O aniversário de São Pedro da Aldeia, em 16 de maio, é feriado?
Sim, é feriado municipal em São Pedro da Aldeia, conforme a Lei Municipal 270/1985.
O que abre e o que fecha
| Serviço | No feriado |
|---|---|
| Bancos | As agências fecham em feriado municipal; canais digitais e autoatendimento funcionam (Febraban). |
| Repartições municipais | Fechadas, salvo os serviços essenciais. |
| Comércio | Depende da convenção coletiva local. |
Do aldeamento jesuíta de 1617 à base naval: a história de São Pedro da Aldeia
São Pedro da Aldeia conta a idade a partir de 1617, quando padres da Companhia de Jesus reuniram indígenas trazidos do Espírito Santo num aldeamento à beira da Lagoa de Araruama, em trabalho de catequese. A ocupação da costa respondia às invasões francesas no Rio de Janeiro e aos ataques de piratas ao litoral.
A origem tem registro em documento. O reitor do Colégio dos Jesuítas no Rio, padre Antônio de Mattos, pediu terras ao capitão-mor de Cabo Frio, Estevam Gomes, que despachou o requerimento. A sesmaria abrangia uma área em Jacuruna, provável primeiro nome do lugar onde fica a cidade, e um terço das terras dos indígenas ficou com os padres.
A data exata da fundação já foi motivo de divergência. Os historiadores Silva Lisboa, Alberto Lamego e o padre Serafim Leite concordam que o despacho do capitão-mor saiu num 31 de maio, com a carta de sesmaria em 2 de junho e a posse em 16 de junho, segundo o histórico do IBGE. O aniversário, porém, é comemorado em 16 de maio, data que a Lei Municipal 270, de 1985, declara feriado municipal. Uma segunda área, na Ponta de Armação dos Búzios ou em Iguna, acabou recusada e deveria ser repartida entre os moradores, o que nunca ocorreu.
A Igreja de São Pedro, conhecida como Igreja dos Jesuítas, começou a ser erguida em 1620 e só ficou pronta em 1783, mais de um século depois. Em 1723, a residência anexa servia de moradia aos padres. O templo foi tombado pelo IPHAN em 1938. O padroeiro, São Pedro, tem festa em 29 de junho, separada do aniversário de 16 de maio.
Sapiatiba, a vila que durou dois anos
O caminho até a autonomia teve idas e vindas. Um alvará de 22 de dezembro de 1795 criou a freguesia de São Pedro da Aldeia. Em 1890, já na República, um decreto estadual elevou o lugar à categoria de vila com outro nome, Sapiatiba, desmembrada de Cabo Frio.
A primeira vila não durou. Decretos de maio e junho de 1892 extinguiram Sapiatiba e devolveram o território a Cabo Frio. Em dezembro do mesmo ano, o Decreto Estadual 35 recriou a vila, agora com o nome de São Pedro da Aldeia, instalada em 1º de fevereiro de 1893. A condição de cidade veio com a Lei Estadual 2.335, de 27 de dezembro de 1929.
- 1617Fundação do aldeamento jesuíta de São Pedro, com indígenas trazidos do Espírito Santo. Marco da idade da cidade.
- 1620-1783Construção da Igreja de São Pedro, conhecida como Igreja dos Jesuítas.
- 1795A localidade torna-se freguesia.
- 1890O Decreto Estadual 118 cria a vila de Sapiatiba, separada de Cabo Frio.
- 1892Sapiatiba é extinta e, em dezembro, o Decreto Estadual 35 recria a vila com o nome de São Pedro da Aldeia.
- 1929Elevação à condição de cidade.
- 1938Tombamento da Igreja de São Pedro pelo IPHAN.
- 1966O Decreto 58.378 cria a Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia, da Marinha.
- 2016Tombamento da Casa da Flor pelo IPHAN.
O território também mudou no século XX. Em 1954, foi criado o distrito de Iguaba Grande, que em 1995 se desmembrou e virou município. Desde então, São Pedro da Aldeia é formada apenas pelo distrito sede, entre a lagoa e a serra.
Salinas, aviação naval e a Casa da Flor
A lagoa ditou a economia por muito tempo. As salinas da Lagoa de Araruama, de água mais salgada que a do mar, movimentaram a cidade até entrarem em declínio a partir dos anos 1970, quando o turismo e os serviços ganharam peso na Região dos Lagos.
Em 1966, o Decreto 58.378 criou a Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia, da Marinha, escolhida pela posição perto do Rio de Janeiro. A base fez da cidade um polo da aviação naval e trouxe militares e suas famílias para a vida local.
A escolha veio antes da criação formal. Em 1962, com as obras ainda incompletas, o Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval foi transferido para a cidade, no meio da disputa com a Força Aérea pela aviação embarcada. A proibição temporária dos voos da Marinha pelo presidente João Goulart levou, em setembro daquele ano, à chamada Revoada, protesto de aviadores navais dentro da base. Em 1971, o Comando da Força Aeronaval passou a funcionar na base, que também abriga o Museu da Aviação Naval e áreas de restinga e mangue com sítios arqueológicos de aldeias tupinambás.
Outro marco é a Casa da Flor, erguida por Gabriel Joaquim dos Santos, filho de mãe indígena e pai ex-escravo, decorada por inteiro com conchas, cacos de vidro e azulejos. A construção começou em 1912, e a partir de 1923, depois de um sonho do artista, a casa passou a receber flores, folhas, colunas e esculturas feitas com lâmpadas queimadas, louça quebrada e tampas de metal, num trabalho que seguiu até 1985. Em 1987, foi criada a sociedade de amigos que deu origem ao Instituto Cultural Casa da Flor. A pesquisadora Amélia Zaluar, que conviveu com o artista de 1978 a 1985, escreveu uma monografia sobre a obra. A casa foi tombada pelo IPHAN em 2016, como patrimônio afro-indígena da arquitetura espontânea.