O aniversário de Juazeiro do Norte, em 22 de julho, é feriado?
Sim, é feriado municipal em Juazeiro do Norte, conforme a Lei Municipal 335/1968.
O que abre e o que fecha
| Serviço | No feriado |
|---|---|
| Bancos | As agências fecham em feriado municipal; canais digitais e autoatendimento funcionam (Febraban). |
| Repartições municipais | Fechadas, salvo os serviços essenciais. |
| Comércio | Depende da convenção coletiva local. |
Do povoado do Padre Cícero à emancipação de Crato: a história do 22 de julho
O começo de Juazeiro do Norte é uma capela. Em 1827, o padre Pedro Ribeiro de Carvalho construiu um pequeno templo no lugar chamado Tabuleiro Grande, na estrada real que ligava Crato a Missão Velha, à margem direita do rio Batateira. A capela foi erguida em frente a um juazeiro, árvore que deu nome ao lugar.
A capela foi consagrada a Nossa Senhora das Dores, padroeira do município, a quem o padre doou as suas terras e onze escravos. O nome juazeiro vem do tupi e se refere ao fruto de espinho, por causa dos espinhos que protegem os ramos da árvore. Por décadas, o povoado pouco cresceu.
A mudança veio em 11 de abril de 1872, quando chegou ao arraial o padre Cícero Romão Batista, nascido no Crato em 24 de março de 1844, como sucessor do padre Pedro Ferreira de Melo. O sacerdote chegou montado num jumento e encontrou poucas casas de tijolo e uma capela rústica, e foi em Juazeiro que viveu, liderou a comunidade e morreu.
O milagre da hóstia e as romarias
Um episódio de 1889 mudou a escala do povoado. Durante uma missa em 1º de março daquele ano, a hóstia dada pelo Padre Cícero à beata Maria de Araújo teria se transformado em sangue. O fato se repetiu por cerca de dois anos e foi atribuído pelos fiéis a um milagre.
Levas de católicos passaram a visitar o lugar em busca dos conselhos e da bênção do Padim Ciço. O vilarejo cresceu com novas ruas, casas e pequenos negócios, e o padre aconselhava os moradores a ter, em cada casa, um santuário e, em cada quintal, uma oficina. Fé e trabalho passaram a caminhar juntos na formação da cidade.
- 1827O padre Pedro Ribeiro de Carvalho ergue a capela de Nossa Senhora das Dores no Tabuleiro Grande.
- 1872O Padre Cícero Romão Batista chega ao povoado, em 11 de abril.
- 1889O episódio conhecido como Milagre da Hóstia atrai romeiros de todo o sertão.
- 1911A Lei Estadual 1.028, de 22 de julho, emancipa Juazeiro de Crato. Padre Cícero é o primeiro prefeito.
- 1914A Lei Estadual 1.178 eleva Juazeiro a cidade.
- 1934Morte do Padre Cícero, sepultado na Capela do Socorro.
- 1943O Decreto Estadual 1.114 adota o nome Juazeiro do Norte.
- 1969Inauguração da estátua do Padre Cícero na Colina do Horto, em 1º de novembro.
As romarias seguem um calendário próprio, com ciclos em fevereiro, na festa de Nossa Senhora das Candeias, em setembro, na festa da padroeira, e em novembro, no período de Finados. O túmulo do Padre Cícero, morto em 1934, fica na Capela do Socorro e é ponto central das visitas. Em 1º de novembro de 1969 foi inaugurada a estátua do padre no alto da Colina do Horto, com 27 metros de altura total, ponto de chegada da subida tradicional dos romeiros. Desde março de 2022, um teleférico leva os visitantes até a colina. A romaria de Finados, a principal do calendário, vai de 29 de outubro a 2 de novembro.
A emancipação de 1911 e a sedição
O crescimento levou à separação de Crato. Até então, Juazeiro era um povoado subordinado ao município vizinho, e a força religiosa do lugar contrastava com a sua condição administrativa, sem câmara nem prefeito próprios. A Lei Estadual 1.028, de 22 de julho de 1911, criou a vila de Juazeiro e a emancipou, e o Padre Cícero foi o primeiro prefeito do novo município, cargo que somou à liderança religiosa. É essa data que a cidade celebra como aniversário. Em 1968, a Lei Municipal 335 fixou o 22 de julho no calendário de feriados do município.
No mesmo ano da emancipação, em 4 de outubro de 1911, o Padre Cícero e líderes políticos da região firmaram o chamado pacto dos coronéis, de apoio ao governador Antônio Pinto Nogueira Accioli. A deposição de Accioli, em 1912, levou ao conflito armado conhecido como Sedição de Juazeiro, em que romeiros cercaram o povoado com uma vala de defesa de cerca de 9 quilômetros, chamada Círculo da Mãe de Deus. O médico Floro Bartolomeu, aliado e braço direito do padre, reuniu romeiros e jagunços na defesa e, anos depois, em 1925, organizou o Batalhão Patriótico.
A educação também deixou marca na cidade. Em 13 de junho de 1934 foi inaugurada em Juazeiro a primeira escola normal rural do Brasil, voltada à formação de professoras para o ensino no campo, no mesmo ano da morte do Padre Cícero.
A elevação a cidade veio pela Lei Estadual 1.178, de 23 de julho de 1914, e o nome Juazeiro do Norte foi adotado pelo Decreto Estadual 1.114, de 30 de dezembro de 1943, para distinguir a cidade de Juazeiro, na Bahia, às margens do rio São Francisco. Em 2009, Juazeiro do Norte passou a ser o polo da Região Metropolitana do Cariri, e em 2013 foi instalada a Universidade Federal do Cariri.