A data do aniversário do Rio Grande lembra o dia em que o brigadeiro José da Silva Paes fundou uma base militar portuguesa na saída da Lagoa dos Patos para o mar, em 19 de fevereiro de 1737. A base recebeu o nome de Jesus, Maria e José. A cidade começou no acampamento das tropas dessa base.

Quando é o aniversário do Rio Grande e quantos anos a cidade faz?

O aniversário do Rio Grande é em 19 de fevereiro. Em 2027, o Rio Grande completa 290 anos.

O aniversário do Rio Grande é em 19 de fevereiro porque nesse dia, em 1737, o brigadeiro José da Silva Paes fundou ali uma base militar. Silva Paes comandava uma expedição portuguesa, com homens do mar e soldados, para garantir a Portugal a posse das terras do Sul. A base ficava na barra, a entrada do canal que liga a Lagoa dos Patos ao mar. Silva Paes era devoto da Sagrada Família e deu à base o nome de Jesus, Maria e José.

Depois da fundação, Silva Paes mandou construir um forte a cerca de 3 km dali, entre o canal e o Saco da Mangueira, para proteger a base pelos fundos. A cidade começou no acampamento dessas tropas portuguesas. Os colonos ergueram no acampamento uma capela dedicada a Santa Ana.

É feriado no aniversário do Rio Grande?

Não, 19 de fevereiro não é feriado municipal no Rio Grande.

Como é comemorado o aniversário do Rio Grande?

A comemoração tradicional do aniversário é a entrega das medalhas da Ordem de Silva Paes pela prefeitura, no fim da tarde do dia 19, no monumento ao fundador, na Praça Xavier Ferreira. A ordem leva o nome do brigadeiro, existe desde 1983 e homenageia pessoas que ajudaram a cidade. No aniversário, a Câmara de Vereadores também faz uma sessão solene.

Como o Rio Grande nasceu da base militar de 1737

A disputa pelas terras do Sul antes da base militar (1720 a 1736)

Por volta de 1720, bandeirantes vindos de Laguna chegaram à região de São José do Norte atrás do gado solto das missões. A região ficava no limite entre as terras dos minuanos, ao sul, e dos carijós, ao norte. Em 6 de agosto de 1736, uma ordem do governo criou a paróquia de São Pedro para atender todo esse território, meses antes da chegada de Silva Paes.

Cais do Porto do Rio Grande. Foto: Sandro Gonçalves, CC BY-SA 3.0

O povoado vira vila e capital (1737 a 1760)

Para povoar o lugar vieram indígenas catequizados e famílias do Rio de Janeiro e de Laguna, e na década de 1750 chegaram colonos dos Açores e da Madeira. O acampamento de 1737 era pouco cômodo, e o governador Gomes Freire de Andrada mudou a povoação para outro lugar, com a igreja de São Pedro e a casa da Câmara.

O Rio Grande virou vila em 17 de julho de 1751, e a Câmara tomou posse em 16 de dezembro do mesmo ano. Em 1760, a vila passou a ser a capital da nova capitania do Rio Grande de São Pedro, o território que hoje é o Rio Grande do Sul.

A invasão espanhola e a retomada portuguesa (1763 a 1776)

Em 12 de maio de 1763, o espanhol Pedro de Ceballos, governador de Buenos Aires, invadiu a vila do Rio Grande. Os moradores que não fugiram foram levados para Maldonado, no atual Uruguai, e deram origem ao povoado de São Carlos, que desde 2006 é cidade-irmã do Rio Grande. Com a invasão, a vila perdeu o título, e em 1766 a capital da capitania passou para Viamão.

Os portugueses retomaram a vila em 1º de abril de 1776, num ataque aos fortes comandado pelo tenente-general Johann Heinrich Böhm, com o apoio de Rafael Pinto Bandeira.

