O aniversário de Muriaé, em 16 de maio, é feriado?

Sim, é feriado municipal em Muriaé.

O que abre e o que fecha

ServiçoNo feriado
BancosAs agências fecham em feriado municipal; canais digitais e autoatendimento funcionam (Febraban).
Repartições municipaisFechadas, salvo os serviços essenciais.
ComércioDepende da convenção coletiva local.

Dos puris à vila de São Paulo do Muriaé: a história por trás do 16 de maio

O 16 de maio lembra a Lei Provincial 724, de 1855, que elevou São Paulo do Muriaé à categoria de vila, separada de São João Batista do Presídio, a cidade de Visconde do Rio Branco. A instalação do município só ocorreu em 1861, e a condição de cidade veio em 1865.

A região era habitada pelos índios puris, e o nome Muriaé tem origem indígena. Em 1785, o cronista Couto Reis descreveu o vale do Muriaé como terra de condições pestíferas. Até o fim do século XIX, a febre amarela castigou o lugar, e várias versões ligam o nome aos mosquitos que infestavam a área. Uma delas parte do puri Meruim-hu, rio dos mosquitos.

A colonização começou pelo comércio. Em 1817, Constantino José Pinto desceu o rio Pomba com 40 homens, negociando ervas e raízes medicinais, chegou ao rio Muriaé e montou abarracamento no lugar do Largo do Rosário. Depois de um desentendimento com um chefe puri, pediu reforço ao sargento João do Monte, sob cuja proteção ergueu as primeiras casas. Sete anos depois, foi autorizada a construção de uma capela, que teve como primeiro capelão o padre Joaquim Teixeira de Siqueira.

Igreja Matriz de São Paulo, no centro de Muriaé. Foto: Josue Marinho, CC BY 3.0

No local nasceu um aldeamento indígena, com terras demarcadas para o plantio, chamado São Paulo do Manoel Burgo. Em 1819, o francês Guido Tomás Marlière ergueu a Capela do Rosário. Vieram extratores de madeira e de poaia, a raiz da ipecacuanha, primeira atividade econômica do lugar. O povoado cresceu ao longo do rio, em trechos chamados Porto, Barra e Armação, e o distrito de São Paulo do Muriahé foi criado em 1841.

A sede que mudou de lugar e o café da Leopoldina

Os primeiros anos da vila foram de disputa pela sede. Em 1859, uma lei provincial levou a sede para a povoação de Patrocínio do Muriaé, e no ano seguinte ela voltou a São Paulo do Muriaé, onde o município foi instalado em 30 de novembro de 1861. A demora tinha motivo: a lei só considerava o município instalado depois de pronto o prédio que abrigaria o governo municipal e as repartições da Província, e a obra, sem recursos nem mão de obra no lugar, correu de 1859 ao fim de 1860. A comarca foi criada em 1865, o mesmo ano em que a vila virou cidade.

Nas últimas décadas do século XIX, o café virou a base da economia, e os coronéis donos das fazendas formavam a elite política da região. Em 1886, a estação da Estrada de Ferro Leopoldina ligou Muriaé diariamente ao Rio de Janeiro, então capital, e trouxe telégrafo, correio e jornais: O Muriaé, de 1890, O Eixo Municipal, de 1891, O Condor, de 1898, e O Radical, de 1903.

A República trouxe obras: a Matriz de São Paulo, templo do padroeiro, uma praça com jardim e o prédio do Executivo. Em 1910 chegou o serviço de força e luz, em 1911 o de água e esgoto e em 1913 o telefone urbano. Ainda em 1911, uma lei estadual encurtou o nome do município para Muriaé.

O território mudou muito nesse período. Em 1876, com a criação de Rosário de Limeira, Muriaé chegou a ter treze distritos. Depois vieram as perdas: Dores da Vitória saiu em 1923 para formar Miraí, Santa Rita e Santo Antônio do Glória formaram o município de Glória em 1938, e Patrocínio do Muriaé, a antiga rival na disputa pela sede, ganhou autonomia em 1953. Em 1865, o município somava 3.072 km², e as emancipações de Carangola, em 1882, e de Eugenópolis, em 1891, estão entre as que reduziram esse território.

Linha do tempo de Muriaé11 marcos, de 1817 a 2003, na história de Muriaé.
  • 1817Constantino José Pinto monta abarracamento às margens do rio Muriaé, no lugar do Largo do Rosário.
  • 1819Guido Tomás Marlière ergue a Capela do Rosário.
  • 1841Criação do distrito de São Paulo do Muriahé.
  • 1855Em 16 de maio, a Lei Provincial 724 eleva São Paulo do Muriaé a vila.
  • 1861Em 30 de novembro, instalação do município, depois da troca de sede com Patrocínio do Muriaé.
  • 1865A vila vira cidade, e a comarca é criada.
  • 1886Inauguração da estação da Estrada de Ferro Leopoldina.
  • 1911O município passa a se chamar simplesmente Muriaé.
  • 1939Getúlio Vargas inaugura a rodovia Rio-Bahia em visita à cidade.
  • 1995Criação da Fundação Cristiano Varella.
  • 2003Inauguração do Hospital do Câncer de Muriaé.

Da Rio-Bahia à Capital da Moda Íntima

A crise de 1929 derrubou o café, e a retomada veio pela estrada. Em 1939, Getúlio Vargas visitou a cidade para inaugurar a rodovia Rio-Bahia, que trouxe fluxo intenso de veículos. Com o asfaltamento, nos anos 1960, a mecânica automotiva cresceu, e Muriaé virou referência em retífica de motores. A monocultura cafeeira foi cedendo lugar a outras atividades, abrindo espaço para a indústria de confecção.

A cidade formou um polo de confecção de moda íntima, com centenas de fábricas espalhadas por vários bairros, e ganhou a fama de Capital da Moda Íntima.

Imagem do Cristo, em mirante sobre Muriaé. Foto: Josue Marinho, CC BY 3.0

A saúde ganhou outro eixo em 4 de setembro de 1995, com a criação da Fundação Cristiano Varella, base do Hospital do Câncer de Muriaé, inaugurado em 2003. Entre os nomes nascidos na cidade está o ator Paulo Porto, do rádio, do teatro, do cinema e da TV, em 1917. Quem nasce em Muriaé é muriaeense.