Todos os feriados da capital no ano, com o calendário e os feriados prolongados, estão em Feriados de São Luís.

O aniversário de São Luís, em 8 de setembro, é feriado?

Sim, é feriado municipal em São Luís, conforme a Lei Municipal 3.432/1996, art. 1.

O que abre e o que fecha

ServiçoNo feriado
BancosAs agências fecham em feriado municipal; canais digitais e autoatendimento funcionam (Febraban).
Repartições municipaisFechadas, salvo os serviços essenciais.
ComércioDepende da convenção coletiva local.

Da França Equinocial à Atenas Brasileira: a história do 8 de setembro

São Luís foi fundada em 8 de setembro de 1612 pela expedição francesa de Daniel de La Touche, senhor de La Ravardière, e François de Rasilly, dentro do projeto da França Equinocial. O nome homenageia o rei Luís XIII da França, e a construção do Forte de Saint-Louis, com apoio de grupos Tupinambá, marcou o início do núcleo urbano na ilha de Upaon-Açu.

O núcleo nasceu na península que avança sobre o estuário dos rios Anil e Bacanga. A expedição trouxe frades capuchinhos para a missão junto aos Tupinambá. O projeto francês, porém, esbarrou na reação portuguesa vinda de Pernambuco, que buscava garantir o litoral norte entre o Ceará e a foz do Amazonas.

Palácio dos Leões, sede do governo do Maranhão, na orla do Centro Histórico. Foto: Bruno David Goulart Sampaio, CC BY-SA 4.0

O domínio francês durou pouco. Em 1614, os portugueses venceram a Batalha de Guaxenduba, no continente em frente à ilha, e em 1615 as tropas lideradas por Jerônimo de Albuquerque expulsaram os franceses. A cidade passou ao sistema colonial luso e, a partir de 1620, recebeu famílias vindas dos Açores, que iniciaram o plantio de cana.

O forte francês do alto da ilha mudou de dono e de nome. Os portugueses o rebatizaram de São Filipe, e em 1626 começou ali a construção da residência dos governadores. Em 1766, sob o governador Joaquim de Melo e Póvoas, o lugar recebeu um novo palácio de pedra, origem do Palácio dos Leões, sede do governo maranhense.

Capital do Estado do Maranhão e a revolta contra o monopólio

Com os portugueses instalados, a ilha ganhou papel político próprio. Em 1621, a Coroa criou o Estado do Maranhão, separado do Estado do Brasil, e São Luís passou a ser a sua capital. Entre 1641 e 1644, os holandeses ocuparam a cidade por um breve período, na disputa pelo Nordeste açucareiro, até serem expulsos pelas forças portuguesas. Por isso a cidade é lembrada como a única capital brasileira fundada por franceses e que passou por três colonizadores.

Linha do tempo de São LuísSeis marcos, de 1612 a 2019, na história de São Luís.
  • 1612Em 8 de setembro, franceses comandados por Daniel de La Touche fundam a cidade, no projeto da França Equinocial.
  • 1615Portugueses liderados por Jerônimo de Albuquerque expulsam os franceses.
  • 1641-1644Breve ocupação holandesa.
  • Séc. XVIII-XIXCiclo do algodão e do arroz; surgem os sobrados de azulejos do Centro Histórico.
  • 1997O Centro Histórico é inscrito como Patrimônio Mundial pela UNESCO.
  • 2019O bumba meu boi do Maranhão é reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

Em 1682, a Coroa entregou o comércio da região à Companhia de Comércio do Maranhão. O monopólio subiu preços, falhou nas entregas e gerou queixas de pesos falsos. Em 24 de fevereiro de 1684 estourou a Revolta de Beckman, liderada pelos irmãos Manuel e Tomás Beckman, que se voltou contra a Companhia e contra os privilégios dos jesuítas. O movimento foi sufocado em 1685, e Manuel Beckman acabou enforcado em 2 de novembro daquele ano.

No século XIX, a província voltou a se levantar. A Balaiada, iniciada em 13 de dezembro de 1838, reuniu vaqueiros, lavradores e escravizados fugidos sob líderes como Manuel Francisco dos Anjos Ferreira, o Balaio, e Cosme Bento das Chagas. Os rebeldes chegaram a ocupar a vila de Icatu, no litoral próximo à capital, e o movimento só terminou em 1841, depois da campanha comandada por Luís Alves de Lima e Silva.

Algodão, azulejos e a Atenas Brasileira

O século XVIII trouxe outra virada, agora econômica. A Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão, fundada em 1755, estimulou as lavouras de exportação, e o algodão ganhou impulso no fim do século, quando a produção dos Estados Unidos caiu. O dinheiro do algodão e do arroz ergueu os sobrados revestidos de azulejos portugueses que marcam o Centro Histórico, erguidos em alvenaria de pedra e argamassa com óleo de peixe, com cantaria de lioz trazida da Europa.

A vida literária do século XIX, com Aluísio Azevedo, Coelho Neto e Gonçalves Dias (maranhense nascido em Caxias, e não na capital), rendeu à cidade o apelido de Atenas Brasileira. No mesmo século, fábricas de tecido começaram a ocupar o lugar da agricultura na economia local.

A cena cultural tinha palco próprio desde antes. Em 1817 foi inaugurado o Teatro União, erguido por iniciativa dos comerciantes portugueses Eleutério Lopes da Silva Varela e Estevão Gonçalves Braga. Rebatizado de Teatro São Luiz em 1852, passou a se chamar Teatro Arthur Azevedo na década de 1920, em homenagem ao dramaturgo maranhense.

Em 1997, o Centro Histórico foi inscrito como Patrimônio Mundial pela UNESCO. A cultura popular ganhou o mesmo reconhecimento em outra esfera: o bumba meu boi do Maranhão entrou para a lista de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade em 2019.

Avenida Dom Pedro II, no Centro Histórico tombado pela UNESCO. Foto: Mariza Bezerra, CC BY-SA 4.0

A cidade também é associada ao reggae, tocado em radiolas pelos bairros, o que lhe rendeu o apelido de Jamaica brasileira. Quem nasce ali é ludovicense, do latim Ludovicus, forma latina de Luís, e a data de aniversário coincide com a Natividade de Nossa Senhora, dia que a lei municipal fixa como feriado.