Vila de novo, cidade e capital na Farroupilha (1809 a 1846)

Uma ordem do governo de 1809 fez o Rio Grande virar vila de novo, e a nova Câmara tomou posse em 16 de fevereiro de 1811. Em 27 de junho de 1835, uma lei da província deu ao Rio Grande o título de cidade. Na Revolução Farroupilha, o Rio Grande voltou a ser a capital da província, porque o governo saiu de Porto Alegre, que estava ameaçada.

Em 26 de setembro de 1844 foi fundada a Câmara de Comércio do Rio Grande, a mais antiga do estado. Em 15 de agosto de 1846 nasceu a Biblioteca Rio-Grandense, que começou como gabinete de leitura.

A areia, a barra e o comércio do porto (1820 a 1845)

Em 1820, as dunas de areia chegavam à altura das casas e ameaçavam cobri-las, e pessoas escravizadas tiravam a areia sem parar. A areia já tinha enterrado ruas inteiras, e a cidade foi crescendo para o leste, sobre terra tomada da lagoa. A barra também mudava de lugar, porque o canal antigo se fechava com areia e um novo se abria em cerca de cinco anos.

Em 1845, o porto mandava couros e chifres para a Europa e vendia carne seca, sebo, velas e linho. As ruas não tinham calçamento, as casas eram quase todas térreas e os moradores bebiam água de poços. Quem queria água melhor ia buscar na Ilha dos Marinheiros.

Molhes da Barra, na foz da Lagoa dos Patos com o Atlântico. Foto: Mauricio Carlos Dias, CC BY-SA 4.0

As fábricas e a refinaria (1873 a 1937)

Em 1873 foi inaugurada a Companhia União Fabril Rheingantz, uma fábrica que chegou a ter mais de 1.200 funcionários na Primeira Guerra Mundial. Em 1937 abriu a Refinaria Ipiranga, a primeira refinaria construída no Brasil.

Linha do tempo do Rio GrandeSete marcos, de 1737 a 1873, na história do Rio Grande.
  • 1737Em 19 de fevereiro Silva Paes funda a base militar Jesus, Maria e José.
  • 1751O Rio Grande vira vila.
  • 1760A vila vira capital da capitania do Rio Grande de São Pedro.
  • 1763Os espanhóis invadem a vila.
  • 1776Os portugueses retomam a vila em 1º de abril.
  • 1835O Rio Grande recebe o título de cidade.
  • 1873É inaugurada a Companhia União Fabril Rheingantz.

De onde vem o nome Rio Grande?

O nome Rio Grande vem do canal que liga a Lagoa dos Patos ao mar, com cerca de uma légua de largura. Os primeiros navegantes e moradores chamaram esse canal de rio por engano. Na verdade, ele só leva para o mar a água das lagoas dos Patos e Mirim.

Rio Grande era o nome dado a todas as águas que correm do Guaíba até o oceano Atlântico, passando pela Lagoa dos Patos. O mesmo nome deu origem ao nome do estado do Rio Grande do Sul. Quem nasce na cidade é chamado de rio-grandino.

O que visitar no aniversário do Rio Grande?

Monumento a Silva Paes, na Praça Xavier Ferreira

O monumento homenageia o brigadeiro José da Silva Paes, que fundou a base militar em 19 de fevereiro de 1737. É ali que a prefeitura entrega as medalhas da Ordem de Silva Paes no fim da tarde do aniversário.

Catedral de São Pedro

A Catedral de São Pedro é o templo mais antigo do Rio Grande do Sul e é tombada pelo IPHAN, o órgão federal do patrimônio histórico. São Pedro é o santo da paróquia criada em 1736, meses antes da fundação da base militar.

Museu Histórico da Cidade do Rio Grande

O museu funciona no antigo prédio da Alfândega, um prédio de estilo neoclássico tombado pelo IPHAN em 1967. Um viajante francês que passou pela cidade em 1820 achou que o Rio Grande seria abandonado se não tivesse a alfândega do porto.

Biblioteca Rio-Grandense

A Biblioteca Rio-Grandense foi fundada em 15 de agosto de 1846, como gabinete de leitura, quando o Rio Grande já era cidade.