódromo, arena inaugurada em 1988 em formato de cabeça de boi. Em 2018, o festival foi reconhecido como patrimônio cultural imaterial pelo Iphan, e as toadas levaram o nome da ilha para fora do Amazonas.
Parintins fica numa ilha do rio Amazonas, a cerca de 370 km de Manaus, sem estrada direta: chega-se de barco ou de avião. A padroeira é Nossa Senhora do Carmo, celebrada em 16 de julho.