O aniversário de Patos, em 24 de outubro, é feriado?

Sim, é feriado municipal em Patos.

O que abre e o que fecha

ServiçoNo feriado
BancosAs agências fecham em feriado municipal; canais digitais e autoatendimento funcionam (Febraban).
Repartições municipaisFechadas, salvo os serviços essenciais.
ComércioDepende da convenção coletiva local.

Da capela de Nossa Senhora da Guia à vila do sertão: a história por trás do 24 de outubro

O 24 de outubro lembra a elevação de Patos de vila a cidade, pela Lei Estadual 200, de 1903. O povoado, porém, é bem mais antigo e nasceu no padrão do sertão: uma fazenda de gado e uma capela.

Até meados do século XVII, a área era dos índios Pegas e Panatis, do grupo dos Cariris. Os primeiros colonizadores foram membros da família Oliveira Ledo, que partiram da Casa da Torre de Garcia d’Ávila, no Recôncavo Baiano, seguiram pelo rio São Francisco e instalaram fazendas de gado. Encontraram forte resistência, e os indígenas foram expulsos aos poucos.

O primeiro nome do lugar foi Itatiunga, que significa pedra branca. Patos veio depois, de uma lagoa às margens do rio Espinharas, aterrada com o tempo, onde viviam gansos, marrecos e patos. Em volta dela surgiram as primeiras construções.

Catedral de Nossa Senhora da Guia, no centro de Patos. Foto: GLandovsky, CC BY-SA 4.0

Em 1752, o alferes João Gomes de Melo e a mulher, Mariana Dias Antunes, com o genro, capitão Paulo Mendes de Figueiredo, e a filha, Maria Teixeira de Melo, donos dos sítios de Patos e Pedra Branca, doaram terras a Nossa Senhora da Guia. Os herdeiros ratificaram a doação em 28 de novembro de 1768, e a capela começou a ser erguida em 1772. É nessas terras que está a cidade.

O povoado ficou ligado à freguesia de Nossa Senhora do Bom Sucesso de Pombal até 6 de outubro de 1788, quando uma provisão régia criou a paróquia de Patos.

Frei Caneca na estrada do sertão

A posição no único caminho entre o interior e o litoral pôs o povoado no trajeto das revoltas do começo do século XIX. Em 1817, a Revolução Pernambucana foi espalhada pelo sertão da Paraíba pelo vigário de Pombal, José Ferreira Nobre, e Patos virou rota dos revolucionários, que pretendiam proclamar uma república inspirada na constituição da Colômbia.

Na manhã de 7 de setembro de 1824, passaram pela povoação, presos e a caminho do Recife, envolvidos na Confederação do Equador, entre eles Frei Caneca. No diário, o frade registrou um jantar na casa do vigário Antônio da Silva Costa e elogiou as estradas da região. A comitiva dormiu na Cacimba dos Bois, a duas léguas e meia, e o frade comparou o ar e a paisagem da Passagem aos da praia. Ele seria executado em 13 de janeiro de 1825, na Fortaleza das Cinco Pontas, no Recife.

Linha do tempo de PatosDez marcos, de 1752 a 2022, na história de Patos.
  • 1752Os donos dos sítios de Patos e Pedra Branca doam terras a Nossa Senhora da Guia.
  • 1768Em 28 de novembro, os herdeiros ratificam a doação.
  • 1772Começa a construção da capela de Nossa Senhora da Guia.
  • 1788Em 6 de outubro, uma provisão régia cria a paróquia de Patos.
  • 1824Em 7 de setembro, Frei Caneca passa preso pela povoação, a caminho do Recife.
  • 1833Em 22 de agosto, instalação da Vila de Patos, criada por decreto de 1832.
  • 1903Em 24 de outubro, a Lei Estadual 200 eleva a vila a cidade.
  • 1961Cinco distritos de Patos ganham autonomia.
  • 2002Criação da UFCG, com campus em Patos.
  • 2022A Lei Estadual 12.418 confere a Patos o título de Capital do Sertão da Paraíba.

Pouco depois, um decreto de 13 de dezembro de 1832 elevou Patos a vila, separada de Pombal. A instalação ocorreu em 22 de agosto de 1833, com a posse da primeira Câmara de Vereadores. Em 1911 o município tinha dois distritos, Patos e Passagem; nos anos 1930 já eram quatro, com Cacimba de Areia e São José.

Da pecuária à Capital do Sertão

No século XX, Patos se firmou como entreposto comercial e polo da pecuária e do algodão no sertão paraibano. Da criação de gado vieram também as de cabras e ovelhas, e a cidade virou referência em caprinovinocultura. Em 22 de dezembro de 1961, uma série de leis estaduais deu autonomia de uma vez a cinco distritos: Salgadinho, Santa Terezinha, Passagem, Cacimba de Areia e São José de Espinharas. Areia de Baraúnas foi junto com Passagem e passou a formar o novo município.

Antes disso, o mapa interno tinha mudado várias vezes: o Decreto-Lei Estadual 520, de 31 de dezembro de 1943, trocou Passagem por Espinharas e São José por Mucunã; a Lei Estadual 318, de 7 de janeiro de 1949, devolveu os nomes antigos, como Passagem e São José de Espinharas, e criou o distrito de Salgadinho; a Lei Estadual 653, de 5 de dezembro de 1951, criou Santa Terezinha, e as Leis Municipais 406 e 409, de 5 de julho de 1960, criaram Areia de Baraúnas e Santa Gertrudes.

Jerimum, criado como distrito pela Lei Estadual 2.825, de 14 de abril de 1962, foi o seguinte: a Lei Estadual 3.156, de 31 de março de 1964, fez dele o município de São José do Bonfim. O Campus Patos da UFCG, presente desde a criação da universidade, em 2002, abriga o Centro de Saúde e Tecnologia Rural. Santa Gertrudes seguiu como único distrito além da sede.

Açude do Jatobá, reservatório no sertão patoense. Foto: José Rildo da Nóbrega Alencar, CC BY-SA 3.0

Em 2022, a Lei Estadual 12.418 deu a Patos o título de Capital do Sertão da Paraíba. Outro apelido tradicional é Morada do Sol, e o São João de Patos é reconhecido como patrimônio cultural imaterial do estado. A padroeira segue no centro, na Catedral de Nossa Senhora da Guia. Quem nasce na cidade é patoense.