O aniversário de Parnaíba, em 14 de agosto, é feriado?
Sim, é feriado municipal em Parnaíba.
O que abre e o que fecha
| Serviço | No feriado |
|---|---|
| Bancos | As agências fecham em feriado municipal; canais digitais e autoatendimento funcionam (Febraban). |
| Repartições municipais | Fechadas, salvo os serviços essenciais. |
| Comércio | Depende da convenção coletiva local. |
Do Porto das Barcas à Capital do Delta: a história do 14 de agosto
Antes dos navegadores, o delta do rio Parnaíba era terra dos índios Tremembés, que dominavam a região e parte do litoral do Maranhão e do Ceará. A foz em mar aberto atraiu, entre os séculos XVI e XVII, expedições de nomes como Nicolau Resende, em 1571, Gabriel Soares de Sousa, em 1587, Pero Coelho de Sousa, em 1602, Vital Maciel Parente, em 1614, e Martim Soares de Sousa, em 1631, além de padres jesuítas e pesquisadores.
A ocupação econômica veio pelo gado. Uma carta régia de 1701 só permitia a criação a 10 léguas do litoral, e a pecuária do Piauí se concentrou no interior. Sem caminho terrestre viável, já que o trajeto por terra até a costa era longo e penoso, comerciantes e contrabandistas passaram a usar o rio para escoar a produção até o mar.
Perto da foz surgiu um entreposto para guardar os animais e preparar a carne, o Porto Salgado, depois chamado de Porto das Barcas, à margem direita do rio Igaraçu. O lugar deu origem a uma indústria charqueadora e a um dos dois núcleos que formaram a cidade. O outro foi o arraial de Testa Branca, uma antiga fazenda de gado.
- 1701Carta régia afasta o gado do litoral e o rio vira caminho do comércio.
- 1761Em 19 de junho, provisão régia cria o município de Parnaíba.
- 1762Em 18 de agosto, instalação da Vila de São João da Parnaíba, em Testa Branca.
- 1769A Câmara, no Porto das Barcas, proíbe novas construções em Testa Branca.
- 1773Nasce na vila Simplício Dias da Silva, que chegaria a presidir a província.
- 1844A Resolução provincial 166 eleva a localidade à condição de cidade.
- 2018Criação da UFDPar, desmembrada da UFPI.
Testa Branca contra o Porto das Barcas
O nascimento da vila teve uma disputa de endereço. Uma provisão régia de 19 de junho de 1761 criou o município, e a Vila de São João da Parnaíba foi instalada em 18 de agosto de 1762, com sede no arraial de Testa Branca, antiga fazenda de gado, por decisão do governador João Pereira Caldas.
A escolha foi mal recebida, porque o Porto das Barcas já tinha o pelourinho, símbolo da autonomia municipal. Os comerciantes haviam se comprometido a construir 59 casas em Testa Branca, mas o acordo nunca saiu do papel. Em 1769, a Câmara, instalada no Porto das Barcas, proibiu novas construções no arraial rival. Na prática, a disputa terminou a favor do porto, onde ficaram a Câmara e o comércio.
O Porto das Barcas prosperou com o intenso movimento de embarcações e virou uma feitoria em crescimento. A feitoria era administrada pelo português João Paulo Diniz, dono de oficinas de carne seca a 80 léguas da foz, que trazia em suas sumacas charque e gêneros para o comércio local.
No século XIX e no início do XX, o Porto das Barcas viveu o auge. Dos casarões e armazéns à beira do rio saíam o charque e a produção da região, e a cidade virou entreposto comercial do Meio-Norte.
Independência, cidade e a Capital do Delta
Uma resolução régia de 25 de setembro de 1801 criou o distrito com o nome de Parnaíba, e a vida da vila seguiu presa ao comércio do porto. Simplício Dias da Silva, fazendeiro nascido na própria vila em 1773, dominou a vida política e econômica local e chegou a presidir a província. A localidade foi elevada à condição de cidade pela Resolução provincial 166, de 1844, e o 14 de agosto, o Dia da Parnaíba, é a data que a cidade celebra como aniversário.
No século XX, o desenho do município mudou duas vezes. Pelo Decreto Estadual 1.279, de 26 de junho de 1931, Parnaíba absorveu o extinto município de Amarração, e em 1933 a divisão administrativa já listava dois distritos, Parnaíba e Amarração. Um decreto-lei de 4 de setembro de 1935 rebatizou o distrito como Luís Correia, e o Decreto Estadual 147, de 15 de dezembro de 1938, o devolveu à condição de município. Desde então, Parnaíba é formada apenas pelo distrito sede, com Luís Correia como vizinha no litoral. O escritor Humberto de Campos, nascido no Maranhão, cresceu na cidade, onde se lembra o Cajueiro de Humberto de Campos.
A cidade fica na divisa natural do Piauí com o Maranhão e é sede da Diocese de Parnaíba, cuja catedral é dedicada a Nossa Senhora Mãe da Divina Graça. Quem nasce no município é chamado de parnaibano, segundo o IBGE.
A foz do rio se abre em cinco braços, com 73 ilhas, mangues e dunas, num delta em mar aberto. A cidade é porta de entrada do delta e um dos pontos da Rota das Emoções, que segue para Jericoacoara e os Lençóis Maranhenses, o que lhe deu o apelido de Capital do Delta. Em 2018 foi criada a UFDPar, a Universidade Federal do Delta do Parnaíba.