O aniversário de Itabaiana, em 28 de agosto, é feriado?

Sim, é feriado municipal em Itabaiana, conforme a Lei Municipal 119/1954.

O que abre e o que fecha

ServiçoNo feriado
BancosAs agências fecham em feriado municipal; canais digitais e autoatendimento funcionam (Febraban).
Repartições municipaisFechadas, salvo os serviços essenciais.
ComércioDepende da convenção coletiva local.

Das sesmarias do Jacarecica à Capital Nacional do Caminhão: a história de Itabaiana

A ocupação de Itabaiana começa com a colonização de Sergipe. Depois que a expedição de Cristóvão de Barros, em 1590, derrotou os indígenas da região, a Coroa passou a repartir as terras em sesmarias entre colonos vindos de Portugal e da Bahia. No agreste, muitas dessas doações ficavam às margens do rio Jacarecica. O território sergipano tinha sido doado em 1534 a Francisco Pereira Coutinho, e o filho dele, sem conseguir explorá-lo, vendeu a capitania à Coroa em 1549.

Espalhados em sítios pela beira do rio, os sesmeiros fundaram o Arraial de Santo Antônio, primeira povoação de Itabaiana, no lugar chamado Igreja Velha, a uma légua do centro da cidade. Ali ergueram uma capela e fundaram a Irmandade das Santas Almas. A capela aparece no mapa de Caspar Barlaeus, feito durante a ocupação holandesa, provavelmente em 1641, quando os holandeses procuravam ouro na Serra de Itabaiana.

Museu Histórico e Artístico Antônio Nogueira, no centro de Itabaiana. Foto: Ridiculopathy, CC0 1.0

A sede mudou de lugar no fim do século XVII. Em 9 de julho de 1675, o pároco de São Cristóvão, padre Sebastião Pedroso de Góes, vendeu à Irmandade das Almas um sítio conhecido como Caatinga de Ayres da Rocha, com a condição de ali se erguer um templo a Santo Antônio e Almas de Itabaiana. A igreja foi construída, e a povoação passou para o novo terreno.

A mudança tinha uma razão prática. Segundo o historiador Sebrão Sobrinho, o padre queria ver criada a freguesia de Santo Antônio e Almas de Itabaiana, e para isso a igreja precisava estar em terreno próprio. Como a capela antiga ficava numa fazenda particular, a freguesia nunca poderia nascer ali. A paróquia veio em outubro de 1675, criada pelos governadores do arcebispado na ausência do arcebispo Dom Gaspar Barata de Mendonça.

O IBGE registra a criação do distrito em 1675, ano da paróquia. Em 1698, o ouvidor Diogo Pacheco de Carvalho levantou a vila de Santo Antônio e Almas de Itabaiana, nome que guarda a devoção ao padroeiro. Em 1727, a vila já tinha Câmara própria.

Linha do tempo de ItabaianaOito marcos, de 1590 a 2014, na história de Itabaiana.
  • 1590A expedição de Cristóvão de Barros abre caminho para as sesmarias do agreste sergipano.
  • 1641A capela do Arraial de Santo Antônio aparece no mapa de Caspar Barlaeus.
  • 1675Venda da Caatinga de Ayres da Rocha à Irmandade das Almas; criação do distrito e da paróquia.
  • 1698Elevação à vila de Santo Antônio e Almas de Itabaiana.
  • 1888Em 28 de agosto, a Lei Provincial nº 1.331 eleva Itabaiana à categoria de cidade.
  • 1954A Lei Municipal 119 fixa 28 de agosto e 13 de junho como feriados municipais.
  • 2005Criação do Parque Nacional Serra de Itabaiana.
  • 2014A Lei Federal 13.044 oficializa o título de Capital Nacional do Caminhão.

A cidade de 1888 e os feriados de 1954

A condição de cidade veio no fim do Império. A Lei Provincial nº 1.331, de 28 de agosto de 1888, elevou Itabaiana à categoria de cidade, e é essa data que o município celebra como aniversário. Pela contagem oficial, a cidade é quase dois séculos mais nova do que a vila.

Em 1954, a Lei Municipal 119 fixou como feriados municipais o 28 de agosto e o 13 de junho, dia de Santo Antônio. A data da emancipação e a do padroeiro passaram a dividir o mesmo calendário de folgas da cidade.

O território também mudou no século XX. A Lei Estadual nº 823, de 24 de julho de 1957, criou o distrito de Moita Bonita, anexado a Itabaiana. Em 12 de março de 1963, a Lei Estadual nº 1.165 desmembrou esse distrito, elevado a município, e Itabaiana voltou a ser formada só pelo distrito sede.

A serra que dá nome à cidade alimentou lendas desde cedo. Os relatos sobre as incursões de Belchior Dias Moreia falavam de prata, salitre e ouro na Serra de Itabaiana, e a busca dos holandeses por metais, no século XVII, ajudou a espalhar essa fama.

Entrada do Parque dos Falcões, na Serra Comprida, em Itabaiana. Foto: Túllio F, CC BY-SA 4.0

Feira, caminhões e o parque nacional da serra

A vocação comercial nasceu com a feira. A povoação cresceu como ponto de troca no caminho entre o litoral de Sergipe e o sertão, e no século XIX a feira firmou a vila como mercado do agreste sergipano, função que moldou um povo voltado à compra, à venda e ao transporte de mercadorias.

No século XX, essa tradição se ligou ao comércio atacadista e à frota de caminhões que leva o nome de Itabaiana pelas estradas do país. Desse vínculo nasceu a alcunha de Capital Nacional do Caminhão, oficializada pela Lei Federal 13.044, de 2014. Na agricultura, a cidade é referência regional em raízes como aipim e inhame, vendidos na feira.

A serra ganhou proteção em 2005, com a criação do Parque Nacional Serra de Itabaiana, gerido pelo ICMBio e aberto ao ecoturismo, com trilhas, cachoeiras e nascentes. Na Serra Comprida, o Parque dos Falcões funciona como centro de conservação de aves de rapina. Em 2006, a Universidade Federal de Sergipe instalou campus na cidade.