O aniversário de Mauá, em 8 de dezembro, é feriado?
Sim, é feriado municipal em Mauá.
O que abre e o que fecha
| Serviço | No feriado |
|---|---|
| Bancos | As agências fecham em feriado municipal; canais digitais e autoatendimento funcionam (Febraban). |
| Repartições municipais | Fechadas, salvo os serviços essenciais. |
| Comércio | Depende da convenção coletiva local. |
Da Capela do Pilar à estação que deu nome a Mauá
As primeiras referências documentais ao território de Mauá são do início do século 18. A área tinha o nome indígena de Cassaquera, "cercados velhos", e a parte alta vizinha, onde estão Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, chamava-se Caguassu, "mata grande".
Cassaquera tinha um povoamento disperso, ligado ao caminho entre a Vila de São Paulo e o litoral, que passava perto do atual leito ferroviário, às margens do rio Tamanduateí. Com o tempo, a localidade virou passagem obrigatória para os povoados de Pilar e São Bernardo.
O povoado de Pilar cresceu em torno da Capela de Nossa Senhora do Pilar, de 1714, no Pilar Velho, em Ribeirão Pires, e ficava à beira de outro caminho, rumo à Vila de Mogi das Cruzes pelos campos de Taiaçupeba e Guaió. O crescimento, porém, veio com os trilhos, quase dois séculos depois.
O Barão, a ferrovia e a Estação do Pilar
Em 1856, um decreto autorizou a formação da companhia que construiria a estrada de ferro Santos-Jundiaí e deu ao Barão de Mauá, Irineu Evangelista de Sousa, ao Marquês de Monte Alegre e ao conselheiro José Antônio Pimenta Bueno o direito de construir e explorar a ferrovia por 90 anos.
O obstáculo era o dinheiro. O Barão obteve de D. Pedro II autorização para buscar recursos no exterior, conseguiu que boa parte das ações fosse subscrita por pessoas do seu círculo e que os governos do Império e da Província dessem as garantias pedidas pelos banqueiros ingleses. A São Paulo Railway Company foi organizada em Londres.
A presença do Barão nas obras era frequente, e por isso ele comprou, em 1862, uma fazenda no território do atual município. A casa grande, onde ele teria morado, abriga a Casa da Cultura e Museu Barão de Mauá. A construção começou em maio de 1860, no porto de Santos, e a ferrovia foi inaugurada em 16 de fevereiro de 1867, levando o café do interior até o porto. O transporte de produtos agrícolas melhorou de forma visível, e o movimento chegou às localidades ao longo da linha.
O crescimento da Vila do Pilar levou a companhia a instalar uma estação no lugar. A Estação do Pilar, toda de madeira, foi inaugurada em 1883 e teve papel na industrialização da área. Em 1926 passou a se chamar Estação Mauá, e foi pela estação que o nome do Barão, nascido em Arroio Grande, no Rio Grande do Sul, chegou à cidade.
- 1714Capela de Nossa Senhora do Pilar, núcleo do povoado.
- 1856Decreto concede ao Barão de Mauá e sócios a construção da ferrovia Santos-Jundiaí.
- 1862O Barão de Mauá compra uma fazenda no território do atual município.
- 1867Em 16 de fevereiro, inauguração da ferrovia Santos-Jundiaí.
- 1883Inauguração da Estação do Pilar.
- 1926A estação é renomeada Estação Mauá, em homenagem ao Barão.
- 1934Em 18 de outubro, criação do distrito de Mauá, no município de São Bernardo.
- 1938A sede do município passa de São Bernardo para Santo André.
- 1953Em 22 de novembro, plebiscito; em 30 de novembro, a Lei Estadual 2.456 cria o município.
- 1954Abertura da Refinaria de Capuava.
- 1955Em 1º de janeiro, instalação do município; a Câmara fixa o 8 de dezembro como data magna.
De distrito de São Bernardo a município do Grande ABC
Desde a fundação, a Vila do Pilar pertencia a São Bernardo, freguesia de 1812 a 1889 e município a partir de então. Pela ferrovia, porém, a influência econômica e administrativa vinha da Estação São Bernardo, depois Santo André. O distrito de Mauá foi criado em 18 de outubro de 1934, e em 1938 a sede do município passou de São Bernardo para Santo André.
A mudança foi feita pelo Decreto-lei Estadual 9.775, de 30 de novembro de 1938, e no quadro de 1939 a 1943 o distrito de Mauá já aparece no município de Santo André. Para a vida diária, a referência era a estação: era pelos trilhos que se chegava ao comércio e aos serviços da sede.
Em 1943, já se falava em emancipação em Mauá e nos outros distritos andreenses, como Ribeirão Pires, São Bernardo e Paranapiacaba. O plebiscito ocorreu em 22 de novembro de 1953, e a Lei Estadual 2.456, de 30 de novembro de 1953, criou o município, instalado em 1º de janeiro de 1955. É de 1953 que a cidade conta a idade.
O aniversário, porém, não cai no dia da emancipação. A Câmara Municipal fixou o 8 de dezembro como data magna, o mesmo dia da padroeira, Nossa Senhora da Imaculada Conceição. A Prefeitura juntou as duas celebrações, e a data ganhou caráter ao mesmo tempo cívico e religioso.
Em 1954, ainda antes da instalação do município, abriu a Refinaria de Capuava, semente do Polo Petroquímico de Capuava, na divisa com Santo André. A indústria química passou a dividir a identidade local com a tradição ceramista, que deu à cidade o apelido de Capital da Porcelana. A cidade fica no Grande ABC, a leste da capital paulista, e quem nasce ali é mauaense.