Todos os feriados da capital no ano, com o calendário e os feriados prolongados, estão em Feriados de Vitória.

O aniversário de Vitória, em 8 de setembro, é feriado?

Sim, é feriado municipal em Vitória, conforme a Lei 1.732/1967.

O que abre e o que fecha

ServiçoNo feriado
BancosAs agências fecham em feriado municipal; canais digitais e autoatendimento funcionam (Febraban).
Repartições municipaisFechadas, salvo os serviços essenciais.
ComércioDepende da convenção coletiva local.

Da Vila Nova do Espírito Santo à cidade-ilha: a história do 8 de setembro

A história de Vitória começa fora da ilha. Em 23 de maio de 1535, o donatário Vasco Fernandes Coutinho tomou posse da capitania do Espírito Santo, recebida do rei dom João III no sistema de capitanias hereditárias, e instalou a primeira sede aos pés do morro da Penha, na Vila do Espírito Santo, que mais tarde passou a ser chamada de Vila Velha.

A vila do continente vivia sob ameaça. Corsários franceses rondavam a costa, e os povos goitacás e aimorés resistiam à ocupação portuguesa. A saída foi levar a sede para a ilha de Santo Antônio, na baía, onde o terreno cercado por água facilitava a defesa e oferecia abrigo natural às embarcações. O novo núcleo recebeu o nome de Vila Nova, em contraste com a Vila Velha.

Em 8 de setembro de 1551, segundo a Prefeitura, os portugueses venceram os indígenas que atacaram o povoado, e a vila passou a ser chamada de Vitória em memória do triunfo. A data coincide com o dia de Nossa Senhora da Vitória, padroeira da cidade, e por isso o 8 de setembro reúne a comemoração cívica e a religiosa. Pela data de fundação, Vitória figura entre as três capitais estaduais mais antigas, depois de Recife e Salvador.

A ocupação da ilha, porém, é anterior à data oficial. Duarte de Lemos, que recebeu a ilha de Santo Antônio como recompensa, ergueu ali a Capela de Santa Luzia, de 1537, apontada pela Prefeitura como a construção mais antiga da cidade.

Linha do tempo de VitóriaOito marcos, de 1535 a 1989, na história de Vitória.
  • 1535Vasco Fernandes Coutinho toma posse da capitania do Espírito Santo e funda a primeira sede no continente, em Vila Velha.
  • 1537Duarte de Lemos ergue a Capela de Santa Luzia na ilha de Santo Antônio.
  • 1551Em 8 de setembro, depois da vitória sobre os indígenas que atacaram o povoado da ilha, a vila passa a se chamar Vitória.
  • 1592O corsário inglês Thomas Cavendish ataca a vila, defendida com fortes improvisados de madeira e pedra.
  • 1625Esquadra holandesa do almirante Piet Heyn ataca Vitória; Maria Ortiz enfrenta os invasores.
  • 1823Decreto de 24 de fevereiro eleva a vila à categoria de cidade.
  • 1894Inauguração do Porto de Vitória e início dos aterros financiados pelo café.
  • 1989Inauguração da Terceira Ponte, que liga Vitória a Vila Velha.

Corsários, holandeses e Maria Ortiz: a vila que precisou se defender

A mudança para a ilha não pôs fim aos ataques, e a defesa marcou os primeiros séculos da vila. Em 1592, o corsário inglês Thomas Cavendish atacou Vitória, e os moradores improvisaram fortes de madeira e pedra para resistir. Em 1625, foi a vez de uma esquadra holandesa comandada pelo almirante Piet Heyn.

Na invasão holandesa ganhou fama Maria Ortiz, moradora que, segundo a tradição preservada pela Prefeitura, enfrentou os invasores da janela de casa. O episódio entrou para a memória da cidade como símbolo da resistência dos moradores contra a esquadra.

Os religiosos também deixaram marca no traçado. Os franciscanos ergueram o Convento de São Francisco no fim do século XVI, reformado em 1744 e em 1784, e no início do século XVIII o Forte São João reforçou a defesa. Até o século XIX, o núcleo urbano ia do Forte São João ao morro da Santa Casa de Misericórdia, com ruas estreitas nas partes altas e a orla exposta.

Palácio Anchieta, sede do governo do Espírito Santo. Foto: jsilvares, CC BY 3.0

Na chamada Cidade Alta ficaram o Palácio Anchieta, sede do governo estadual e ligado à memória do padre José de Anchieta, e a igreja matriz. Esse conjunto de ladeiras, igrejas e casario forma o Centro Histórico, que reúne construções dos séculos XVI ao XX.

Da vila colonial à cidade dos aterros e do porto

O século XIX trouxe o título de cidade e as primeiras obras que mudaram a cara do Centro. Um decreto de 24 de fevereiro de 1823, confirmado por carta de lei em março do mesmo ano, elevou a vila à categoria de cidade, mas o isolamento da ilha segurou o crescimento por décadas. Em 1860, a visita de dom Pedro II rebatizou uma ladeira do Centro em homenagem ao imperador, e em 1883 ela virou escadaria de seis patamares iluminada por lampiões a gás.

Em 1895, a criação da diocese elevou a matriz a catedral. A Catedral Metropolitana, em estilo neogótico, foi construída entre 1920 e 1970. Em 1943, a Capela de Santa Luzia passou por restauro e virou galeria de arte e museu de arte sacra.

O café redesenhou a ilha. A partir de 1894, ano da inauguração do Porto de Vitória, a riqueza do ciclo cafeeiro financiou aterros nas partes baixas, que alteraram o contorno original, derrubaram construções antigas e melhoraram o saneamento. Em 1927, uma ponte passou a ligar a ilha ao continente, e em 1949 novos aterros abriram avenidas largas.

No século XX, o Complexo de Tubarão, da Vale, ligou a baía à exportação de minério de ferro e pelotas, e mais tarde o petróleo e o pré-sal capixaba reforçaram a economia do mar. A cidade avançou para a parte continental, em bairros como Jardim da Penha, Jardim Camburi e Goiabeiras, onde fica o campus da UFES. Em 1989, a Terceira Ponte passou a ligar a ilha a Vila Velha sobre a baía.

Terceira Ponte ligando Vitória a Vila Velha. Foto: Webysther Nunes, CC BY-SA 4.0

Quem nasce em Vitória é vitoriense. O termo capixaba também é usado, embora, a rigor, designe quem nasce em qualquer município do Espírito Santo. A palavra vem do tupi e, na origem, nomeava a roça de milho dos indígenas da região. A cidade ganhou ainda o apelido de Ilha do Mel.

Como Vitória comemora

A Prefeitura costuma espalhar a Festa da Cidade por vários dias de setembro, com shows, atividades esportivas na orla de Camburi e programação cultural no Centro Histórico e na Praça do Papa. No dia 8, há missa em honra a Nossa Senhora da Vitória na Catedral Metropolitana, e bandas de congo costumam se apresentar nas comemorações.

A programação costuma ser divulgada pela Prefeitura de Vitória nas semanas anteriores ao aniversário.