O aniversário de Nova Lima, em 5 de fevereiro, é feriado?
Não, o aniversário de Nova Lima não é feriado municipal.
No aniversário, a cidade funciona como em um dia comum.
Do ouro de Morro Velho a Nova Lima: a história do 5 de fevereiro
A história de Nova Lima começa com o ouro. Nas últimas décadas do século XVII, o bandeirante paulista Domingos Rodrigues da Fonseca Leme chegou à região e encontrou ouro nos córregos do Cardoso e dos Cristais. Outros aventureiros vieram atrás, e em torno das lavras formou-se o primeiro povoamento, no Quadrilátero Ferrífero, ao sul de onde surgiria Belo Horizonte.
O lugar mudou de nome várias vezes. Começou como Campos de Congonhas, passou a Congonhas das Minas de Ouro com a expansão da mineração e, em 1836, virou Congonhas de Sabará, ligada à vila de Sabará, núcleo da região. Por volta de 1708 já havia uma capela dedicada a Nossa Senhora do Pilar, padroeira da cidade.
Na década de 1720 chegaram novos mineradores e surgiram engenhos e concessões de lavra. A Igreja do Senhor do Bonfim, de 1720, tombada pelo conselho municipal de patrimônio, marca esse começo. Em 1725, a família Freitas passou a explorar a Mina de Morro Velho, que por quase um século rendeu pouco e exigiu muito trabalho.
Morro Velho e os ingleses da Saint John d'El Rey
A virada veio de fora, depois da Independência. Em 1830, a família Freitas vendeu Morro Velho ao capitão inglês George Francis Lyon, e em 1834 a mina passou à Saint John d'El Rey Mining Company, com direção em Londres. A companhia levou técnicas pouco comuns no Brasil, e em 1879 a mina respondia por 83% do ouro exportado pela província de Minas Gerais.
Com a empresa vieram funcionários ingleses, e a cultura britânica ficou na arquitetura, nos costumes e no futebol. A companhia usou mão de obra livre e escravizada. Depois da Lei Eusébio de Queirós, de 1850, criou cadernetas de crédito, casas baratas perto da mina e até moeda própria para o Armazém da Mina, a atual Casa Aristides.
A mina teve tragédias. Um desmoronamento soterrou máquinas em 1857, e um incêndio de quatro dias, em 1869, matou 21 escravizados e um mineiro inglês. Em 1881, Dom Pedro II e a imperatriz Teresa Cristina visitaram Morro Velho, e o imperador desceu 457 metros de elevador. Em 1886, um deslizamento da abóbada matou dezenas de trabalhadores e quase levou a empresa à liquidação.
O superintendente George Chalmers reergueu a operação com dois novos poços, abertos a partir de 1889. Com a abolição e a República, a companhia passou ao trabalho assalariado e recebeu imigrantes italianos e espanhóis. Chalmers dirigiu Morro Velho por 40 anos, até 1924.
Para manter as galerias funcionando, a companhia investiu em energia. Chalmers comprou terras ao sul, onde havia queda d'água, e as represas do Miguelão, das Codornas e da Lagoa Grande, depois chamada de Lagoa dos Ingleses, passaram a alimentar as usinas do Rio de Peixe.
De Villa Nova de Lima a Nova Lima
O 5 de fevereiro vem desse período de mudança. Pelo Decreto Estadual 364, de 5 de fevereiro de 1891, o povoado se separou de Sabará com o nome de Villa Nova de Lima, homenagem ao historiador, poeta e político Antônio Augusto de Lima. O município foi instalado em 15 de março daquele ano, com os distritos de Piedade do Paraopeba e Santo Antônio do Rio Acima.
- Fim do século XVIIOcupação da região no ciclo do ouro, atribuída ao sertanista Domingos Rodrigues da Fonseca Leme.
- 1725Início da exploração da Mina de Morro Velho.
- 1748Instituição da freguesia de Nossa Senhora do Pilar pelo bispado de Mariana.
- 1834A inglesa Saint John d'El Rey Mining Company assume Morro Velho e ergue uma vila operária.
- 1891Em 5 de fevereiro, emancipação como Villa Nova de Lima.
- 1923Adoção do nome Nova Lima, pela Lei estadual 843.
A mina atraiu visitantes ilustres. O presidente Rodrigues Alves esteve em Villa Nova de Lima em 1904, e em 1920 o rei Alberto I da Bélgica desceu 1.950 metros na mina, acompanhado do presidente Epitácio Pessoa. Em 1931, o Príncipe de Gales, Eduardo, e o irmão, Jorge, fizeram uma visita rápida, lembrada pelos imigrantes ingleses da cidade. Entre 1904 e 1933, a companhia construiu seis usinas no Rio de Peixe, que forneceram energia elétrica nos primeiros anos de Belo Horizonte.
Pela Lei Estadual 843, de 7 de setembro de 1923, o município passou a se chamar simplesmente Nova Lima, e Santo Antônio do Rio Acima virou Rio Acima. Os operários da mina criaram um sindicato nas primeiras décadas do século XX e, a partir de meados do século, denunciaram a silicose nas galerias.
No fim do século XX, o vetor sul de Belo Horizonte avançou sobre o município, e bairros como Vila da Serra, Alphaville e Vale do Sereno receberam condomínios e serviços. O centro histórico, com a Casa Grande que hospedou o imperador e guarda a memória da mina, mantém o passado operário ao lado da expansão residencial.