Todos os feriados da capital no ano, com o calendário e os feriados prolongados, estão em Feriados do Recife.

A data do aniversário do Recife lembra a carta assinada por Duarte Coelho em 12 de março de 1537. A carta, que deu regras e direitos à vila de Olinda, é o registro escrito mais antigo do porto do Recife. Por isso Olinda e o Recife fazem aniversário no mesmo dia.

Quando é o aniversário do Recife e quantos anos a cidade faz?

O aniversário do Recife é em 12 de março. Em 2027, o Recife completa 490 anos.

O aniversário do Recife é em 12 de março porque nesse dia, em 1537, Duarte Coelho assinou a carta com as regras e os direitos da vila de Olinda. Duarte Coelho governava a capitania de Pernambuco em nome do rei de Portugal. Na carta, ele cita o porto que servia a Olinda com o nome de ribeiro do mar dos Arrecifes dos Navios. Nesse porto vivia um pequeno grupo de marinheiros e pescadores.

A carta de 1537 é o registro escrito mais antigo do Recife, e por isso a cidade conta a idade a partir dela. Com essa conta, o Recife é a mais antiga entre as capitais dos estados brasileiros. Olinda faz aniversário no mesmo dia, 12 de março, por causa da mesma carta de 1537.

É feriado no aniversário do Recife?

Não, 12 de março não é feriado municipal no Recife.

Como o porto de Olinda se tornou o Recife, a capital de Pernambuco

O povoado do Recife em volta do porto que servia a Olinda (1537 a 1630)

No começo, o Recife era uma faixa estreita de areia protegida pela linha de arrecifes, as pedras que correm em frente à praia. Os navios paravam ali, protegidos das ondas, e em volta do porto cresceu um povoado pequeno de marinheiros, carregadores e pescadores. Com o açúcar, as margens dos rios se encheram de engenhos, e os rios viraram caminho para levar a produção até os navios do porto.

Os senhores de engenho moravam em Olinda, no alto, e o povoado do Recife existia só por causa do porto. Os fortes do povoado foram construídos virados para o mar, por medo dos ataques de piratas. Em 1595, o inglês James Lancaster tomou o porto do Recife e ficou nele quase um mês. Em 1630, o Recife ainda era só algumas casas espalhadas num areal, a uma légua ao sul de Olinda.

Marco Zero, no Bairro do Recife. Foto: Joelkaula, CC BY-SA 4.0

Os holandeses no Recife e a construção da Cidade Maurícia (1630 a 1654)

Em 1630, os holandeses invadiram Pernambuco e incendiaram Olinda. Eles preferiram ficar no Recife, que tinha terra baixa e lembrava a Holanda. O conde Maurício de Nassau chegou em 1637 com arquitetos e engenheiros e mandou construir uma cidade nova na ilha de Antônio Vaz, chamada Cidade Maurícia. Em 1643 ficou pronta uma ponte de madeira entre o porto e a ilha, a primeira ponte grande do Brasil.

No palácio de Nassau funcionou o primeiro observatório de estrelas do Hemisfério Sul. Os judeus puderam praticar a sua religião no Recife e abriram em 1642 a sinagoga Kahal Zur Israel, considerada o primeiro templo judaico das Américas. No Recife também foram feitas as primeiras moedas do Brasil, com a palavra Brasil gravada. Assim, nos anos dos holandeses, o Recife deixou de ser só o porto de Olinda.

A volta dos portugueses e a disputa do Recife com Olinda (1654 a 1711)

Os holandeses foram expulsos de Pernambuco em 1654, depois da segunda batalha dos Guararapes. A maioria dos judeus deixou o Recife em 16 navios, e parte deles foi para Nova York. Depois chegaram ao Recife muitos comerciantes de Portugal, chamados de mascates pelos senhores de Olinda.

Em 19 de novembro de 1709, o rei de Portugal transformou o Recife em vila, e o Recife deixou de depender de Olinda. Olinda não aceitou a perda de poder, e a disputa entre as duas virou a Guerra dos Mascates, em 1710 e 1711.

Como o Recife virou cidade e capital de Pernambuco (1817 a 1827)

Em 6 de março de 1817, começou no Recife a Revolução Pernambucana, uma revolta contra o governo de Portugal. Em 5 de dezembro de 1823, o imperador Dom Pedro I deu ao Recife o título de cidade. Em 1825, o Recife passou a ser a capital da província de Pernambuco no lugar de Olinda, e a decisão foi confirmada em 1827.

As pontes e os aterros que formaram o centro do Recife (século 19)

No começo do século 19, a cidade do Recife tinha três partes ligadas por duas pontes. Eram o bairro do Recife, a ilha de Santo Antônio e a Boa Vista, já em terra firme. Ao longo do século, os moradores aterraram mangues e áreas alagadas, e desses aterros nasceu o centro do Recife de hoje. O curso de Direito de Olinda mudou para o Recife em 1854. Os rios, as pontes e as ilhas deram ao Recife o apelido de Veneza brasileira.

Rua do Bom Jesus, no Recife Antigo. Foto: A. Júnior, CC BY 2.0
Linha do tempo do RecifeSete marcos, de 1537 a 1827, na história do Recife.
  • 1537A carta de Duarte Coelho para Olinda cita o porto dos Arrecifes dos Navios.
  • 1630Os holandeses incendeiam Olinda e passam a morar no Recife.
  • 1637Maurício de Nassau chega e começa a Cidade Maurícia.
  • 1654Os holandeses são expulsos de Pernambuco.
  • 1709O Recife vira vila e deixa de depender de Olinda.
  • 1823O Recife recebe o título de cidade.
  • 1827O Recife é confirmado como capital de Pernambuco.

De onde vem o nome Recife?

O nome Recife vem dos arrecifes, a linha de pedras que corre em frente à praia e protegia o porto. Arrecife é a forma antiga da palavra recife e veio do árabe, língua em que a palavra quer dizer calçada, dique ou paredão. Em 1532, o navegador Pero Lopes de Sousa chamou o porto de Barra dos Arrecifes no seu diário de viagem. Num mapa de 1618, o lugar já aparece com o nome de Lugar do Recife.

Como o nome nasceu das pedras do mar, o historiador José Antônio Gonsalves de Mello explicou que ele pede artigo. Para ele, o certo é dizer “o Recife”, e nunca “Recife” sozinho. O escritor Gilberto Freyre defendeu a mesma forma num livro chamado “O Recife, sim! Recife, não!”.

O que visitar no aniversário do Recife?

Marco Zero

No Marco Zero, na Praça Rio Branco, dá para pisar no bairro do Recife, onde o povoado do porto nasceu. A placa do Marco Zero foi colocada no chão da praça em 1938, e dela se medem as distâncias das estradas da cidade.

Rua do Bom Jesus

Na Rua do Bom Jesus dá para caminhar entre casarões coloridos no pedaço mais antigo do Recife. A rua fica na faixa de areia onde estava o porto citado na carta de 12 de março de 1537.

Forte das Cinco Pontas

No Forte das Cinco Pontas, no bairro de São José, dá para visitar o Museu da Cidade do Recife. Os holandeses construíram o forte em 1630, e os portugueses o refizeram em 1684 com quatro pontas, mas o nome antigo continuou. O forte foi tombado como patrimônio nacional em 1938.