Todos os feriados da capital no ano, com o calendário e os feriados prolongados, estão em Feriados do Recife.

O aniversário do Recife, em 12 de março, é feriado?

Não, o aniversário do Recife não é feriado municipal.

Os feriados municipais do Recife são o São João (24 de junho), o dia de Nossa Senhora do Carmo, padroeira (16 de julho) e o dia da Imaculada Conceição (8 de dezembro). No aniversário, a cidade funciona como em um dia comum.

Do foral de 1537 ao porto de Nassau: a formação do Recife

A origem do Recife remonta à terceira década do século XVI, quando o lugar era uma estreita faixa de areia protegida por uma linha de arrecifes, que formava um ancoradouro natural. Ali se instalou o porto que servia à vila de Olinda, capital da capitania de Pernambuco, e em volta dele surgiu um povoado de cerca de 200 moradores, em sua maioria marinheiros, carregadores e pescadores, na península que corresponde ao Bairro do Recife.

O porto aparece no Foral de Olinda, de 12 de março de 1537, em que o donatário Duarte Coelho cita o ribeiro do mar dos Arrecifes dos Navios, e é dessa data que o Recife conta a idade. O comércio do porto acelerou o crescimento, e o açúcar fez o resto: as margens dos rios foram ocupadas por engenhos e casebres, e os próprios rios viraram caminhos navegáveis para levar a produção até os navios.

Marco Zero, no Bairro do Recife. Foto: Joelkaula, CC BY-SA 4.0

No século XVII, com a economia da colônia em alta, o porto prosperou e a vila começou a tomar forma de cidade. Esse movimento seria acelerado, e redesenhado, por um grupo que chegou pelo mar.

Da invasão holandesa à Mauritsstad

A riqueza do açúcar atraiu a Companhia das Índias Ocidentais. Em 1630, os holandeses invadiram e incendiaram Olinda e se fixaram nas terras baixas do Recife, mais adequadas a seus planos militares e comerciais e parecidas com a paisagem da Holanda. Colonos, soldados, moradores de Olinda e imigrantes judeus passaram a ocupar a vila.

Sob Maurício de Nassau, entre 1637 e 1644, o Recife ganhou pontes, canais, obras no porto e um novo bairro planejado, a Mauritsstad, ou Mauricéia, nome dado em homenagem ao governador. O conde trouxe ao Brasil artistas e estudiosos, e a política de tolerância religiosa permitiu a vinda de judeus, que fundaram a Kahal Zur Israel, tida como a primeira sinagoga das Américas, no bairro do Recife.

A Insurreição Pernambucana levou à expulsão dos holandeses em 1654. A partir do século XVIII, a urbanização portuguesa avançou sobre o antigo território holandês de forma espontânea, com ruas estreitas que se abrem em pátios dominados por igrejas, desenho que ainda marca os bairros centrais.

De vila a capital, entre revoltas e aterros

A autonomia do Recife em relação a Olinda veio por etapas, e cada uma delas teve disputa. A Carta Régia de 19 de novembro de 1709 elevou o povoado à categoria de vila, decisão que acirrou o conflito entre os comerciantes do Recife e a aristocracia açucareira de Olinda, conhecido como Guerra dos Mascates, de 1710 e 1711.

No século seguinte, a cidade foi palco de movimentos de ideais republicanos, como a Revolução Pernambucana de 1817 e a Confederação do Equador, de 1824. Entre as duas, uma Carta Imperial de 5 de dezembro de 1823 deu ao Recife o título de cidade, e uma portaria de 29 de dezembro de 1825, confirmada em 1827, fez dele a capital de Pernambuco.

Linha do tempo do RecifeSete marcos, de 1537 a 2000, na história do Recife.
  • 1537Foral de 12 de março marca a origem documental do povoado.
  • 1630Início do domínio holandês em Pernambuco, com sede no Recife.
  • 1637-1644Governo de Maurício de Nassau: pontes, porto e a Mauritsstad.
  • 1654Expulsão dos holandeses após a Insurreição Pernambucana.
  • 1817Revolução Pernambucana.
  • 1824Confederação do Equador.
  • 2000Fundação do Porto Digital, no Bairro do Recife.

A organização do território acompanhou esse crescimento. Um alvará de 25 de agosto de 1789 criou o distrito de Santo Antônio, e a Lei Provincial n. 173, de 20 de novembro de 1846, o da Várzea. Já na República, a Lei Municipal n. 1, de 6 de abril de 1892, criou de uma vez os distritos de Afogados, Boa Vista, Encruzilhada, Graças, Poço da Panela, Santo Amaro, São Frei Pedro Gonçalves e São José. Em 1896, vieram Madalena e Torre, nomes que seguem no mapa dos bairros.

O curso jurídico criado em Olinda em 1827 foi transferido para o Recife em 1854 e deu origem à Faculdade de Direito do Recife. Ao longo do século XIX, os aterros de áreas alagadas e mangues formaram um tecido urbano denso, que corresponde ao centro histórico. Os rios Capibaribe e Beberibe, as pontes e as ilhas renderam ao Recife o apelido de Veneza brasileira.

Rua do Bom Jesus, no Recife Antigo. Foto: A. Júnior, CC BY 2.0

A cidade é berço do frevo, reconhecido pela UNESCO como patrimônio imaterial da humanidade em 2012, e do manguebeat, movimento de Chico Science e Nação Zumbi nos anos 1990, que misturou maracatu com rock e eletrônica. Em 2000, o Porto Digital passou a ocupar casarões do Recife Antigo como polo de tecnologia, no mesmo bairro onde o povoado nasceu. No mesmo bairro fica a Praça Rio Branco, conhecida como Marco Zero, de onde se medem as distâncias rodoviárias da cidade.