O aniversário de Vitória da Conquista, em 9 de novembro, é feriado?
Sim, é feriado municipal em Vitória da Conquista.
O que abre e o que fecha
| Serviço | No feriado |
|---|---|
| Bancos | As agências fecham em feriado municipal; canais digitais e autoatendimento funcionam (Febraban). |
| Repartições municipais | Fechadas, salvo os serviços essenciais. |
| Comércio | Depende da convenção coletiva local. |
Do Arraial da Conquista à Imperial Vila da Vitória: a história do 9 de novembro
O planalto de Vitória da Conquista era território dos povos Mongoyó, Ymboré e Pataxó. Os aldeamentos se espalhavam pelo chamado Sertão da Ressaca, faixa que vai das margens do rio Pardo até o rio das Contas, coberta na época por matas densas.
A chegada de colonizadores portugueses e mestiços se ligou à busca de ouro e à política de ocupação do território. Um dos nomes centrais foi o bandeirante João Gonçalves da Costa, português nascido em Chaves, provavelmente em 1720. Ele chegou à região depois do esgotamento das minas de Rio de Contas e das Gerais, em busca de novos pontos de exploração.
Não achou ouro, mas ocupou a terra e fundou o Arraial da Conquista. Os registros o descrevem como preto forro, ex-escravizado liberto, cuja ascensão passou pela fidelidade à Coroa e pela filiação ao terço Henrique Dias. Também ficou conhecido como conquistador violento, responsável pela destruição de aldeias indígenas.
A promessa a Nossa Senhora das Vitórias e a guerra no Sertão da Ressaca
O nome da cidade carrega a memória de uma batalha. Em 1752, segundo a tradição local, os soldados de João Gonçalves enfrentavam os indígenas num combate que se arrastava, e o comandante teria prometido a Nossa Senhora das Vitórias erguer uma igreja no local se saíssem vencedores. Não há certeza de que a promessa foi feita, mas a história passou de geração em geração.
A igreja foi construída no alto da colina e demolida em 1932. A santa da promessa ficou como padroeira, celebrada em 15 de agosto, data diferente do aniversário.
A ocupação foi feita à custa dos povos indígenas, e o conflito durou até o século XIX. Além dos combates, os colonizadores entregaram roupas contaminadas com varíola. Entre 1803 e 1806, no episódio conhecido como Banquete da Morte, os Mongoyó foram chamados para festejar uma suposta trégua e, depois de beber, foram cercados e mortos por soldados, inclusive mulheres e crianças.
No fim do século XVIII, o arraial se resumia a uma igreja e algumas dezenas de casas, cerca de 60 em 1780, com as primeiras ruas perto do rio Verruga. A chegada do gado mudou a paisagem: as matas deram lugar a pastos, e o arraial virou passagem de tropeiros que levavam boiadas de Minas Gerais ao litoral. Ao longo do século XIX, a economia se apoiou na pecuária, no algodão e na extração de óleo de copaíba.
- 1752Batalha que a tradição liga à promessa de João Gonçalves da Costa a Nossa Senhora das Vitórias.
- 1780O Arraial da Conquista tem cerca de 60 casas, perto do rio Verruga.
- 1803 a 1806Episódio do Banquete da Morte, contra o povo Mongoyó.
- 1840Lei Provincial 124 cria a vila; em 9 de novembro, instalação da Imperial Vila da Vitória, separada de Caetité.
- 1891A vila é elevada à categoria de cidade, com o nome de Conquista.
- 1939Nasce na cidade o cineasta Glauber Rocha.
- 1943É fixado o nome atual, Vitória da Conquista.
- 2006A UFBA inicia atividades na cidade, com o Instituto Multidisciplinar em Saúde.
- 2019Inauguração do Aeroporto Glauber Rocha.
Da vila imperial ao planalto do café e de Glauber
A autonomia veio em 1840. A Lei Provincial 124, de 19 de maio, criou a vila, desmembrada de Caetité, e a instalação da Imperial Vila da Vitória aconteceu em 9 de novembro de 1840. É a data da instalação que a cidade comemora como aniversário, e dela se conta a idade. Além dos colonizadores e dos negros, a vila recebeu sertanejos e gente do litoral.
Por ato de 1º de julho de 1891, a vila foi elevada a cidade com o nome de Conquista. A vila já era sede de comarca desde 1882. O nome atual, Vitória da Conquista, só foi fixado pelo Decreto-Lei Estadual 141, de 31 de dezembro de 1943. Entre 1961 e 1962, cinco distritos se separaram e viraram municípios: Caatiba, Belo Campo, Anagé, Barra do Choça e Quaraçu, que tomou o nome de Cândido Sales. Ao longo do século XX, a cidade cresceu como entroncamento rodoviário, no cruzamento da BR-116, a Rio-Bahia, com a BR-415. A abertura da Rio-Bahia, em 1963, trouxe migrantes e acelerou o comércio, e a partir de 1975 o café se expandiu com financiamento bancário.
A altitude, em torno de 923 metros, explica boa parte da vida local. Ela ameniza o calor do sertão em volta e sustenta o café arábica de altitude, cultivado nas lavouras do planalto. Na cidade, o ensino superior ganhou peso com a criação da UESB, e se ampliou com a chegada da UFBA, em 2006, e do IFBA.
Vitória da Conquista é a cidade natal de Glauber Rocha, nascido em 1939, principal nome do Cinema Novo. Filmes como Deus e o Diabo na Terra do Sol e Terra em Transe levaram o sertão e a política brasileira a festivais como o de Cannes. A cidade homenageia o cineasta no nome do aeroporto, o Aeroporto Glauber Rocha, inaugurado em 2019.