Todos os feriados da capital no ano, com o calendário e os feriados prolongados, estão em Feriados de Salvador.
O aniversário de Salvador, em 29 de março, é feriado?
Não, o aniversário de Salvador não é feriado municipal.
Os feriados municipais de Salvador são o 2 de Julho (Independência da Bahia), o Corpus Christi (27 de maio de 2027) e o dia de Nossa Senhora da Conceição, padroeira (8 de dezembro). No aniversário, a cidade funciona como em um dia comum.
Da sede do Governo-Geral ao Pelourinho: a história do 29 de março
Em 29 de março de 1549, Tomé de Sousa chegou à Baía de Todos-os-Santos enviado pela Coroa portuguesa para instalar o primeiro Governo-Geral do Brasil. A cidade nasceu como sede de governo, planejada para concentrar o poder político, militar e religioso da colônia. A escolha do lugar tinha razão prática: a baía oferecia porto natural protegido, acesso ao Recôncavo produtor de açúcar e controle do litoral.
A baía já tinha nome português havia quase meio século. A expedição de 1501 chegou ali no Dia de Todos os Santos, e a data batizou a enseada. Em 1534, com a divisão em capitanias hereditárias, o donatário Francisco Pereira Coutinho ergueu um primeiro povoado, conhecido como Arraial do Pereira, que não resistiu aos conflitos com os povos indígenas da costa. Antes dele, por volta de 1510, o náufrago conhecido como Caramuru já vivia entre os tupinambás da região.
Tomé de Sousa desembarcou no Porto da Barra, e o núcleo de 1549, pensado para ser a cabeça do Brasil, seguiu o traçado do mestre de obras Luís Dias, com muralhas e portas no alto da escarpa. Em 1553 chegou o segundo governador-geral, Duarte da Costa, acompanhado de jesuítas entre os quais estava José de Anchieta. No começo do século XVII, um novo plano de defesa ampliou a área murada.
Cidade Alta, Cidade Baixa e as invasões holandesas
A geografia da escarpa explica boa parte do que veio depois. O relevo de falésia dividiu a cidade em dois níveis desde o início: na Cidade Alta ficaram as funções administrativas e religiosas; na Cidade Baixa, o porto e o comércio. Essa divisão passou a ser vencida pelo Elevador Lacerda, inaugurado em 8 de dezembro de 1873. A obra, idealizada por Antônio Francisco de Lacerda e tocada pelo engenheiro Augusto Frederico de Lacerda, só recebeu o nome da família em 1896. Em 1930, uma reforma acrescentou a torre em estilo art déco e mais dois elevadores.
Sede do governo e porto do açúcar, Salvador virou alvo da Companhia das Índias Ocidentais. Entre 1624 e 1625, os holandeses ocuparam a cidade até a retomada por uma esquadra luso-espanhola, e em 1638 houve nova investida, também repelida. O ciclo do açúcar no Recôncavo e o tráfico de africanos escravizados moldaram a sociedade e deixaram a marca mais profunda da cidade, a matriz afro-brasileira, presente no candomblé, na capoeira, no acarajé, nos blocos afro e na música.
- 1549Em 29 de março, Tomé de Sousa funda Salvador como sede do primeiro Governo-Geral do Brasil.
- 1624-1625Breve ocupação holandesa, encerrada por uma esquadra luso-espanhola.
- 1763A capital da colônia é transferida de Salvador para o Rio de Janeiro.
- 1823Em 2 de julho, as tropas portuguesas são expulsas e se consolida a Independência da Bahia.
- 1873Inauguração do Elevador Lacerda, entre a Cidade Alta e a Cidade Baixa.
- 1985O Centro Histórico (Pelourinho) é inscrito como Patrimônio Mundial pela UNESCO.
Por mais de dois séculos Salvador foi a capital da colônia, até a transferência da sede para o Rio de Janeiro, em 1763. Em 1808, o Príncipe Regente Dom João instalou a Corte portuguesa na cidade por 35 dias, antes de seguir para o Rio. A mudança de 1763 tirou da cidade o posto de centro administrativo, mas não o peso econômico do porto nem a vida política, que voltaria a se agitar nas décadas seguintes.
Revoltas, Independência e patrimônio
A perda do posto de capital não esvaziou a cidade de conflitos. Em 1798, a Conjuração Baiana, também chamada Revolta dos Alfaiates ou dos Búzios, reuniu alfaiates, soldados e trabalhadores livres e escravizados em defesa da república, do fim da escravidão e da abertura dos portos. Em 8 de novembro de 1799, quatro participantes foram enforcados: Lucas Dantas, Manuel Faustino, Luís Gonzaga das Virgens e João de Deus Nascimento.
Em 2 de julho de 1823, as tropas portuguesas deixaram a cidade e se consolidou a Independência da Bahia, data lembrada todo ano com o cortejo do Caboclo e da Cabocla pelas ruas. Pouco mais de uma década depois, em 24 de janeiro de 1835, africanos muçulmanos escravizados e libertos, os malês, se levantaram na Revolta dos Malês, sufocada em menos de um dia. Entre 1837 e 1838 veio a Sabinada, liderada pelo médico Francisco Sabino Álvares da Rocha Vieira, de quem herdou o nome, movimento que chegou a declarar a Bahia república provisória.
Em 1912, um bombardeio ligado à disputa pelo governo estadual atingiu o centro e destruiu a biblioteca e parte dos arquivos públicos. Em 1985, o Centro Histórico, com o Pelourinho, foi inscrito como Patrimônio Mundial pela UNESCO. O nome completo da cidade, São Salvador da Bahia de Todos os Santos, guarda a origem da baía, e quem nasce ali é chamado de soteropolitano, termo derivado de Soterópolis, do grego para cidade do salvador.