O aniversário de Várzea Paulista, em 21 de março, é feriado?

Sim, é feriado municipal em Várzea Paulista.

O que abre e o que fecha

ServiçoNo feriado
BancosAs agências fecham em feriado municipal; canais digitais e autoatendimento funcionam (Febraban).
Repartições municipaisFechadas, salvo os serviços essenciais.
ComércioDepende da convenção coletiva local.

Dos trilhos ingleses às olarias: a história por trás do 21 de março

O 21 de março lembra a instalação do município de Várzea Paulista, em 1965, quando o antigo distrito deixou de responder a Jundiaí. A história do lugar, porém, começa quase um século antes, com a chegada dos trilhos.

Em 1867, os ingleses da São Paulo Railway abriram a estrada de ferro que liga Santos a Jundiaí. O traçado cortava uma várzea campestre, com um acidente geográfico saliente e as águas do rio Jundiaí correndo ao lado da linha. Durante quase duas décadas, o trem apenas passou por ali.

O povoamento só começou em 1886, dezenove anos depois da inauguração do trecho. O primeiro morador foi Isaac de Souza Galvão, que montou a primeira olaria do local e deu início a uma atividade que marcaria a economia da várzea por gerações.

Estação ferroviária de Várzea Paulista, núcleo histórico do povoado que cresceu em torno do trem. Foto: joao batista Shimoto, CC BY-SA 3.0

O barro das margens do rio virava tijolo e telha para a construção civil da capital paulista, e o trem levava a produção até São Paulo. O lugar também participou do ciclo do café, que entrou em declínio na região depois da forte geada de 1878.

Em 1891 foi inaugurada a estação ferroviária, com arquitetura e materiais ingleses. Ela virou o núcleo em torno do qual o povoado cresceu.

De Secundino Veiga a Várzea Paulista: o caminho até a emancipação

Antes de ter o nome atual, o povoado ganhou registro civil e um nome de homenagem. Em agosto de 1956, o Cartório Civil teve seus livros liberados para assentamentos, e o distrito se chamava Secundino Veiga, em lembrança a um jornalista que havia morrido naquele período. O primeiro registro de nascimento foi feito em 14 de agosto de 1956, e o primeiro casamento, em 5 de setembro do mesmo ano.

O próprio cartório depois trocou a denominação para Distrito de Várzea, em alusão ao terreno ribeirinho, baixo e plano, às margens do rio. O nome descrevia a geografia que os trilhos tinham atravessado no século anterior e que as olarias tinham explorado por décadas.

Linha do tempo de Várzea PaulistaSete marcos, de 1867 a 2005, na história de Várzea Paulista.
  • 1867A Estrada de Ferro Santos-Jundiaí chega à região e abre caminho para o povoamento das várzeas do rio Jundiaí.
  • 1886Isaac de Souza Galvão, apontado como primeiro morador, instala-se e abre uma das primeiras olarias.
  • 1891Inauguração da estação ferroviária, núcleo do povoado, então distrito de Jundiaí.
  • 1959O Decreto-lei Estadual 5.285 cria o distrito de Secundino, subordinado a Jundiaí.
  • 1964A Lei Estadual 8.092, de 28 de fevereiro, eleva o distrito a município de Várzea Paulista.
  • 1965Em 21 de março, instalação do município, desmembrado de Jundiaí.
  • 2005Primeira Orquivárzea, a Festa das Orquídeas.

Ainda distrito, Várzea ganhou voz na política do vizinho: Antenor Fonseca foi eleito vereador e a representou na Câmara de Jundiaí de 1960 a 1963. Em 1964, um grupo de varzinos, entre eles Francisco de Assis Andrade, João Aprillanti e Armando Pastre, reuniu-se para pedir a emancipação.

No papel, a organização administrativa seguiu outro ritmo. O Decreto-lei Estadual 5.285, de 18 de fevereiro de 1959, criou o distrito com o nome de Secundino, subordinado a Jundiaí. Em 28 de fevereiro de 1964, a Lei Estadual 8.092 elevou o distrito a município, já com o nome de Várzea Paulista.

A instalação aconteceu em 21 de março de 1965, data que a cidade adotou como aniversário. O complemento Paulista surgiu, segundo o histórico municipal, como marca de mais uma conquista atribuída aos bandeirantes.

Desde a criação, o município é formado por um único distrito, a sede. Até por volta de 1972, a prefeitura recém-instalada montou a estrutura administrativa, cadastrou imóveis, fábricas e comércios, alargou ruas e ergueu o primeiro conjunto habitacional, no bairro da Promeca.

A indústria já tinha raízes ali. A Elekeiroz comprou terreno para sua fábrica em 1923, e a inauguração da Via Anhanguera, em 1948, atraiu novas empresas e operários. Nessa época, a várzea mantinha cerca de 60 olarias em atividade.

Entre elas, a olaria de Pedro Bifani chegou a produzir 650 mil tijolos por dia para os mercados de Campinas e de São Paulo. Os fornos das olarias, das fábricas e da própria ferrovia queimavam lenha de eucalipto, plantado no lugar da mata nativa derrubada em toda a região. Ao longo do século XX, depois da Elekeiroz, chegaram a Alfred Teves, a KSB, fabricante de bombas hidráulicas, e a Foton, montadora chinesa de caminhões.

Orquídeas, fé e identidade varzina

Depois do barro e dos trilhos, uma terceira vocação deu nome à cidade. A floricultura ganhou espaço nas décadas seguintes à emancipação, com destaque para o cultivo de orquídeas. O apelido de Cidade das Orquídeas vem dessa produção, e desde 2005 o município realiza a Orquivárzea, a Festa das Orquídeas.

Igreja católica no Jardim Promeca, em Várzea Paulista. Foto: Gui Macintosh, CC BY-SA 3.0

O apelido junta a paisagem de várzea, úmida e plana, a uma atividade de pequenos produtores que se espalhou pelo território.

A fé também tem lugar no calendário. A padroeira é Nossa Senhora da Piedade, em data separada do aniversário. A igreja do Jardim Promeca é um dos templos católicos da cidade.

Quem nasce em Várzea Paulista é chamado de varzino ou varzina, palavra que o histórico municipal usa desde o primeiro morador. O termo resume a origem do lugar: uma várzea à beira do rio Jundiaí que virou povoado por causa do trem, cresceu com o barro e ganhou autonomia em 1965.