O aniversário de Colatina, em 22 de agosto, é feriado?

Sim, é feriado municipal em Colatina.

O que abre e o que fecha

ServiçoNo feriado
BancosAs agências fecham em feriado municipal; canais digitais e autoatendimento funcionam (Febraban).
Repartições municipaisFechadas, salvo os serviços essenciais.
ComércioDepende da convenção coletiva local.

Das colônias do rio Doce ao arraial da Barra de Santa Maria

Durante muito tempo, o rio Doce marcou o limite entre a parte povoada do Espírito Santo e as terras desconhecidas do norte, e foi o único caminho até a área que formaria Colatina. As primeiras tentativas fracassaram: em 1857, Nicolau Rodrigues dos Santos França Leite iniciou com 48 colonos a colônia de Fransilvânia, entre os rios Pancas e São João, arruinada depois de ataques dos botocudos.

A colônia do Limão só recebeu os primeiros imigrantes italianos em 1888, e a malária afastou os poucos sobreviventes. O povoamento se firmou na última década do século XIX, quando o núcleo Antônio Prado, formado sobretudo por italianos dedicados ao café, avançou da região serrana pelo vale de Santa Maria do Rio Doce, em lotes de 30 hectares.

Antes dos italianos, a ocupação ao sul do rio tinha começado na década de 1860, com migrantes de Minas Gerais e do Rio de Janeiro interessados no café. A demarcação dos lotes ficava a cargo da Inspetoria Especial de Terras e Colonização, dirigida pelo engenheiro Joaquim Adolfo Pinto Pacca, e a barra do Santa Maria era o ponto final da zona pioneira, porque a floresta da margem esquerda e a resistência indígena barravam o avanço para o norte.

Rio Doce ao passar por Colatina. Foto: ArionStar, CC0

A primeira povoação dentro dos limites do município foi Mutum, a futura Boapaba, seguida pelo Barracão de Baunilha. Na barra do rio Santa Maria com o Doce surgiu o Arraial da Barra de Santa Maria, origem do bairro Colatina Velha. Em 1899 o lugar virou sede de distrito, e o engenheiro Gabriel Emílio da Costa deu a ele o nome de Colatina, em homenagem a Colatina Soares de Azevedo, esposa do presidente do estado Muniz Freire.

A ferrovia, a Revolta do Xandoca e a emancipação de 1921

Os trilhos aceleraram o crescimento. Em 1906 foram inauguradas as estações de Baunilha e Colatina, da Estrada de Ferro Vitória a Minas, que ligaram o povoado a Vitória e abriram caminho para o café. Em 22 de novembro de 1907, a Lei Estadual 488 transferiu para Colatina a sede do município de Linhares, com a Câmara e a comarca.

Em 1916, a disputa pelo resultado da eleição estadual levou a oposição a declarar Colatina capital do Espírito Santo por 33 dias, no episódio conhecido como Revolta do Xandoca, apelido do coronel Alexandre Calmon. A oposição, com base em Colatina e apoio do presidente Venceslau Brás, tentava derrubar a oligarquia da família Souza Monteiro. O movimento não derrubou o governo, e os conflitos fizeram moradores fugirem para Minas Gerais.

Linha do tempo de ColatinaSeis marcos, de 1890 a 1990, na história de Colatina.
  • Anos 1890Colonização italiana avança pelo vale do rio Doce.
  • 1906Chegada da Estrada de Ferro Vitória a Minas.
  • 1916Na Revolta do Xandoca, rebeldes proclamam Colatina capital do Espírito Santo por cerca de um mês.
  • 1921Em 30 de dezembro, a Lei Estadual 1.307 cria o município com o nome de Colatina.
  • 1928Inauguração da Ponte Florentino Avidos sobre o rio Doce.
  • 1990Criação da Diocese; a Matriz do Sagrado Coração de Jesus vira catedral.

A Lei Estadual 1.307, de 30 de dezembro de 1921, deu ao município o nome de Colatina, e Linhares passou a ser um de seus distritos. É desse ano que a cidade conta a idade, e foi assim que celebrou o centenário em 2021. A festa, porém, ficou em 22 de agosto, data herdada da instalação da Câmara de Linhares em 1833, e as duas cidades fazem aniversário no mesmo dia. O primeiro prefeito foi Virgínio Calmon Ferreira Fernandes.

A ponte sobre o rio Doce e o polo de confecções

Depois da emancipação, a cidade cresceu seguindo o eixo da ferrovia e do rio. Em 1928 foi inaugurada a Ponte Florentino Avidos, que facilitou a ocupação da margem norte, abriu acesso ao norte capixaba e favoreceu a extração de madeira. A ponte virou símbolo da cidade, conhecida no tempo do café como a "Princesa do Norte".

O município cedeu território a vários vizinhos: Baixo Guandu se separou em 1935, Linhares em 1943, Pancas e São Gabriel da Palha em 1963, Marilândia em 1980, São Domingos do Norte em 1990 e Governador Lindenberg em 1998. Em 1943, a mesma lei que recriou Linhares rebatizou os distritos de Lage, Santa Luzia e Mutum como Itapina, Pancas e Boapaba.

Uma dessas separações foi desfeita na Justiça. Em 1955, o Supremo Tribunal Federal anulou a criação dos municípios de Pancas e São Domingos, aprovada dois anos antes, e os dois voltaram a ser distritos de Colatina até as novas leis de emancipação.

Ponte Florentino Avidos sobre o rio Doce. Foto: HVL, CC BY 4.0

Com o declínio do café, Colatina mudou de eixo econômico e passou a ser chamada de capital capixaba da moda, com um polo de confecções de jeans e vestuário. Em 1990, com a criação da Diocese de Colatina, a Matriz do Sagrado Coração de Jesus, padroeiro do município, foi elevada a catedral.