O aniversário de Poços de Caldas, em 6 de novembro, é feriado?

Sim, é feriado, pelo dia de Nossa Senhora da Saúde, que coincide com o aniversário.

O feriado é municipal, conforme a Lei Municipal 2.053/1973, alterada pela Lei 8.433/2007.

O que abre e o que fecha

ServiçoNo feriado
BancosAs agências fecham em feriado municipal; canais digitais e autoatendimento funcionam (Febraban).
Repartições municipaisFechadas, salvo os serviços essenciais.
ComércioDepende da convenção coletiva local.

Da caldeira vulcânica às termas Art Déco: a história de Poços de Caldas

Poços de Caldas nasceu por causa das águas. A cidade ocupa o interior de uma antiga caldeira vulcânica, estrutura formada pelo colapso de uma câmara de magma há dezenas de milhões de anos. As serras que cercam o município são a borda dessa estrutura, e o subsolo aquecido alimenta as fontes sulfurosas e termais que deram origem à estância.

As primeiras fontes foram descobertas no século XVIII. A ocupação das terras veio com antigos garimpeiros, que trocaram a mineração pela criação de gado. Em 1818, a área onde a cidade se formaria pertencia ao capitão José Bernardes Junqueira, e as nascentes eram usadas sobretudo pelos animais que pastavam por ali.

Cascata do Véu das Noivas. Foto: Renato J Muniz, CC BY-SA 4.0

O núcleo urbano nasceu de um ato de governo. O senador Joaquim Floriano de Godoy declarou de utilidade pública os terrenos junto aos poços de água sulfurosa e determinou a desapropriação do local. O próprio capitão Junqueira doou 96 hectares para a fundação da cidade, em ato assinado em 6 de novembro de 1872, data que o município adota como aniversário e que coincide com o dia da padroeira, Nossa Senhora da Saúde. A Lei 8.433, de 2007, instituiu oficialmente esse dia e alterou a lei dos feriados municipais de 1973.

O nome junta as duas pontas da história. "Poços" eram as nascentes onde os animais bebiam; "Caldas" lembra Caldas da Rainha, estância termal portuguesa frequentada pela família real desde o século XVI, referência obrigatória de quem falava em banhos medicinais na época.

Linha do tempo de Poços de CaldasSete marcos, de 1818 a 1946, na história de Poços de Caldas.
  • 1818As terras onde a cidade se formaria pertencem ao capitão José Bernardes Junqueira.
  • 1872Em 6 de novembro, doação de 96 hectares e fundação do núcleo urbano.
  • 1886Dom Pedro II inaugura o ramal da Estrada de Ferro Mogiana.
  • 1888A Lei 3.659 eleva a localidade a vila, desmembrada de Caldas.
  • 1915A Lei Estadual 663 eleva Poços de Caldas a cidade.
  • 1931Inauguração das Thermas Antônio Carlos.
  • 1946A proibição do jogo fecha os cassinos.

Banhos sulfurosos, Dom Pedro II e a vila de 1888

Depois da doação de 1872, a vida do povoado passou a girar em torno dos banhos. Desde 1886 funcionava uma casa de banho abastecida pela Fonte dos Macacos, procurada para o tratamento de doenças de pele. Em 1889, Pedro Sanches abriu outro estabelecimento, que captava a água da Fonte Pedro Botelho, onde a água sulfurosa subia até os depósitos por pressão natural.

Em outubro de 1886, a estância recebeu o imperador Dom Pedro II e a imperatriz Teresa Cristina, que vieram para a inauguração do ramal da Estrada de Ferro Mogiana. Os trilhos ligaram as fontes ao restante da rede e firmaram a vocação de destino de descanso e tratamento.

A emancipação veio em seguida. O antigo distrito de Nossa Senhora da Saúde das Águas de Caldas, subordinado ao município de Caldas, foi elevado a vila com o nome de Poços de Caldas pela Lei 3.659, de 1º de setembro de 1888, e instalado em 31 de maio de 1890. A condição de cidade chegou com a Lei Estadual 663, de 18 de setembro de 1915. Nas divisões territoriais registradas pelo IBGE a partir de 1911, o município aparece formado apenas pelo distrito sede, sem distritos anexados.

Cassinos, Getúlio Vargas e a virada de 1946

A fase mais lembrada da estância é a do Palace Hotel e do Cassino. Em 1931 foram inauguradas as Thermas Antônio Carlos, estabelecimento de banhos termais. As termas ocuparam o lugar do antigo balneário de Pedro Sanches, que deixou de existir.

No tempo do cassino, a aristocracia brasileira frequentava os salões do Palace Casino e do Palace Hotel. O presidente Getúlio Vargas tinha no hotel uma suíte com a mesma decoração da que usava no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, então capital do país. A piscina térmica do hotel fica num salão sustentado por colunas de mármore de Carrara. Pelo cassino passaram cantores como Sílvio Caldas, Carmen Miranda, Orlando Silva e Carlos Galhardo.

Cristo Redentor no alto do Morro do Cristo. Foto: NayaraRN, CC BY-SA 4.0

A lista de visitantes ia além da música. Estiveram na cidade Rui Barbosa, Santos Dumont, o poeta Olavo Bilac e o cronista João do Rio. Entre os políticos, o interventor mineiro Benedito Valadares e o presidente Juscelino Kubitschek foram presenças frequentes.

Dois golpes vieram quase juntos: a proibição do jogo, em 1946, fechou os cassinos, e a chegada dos antibióticos tirou do termalismo o papel de tratamento principal para várias doenças. A cidade reagiu mudando o foco do turismo para famílias de classe média e excursões às fontes, e ganhou um segundo pilar com a indústria e a mineração de bauxita, minério de onde se extrai o alumínio. Veio também o teleférico da Serra de São Domingos, em 1974.

A trajetória das águas chegou ao Carnaval carioca em 2006, quando a cidade foi tema do enredo da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis.