O aniversário de São Gonçalo, em 22 de setembro, é feriado?

Sim, é feriado municipal em São Gonçalo.

O que abre e o que fecha

ServiçoNo feriado
BancosAs agências fecham em feriado municipal; canais digitais e autoatendimento funcionam (Febraban).
Repartições municipaisFechadas, salvo os serviços essenciais.
ComércioDepende da convenção coletiva local.

Dos tamoios à capela de Gonçalo Gonçalves: a história do 22 de setembro

O aniversário lembra a emancipação política de São Gonçalo, separada de Niterói em 22 de setembro de 1890 pelo Decreto Estadual 124. É dessa data que a cidade conta a sua idade, mas a ocupação começou três séculos antes.

A região era habitada pelos índios tamoios quando chegaram os primeiros conquistadores, portugueses e franceses. Em 6 de abril de 1579, o colonizador português Gonçalo Gonçalves, dono de uma sesmaria, ergueu a capela de São Gonçalo de Amarante, que deu nome ao lugar.

A sesmaria, concedida pelo governador da Capitania do Rio de Janeiro, ficava ao longo do rio Imboaçu e vinha com a obrigação de erguer capela e povoação em três anos. A primeira capela ficava provavelmente perto da atual Igreja Matriz, no bairro do Zé Garoto.

A divisão das terras, iniciada no fim do século XVI, ficou a cargo dos jesuítas, que instalaram no começo do século XVII uma fazenda na área do Colubandê, às margens da atual rodovia RJ-104.

Fazenda Colubandê, complexo colonial do século XVII tombado pelo IPHAN. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil, CC BY 3.0 BR

A Fazenda Colubandê é um complexo colonial tombado pelo IPHAN em 1940 e pelo INEPAC em 1965. No conjunto está a Capela de Sant'Ana, de 1618.

Capela de Sant'Ana, de 1618, no conjunto da Fazenda Colubandê. Foto: Filipo tardim, CC BY-SA 4.0

Na década de 1640, a localidade, que ocupava cerca de 52 km², foi elevada a freguesia, subordinada a Niterói; o IBGE registra alvará de 10 de fevereiro de 1646 ou 1647. Para facilitar a comunicação, a sede foi depois transferida para outro ponto do Imboaçu, onde se ergueu uma capela que mais tarde foi restaurada.

Engenhos, cachaça e barcos na Baía de Guanabara

A economia colonial girou em torno dos engenhos. Entre 1660 e 1661, senhores de engenho da região participaram da Revolta da Cachaça, que depôs o governador do Rio de Janeiro por causa de um imposto sobre a aguardente. Produtores de São Gonçalo e de Niterói marcharam armados até a capital da capitania para derrubar a cobrança.

No século XVIII, ao lado das fazendas, multiplicaram-se os engenhos de açúcar e aguardente e as lavouras de mandioca, feijão, milho e arroz. O comércio acompanhou a agricultura, e dezenas de barcos levavam mercadorias e passageiros entre as freguesias do litoral e os portos do Rio de Janeiro.

Em 10 de maio de 1819, São Gonçalo perdeu a condição de freguesia e virou distrito de Niterói. A produção seguiu forte: por volta de 1860, cerca de trinta engenhos exportavam pelos portos de Guaxindiba, Boaçu, Porto Velho e Pontal de São Gonçalo, na Baía de Guanabara. A Igreja Matriz de São Gonçalo de Amarante, ancora o centro histórico e guarda a devoção que deu nome ao município. Do mesmo passado religioso ficou a Capela da Luz, em Itaóca, outro marco da fé no território gonçalense.

Linha do tempo de São GonçaloSeis marcos, de 1579 a 1960, na história de São Gonçalo.
  • 1579Gonçalo Gonçalves recebe uma sesmaria na região e ergue a capela de São Gonçalo de Amarante, que dá nome ao lugar.
  • 1647Confirmação como freguesia.
  • 1660-1661Moradores da região participam da Revolta da Cachaça, contra o imposto sobre a aguardente.
  • 1888Inauguração do primeiro trecho da Estrada de Ferro Maricá, a partir de Alcântara.
  • 1890Emancipação de Niterói pelo Decreto Estadual 124, em 22 de setembro.
  • 1920-1960Fase industrial, com o apelido de Manchester Fluminense.

Da vila de 1890 à Manchester Fluminense

A autonomia conquistada em 1890 teve idas e vindas. A vila foi suprimida em 1892 e restaurada no mesmo ano pela Lei Estadual 34, de 17 de dezembro. Em 1911, o município tinha três distritos: São Gonçalo, Cordeiros e Itaipu. O distrito de Neves foi criado em 1920, desmembrado do distrito sede, e o de Monjolo veio em 1938, junto com o de Sete Pontes.

A Lei Estadual 1.797, de 1922, elevou a vila à categoria de cidade, e a Lei Estadual 2.335, de 1929, confirmou os foros de cidade. Em 1943, o distrito de Itaipu foi transferido para Niterói, e o território ganhou a forma de cinco distritos: São Gonçalo, Ipiíba, Monjolo, Neves e Sete Pontes.

A Estrada de Ferro Maricá, com o primeiro trecho saindo de Alcântara em 1888, ajudou a integrar a região. A indústria chegou em 1925, com a Companhia Brasileira de Usinas Metalúrgicas, depois ligada ao grupo Hime. Em 1937, José Emílio Tarragó fundou a fábrica de conservas de peixe Coqueiro.

Entre 1941 e 1942 vieram as Indústrias Reunidas Mauá, de vidro e porcelana, a Companhia Vidreira do Brasil, primeira do país a fabricar vidro plano mecânico, a fábrica de sardinhas Netuno e uma fábrica de fogos. O parque industrial deu à cidade o apelido de Manchester Fluminense entre 1920 e 1960, e, na gestão do prefeito Joaquim Lavoura, as principais vias entre Niterói, a Parada 40 e Alcântara foram pavimentadas.

A partir dos anos 1970, a desindustrialização mudou o perfil do município, que passou a funcionar como cidade-dormitório da região metropolitana. O padroeiro, São Gonçalo de Amarante, tem seu dia em 10 de janeiro, o outro feriado municipal da cidade.

Como São Gonçalo comemora

O aniversário de 22 de setembro é marcado por desfile cívico na cidade.

A programação costuma ser divulgada pela Prefeitura de São Gonçalo nas semanas anteriores ao aniversário.