O aniversário de Valinhos, em 28 de maio, é feriado?

Sim, é feriado municipal em Valinhos, conforme a Lei Orgânica do Município, art. 270, V, com redação da Emenda 63/2025.

O que abre e o que fecha

ServiçoNo feriado
BancosAs agências fecham em feriado municipal; canais digitais e autoatendimento funcionam (Febraban).
Repartições municipaisFechadas, salvo os serviços essenciais.
ComércioDepende da convenção coletiva local.

Do Pouso de Pinheiros ao Distrito de Paz: a história de Valinhos

O primeiro registro da história de Valinhos é uma sesmaria. Em 2 de dezembro de 1732, o conde de Sarzedas, que governava São Paulo, concedeu terras a Alexandre Simões Vieira, que abriu um caminho novo de Jundiaí aos Goiases e tinha como parada um ribeirão chamado Pinheiros.

O Pouso de Pinheiros é o primeiro marco oficial de uma área dentro do município e durou quase um século. Para o professor Mário Pires, autor de um livro sobre a história local, o pouso ficava provavelmente onde está o bairro Capuava, que ele considera a célula-mãe de Valinhos.

Paço Municipal de Valinhos, sede da Prefeitura. Foto: enioprado, CC BY-SA 3.0

Na época da sesmaria, Campinas ainda era o bairro do Mato Grosso das Campinas, ligado a Jundiaí. Em 1741, Francisco Barreto Leme se fixou na região e iniciou um povoado, que virou distrito em 1774 e município em 1797. As terras de Valinhos ficaram sob Campinas, ocupadas por grandes fazendas como a Dois Córregos, do brigadeiro Luiz Antonio.

A Dois Córregos, que deu nome a um bairro, pertenceu ao brigadeiro Luiz Antonio, apontado como o homem mais rico da capitania, dono de 16 engenhos de açúcar só em Campinas. Foram essas fazendas, primeiro de cana e depois de café, que ocuparam o território antes de haver qualquer vila no lugar.

Linha do tempo de ValinhosNove marcos, de 1732 a 2025, na história de Valinhos.
  • 1732Sesmaria concedida a Alexandre Simões Vieira, origem do Pouso de Pinheiros.
  • 1872Começa o tráfego da Companhia Paulista entre Jundiaí e Valinhos, em 28 de março.
  • 1889A febre amarela em Campinas leva moradores a se refugiar em Valinhos.
  • 1893Criação do Distrito Policial de Valinhos.
  • 1896A Lei Estadual 383 eleva Valinhos a Distrito de Paz, em 28 de maio.
  • 1901Lino Busatto introduz o cultivo do figo roxo.
  • 1953Emancipação de Campinas pela Lei Estadual 2.456, de 30 de dezembro.
  • 1955Instalação do município, em 1º de janeiro.
  • 2025A Emenda 63 à Lei Orgânica torna o 28 de maio feriado municipal.

O trem, a febre amarela e o distrito de 1896

A ferrovia chegou antes da autonomia. O tráfego da Companhia Paulista de Estrada de Ferro entre Jundiaí e Valinhos começou em 28 de março de 1872. Com estradas precárias e cargas no lombo de mulas, o trem ganhou importância para levar as sacas de café das fazendas da região ao porto de Santos.

Depois da abolição, em 1888, faltou mão de obra nas lavouras, e os primeiros imigrantes italianos começaram a chegar no mesmo ano, dando novo impulso à agricultura. O movimento na estação cresceu junto com eles.

O historiador Benedito Otávio registrou que o tráfego na estação de Valinhos ainda era pequeno no começo da ferrovia e só cresceu depois da lei de 13 de maio de 1888, que extinguiu a escravidão. As fazendas cafeeiras espalhadas pela região eram a razão de ser dos trilhos.

A epidemia de febre amarela que atingiu Campinas em 1889 mudou o mapa local. Muitos campineiros fugiram da doença e buscaram refúgio em Valinhos, e a Sexta Seção Eleitoral de Campinas foi transferida para a vila. Em 1º de setembro de 1893, o Diário Oficial publicou a criação do Distrito Policial de Valinhos.

O marco que a cidade celebra veio três anos depois. Em 28 de maio de 1896, a Lei Estadual 383 elevou a vila a Distrito de Paz, ainda subordinado a Campinas e com as mesmas divisas do distrito policial. A emancipação só chegou com a Lei Estadual 2.456, de 30 de dezembro de 1953, e o município foi instalado em 1º de janeiro de 1955. A data comemorada seguiu sendo a de 1896.

Nas divisões territoriais de 1911, 1936, 1937 e 1950, Valinhos aparece sempre como distrito de Campinas. Foram quase seis décadas entre o Distrito de Paz e a emancipação, período em que a vila manteve a estação, as chácaras e os sítios dos imigrantes como base da vida local.

Figo roxo, goiaba e a Festa do Figo

A identidade veio com a fruta. Em 1901, o imigrante italiano Lino Busatto introduziu o cultivo do figo roxo, e a partir de 1910 o figo já era produzido em escala comercial. A cultura rendeu à cidade o título de Capital Nacional do Figo Roxo.

A Festa do Figo divide o calendário com a Expogoiaba, no Parque Municipal Monsenhor Bruno Nardini. A partir dos anos 1980, a goiaba de mesa, cultivada em boa parte por famílias de origem japonesa, ganhou espaço ao lado do figo nos sítios do cinturão verde.

O figo ganhou espaço porque se adaptou bem ao clima e ao solo locais, e a fruta passou a ser vendida para outros estados. Os sítios, muitos de famílias italianas, organizaram a produção em torno da colheita e da embalagem, e a fama da fruta levou o nome de Valinhos para fora da região.

Vista de Valinhos a partir do anel viário. Foto: Paulo Humberto, CC BY-SA 3.0

O padroeiro é São Sebastião, lembrado em 20 de janeiro, outra data. Por muito tempo, o 28 de maio foi apenas comemorativo; a Emenda 63, de 2025, à Lei Orgânica transformou o aniversário em feriado municipal. A cidade divide a paisagem entre os sítios de figo e goiaba, os bairros residenciais e o parque industrial da Região Metropolitana de Campinas, cortada pela Rodovia Dom Pedro I. Quem nasce na cidade é valinhense.