O aniversário de Nossa Senhora do Socorro, em 7 de julho, é feriado?
Sim, é feriado municipal em Nossa Senhora do Socorro.
O que abre e o que fecha
| Serviço | No feriado |
|---|---|
| Bancos | As agências fecham em feriado municipal; canais digitais e autoatendimento funcionam (Febraban). |
| Repartições municipais | Fechadas, salvo os serviços essenciais. |
| Comércio | Depende da convenção coletiva local. |
Da freguesia da Cotinguiba à Grande Aracaju: a história de Nossa Senhora do Socorro
O território de Sergipe era habitado por diversos povos indígenas, e a antiga região da Cotinguiba, onde fica Nossa Senhora do Socorro, era terra de tupinambás no século XVI. A ocupação colonial deve ter começado na mesma época, quando a Coroa portuguesa avançou sobre a capitania de Sergipe Del Rey, a partir de 1575. Ainda em 1829, quando Socorro já era freguesia, havia aldeias indígenas nas mesmas localidades, sinal de que a ocupação colonial conviveu por muito tempo com os povos que já viviam ali.
No século XVIII, o núcleo vivia da mandioca e da cana-de-açúcar, entre engenhos e fazendas do vale do rio Cotinguiba. Em 1718, o arcebispo da Bahia, dom Sebastião Monteiro da Vide, elevou o lugar a freguesia, com o nome de Nossa Senhora do Socorro da Cotinguiba, ligada à vila de Santo Amaro das Brotas.
A freguesia reunia cerca de três mil moradores no século XVIII, espalhados por engenhos e roças. Sem uma igreja à altura, o pároco tinha dificuldade para atender os fiéis com regularidade e precisava se deslocar para outras localidades, situação que só se resolveria com a Matriz, no século XIX.
O município é banhado pelos rios do Sal, Cotinguiba e Sergipe, margeados por manguezais. Na faixa mais próxima do litoral predominam coqueiros, vegetação rasteira e matas de restinga.
A capela que servia à freguesia levava o mesmo nome. A Igreja Matriz de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro não tem documentação sobre a construção, mas guarda na soleira da sacristia uma inscrição com a data de 1714. O historiador da arte Germain Bazin a classificou como exemplar tardio do barroco, e o templo é tombado pelo IPHAN desde 1943.
- 1718Em 25 de setembro, criação da freguesia pelo arcebispado da Bahia.
- 1864Em 7 de julho, criação do distrito de Nossa Senhora do Socorro da Cotinguiba.
- 1868Emancipação política do município.
- 1943Tombamento da Igreja Matriz pelo IPHAN.
- 1954A Lei Estadual 554 devolve o nome Nossa Senhora do Socorro, depois de uma década como Cotiguiba.
- Anos 1980Conjuntos habitacionais da COHAB ampliam a área urbana.
A disputa com Laranjeiras e as idas e vindas de vila
Com a criação da vila de Laranjeiras, em 1832, o território da freguesia passou a fazer parte dela. Os socorrenses protestaram e lutaram pela autonomia, que veio com uma lei provincial de 14 de fevereiro de 1835: Socorro foi elevada a vila e se desligou de Laranjeiras.
A autonomia religiosa veio depois. Só em 1864 a capela se tornou Matriz, e a Resolução Provincial 701, de 7 de julho de 1864, criou o distrito de Nossa Senhora do Socorro da Cotinguiba, data que a cidade celebra como aniversário. Em 14 de março de 1868, a Lei Provincial 792 elevou de novo Socorro a vila, desmembrada de Aracaju, com autonomia plena.
O nome também mudou. O Decreto-lei Estadual 377, de 31 de dezembro de 1943, rebatizou o município como Cotiguiba, e só a Lei Estadual 554, de 6 de fevereiro de 1954, devolveu o nome Nossa Senhora do Socorro. Um decreto de 7 de dezembro de 1944 chegou a revogar a mudança, mas os quadros oficiais seguiram registrando Cotiguiba até a lei de 1954.
Os conjuntos da COHAB e a Grande Aracaju
A grande mudança veio no fim do século XX. Com a expansão da Região Metropolitana de Aracaju, os conjuntos habitacionais da COHAB, como Marcos Freire, João Alves Filho, Piabeta, Taiçoca e Fernando Collor, multiplicaram a área urbana a partir dos anos 1980.
A expansão começou pela porção sul do território, a partir dos anos 1960, e seguiu para o leste nos anos 1980, com grandes conjuntos planejados. Áreas de mangue, dunas e apicuns, ocupadas por pequenas comunidades que viviam da pesca e do extrativismo, deram lugar a loteamentos e conjuntos. A urbanização e a industrialização ficaram a cargo de dois órgãos do governo estadual, as atuais CEHOP, de habitação e obras públicas, e CODISE, de desenvolvimento econômico, que mantém no município um Distrito Industrial.
O historiador Luiz Mott registrou, no século XVIII, a presença de brancos, pardos, negros e indígenas na região.
Em 2021, a Lei Municipal 1.487 fixou a delimitação dos distritos e criou oficialmente bairros que tinham nascido dos conjuntos habitacionais. O território se divide em 15 distritos, um deles o próprio Distrito Industrial, e as áreas urbanas, em 28 bairros. Muitos conjuntos, como Maria do Carmo, Neuzice Barreto e Pôr do Sol, no bairro Mangabeira, ficaram mais conhecidos que os bairros onde estão.
Quem nasce na cidade é socorrense. A padroeira, Nossa Senhora do Socorro, é celebrada em 2 de fevereiro, data diferente do aniversário. A cidade não deve ser confundida com Socorro, no interior de São Paulo.