O aniversário de Sertãozinho, em 5 de dezembro, é feriado?
Sim, é feriado municipal em Sertãozinho, conforme a Lei municipal 750/1972.
O que abre e o que fecha
| Serviço | No feriado |
|---|---|
| Bancos | As agências fecham em feriado municipal; canais digitais e autoatendimento funcionam (Febraban). |
| Repartições municipais | Fechadas, salvo os serviços essenciais. |
| Comércio | Depende da convenção coletiva local. |
Da marcha de João Manuel de Pontes à Fazenda do Mato Dentro: a origem de Sertãozinho
A origem de Sertãozinho está numa viagem de Minas Gerais. No começo do século XIX, João Manuel de Pontes vivia na região entre Caldas e Andradas, no sul mineiro, cercado de parentes e agregados, e enfrentava dívidas nos negócios. Viúvo de Escolástica Maria Rosa, casou-se em 9 de setembro de 1823 com Ana Benedita de Oliveira.
Na época, falava-se muito da beleza do sertão paulista, de terras vermelhas como sangue, cor que tingia até a roupa dos sertanistas que voltavam a Minas. Pontes organizou uma comitiva com a mulher, os filhos, parentes, amigos, agregados e três escravizados, e partiu a pé rumo ao noroeste, com carros de boi, cavalos e burros.
Pontes tinha pouco a perder e muita vontade de aventura. A decisão de deixar Minas reunia dívidas, a perda da primeira mulher e a promessa das terras férteis do sertão paulista, que os viajantes descreviam com entusiasmo ao voltar.
Iam com ele os filhos Manuel Jacinto e Antônio Maciel de Pontes, o genro Antônio Quirino de Souza Benevides, o irmão Domiciano Manuel de Pontes, os cunhados Antônio Joaquim da Rocha e José Antônio de Melo e o amigo Antônio João Ferreira, todos de Caldas. Depois de meses, chegaram à mata cerrada onde surgiriam Sertãozinho, Pontal e Cruz das Posses.
Em 1827, João Manuel percorreu o córrego do Sertãozinho da cabeceira até a foz no rio Mogi-Guaçu, explorou os afluentes e tomou posse do território, que batizou de Fazenda do Sertãozinho do Mato Dentro. Uma medição posterior apurou 13.768 alqueires.
A colcha de retalhos e a vila de 1896
A família cresceu junto com as terras. Em 1847, ano da morte de João Manuel, os Pontes dominavam cerca de 25 mil alqueires e passaram a se dedicar mais à lavoura e às benfeitorias. Casamentos, heranças, partilhas e vendas transformaram a fazenda numa colcha de retalhos de sítios, chácaras e fazendas, e em 1930 ela estava dividida em 189 partes.
O povoado cresceu em torno de uma capelinha dedicada a Nossa Senhora Aparecida, a ponto de a localidade ter se chamado Aparecida do Sertãozinho. A Lei Provincial 31, de 10 de março de 1885, criou o distrito.
- 1827João Manuel de Pontes toma posse da Fazenda do Sertãozinho do Mato Dentro.
- 1847Morte de João Manuel; a família domina cerca de 25 mil alqueires.
- 1885A Lei Provincial 31 cria o distrito de Sertãozinho.
- 1896A Lei Estadual 463, de 5 de dezembro, cria a vila, desmembrada de Ribeirão Preto.
- 1897Instalação do município, em 21 de abril.
- 1936Fundação da Usina Santa Elisa.
- 1972A Lei Municipal 750 torna o 5 de dezembro feriado municipal.
A autonomia veio na fase do café que abriu o nordeste paulista. A Lei Estadual 463, de 5 de dezembro de 1896, elevou Sertãozinho a vila, desmembrada de Ribeirão Preto, com sede na povoação de Aparecida do Sertãozinho. A instalação ocorreu em 21 de abril de 1897, e a elevação a cidade veio pela Lei Estadual 1.038, de 1906.
É a lei de 5 de dezembro de 1896 que o aniversário lembra, e a Lei Municipal 750, de 1972, fez da data um feriado municipal. A festa da padroeira é em 12 de outubro, outra data.
A instalação de 1897 ocorreu em pleno avanço do café sobre as terras roxas da região de Ribeirão Preto. A ferrovia e as fazendas de café trouxeram imigrantes e deram ao núcleo urbano comércio, igrejas e escolas, base sobre a qual a cana se firmaria décadas depois.
Distritos que viraram cidades e as máquinas da cana
O território de Sertãozinho foi berço de outros municípios. Santa Cruz das Posses virou distrito em 1898, pela Lei Estadual 569, e Pontal, em 1907. Em 1911, ele reunia os distritos de Sertãozinho, Santa Cruz das Posses e Pontal, e depois ganhou Pradópolis e Barrinha. Pontal se emancipou em 1935, Pradópolis passou a Guariba em 1938 e Barrinha virou município em 1953. Santa Cruz das Posses passou a se chamar Cruz das Posses e seguiu como distrito.
A vocação canavieira se consolidou no século XX. A Usina Santa Elisa, fundada em 1936, puxou a expansão da cana e do açúcar na região de Ribeirão Preto. Em torno das usinas cresceu um parque metal-mecânico que fabrica moendas, caldeiras, destilarias e sistemas completos para a indústria sucroenergética.
Esse parque reúne empresas em entidades como o CEISE Br e tem na Fenasucro, feira sediada na cidade, sua vitrine. Daí os títulos de Capital Nacional do Etanol e Capital da Cana. No Parque Antônio Gimenes Filho, o Cristo Salvador, estátua de 18 metros, funciona como mirante. A memória do setor tem espaço no Museu Nacional do Açúcar e do Álcool. Quem nasce na cidade é sertanezino.