O aniversário de Mossoró, em 15 de março, é feriado?

Não, o aniversário de Mossoró não é feriado municipal.

Os feriados municipais de Mossoró são o feriado de 30 de setembro, que lembra a libertação dos escravizados em 1883 e o dia de Santa Luzia, padroeira (13 de dezembro). No aniversário, a cidade funciona como em um dia comum.

Da Capela de Santa Luzia à Terra da Resistência: a história por trás do 15 de março

O 15 de março lembra a elevação de Mossoró à condição de vila, em 1852, pela Lei Provincial 246, que desmembrou o lugar de Princesa, mais tarde Assu. É esse o marco de fundação que a cidade adota. A elevação à categoria de cidade veio com a Lei Provincial 620, de 9 de novembro de 1870.

Os primeiros moradores da região eram os índios Monxorós. Segundo o historiador potiguar Luís da Câmara Cascudo, a presença europeia começou por volta de 1600, atraída pelas salinas, que os holandeses Gedeon Morris de Jonge e Elbert Smiente exploraram até 1644.

Museu Histórico de Mossoró. Foto: MTur Destinos, Domínio público

No século XVIII, fazendas de gado se espalharam pelas margens do rio Mossoró. Em 1701, o governador de Pernambuco concedeu terras em Paneminha ao Convento do Carmo do Recife. Por volta de 1760 chegou o sargento-mor português Antônio de Souza Machado, dono da fazenda Santa Luzia, que mandou erguer a capela de Santa Luzia, fundada oficialmente em 5 de agosto de 1772.

Da capela à vila: a Mossoró do século XIX

A capela foi o centro em torno do qual o povoado ganhou forma de cidade, passo a passo. Em 27 de outubro de 1842, a Resolução Provincial 87 criou o distrito de Mossoró e a freguesia de Santa Luzia, e a capela virou matriz. A Câmara Municipal foi instalada em 24 de janeiro de 1853, sob a presidência do padre Antônio Freire de Carvalho.

A comarca veio em 1861, e o jornal O Mossoroense, fundado por Jeremias da Rocha Nogueira, em 17 de outubro de 1872. Três anos depois, em 30 de agosto de 1875, cerca de trezentas mulheres lideradas por Anna Floriano saíram às ruas contra o alistamento obrigatório para a Guerra do Paraguai e rasgaram em praça pública os papéis do recrutamento.

Linha do tempo de MossoróSete marcos, de 1772 a 1997, na história de Mossoró.
  • 1772A Capela de Santa Luzia dá origem ao núcleo urbano e à devoção que marca a cidade.
  • 1852Elevação à condição de vila pela Lei Provincial 246, em 15 de março, marco de fundação adotado.
  • 1870Elevação à categoria de cidade.
  • 1883Em 30 de setembro, Mossoró liberta seus escravizados, cinco anos antes da Lei Áurea.
  • 1927Em 13 de junho, a cidade resiste e expulsa o bando de Lampião, sob o prefeito Rodolfo Fernandes.
  • 1928Celina Guimarães Viana registra seu título e vota.
  • 1997Primeira edição do Mossoró Cidade Junina.

A seca de 1877 a 1879 esvaziou a cidade, e logo depois ganhou força o movimento abolicionista. A Sociedade Libertadora Mossoroense foi fundada em 6 de janeiro de 1883, e a abolição na cidade se deu em 30 de setembro daquele ano, cinco anos antes da Lei Áurea. Em 1904, nos 21 anos da data, foi inaugurado o Monumento da Liberdade, na Praça da Redenção.

A virada do século mudou a rotina da cidade. Com a República, a Câmara foi dissolvida e deu lugar à intendência municipal, em 1890. Em 1901, o bispo da Paraíba, Dom Adauto Aurélio de Miranda Henriques, fundou o Ginásio Santa Luzia, origem do Colégio Diocesano. Em 1908 abriu o primeiro cinema, o Cine-Teatro Almeida Castro.

Em 13 de setembro de 1913, a intendência tornou o 30 de setembro feriado municipal. A estrada de ferro até Porto Franco, depois Areia Branca, começou a funcionar em 1915, e no fim de 1916 a Empresa Força e Luz trocou os lampiões a querosene pela iluminação elétrica.

O mapa do município também mudou no século XX. A Lei Municipal 19, de 10 de setembro de 1908, criou os distritos de Porto de Santo Antônio e São Sebastião, que já não figuravam na divisão de 1933. São Sebastião foi recriado em 1938, virou Sebastianópolis em 1943 e Governador Dix-Sept Rosado em 1948, nome com que se emancipou em 1963. Baraúna, distrito desde 1953, virou município em 1981.

Lampião, Celina e a Terra da Resistência

A abolição antecipada foi o primeiro de três episódios que deram a Mossoró o apelido de Terra da Resistência. O segundo veio em 13 de junho de 1927. O bando de Lampião, que entrara no Rio Grande do Norte por Luís Gomes, mandou um bilhete exigindo dinheiro para não invadir a cidade, e o prefeito Rodolfo Fernandes, que já organizara trincheiras, recusou.

O ataque começou às quatro da tarde, com três grupos que miraram a casa do prefeito, a estação ferroviária e o cemitério. Uma hora depois, o bando recuou e deixou para trás Colchete, morto no confronto, e Jararaca, ferido, preso e morto dias depois. Ele foi enterrado no mesmo cemitério que o bando atacou.

Memorial da Resistência de Mossoró, que lembra a repulsa ao bando de Lampião em 1927. Foto: Ridiculopathy, CC0

O terceiro episódio é de 1928, quando a professora Celina Guimarães Viana, que vivia em Mossoró, registrou seu título de eleitora e votou. Ela é apontada como a primeira mulher a votar na América do Sul, num tempo em que a Constituição de 1891 deixava as mulheres fora das urnas. Celina nasceu em Natal.

A resistência a Lampião é lembrada pelo Memorial da Resistência e reencenada no espetáculo Chuva de Bala no País de Mossoró, parte do Mossoró Cidade Junina, realizado desde 1997.

Área urbana de Mossoró, no oeste potiguar. Foto: George Vale, CC BY 2.0

A economia se apoia no sal marinho, no petróleo em terra, explorado pela Petrobras desde 1979, e na fruticultura irrigada, com destaque para o melão. Quem nasce na cidade é mossoroense.