O aniversário de São José do Rio Preto, em 19 de março, é feriado?

Sim, é feriado, pelo dia de São José, que coincide com o aniversário.

O feriado é municipal, conforme a Lei Municipal 1.276/1967.

O que abre e o que fecha

ServiçoNo feriado
BancosAs agências fecham em feriado municipal; canais digitais e autoatendimento funcionam (Febraban).
Repartições municipaisFechadas, salvo os serviços essenciais.
ComércioDepende da convenção coletiva local.

A capela de São José de 1852 e a origem do nome de Rio Preto

São José do Rio Preto nasceu da ocupação do sertão paulista. A partir de 1840, famílias mineiras, vindas em boa parte da Vila de Nossa Senhora do Carmo dos Tocos, a atual Paraguaçu, fixaram-se no noroeste da província e começaram a lavoura e a criação de animais. Em 1845, Luís Antônio da Silveira se instalou às margens do Rio Preto, que daria metade do nome à cidade. Ele chegou com o irmão, Antônio Carvalho e Silva, e o amigo Vicente Ferreira Netto, abrindo veredas desde Bebedouro do Turvo.

Em 1852, ele doou parte das terras a São José, o santo de devoção, para que o patrimônio desse origem a uma povoação. Em 19 de março, dia do santo, João Bernardino de Seixas Ribeiro, que já tinha uma casa de sapé no terreno, reuniu os vizinhos para erguer um cruzeiro de madeira e uma pequena capela. Esse é o marco de fundação.

Catedral Metropolitana de São José, sede da Arquidiocese. Foto: Marcos Morelli / Prefeitura, CC BY 2.0

Por isso o 19 de março tem peso duplo: é o aniversário da cidade e o dia do padroeiro. O nome junta São José ao rio que corta o município. Em 1929, a cidade tornou-se sede de diocese, e a Catedral Metropolitana de São José é a sede da Arquidiocese.

Do distrito de Jaboticabal ao território de Rio Preto

A povoação cresceu dentro de outro município. A Lei Provincial 4, de 21 de março de 1879, criou o distrito de São José do Rio Preto, subordinado a Jaboticabal. A Lei Estadual 294, de 19 de julho de 1894, separou o distrito e o transformou em município, e o primeiro intendente foi nomeado no mesmo ano.

Em 1895, a pedido da Igreja, dona do patrimônio de São José, o engenheiro italiano Ugolino Ugolini traçou a primeira planta da cidade. Em 1904, a Lei 903 criou a comarca de Rio Preto, e o núcleo passou a reunir as funções de justiça de uma área vasta.

O território inicial era imenso. Ele ia até os rios Paraná, Grande, Tietê e Turvo e somava mais de 26 mil km², área da qual saíram depois vários municípios da região. Nos primeiros anos do século XX, leis estaduais criaram ali os distritos de Tanabi, Ibirá, Avanhandava e Itapura, entre outros.

Linha do tempo de São José do Rio PretoDez marcos, de 1840 a 1968, na história de São José do Rio Preto.
  • 1840Famílias mineiras chegam ao sertão do noroeste paulista.
  • 1852Em 19 de março, dia de São José, doação de terras ao patrimônio do santo, cruzeiro e primeira capela.
  • 1879A Lei Provincial 4 cria o distrito, subordinado a Jaboticabal.
  • 1894Em 19 de julho, emancipação como município, pela Lei Estadual 294.
  • 1895O engenheiro Ugolino Ugolini traça a primeira planta da cidade.
  • 1906A Lei Estadual 1.021 muda o nome para Rio Preto.
  • 1912Chegada da Estrada de Ferro Araraquarense.
  • 1929A cidade torna-se sede de diocese.
  • 1944O Decreto-Lei Estadual 14.334 restabelece o nome São José do Rio Preto.
  • 1968Fundação da FAMERP, a faculdade de medicina.

O nome também mudou no caminho. A Lei Estadual 1.021, de 6 de novembro de 1906, encurtou a denominação para Rio Preto, e o nome completo voltou pelo Decreto-Lei Estadual 14.334, de 30 de novembro de 1944. Naquele ano, houve a proposta de rebatizar a cidade como Iboruna, por causa de um homônimo mais antigo em Minas Gerais, mas a reação de moradores, associações e políticos derrubou a ideia. A forma curta ficou no uso diário, e quase todos ainda chamam a cidade só de Rio Preto.

O território seguiu encolhendo com as emancipações vizinhas. A última mudança veio com a Lei Estadual 8.550, de 30 de dezembro de 1993, que separou o distrito de Ipiguá, elevado a município. Ficaram a sede e os distritos de Engenheiro Schmitt e Talhado.

A virada econômica veio com os trilhos. A Estrada de Ferro Araraquarense chegou em 1912, e a cidade passou a concentrar mercadorias produzidas no chamado Sertão de Avanhandava e a distribuir produtos vindos da capital. A Estação Ferroviária e o Museu Ferroviário guardam essa fase e têm tombamento do IPHAN e do município.

A ferrovia fez parte da chamada Marcha do Café, o avanço das lavouras que saiu do Vale do Paraíba, passou por Campinas e Ribeirão Preto e alcançou o noroeste paulista. Em 1933, foi criada a Basílica de Nossa Senhora Aparecida, em agradecimento pela proteção durante a Revolução Constitucionalista de 1932.

Faculdades, hospital e patrimônio industrial

A educação e a saúde mudaram o perfil da cidade na segunda metade do século XX. Em 1968 foi fundada a FAMERP, faculdade de medicina ligada ao Hospital de Base, referência de atendimento para o noroeste paulista.

Vista da malha urbana de São José do Rio Preto. Foto: xuito, CC BY-SA 3.0

O patrimônio industrial também ficou de pé. O Complexo Swift, antiga fábrica frigorífica, é tombado pelo CONDEPHAAT e pelo município, e o Mercado Municipal, inaugurado em 19 de julho de 1944, foi tombado pelo município em 2004. O Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto abriu em janeiro de 1973, mesmo ano em que começou a construção da Catedral de São José. Quem nasce na cidade é rio-pretense.