O aniversário de Santana de Parnaíba, em 14 de novembro, é feriado?
Sim, é feriado municipal em Santana de Parnaíba.
O que abre e o que fecha
| Serviço | No feriado |
|---|---|
| Bancos | As agências fecham em feriado municipal; canais digitais e autoatendimento funcionam (Febraban). |
| Repartições municipais | Fechadas, salvo os serviços essenciais. |
| Comércio | Depende da convenção coletiva local. |
Da capela de Sant'Ana à vila de 1625: a história por trás do 14 de novembro
O aniversário de Santana de Parnaíba lembra a elevação do povoado a vila, por provisão de 14 de novembro de 1625, com o nome de Parnaíba, separada do termo da Vila de São Paulo.
A ocupação começou na administração de Mem de Sá, terceiro governador-geral do Brasil. O primeiro a se instalar foi o português Manuel Fernandes Ramos, que participou de uma expedição de 1561 pelo rio Tietê abaixo, em busca de ouro. Ele ergueu uma fazenda e uma capela a Santo Antônio, destruídas pelas enchentes.
Em 1580, a viúva, Suzana Dias, neta do cacique Tibiriçá, os herdeiros e o filho André Fernandes levantaram uma nova capela, dedicada a Sant'Ana, às margens do rio Tietê, chamado então de Anhembi. É dela que vem o nome da cidade.
Na colônia, a vila vivia de lavouras de subsistência, com trigo, algodão, cana, feijão e milho, e de um pequeno comércio com os vizinhos. Para contornar o isolamento, contava com outra função: era ponto de partida das bandeiras que seguiam para o sertão.
A vila das bandeiras e do padre Pompeu
As bandeiras deram a Parnaíba o período mais movimentado da sua história, nos séculos XVII e XVIII. As expedições rumo a Minas e Goiás buscavam indígenas para escravizar e metais preciosos, e a vila cresceu com a mão de obra indígena e a chegada de famílias como a dos Pires.
Parnaíba foi área de mineração da capitania e teve entre os moradores o padre Guilherme Pompeu de Almeida, financiador de bandeiras paulistas. Também exportava mão de obra indígena para outras capitanias, o que a pôs muitas vezes em confronto com os jesuítas.
Dessa fase é também a capela de Nossa Senhora da Conceição no Morro do Voturuna, construída em 1687. Em 1610, uma sesmaria vizinha tinha sido concedida a Belchior da Costa, sinal de que as terras em volta da vila já eram disputadas.
- 1561Manuel Fernandes Ramos participa da expedição de Mem de Sá pelo Tietê e se instala na região.
- 1580Suzana Dias e os herdeiros erguem a capela de Sant'Ana às margens do rio Tietê.
- 1625Provisão de 14 de novembro cria a vila de Parnaíba, separada de São Paulo.
- 1901Inauguração da Usina de Parnaíba, no rio Tietê, a primeira da Light no Brasil.
- 1906Elevação à condição de cidade, pela Lei Estadual 1.038.
- 1944O município passa a se chamar Santana de Parnaíba.
- 1958Tombamento da Casa do Anhanguera pelo IPHAN.
- 1982Tombamento do conjunto histórico pelo Condephaat.
Esse passado deixou de pé um centro histórico com mais de duzentas edificações tombadas pelo Condephaat em 1982. O marco mais conhecido é a Casa do Anhanguera, apontada como remanescente urbano de casa bandeirista do século XVII, tombada pelo IPHAN em 1958 e aberta como museu, perto da Igreja Matriz de Sant'Ana.
A ligação da casa com o bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera, vem da tradição local. Parnaíba é apontada como terra natal dele e de Domingos Jorge Velho, e abrigou também Raposo Tavares e Fernão Dias, cujas expedições levaram a ocupação portuguesa para além da linha de Tordesilhas. O tombamento estadual, de 13 de maio de 1982, abrange 209 imóveis do centro.
Da estagnação à usina e a Alphaville
O século XIX foi de declínio. Novas estradas passaram a ligar São Paulo a outras vilas sem passar por Parnaíba, e a cana não foi trocada pelo café, como em outras partes da província. A cidade ficou estagnada até o começo do século XX.
A mudança veio do rio: em 1901 a Light inaugurou a Usina de Parnaíba, a primeira hidrelétrica da empresa no país, mais tarde chamada Edgard de Souza, que entrou em operação em 23 de setembro, abriu um novo campo de trabalho e ajudou a abastecer São Paulo. Em 1906, a Lei Estadual 1.038 elevou Parnaíba a cidade, e um decreto-lei de 1944 deu ao município o nome de Santana de Parnaíba.
Antes disso, o município chegou a ter quatro distritos: Pirapora, criado em 1892, Barueri, em 1918, e Água Fria, em 1938, rebatizado de Cajamar em 1944. O território depois encolheu: Barueri se separou em 1948, e Cajamar e Pirapora do Bom Jesus, em 1959, quando Santana de Parnaíba ficou só com o distrito sede. A partir dos anos 1970, a implantação de Alphaville e Tamboré, polos empresariais e residenciais na divisa com Barueri, deu ao município uma segunda feição, ao lado do centro colonial. Os símbolos cívicos também têm data: o brasão foi oficializado em 1925, e o hino, em 1986.
Quem nasce na cidade é parnaibano ou parnaibana. As festas religiosas ligadas à padroeira, Sant'Ana, marcam o calendário do centro histórico. Desde os anos 1960, a cidade enfeita as ruas com tapetes coloridos no Corpus Christi.