O aniversário de São José dos Campos, em 27 de julho, é feriado?

Sim, é feriado municipal em São José dos Campos.

O que abre e o que fecha

ServiçoNo feriado
BancosAs agências fecham em feriado municipal; canais digitais e autoatendimento funcionam (Febraban).
Repartições municipaisFechadas, salvo os serviços essenciais.
ComércioDepende da convenção coletiva local.

Do aldeamento jesuíta à Embraer: a história do 27 de julho

A origem de São José dos Campos é um aldeamento indígena. No fim do século XVI formou-se a Aldeia do Rio Comprido, uma fazenda jesuítica que usava a criação de gado para disfarçar a missão e evitar as incursões de bandeirantes. Em 1611, a lei que regulamentou os aldeamentos indígenas levou à expulsão dos jesuítas, e os aldeados se espalharam.

Os jesuítas voltaram anos depois e se fixaram numa planície a cerca de 15 quilômetros dali, junto ao Rio Paraíba do Sul, onde fica a Igreja Matriz de São José. O novo núcleo tinha clima agradável e posição estratégica em caso de ataque, e mais uma vez a missão se apresentava como fazenda de gado. Em 1643 a aldeia já estava nesse ponto, que é o centro da cidade.

O Banhado, área de proteção ambiental às margens do Rio Paraíba do Sul. Foto: Mirian Menezes de Oliveira, CC BY-SA 4.0

A vila de 1767 e o nome que mudou em 1871

A autonomia nasceu de uma reforma da Coroa. Em 1759, os jesuítas foram expulsos do Brasil e seus bens confiscados por Portugal. Na mesma época, Luís Antônio de Souza Botelho Mourão, o Morgado de Mateus, assumiu o governo de São Paulo com a missão de reerguer a capitania, e uma das primeiras providências foi elevar aldeias a vila para aumentar a arrecadação.

Assim, em 27 de julho de 1767, antes mesmo de virar freguesia, a aldeia foi elevada a vila com o nome de São José do Paraíba, desmembrada do termo de Jacareí. Foram erguidos o pelourinho e a Câmara, símbolos da nova condição. É esse o marco que a cidade adota como aniversário, data fixada por lei municipal em 1967.

A emancipação trouxe pouco efeito econômico até meados do século XIX, quando a produção de algodão, exportado para a indústria têxtil inglesa, deu fôlego à vila. A Lei Provincial 27, de 22 de abril de 1864, a elevou a cidade, e a Lei Provincial 47, de 1871, adotou o nome de São José dos Campos. Na fase de ouro do café no Vale do Paraíba, a cidade ficou em posição secundária.

A ferrovia chegou nessa época. A estação original foi inaugurada em 1876 e, em 1877, a Estrada de Ferro Dom Pedro II, depois Central do Brasil, ligou São Paulo ao Rio de Janeiro passando pela cidade. A produção cafeeira local atingiu o auge em 1886. Nos anos 1920 surgiram as primeiras unidades industriais, como os Lacticínios Vigor, cerâmicas e a Tecelagem Parahyba.

Linha do tempo de São José dos CamposSete marcos, de 1611 a 1969, na história de São José dos Campos.
  • 1611Jesuítas estabelecem um aldeamento indígena junto ao Rio Paraíba do Sul.
  • 1767Em 27 de julho, a aldeia é elevada a vila com o nome de São José do Paraíba.
  • 1864Elevação à categoria de cidade.
  • 1924Inauguração do Sanatório Vicentina Aranha, na fase dos sanatórios de tuberculose.
  • 1950Instalação do CTA e do ITA.
  • 1961Criação do embrião do INPE, sediado na cidade.
  • 1969Fundação da Embraer por engenheiros do CTA.

Dos sanatórios ao CTA e à Embraer

A virada seguinte veio com a saúde. No início do século XX, o clima seco e ameno fez da cidade um destino de doentes de tuberculose, que procuravam cura numa época sem tratamento eficaz, e pensões e repúblicas passaram a recebê-los. Em 1924 foi inaugurado o Sanatório Vicentina Aranha, e dessa fase vem o apelido de Cidade Esperança. O antigo sanatório virou parque público.

Em 1935, com investimentos do governo de Getúlio Vargas, o município foi transformado em estância climatérica e hidromineral. Até 1958 foi governado por prefeitos sanitaristas, nomeados pelo governo do estado, e a verba se concentrou em saneamento básico, trunfo que mais tarde ajudou a atrair indústrias. A autonomia para eleger o prefeito foi perdida em 1967 e reconquistada em 1978.

Com a chegada dos antibióticos, os sanatórios se esvaziaram e a ciência ocupou o espaço. Em 1950 se instalaram o Centro Técnico Aeroespacial, o CTA, e o ITA, e em 1951 foi inaugurada a Via Dutra. Em 1961 surgiu o embrião do INPE e em 1969 engenheiros do CTA fundaram a Embraer. O conjunto definiu a vocação aeroespacial e o apelido de Capital do Avião.

A indústria automobilística e a de petróleo vieram na esteira. Em 1959 o presidente Juscelino Kubitschek inaugurou a fábrica da General Motors, e em 1977 entrou em operação a Refinaria Henrique Lage, a Revap. A Via Dutra foi duplicada entre 1964 e 1967, e as rodovias Ayrton Senna, em 1982, e Carvalho Pinto, em 1994, completaram a ligação com a capital.

Residência Olivo Gomes, projeto de Rino Levi com jardins de Burle Marx, no Parque da Cidade. Foto: Halley Pacheco de Oliveira, CC BY-SA 3.0

As duas fases deixaram marcas no patrimônio. O Conjunto da Tecelagem Parahyba e a Residência Olivo Gomes, com projeto de Rino Levi e jardins de Roberto Burle Marx, estão entre os marcos da arquitetura moderna brasileira. A residência fica no Parque da Cidade e foi tombada pelo CONDEPHAAT em 2013. Quem nasce na cidade é joseense, como o poeta modernista Cassiano Ricardo, nascido em 1895 e membro da Academia Brasileira de Letras.